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sábado, 22 de agosto de 2015

Seleção Wine Expert: Aracuri Collector Cabernet Sauvignon 2010

Wine Expert

Queridos leitores, como já escrevi dias atrás na ND sobre o Rio Sil Syrah 2013 (relembre) há pouco tempo iniciei um novo trabalho, a curadoria da seção Brasil na novíssima loja virtual Wine Expert, um trabalho muito prazeroso e criterioso onde vou lançar periodicamente seleções com vinhos especialmente escolhidos pelo Vinho SIM, com base nestes anos e anos de experiências com os vinhos nacionais e, principalmente, nos resultados das Edições 2013-2014 e 2014-2015 do Ranking Vinho SIM de Espumantes, assim como na Edição 2015 do RVS de Brancos, Tintos & Rosados, com resultados divulgados bem recentemente.

Espero que gostem. Comentários, críticas e sugestões são sempre bem vindos.

Vamos à prova de mais um dos selecionados, o Collector Cabernet Sauvignon 2010, da vinícola Aracuri.




A mundialmente adorada Cabernet Sauvignon tem apresentado resultados cada vez mais impressionantes no Brasil. Esse é o caso deste Collector 2010, da vinícola de Campos de Cima da Serra - RS, que mostra desde o início a que veio. Os aromas mostram frutas negras, pimentão verde, além de algo mentolado-especiado. Mais um tempinho na taça e surge também alguma nota de tabaco. Muito elegante e sedutor no nariz, mas o maior destaque para mim é o paladar. Frutas (vermelhas e negras maduras e até compotadas), madeira e acidez em perfeito equilíbrio são acompanhados por ótima estrutura, maciez e taninos madurinhos. A mescla de elegância e rusticidade que eu adoro somada a um final médio-longo delicioso dão a este vinho uma super avaliação no quesito 'vontade de continuar bebendo'. É um belo par para carnes vermelhas, mas principalmente para carnes de caças com molhos encorpados, massas com ragus e queijos fortes. 

ÓTIMO (16/20) / R$ 90,00 (www.wineexpert.com.br)

Recomendado. 

Que Baco nos ilumine!










sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Wine Bar mais alto do mundo: Baco, em Cusco - Peru (3400m)!

A cidade de Cusco, fundada entre os séculos XI e XII e com altitude de mais de 3400m acima do nível do mar, foi o mais importante centro administrativo e cultural do Império Inca e hoje é um dos destinos turísticos mais procurados no mundo, por ser a base para se chegar à Machu Picchu, a "cidade perdida" dos Incas. Mas falar sobre história e cultura de Cusco e dos Incas é chover no molhado e tenho certeza que há dezenas de blogs e sites mais qualificados que o Vinho SIM e que já discorreram brilhantemente sobre o assunto. 

Atraído principalmente pela atmosfera criada pelos vales de Cusco - que guardam histórias preciosas de um dos povos mais fascinantes da humanidade, os Incas - e pelos atrativos gastronômicos de Limarecentemente tive a oportunidade de visitar o Peru.

Eu quero mesmo é falar sobre um oásis que encontrei durante caminhadas por esta fantástica cidade, que guardava mais "segredos" entre suas apertadas ruas do que qualquer enófilo podia imaginar.

Estudos sobre nosso continente apontam que foi numa fazenda de nome Marcahausi, em Cusco, em meados do século XVI, que a história da vitivinicultura americana se inicia, com as primeiras videiras trazidas para o Peru por Francisco de Carabanes e Bartolomé de Terrazas, logo após a conquista pelos espanhóis.

Até aí tudo bem, mas você já se imaginou num winebar a 3400m de altitude?!

