quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Luis Pato - BTT - 2009


O fantástico Luis Pato, “rei” da região da Bairrada, em Portugal, aprontou mais uma de suas peripécias enológicas lançando este vinho de nome dúbio, o BTT 2009.

Segundo o próprio Luis Pato me disse no Encontro Mistral 2012 (relembre), a ideia deste corte de Baga, Touriga Nacional e Tinta Cão é "mostrar ao mundo que é possível consumir um vinho da Bairrada - produzido somente com castas locais – ainda jovem, desconstruindo a noção de que os bons vinhos locais sempre levam alguma “casta internacional” no seu corte."

Outra informação muito interessante é que a sigla BTT - uma clara referência aos nomes das castas – também é a abreviação de mountain bike em Portugal, o que nos leva a associá-la com a capacidade deste vinho de transitar por qualquer tipo de situação, seja ela a de servir como vinho de contemplação ou mesmo de harmonização para um grande número de pratos.

Teria sido Luis Prato pretensioso demais?

Quando se trata deste gênio da enologia portuguesa e mundial, nada é pretensão demais. O português é fera na arte de produzir excelentes vinhos, é uma figura das mais carismáticas do mundo do vinho e vem se mostrando uma grande revelação na arte da inovação também.

O BTT 2009 logo em sua primeira safra já foi condecorado como um dos 50 melhores vinhos de Portugal por Tom Cannavan, um feito louvável vindo deste renomado crítico escocês.

Coloração vermelho rubi intenso, muito límpido e brilhante. No nariz muita fruta vermelha fresca, como morangos e cerejas, além de toques de ameixas maduras, café e terra molhada. Paladar fresco, com ótima acidez e bastante frutado. Taninos presentes e maduros. Ótima persistência. Um vinho muito gostoso de beber e que vale muito mais pela curiosidade de provar um vinho típico da Bairrada, produzido com um corte incomum no Brasil. 

R$ 164,00 (Mistral) | Álcool 13,0 %

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vinho do mês [NOVEMBRO/2012]: Almaviva 2006


Quem vem acompanhando o Vinho SIM já se acostumou a ver no final de cada mês, o artigo Vinho do mês, em que seleciono o vinho melhor avaliado nos últimos 30 dias (ou um pouquinho mais, em casos excepcionais) para comentar aqui.

O vinho de outubro (relembre), o fantástico Special Blend 2007, da Bodegas del Fin del Mundo foi bastante acessado e agora chegou a vez de um ícone chileno, o Almaviva 2006.

O site da vinícola Almaviva, traz a seguinte descrição:

Em 1997, a baronesa Philippine de Rothschild, assessora-presidente da Baron Philippe de Rothschild S.A. e Don Eduardo Guilisasti Tagle, presidente da Viña Concha y Toro S.A., firmaram um acordo de sociedade com a ideia de criar um vinho premium franco-chileno excepcional. Desta fusão surgiu o Almaviva.

Produzido sob a supervisão conjunta dos dois sócios, a primeira colheita foi sucesso internacional imediato assim que foi lançada ao mercado, em 1998.

O nome Almaviva, apesar da ressonância hispânica, pertence à literatura clássica francesa: O Conde de Almaviva é o herói de O Casamento de Fígaro, a famosa comédia de Beaumarchais (1732-1799), mais tarde transformada em ópera pelo gênio Mozart.

O logotipo, por sua vez, faz uma homenagem à história da ancestralidade do Chile, com três reproduções que simbolizam a visão da terra e do cosmos na civilização Mapuche. O rótulo exibe o nome de "Almaviva" com o manuscrito original de Beaumarchais.


Localizada em Puente Alto - a parte mais alta do Vale do Maipo, zona central do Chile e reconhecida como ideal para a produção de Cabernet Sauvigon, a vinícola, projetada pelo arquiteto Martín Hurtado, une toda a modernidade de um “desenho” muito funcional com as tradições dos nativos da região, desde a utilização de madeira provinda do Sul do Chile até a decoração com símbolos e artefatos da cultura mapuche.