Foi neste cenário que me deparei com a possibilidade de viver esta experiência. E como bom amante dos vinhos, não desperdicei a oportunidade de conhecer a casa cujo nome não poderia ser mais propício, Baco - Food and Wine

Além de um cardápio bem variado, com boas opções - como é de costume no Peru -, o winebar oferece uma grande variedade de vinhos - principalmente da América do Sul - e o mais interessante: a possibilidade de provar alguns vinhos peruanos em taça, algo que não encontrei em nenhum restaurante durante toda minha estada no Peru.

Provei 3 exemplares, o Chardonnay 2012 da Intipalka, o Blanco de Blancos 2013 e o Cabernet Sauvignon 2012, ambos da Bodega Tabernero.


Foi neste cenário que me deparei com a possibilidade de viver esta experiência. E como bom amante dos vinhos, não desperdicei a oportunidade de conhecer a casa cujo nome não poderia ser mais propício, Baco - Food and Wine

Além de um cardápio bem variado, com boas opções - como é de costume no Peru -, o winebar oferece uma grande variedade de vinhos - principalmente da América do Sul - e o mais interessante: a possibilidade de provar alguns vinhos peruanos em taça, algo que não encontrei em nenhum restaurante durante toda minha estada no Peru.


Provei 3 exemplares, o Chardonnay 2012 da Intipalka, o Blanco de Blancos 2013 e o Cabernet Sauvignon 2012, ambos da Bodega Tabernero.

O Chardonnay 2012 do Valle de Ica - um dos mais tradicionais (senão o mais) na produção de uvas do Peru - produzido pela Intilpalka, foi o mais interessante dos três, com ótimo equilíbrio entre fruta e acidez, bom corpo e boa persistência. Um vinho que, se chegasse ao Brasil com custo na casa dos R$ 40,00, certamente teria seu público e ocuparia um espaço no mercado. Ótimo (15/20).

O segundo vinho provado, o Blanco de Blancos 2013, um corte de Chardonnay, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc, produzido pela Tabernero no Valle de Chincha não chamou tanta atenção quanto o primeiro, mas não chega a decepcionar. Mostrou-se um vinho simples, algo entre os reservados e os reservas chilenos que chegam ao nosso mercado, mas sem presença de madeira. Fruta fresca e uma boa acidez são seus principais atributos.

Na sequência provamos o Cabernet Sauvignon 2012, também da Tabernero, que chegou à mesa credenciado por uma medalha de prata no francês Challenge International du Vin. O vinho até tenta apresentar alguma qualidade, mas a baixa acidez o tornam um pouco enjoativo, prevalecendo muito as notas frutadas.

Definitivamente é um passeio imperdível! Se não tanto pelos vinhos peruanos, que não chegam a empolgar, pelo sentimento de estar no Wine Bar mais alto do mundo numa das cidades mais fantásticas do mundo.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Santa Rita Gran Hacienda - Cabernet Sauvignon Rosé - 2012


Por Talita Martinez.

A vinícola Santa Rita foi fundada em 1880, por Domingo Fernández Concha e tem atualmente 3000 hectares de vinhedos sob responsabilidade dos enólogos Cecilia Torres e Andrés Ilabaca.

Esse varietal é produzido com 100% de uvas Cabernet Sauvingnon do Vale do Maipo40km ao sul de Santiago, aos pés da Cordilheira dos Andes, terroir que é reconhecido como uma das melhores áreas do mundo para a plantação de variedades tintas, especialmente a Cabernet Sauvignon.

Vamos à prova.

Coloração rosada bem atrativa. O aroma tem frutas vermelhas frescas, como morango e cereja, e algo herbáceo. Na boca o frutado se confirma, é suave, equilibrado, leve, fresco, gostoso de beber. O amadurecimento por 4 meses em barrica de carvalho não deixa nenhuma nota marcante.

É um vinho bem feito, porém simples, adequado para pessoas que ainda estão na transição entre o vinho “docinho” e o vinho seco. Além disso, devido ao seu equilíbrio, seus 13,5% de álcool não se sobressaem, o que o torna um vinho bem fácil de beber. Ideal para acompanhar pratos leves em geral, mas pode perfeitamente ser tomado sozinho, como um aperitivo, em qualquer ocasião.

Chama atenção o site da Viña Santa Rita não trazer nenhuma informação sobre essa linha de vinhos (Gran Hacienda), bastante vendida no Brasil. Possivelmente seja uma produção especial para cá.

R$ 47,00 (Grand Cru) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: BOM (13/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Siegel - Gran Crucero Limited Edition 2010


O Vale do Colchágua (Chile) é uma das minhas regiões favoritas no mundo, pela história e tradição, mas principalmente pela Cabernet Sauvignon e pela Syrah que são plantadas ali, cujos vinhos são únicos no mundo, cheios de personalidade.

Foi lá também que um grande nome ligado ao vinho chileno surgiu: Alberto Siegel.

História
Nascido em Santiago, Alberto cresceu em meio aos vinhedos da Viña San Pedro, onde seu pai trabalhou, e assim começou o interesse pela agronomia, que foi estudar anos depois.

Depois de passar algum tempo trabalhando em vinícolas na Alemanha, Aberto retorna ao Chile e, em pouco tempo, começa a trabalhar como corretor de vinhos na região do Colchágua, onde tem a oportunidade de conhecer a fundo a vitivinicultura local. Alberto foi, e ainda é, possivelmente o negociante de vinhos mais conhecido de todo o Chile.

O tempo passou e o caminho natural era o da produção de seus próprios vinhos, o que aconteceu no início dos anos 80, com a fundação da vinícola Siegel.

A vinícola hoje possui mais de 700 hectares, em diversas regiões chilenas, desde os pés da Cordilheira, na subdenominação Andes até as proximidades do Pacífico, na subdenominação Costa (entenda as novas subdenominações do Chile)

Vamos ao Gran Crucero Limited Edition 2010.

Este vinho, que é a grande estrela da Siegel, é uma seleção das melhores uvas dos vinhedos de cada sub-região da vinícola. Os 45% Cabernet Sauvignon vêm de Lolol, os 35% Carmenère de Los Lingues e os 20% Syrah de Marchingue, o que já mostra, de cara, o cuidado que o enólogo tem com este produto.

O que mais me chamou à atenção neste vinho foi a clareza com que se nota a presença de cada cepa. A groselha com notas mentolados da Cabernet Sauvignon, o herbáceo frutado fino da Carmenère (quando bem vinificada) e os toques especiados e apimentados da Syrah são permeados por um gostoso defumado proveniente dos 12-14 meses de afinamento em carvalho. Taninos maduros e ótima acidez tornam o vinho redondo e macio na boca, com final médio-longo e muito agradável. Tenho certeza que se o preço fosse um pouco mais baixo (talvez na casa dos R$ 100,00) seria um best buy e amealharia uma boa parcela do mercado, mas ainda assim é um vinho que vale ser provado. 

R$ 168,00 (Tahaa) Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estão chegando ao Brasil os vinhos da Junta Winery, olho neles!


A convite da diretora de marketing Veronica Barros, estive presente na última sexta-feira, dia 16/08/2013, no almoço-degustação, realizado no restaurante Zeffiro, de apresentação dos vinhos da Viña La Junta, localizada no Vale de Curicó - aproximadamente 200km ao sul de Santiago, Chile – com vinhedos dentro das novas subdenominação de origem Entre Cordilheiras e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações aqui).

Durante o encontro, onde estiveram presentes alguns jornalistas e formadores de opinião, a simpática Veronica Barros nos contou um pouco sobre a história da La Junta, fundada em 2009 com a única pretensão de produzir vinhos de grande qualidade.

Para atingir esta expectativa, a La Junta conta com o trabalho de Antonio Vásquez, enólogo apaixonado pela sua profissão, reconhecido principalmente pela sua capacidade de compreender a Carmenère, sendo considerado um dos maiores domadores da cepa emblemática do Chile, fama adquirida com os ótimos trabalhos desenvolvidos em vinícolas como Córpora,  Caliterra, Terramater, Santa Elena, Sieguel e San Pedro, nos vales de Aconcagua, Casablanca, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó, Maule e Bio Bio.