Apesar de jovem, a vinícola certamente veio pra ficar. Ou melhor, já está!

Ufa, vamos ao vinho!

Escrever sobre uma safra boa no Chile é chover no molhado. Nos últimos anos o país vem experimentando boas safras uma após a outra, o que colabora muito com a crescente produção de vinhos ícones, como é o caso, porém 2006 teve suas particularidades. O inverno um pouco menos chuvoso que a média trouxe um sofrimento extra às videiras, o que garantiu um brotamento homogênio, que gerou posteriormente frutos com excelente concentração de açúcar, ainda mais potencializado pelas já comuns poucas chuvas do verão e pela grande amplitude térmica do Maipo. As baixas temperaturas de abril desaceleraram um pouco o amadurecimento final das uvas, tendo a colheita sido sido iniciada no final de abril.

Provei o Almaviva 2006, um corte de 63% Cabernet Sauvignon, 26 Carmenère, 9% Cabernet Franc e 2% Merlot, que estagiou 17 meses em barricas de carvalho francês novas na companhia do amigo e enófilo Waldemar de Lello Jr., grande apreciador dos ícones chilenos e as impressões foram as seguintes.

Coloração vermelho rubi de grande intensidade, tingindo a taça com veemência. Límpido e brilhante. No nariz, o vinho começa a justificar seu nome, pois realmente tem uma grande alma, apresentando novidades incríveis com o passar dos minutos. A proposital não utilização de um decanter trouxe mais prazer à nossa prova, pois a oxigenação foi mais demorada, facilitando que pudéssemos notar as mudanças da paleta olfativa do vinho. De cara, muita fruta vermelha (groselha e framboesa) e negra (amora, mirtilo e ameixa) em compota e pimentão entremeados por notas de carvalho novo, que imprimem um caráter “verde”, um pouco selvagem, mas sem agressividade. Em alguns segundos, um tostado, baunilha, tabaco, mentolado e chocolate também deram o ar da graça. É daqueles vinhos que dá vontade de ficar curtindo os aromas por muito tempo. Paladar de grande estrutura, mastigável. Muita fruta madura bem contornada pela acidez. Taninos maduros. Excelente equilíbrio. Ótimo para consumo, mas certamente ainda deverá evoluir por longos anos. Muito persistente.

Uma curiosidade sobre este vinho é que ele não possui importador, é trazido ao Brasil por negociantes, prática muito comum na França, mas bem incomum por aqui.

Apesar do preço salgado, é um vinho super recomendado!

R$ 400,00 ~ R$ 700,00 Álcool 14,5 %

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (18/20)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Blogs ganham até R$ 80 mil por elogios!

Interessante matéria publicada neste domingo, 02 de dezembro para a Folha de São Paulo on line.



Abaixo a matéria na íntegra.

Juliana Cunha, colaboração para Folha de São Paulo

Ganhar brindes de marcas, ser convidado para participar de eventos e receber entre R$ 500 e R$ 15 mil por uma opinião favorável a um produto estão entre as regalias de ser um blogueiro famoso.

Segundo levantamento feito pela Folha com 12 agências de publicidade que trabalham com marketing digital, um blogueiro cujo site tenha a partir de 40 mil acessos diários ganha entre R$ 15 mil e R$ 80 mil por mês fazendo publieditoriais.

Também conhecidos como publiposts, post pagos e jabás, são textos financiados por marcas e veiculados em blogs. A maioria aparece com uma discreta identificação de que se trata de publicidade -apenas uma "tag" no pé do texto, com a palavra "publipost". Outros nem isso mostram. É comum que esses avisos apareçam só no fim do texto, em tamanho pequeno.

Publipost é todo material pago veiculado em blogs como se fosse um post normal. De certo modo, corresponde aos chamados "informes publicitários", textos com aparência jornalística feitos por empresas e publicados em jornais e revistas com identificação para que o leitor não o confunda com reportagem.

Por causa do post pago, é possível ver blogueiros elogiando marcas de absorvente, roupas, celulares, restaurantes e até dermatologistas.