Só nos restava conhecer os vinhos para comprovar as pretensões da vinícola e a fama do enólogo.


Provamos vinhos das três linhas principais da vinícola. Da Momentos - linha reserva, que prima pela presença da fruta com leves toques de madeira - provamos o branco Viognier/Sauvignon Blanc 2012, o Carmenère 2012, o Cabernet Sauvignon 2012 e Merlot 2012. Da Gran Reserva - linha que prima pela concentração de aromas e sabores, bem como pela complexidade aportada pelo amadurecimento em barricas de carvalho - provamos o Cabernet Franc 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011. Por último, provamos o topo de gama da "La Junta", o Escalera 2008, corte de 40% Carmenère, 30% Syrah, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Verdot.

Gostei bastante dos vinhos, todos eles com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, que me parece ser uma tendência de diversas vinícolas chilenas para os próximos anos, trazendo ao mercado brasileiro um estilo menos agressivo e amadeirado que imperou por aqui nos últimos anos.

Como em qualquer prova, sempre gosto de buscar aqueles vinhos que se destaquem por motivos diversos e nesta não foi diferente. Vamos à eles.

Linha Momentos: Carmenère 2012


Confirmando o que disse a Veronica, realmente este Carmenère mostra toda a habilidade do enólogo em domar esta cepa que, nesta faixa de preço (R$ 40,00 ~ R$ 50,00*), costuma apresentar vinhos austeros, herbáceos e comumente maquiados por um excesso de madeira. Este é macio, com um frutado muito gostoso e notas de especiarias. Praticamente imperceptível a presença da madeira e com a grande virtude de não trazer as notas de pimentão verde que costumam aparecer nos exemplares da sua (possível) faixa de preço. Par perfeito para a pizza de sábado à noite (e qualquer outro dia, calro! rs).

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20)

* Ainda não tem preço no mercado brasileiro.

Linha Gran Reserva: Cabernet Franc 2011


Ainda que o Cabernet Sauvignon tenha sido bastate elogiado (justamente) por grande parte dos presentes na degustação, minha preferência foi claramente por este Cabernet Franc. Esta cepa não possui boa fama para a produção de varietais (com poucas exceções), mas, quando bem tratada, traz resultados espetaculares, como é o caso deste Gran Reserva 2011. Um vinho com grande concentração de aromas de frutas negras maduras, assim como alguns toques terrosos e de especiarias. Na boca confirma a concentração de frutas, que aparecem de forma harmoniosa com os toques dos 12 meses de afinamento em carvalho, permeados por muito boa acidez, que lhe confere frescor e grande vocação gastronômica.
Aproveitei a oportunidade para testá-lo numa harmonização que não me parecia provável, mas que a minha veia investigativa e a ocasião me permitiram fazer, e acabou se mostrando bastante interessante. A acidez e os taninos bem afinados do Cabernet Franc Gran Reserva 2011 escoltaram perfeitamente a delicadeza e untuosidade do saboroso Nhoque com ragu de rabada, servido pelo Zeffiro. Recomendado.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)

Escalera 2008


Com produção de apenas 2760 garrafas, o Escalera 2008 foi elaborado para ser a grande estrela da La Junta e o resultado de todo o cuidado na elaboração, que foi desde a seleção das melhores uvas até a escolha das melhores barricas de cada cepa do corte, é realmente muito significativo. O escalera 2008 não é somente a grande estrela da La Junta, mas possivelmente um dos grandes vinhos do Vale do Curicó e da subdenominação Entre Cordilheiras. Expressão aromática de grande complexidade, com presença de frutas maduras, frutas secas, especiarias e algumas notas refinadas provenientes do envelhecimento em carvalho. Na boca confirma toda a concentração de fruta e apresenta taninos bem maduros e um delicioso frescor, que lhe conferiria uma grande nota no quesito "vontade de continuar bebendo". 