A propaganda, que não tem cara de publicidade, nem sempre aparece identificada como tal. Escrita em primeira pessoa, assemelha-se a uma dica de amigo.

"O grande problema é a falta de regulamentação. Cada blogueiro identifica as propagandas como quer. Alguns com uma 'tag' minúscula no fim do post, outros com selos", diz o blogueiro e publicitário Alexandre Inagaki.

Para Inagaki, o correto seria identificar como propaganda logo no título.

Neste ano, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) investigou um caso de propaganda disfarçada em blogs pela primeira vez: três blogueiras publicaram textos idênticos elogiando produtos da loja de maquiagens Sephora.

Ao final, o conselho recomendou que elas evitassem gerar desconfianças nos consumidores.

Segundo as agências de publicidade, os melhores blogs para anunciar são os de humor e os de moda, que já ganharam até uma rede para organizar os publiposts, chamada F.Hits.

A plataforma criada pela empresária Alice Ferraz reúne 24 blogs de moda e chegou a receber o título de oitava companhia mais inovadora do Brasil no ranking da americana Fast Company.
Um dos blogs de humor mais rentáveis é o "Não Salvo", feito por Maurício Cid. Ele afirma identificar suas publicidades por meio de 'tags'.

"O que o blogueiro tem de mais importante é a sua credibilidade. Além disso, meus leitores acham justo que eu ganhe dinheiro com o blog."

AGÊNCIAS

O procedimento padrão do publipost é feito por uma agência de publicidade ou setor de marketing de uma empresa. A agência entra em contato com blogueiros cujos sites tenham a ver com o produto. São acertados valores e a exposição do texto.

Há quem peça, por exemplo, que o texto fique na página principal do blog por um número determinado de dias.

O blogueiro costuma escrever o texto para que o material não seja muito diferente dos textos normais do site.

Há, porém, redatores publicitários especializados em imitar o estilo dos blogueiros. A marca aprova o material antes de ele ser publicado.

Outras ações publicitárias como vídeos, mudança do "layout" do blog e participação dos blogueiros em eventos costumam ser mais caras.

Para Daniel Oliveira, do blog "Não Intendo", não há como blogs grandes se sustentarem sem publicidade. Ele a identifica com uma tag.

"Publico uma média de 25 textos toda semana, apenas 2 ou 3 são publicidade. Um site com muitos acessos como o meu precisa de um servidor elástico, o que pode custar US$ 2.000 por mês."

Entre seus clientes, Oliveira já teve marcas de bebida, carros e lojas de roupa.

Para Ian Black, da agência New Vegas, o mercado está inflacionado: "A demanda de marcas que se interessam por esses serviços cresceu e surgiram agenciadores que sabem cobrar como agência".


Sou um novato neste meio e deixo aqui a pergunta: será que existe este tipo de post nos blogs de vinho?

Pessoalmente não gosto, mas não acho nenhum absurdo publicá-los desde que seja feita a devida citação de publicidade.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pechincha do mês [NOVEMBRO/2012]: Juno CS + Merlot 2009


Fala galera, tudo bem com vocês?

Mais uma vez estou aqui para indicar o vinho de preço mais acessível degustado por mim nos últimos 30 dias. Chegou a vez de novembro!
Sempre lembrando que para “preço acessível” defini o teto de R$ 40,00, que só será ultrapassado no caso do vinho em questão possuir uma relação QUALIDADE-PREÇO excepcional.

O achado de novembro vem direto da África do Sul e conheci na 5a edição do sempre muito bom Mania de Vinhos, realizado pela Maison des Caves da Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. Este evento marca a abertura de uma promoção que a Maison des Caves faz todos os anos, sempre incluindo ótimos rótulos a preços muito bons.

Apesar de provar por volta de uns 30 vinhos, este que é o protagonista deste post chamou a atenção especialmente por sua relação qualidade-preço.

Produzido na região de Paarl, na África do Sul, o Juno Cabernet Sauvignon/Merlot 2009 já chama a atenção pela arte no seu rótulo.

A vinícola Juno Wine Company nasceu de um casamento entre vinho e arte, sempre estampando em seus rótulos, imagens da artista Tertia du Toit, muito conhecida na África do Sul por seus trabalhos sempre destacando a sensualidade feminina. Mulheres, que não por acaso, são destaque também dentro da vinícola, desde um dos lemas da empresa: “Honrar as mulheres, arte e vinho”, até a elaboração do vinho, que é feita por 4 enólogas, Adele Dunbar, Stephanie Betts, Alicia Rechner e Licia Solomans. Veja mais detalhes aqui.

Sensacional! Parabéns à Juno por esta empreitada!

Este vinho é corte de 60% Cabernet Sauvignon e 40% Merlot, que, de cara, já impressiona pelo ataque aromático. Muita fruta vermelha e negra madura, toques de eucalipto e um defumado muito gostoso me seduziram desde o primeiro momento. Não consegui encontrar informações oficiais do tempo de passagem por barricas, mas certamente passa alguns meses o que lhe confere algumas notas de baunilha muito interessantes. Na boca é muito macio, tem bastante fruta e uma acidez que me dá o tempo todo aquela vontade de continuar bebendo. Taninos maduros e ótima persistência. Não é um vinho para acompanhar alta gastronomia, mas pode ser um par perfeito para uma tábua de frios ou uma bela pizza!

Comprei-o por R$ 38,00, mas com a promoção leve 3 pague 2 cada garrafa sai por volta de R$ 25,00. É claro que comprei várias! Há ainda a opção do Shiraz, que também é muito bom e será tema de algum post futuro!

R$ 38,00 (Maison des Caves) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Viña Mar - Reserva - Sauvignon Blanc 2011



Diretamente do Vale de Casablanca, região emblemática da vitivinicultura chilena, vem este varietal Sauvignon Blanc, produzido pela vinícola Viña Mar.

O nome da vinícola é uma homenagem à característica mais peculiar da região: a proximidade com o mar que, em geral, confere alguma mineralidade e frescor aos vinhos da região.

Conheci este Reserva SB 2011 no Wine Road Show da importadora Épice (relembre) e ele foi, justamente com os demais vinhos da vinícola, uma boa surpresa, principalmente pela ótima relação QUALIDADE-PREÇO.

Coloração amarelo palha com reflexos esverdeados. Muito límpido e com bonito brilho. Aromas típicos da casta, com destaque para frutas cítricas e tropicais com toques de pimentão, mel e damasco seco. Paladar muito agradável, com ótima acidez, bem equilibrada pela boa presença de fruta. Leve e com alguma cremosidade e mineralidade. Boa persistência.

Um vinho que vale muito ser experimentado e que é acompanhamento ideal para entradas e pratos à base de frutos do mar, especialmente os que devem ser servidos frios, como os vinagretes de polvo e mariscos.

R$ 36,00 (Épice) | Álcool 13,5 % | Acidez 4,3g/L |Acúcar 2,27g/L

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio: Tormentas - Minimus Anima 2007



Conheço os vinhos produzidos pelo Marco Danielle desde as primeiras safras e o que venho notando, ano após ano, é que eles quase sempre despertam sentimento de amor ou ódio nos degustadores. É raro nos deixarem resignados.

O projeto do Marco Danielle, denominado Atelier Tormentas – Vinho de Autor pode ser definido como, no mínimo, ousado, como descreve o próprio site da vinícola: “Nossos vinhos não são filtrados ou estabilizados artificialmente, de forma a preservar ao máximo certos traços de caráter. Vemos o depósito em garrafa não só como um charme ritual, mas como evidência de um processo de elaboração com mínima intervenção. Em função de nossa política de vinificações a baixo ou nenhum SO2 (sem adição de sulfitos ou INS 220), indicamos guarda climatizada. Mas isso vale para qualquer bom vinho, e só tem importância quando a intenção é adegar por vários anos. Mesmo assim, a opção por vinhos naturais, com baixo ou nenhum conservante, pode gerar leve gaseificação (nota frisante) em algumas garrafas, lotes ou safras, sem qualquer conseqüência sobre a qualidade geral e facilmente neutralizável por aeração em decanter. Aceitar tais condições é indispensável para compartilhar nossa proposta, e usufruir as vantagens de uma vinicultura não intervencionista. Embora utilizemos frutos produzidos com máximo esmero, nossa agricultura não é orgânica. Contudo nossa vinificação, em alguns casos, pode ser totalmente orgânica.