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)


Acredito que os vinhos La Junta cheguem ao Brasil com condições de mercado bastante favoráveis, pois são vinhos de muita qualidade e personalidade com, aparentemente (e esperançosamente) bons preços, que expressam toda a capacidade do Chile de produzir grandes vinhos com preços muito convidativos.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Vinho do mês [MAIO/2013]: Urraca - Cabernet Sauvignon 2008


No início dos anos 2000, aproveitando-se dos baixos preços das terras, muitos estrangeiros decidiram investir na Argentina e a região de Mendoza foi, provavelmente, a que mais se aproveitou desses recursos de fora que estavam sendo injetados na economia local.
No auge da crise no país, uma verdadeira revolução acontecia na vitivinicultura, transformando uma indústria com ótima matéria prima, mas com poucos recursos financeiros, numa verdadeira potência no mundo do vinho!

Dentre essas centenas de investidores, a família Langley, vinda da Califórnia, foi mais uma a se “aventurar” em terras mendocinas e encontrou em Agrelo - Luján de Cuyo (~ 950m de altitude) o lugar ideal para fundar a Urraca Wines, em 2005.

Seus vinhos são elaborados pelo renomado enólogo Walter Bressia, dono de uma carreira brilhante (Nota: Walter Bressia possui sua própria vinícola, chamada Bressia, que tive a oportunidade de conhecer. Veja relato da visita), com várias premiações na Argentina e no mundo, formando o par ideal para a produção de vinhos de qualidade: tecnologia + tradição local.

Vamos ao Urraca Cabernet Sauvignon 2008.

Como já escrevi em outras oportunidades, para mim os melhores vinhos de Mendoza são os produzidos com Cabernet Sauvignon, apesar de toda qualidade e todo o marketing feitos em cima dos Malbecs. Esse vinho é mais um exemplo disso.

De coloração vermelho rubi intenso, no nariz mostra muita fruta, com nuances frescas e maduras. Notas terrosas, de chocolate e algo mentolado também aparecem, além dos tostados provenientes do estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano novas, diga-se de passagem, muito bem integradas ao conjunto. Complexo. Na boca, ótima acidez com algum toque mineral e muita, mas muita fruta mesmo. Taninos redondos e final longo. Muito equilibrado.

R$ 60,00 | Álcool 14,8%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pechincha do mês [NOVEMBRO/2012]: Juno CS + Merlot 2009


Fala galera, tudo bem com vocês?

Mais uma vez estou aqui para indicar o vinho de preço mais acessível degustado por mim nos últimos 30 dias. Chegou a vez de novembro!
Sempre lembrando que para “preço acessível” defini o teto de R$ 40,00, que só será ultrapassado no caso do vinho em questão possuir uma relação QUALIDADE-PREÇO excepcional.

O achado de novembro vem direto da África do Sul e conheci na 5a edição do sempre muito bom Mania de Vinhos, realizado pela Maison des Caves da Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. Este evento marca a abertura de uma promoção que a Maison des Caves faz todos os anos, sempre incluindo ótimos rótulos a preços muito bons.

Apesar de provar por volta de uns 30 vinhos, este que é o protagonista deste post chamou a atenção especialmente por sua relação qualidade-preço.

Produzido na região de Paarl, na África do Sul, o Juno Cabernet Sauvignon/Merlot 2009 já chama a atenção pela arte no seu rótulo.

A vinícola Juno Wine Company nasceu de um casamento entre vinho e arte, sempre estampando em seus rótulos, imagens da artista Tertia du Toit, muito conhecida na África do Sul por seus trabalhos sempre destacando a sensualidade feminina. Mulheres, que não por acaso, são destaque também dentro da vinícola, desde um dos lemas da empresa: “Honrar as mulheres, arte e vinho”, até a elaboração do vinho, que é feita por 4 enólogas, Adele Dunbar, Stephanie Betts, Alicia Rechner e Licia Solomans. Veja mais detalhes aqui.