Alguns críticos consideram que o enólogo é muito panfleteiro, que exalta demais tudo o que faz e que usa isso como forma de esconder alguns defeitos de seus vinhos (leia esta crítica do enólogo Jucelio K. de Medeiros, antiga - de 2008 - mas que vale para uma reflexão) e outros consideram seus vinhos fantásticos, cheios de originalidade, como o enófilo e grande músico Ed Motta e o crítico Steven Spurrier, que costumam morrer de amores por eles.

Eu confesso que acho um pouco dos dois! Já é a terceira vez que provo este Minimus Anima 2007 e só agora tive vontade de escrever sobre ele. Já provei muitos vinhos do Tormentas e há alguns que gostei bastante e outros que nem tanto. A superpanfletagem não me agrada, porém compreendo a posição do Marco Danielle de querer exaltar seus vinhos e não simplesmente deixá-los à mercê da opinião alheia. Desde que o faça com bom senso, moderação e honestidade, acho tudo certo.

Muito bem, vamos ao Minimus Anima 2007, cuja produção se limitou a apenas 2600 garrafas com um corte de 35% Cabernet Sauvignon, 35% Tannat “supertardia”, 20% Alicante Bouschet e 10% Merlot, sem passagem por madeira e com quantidade insignificante de SO2.

Na taça, mostrou coloração vermelho rubi intenso com leves traços acastanhados, já mostrando uma certa evolução. Límpido, mas sem muito brilho. Os aromas que mais se destacam de cara são os de frutas maduras, com nítido toque de cassis, um belo floral e terra molhada. Me agrada bastante essa “clareza” da fruta, sem os toques de madeira. No paladar, de ótima estrutura, também se destaca uma bela concentração de fruta, com taninos bem maduros, possivelmente resultado da utilização de uvas Tannat "supertardia" em 35% do corte. A safra de 2007 foi contada em verso e prosa como uma safra não muito boa no Sul do país, inclusive na região da Encruzilhada do Sul - onde foram produzidas as uvas utilizadas neste corte -, mas, ao contrário do esperado, não considero elevada a acidez do vinho, que se mostrou bem presente durante a prova, mas fez um pouco de falta no final, deixando o retrogosto mais para o adocicado.


Para a harmonização deste vinho, escolhi um macarrão parafuso ao funghi seco, que se mostrou bastante correta, formando uma ótima parceria.

Ao meu ver, não se pode considerar este vinho um ícone brasileiro, mas também está longe de algumas críticas contundentes que já li. É um vinho que, sem a menor dúvida, deve ser, ou melhor, TEM QUE SER provado, principalmente pelas suas características únicas! É uma pena que está esgotado, pelo menos no site do produtor, mas, caso o encontre em alguma loja por aí, compre-o!

R$ 80,00 (site do produtor - esgotado) | Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Contarini - Prosecco DOC Millesimato



Diretamente de ConeglianoVênetoItália vem este Prosecco produzido pela Contarini.

Antes de falar do vinho, vou escrever algumas linhas sobre a região e esta uva fantástica.

Conegliano e Valdobbiadene são as únicas vilas do Vêneto com direito à denominação de origem controlada (DOC)! Vinhos de outras partes do Vêneto são classificados como indicação geográfica típica (IGT). E o que isso quer dizer? Em termos de qualidade, nada! É possível, encontrar ótimos IGTs e não tão bons DOC, porém a denominação de origem é uma garantia de que algumas normas serão seguidas. Só.

No total, o Vêneto possui 15 comunas, todas na região de Treviso, que produzem espumantes com a uva Prosecco.

A Prosecco é uma casta de uva branca, originária exatamente da região do Vêneto, por isso sua larga produção nesta região.

A Contarini emprega alta tecnologia na elaboração de seus espumantes e tem a tradição de sempre empregar enólogos formados na Wine School de Conegliano, uma das mais antigas escolas e de maior prestígio na Itália.

Conheci e comprei o espumante em questão, o demi-seco Contarini Prosecco Millesimato, no estande da Orion na Wine Weekend 2012 (relembre). Na ocasião, além de um preço com mais de 50% de desconto, a importadora/loja ainda estava oferecendo o vinho nestas bonitas embalagens. Ótima apresentação!

Coloração amarelo palha de média intensidade, com reflexos dourados bem sutis, bastante límpido e brilhante. Perlage média, com boa intensidade e persistente. Aromas de flores e frutas cítricas, sem destaque para nenhuma fruta em especial. Paladar com média estrurura, alguma cremosidade e acidez bem equilibrada com o açúcar. Ligeiro e fácil de beber. Apesar de ser um demi-seco, o final não é adocicado, já que possui boa acidez! Ótima escolha para um aperitivo em dias quentes - o verdadeiro "espumante beira de piscina" -, para recepção em festas ou para acompanhar saladas ou entradas leves, que exijam ótimo frescor do vinho.

Nesta ocasião, optamos por um clássico carpaccio de lagarto, alface americana, palmito, mostarda, alcaparras e queijo parmesão. Foi uma boa harmonização, mas um pouquinho mais de estrutura cairia ainda melhor.


É uma boa opção para quem quer conhecer um pouco mais os tradicionais Proseccos italianos, mas há espumantes brasileiros melhores e por preços menores! Ainda assim, recomendo como fonte de conhecimento.

R$ 45,00 (Orion) | Álcool 12,5 %

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mestres - Cava 1312


Cava é o termo oficial para o vinho espumante de método tradicional, produzido predominantemente em Penedès - embora existam alguns poucos produtores no resto da Espanha - e com as uvas Parrelada, Xarel-lo e Macabeo.

História é o que não falta à Cava Mestres, produtora desta cava, denominada 1312.

O nome me chamou a atenção e eu fui buscar informações sobre ele, momento em que fui largamente surpreendido: o nome é uma homenagem aos 700 anos de ligação da família com o mundo do vinho!

A vinícola não foi oficialmente fundada em 1312, mas há registros de antepassados já cultivando uvas nesta época. São 28 gerações ligadas ao vinho. Sensacional, não?

Vamos à prova.

Coloração amarelo palha de média intensidade, com algum reflexo esverdeado, límpido e brilhante. Bonita perlage, bem fina, abundante e persistente. Aromas agradáveis de maçã verde, frutas tropicais e  frutas de polpa branca. Pão torrado e toques de manteiga e alguma fruta seca também aparecem, um provável reflexo dos 18 meses em contato com as borras. Paladar seco, com boa cremosidade, ótima acidez e ótimo frescor. Boa persistência e retrogosto levemente amargo.

Cava com vocação gastronômica para entradas com bom tempero, como por exemplo canapés que contenham alcaparras ou azeitonas.

É um ótimo vinho, não há dúvida, mas peca um pouco na relação qualidade-preço, uma vez que podemos encontrar ótimos espumantes nacionais a melhores ou mesmo alguns Champagnes de melhor qualidade e preços próximos a esse.

R$ 129,00 (B-Cubo) | Álcool 12% | Acidez 6,1g/L |Acúcar 9g/L

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pago los Balancines - Crash Red 2011


Diretamente da DO Ribera del Guadiana, em Extremadura - Espanha, uma das mais importantes regiões da Península Ibérica durante o Império Romano, vem esse vinho jovem e frutado, adquirido por meio da Sociedade da Mesa: o Crash Red 2011, o “vinho de batalha” do produtor Pago los Balancines.

A história da vinícola fundada em 2006 é a do encontro de um grupo de apaixonados pelo mundo do vinho e uma região possuidora de inúmeros valores destacados na sua gastronomia, desde a produção das famosas cerejas do Valle del Jerte, passando por fantásticos azeites e mel, até chegar aos famosíssimos presuntos Pata Negra!