Sensacional! Parabéns à Juno por esta empreitada!

Este vinho é corte de 60% Cabernet Sauvignon e 40% Merlot, que, de cara, já impressiona pelo ataque aromático. Muita fruta vermelha e negra madura, toques de eucalipto e um defumado muito gostoso me seduziram desde o primeiro momento. Não consegui encontrar informações oficiais do tempo de passagem por barricas, mas certamente passa alguns meses o que lhe confere algumas notas de baunilha muito interessantes. Na boca é muito macio, tem bastante fruta e uma acidez que me dá o tempo todo aquela vontade de continuar bebendo. Taninos maduros e ótima persistência. Não é um vinho para acompanhar alta gastronomia, mas pode ser um par perfeito para uma tábua de frios ou uma bela pizza!

Comprei-o por R$ 38,00, mas com a promoção leve 3 pague 2 cada garrafa sai por volta de R$ 25,00. É claro que comprei várias! Há ainda a opção do Shiraz, que também é muito bom e será tema de algum post futuro!

R$ 38,00 (Maison des Caves) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio: Tormentas - Minimus Anima 2007



Conheço os vinhos produzidos pelo Marco Danielle desde as primeiras safras e o que venho notando, ano após ano, é que eles quase sempre despertam sentimento de amor ou ódio nos degustadores. É raro nos deixarem resignados.

O projeto do Marco Danielle, denominado Atelier Tormentas – Vinho de Autor pode ser definido como, no mínimo, ousado, como descreve o próprio site da vinícola: “Nossos vinhos não são filtrados ou estabilizados artificialmente, de forma a preservar ao máximo certos traços de caráter. Vemos o depósito em garrafa não só como um charme ritual, mas como evidência de um processo de elaboração com mínima intervenção. Em função de nossa política de vinificações a baixo ou nenhum SO2 (sem adição de sulfitos ou INS 220), indicamos guarda climatizada. Mas isso vale para qualquer bom vinho, e só tem importância quando a intenção é adegar por vários anos. Mesmo assim, a opção por vinhos naturais, com baixo ou nenhum conservante, pode gerar leve gaseificação (nota frisante) em algumas garrafas, lotes ou safras, sem qualquer conseqüência sobre a qualidade geral e facilmente neutralizável por aeração em decanter. Aceitar tais condições é indispensável para compartilhar nossa proposta, e usufruir as vantagens de uma vinicultura não intervencionista. Embora utilizemos frutos produzidos com máximo esmero, nossa agricultura não é orgânica. Contudo nossa vinificação, em alguns casos, pode ser totalmente orgânica.

Alguns críticos consideram que o enólogo é muito panfleteiro, que exalta demais tudo o que faz e que usa isso como forma de esconder alguns defeitos de seus vinhos (leia esta crítica do enólogo Jucelio K. de Medeiros, antiga - de 2008 - mas que vale para uma reflexão) e outros consideram seus vinhos fantásticos, cheios de originalidade, como o enófilo e grande músico Ed Motta e o crítico Steven Spurrier, que costumam morrer de amores por eles.

Eu confesso que acho um pouco dos dois! Já é a terceira vez que provo este Minimus Anima 2007 e só agora tive vontade de escrever sobre ele. Já provei muitos vinhos do Tormentas e há alguns que gostei bastante e outros que nem tanto. A superpanfletagem não me agrada, porém compreendo a posição do Marco Danielle de querer exaltar seus vinhos e não simplesmente deixá-los à mercê da opinião alheia. Desde que o faça com bom senso, moderação e honestidade, acho tudo certo.