A vinícola chegou ao mercado com a proposta de elaborar vinhos “diferentes”, jovens, macios e frutados e que sejam referência de uma região muito rica em história e que, apesar de ocupar o segundo lugar em toda a Espanha em termos de superfície de vinhedos, não tem um grande destaque na produção de vinhos finos e por isso é pouco conhecida no cenário mundial.

O maior compromisso da vinícola é produzir vinhos com boa relação qualidade-preço, tentando alcançar outras regiões mais prestigiadas na Espanha.

O Crash Red 2011 é um corte de 25% Tempranillo, 25% Syrah, 25% Garnacha Tintorera e 25% Garnacha Negra, sem passagem por barricas de carvalho.

Coloração vermelho cereja, muito límpido e brilhante. Bonito. No nariz o destaque vai para morangos e cerejas maduros, com algum toque herbáceo e de ervas. O paladar não me agradou. É bastante frutado, mas me deixa aquele gosto de bala de cereja, adocicado demais. Falta acidez. Tem uma estrutura média e final muito curto e adocicado.

O preço por volta dos R$ 40,00 é caro demais se comparado à outras opções que temos no mercado brasileiro, inclusive se comparado a alguns vinhos nacionais que também têm essa pretensão de ser vinhos para o dia-a-dia, jovens e frutados. Apesar de não apresentar nenhum defeito, também não encanta em nenhum quesito. Não recomendo.

R$ 41,80 (Sociedade da Mesa) | Álcool 14,5%

Avaliação VINHO SIM: RAZOÁVEL (Nota: 10/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RUIM

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sieur d'Arques - Oceanique Limoux - Chardonnay 2009



O Festival Sud de France, realizado aqui em São Paulo este ano, não só me trouxe um imenso prazer em conhecer mais sobre a culinária e os vinhos franceses, como me fez estudar e aprender bastante sobre esta encantadora região francesa!

Este fantástico branco é produzido com 100% Chardonnay pela vinícola Sieur D’Arques - a mesma que produz o espumante Première Bulle, considerado por muitos o primeiro deste estilo no mundo, antes mesmo dos Champagnes – em Limoux, uma denominação na região de Languedoc, no sul da França.


O grande volume de vinhos do tipo “Vin de Pays d’Oc” desta região que chega ao Brasil sempre prejudicou minha avaliação e entalhou em mim um certo preconceito com os vinhos de lá, por isso quando provei este vinho no estande da Vinos & Vinos no lançamento do Festival Sud de France aqui em São Paulo  (relembre) tive uma grata surpresa.

Assim que aproximei a taça do meu nariz, o frescor e a mineralidade saltaram da taça me dando uma ótima impressão inicial. Mas é claro que não parou por aí. Muita fruta branca madura e pitadas cítricas, somadas a um aroma que só consigo notar nos grandes Chardonnays do mundo: maçãs cozidas. Alguns toques amanteigados e de madeira contornam brilhantemente o frutado.
No paladar a primeira impressão também é de algo bem mineral e foi incrível a vontade de harmonizá-lo com algum fruto do mar. O frutado também aparece – com destaque para pêssegos - e o equilíbrio entre acidez e doçura é incrível. Tive também a sensação de algum sabor parecido com açúcar queimado, talvez um caramelo mesmo. Madeira presente e novamente bem integrada, mostrando que os 10 meses de afinamento em carvalho fizeram muito bem ao vinho. Ótimo corpo, untuoso. Ótima persistência.

O buffet foi muito bem elaborado com ótimas sugestões para harmonizar os delicados vinhos do Sul da França


Gostei realmente bastante deste vinho e, para não ter dúvidas, provei-o novamente depois de algum tempo e, aí sim (!), harmonizado com um vinagrete bem suave de frutos do mar, oferecido pelo fantástico serviço do Bar des Arts, uma excelente escolha da organizadoras deste lançamento do Festival Sud de France!


R$ 90,00 (Vinos & Vinos) Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (18/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?