Muito bem, vamos ao Minimus Anima 2007, cuja produção se limitou a apenas 2600 garrafas com um corte de 35% Cabernet Sauvignon, 35% Tannat “supertardia”, 20% Alicante Bouschet e 10% Merlot, sem passagem por madeira e com quantidade insignificante de SO2.

Na taça, mostrou coloração vermelho rubi intenso com leves traços acastanhados, já mostrando uma certa evolução. Límpido, mas sem muito brilho. Os aromas que mais se destacam de cara são os de frutas maduras, com nítido toque de cassis, um belo floral e terra molhada. Me agrada bastante essa “clareza” da fruta, sem os toques de madeira. No paladar, de ótima estrutura, também se destaca uma bela concentração de fruta, com taninos bem maduros, possivelmente resultado da utilização de uvas Tannat "supertardia" em 35% do corte. A safra de 2007 foi contada em verso e prosa como uma safra não muito boa no Sul do país, inclusive na região da Encruzilhada do Sul - onde foram produzidas as uvas utilizadas neste corte -, mas, ao contrário do esperado, não considero elevada a acidez do vinho, que se mostrou bem presente durante a prova, mas fez um pouco de falta no final, deixando o retrogosto mais para o adocicado.


Para a harmonização deste vinho, escolhi um macarrão parafuso ao funghi seco, que se mostrou bastante correta, formando uma ótima parceria.

Ao meu ver, não se pode considerar este vinho um ícone brasileiro, mas também está longe de algumas críticas contundentes que já li. É um vinho que, sem a menor dúvida, deve ser, ou melhor, TEM QUE SER provado, principalmente pelas suas características únicas! É uma pena que está esgotado, pelo menos no site do produtor, mas, caso o encontre em alguma loja por aí, compre-o!

R$ 80,00 (site do produtor - esgotado) | Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Do fundo do baú (ou melhor, da adega!): Família Piagentini - Boutique Reserva - Cabernet Sauvignon 2004 (não, você não leu errado!)


Como já comentei diversas vezes aqui no Vinho SIM, tenho o hábito de, quando gosto muito de um vinho e/ou acredito no seu potencial de guarda, comprar algumas garrafas (se meu dinheiro permite, claro! rs) para provar ao longo do tempo. Este é um exercício muito interessante e divertido de se fazer, pois traz um grande aprendizado sobre a capacidade de decidir se um vinho realmente melhorará com alguns anos na garrafa ou não.

Nos últimos tempos tenho acertado mais que errado, mas confesso que já tive algumas experiências bem desagradáveis, daquelas de abrir uma garrafa com todo o entusiasmo depois de anos de adega e não poder aproveitar o vinho nem pra temperar uma bela salada de escarola com torresmo!

Este não foi, nem de longe, o resultado da degustação do protagonista deste artigo, o Família Piagentini - Boutique Reserva - Cabernet Sauvignon 2004. Não, eu não escrevi errado e nem me confundi!

Nos idos de 2005 e 2006 eu gostava muito deste vinho e sempre comprava-o na Adega Tonel do Rudge, aqui no ABC (São Bernardo do Campo), a adega de vinhos mais tradicional da região e até hoje imbatível no quesito "atendimento ao público iniciante em vinhos". Lembro-me de ter comprado algumas caixas dele (a garrafa custava por volta dos R$ 15,00) e, claro, guardei algumas garrafas. É importante frisar que o vinho não era para ser comparado aos grandes ícones sulamericanos, mas me chamava à atenção o fato de ter uma excelente relação qualidade-preço.

As NDs da época ainda chamam à atenção, pois contém dizeres como "excelente acidez (equilibrada com a doçura) e boa presença de taninos, fruta vermelha abundante, eucalipto, ...". Como sabemos, no mundo do vinho o aprendizado é constante e, às vezes, olhando estas anotações, chego a duvidar de mim mesmo: "será que eu não estava exagerando? Será que este vinho era bom mesmo ou meu conhecimento na época era pequeno demais para poder avaliar com segurança?"

O melhor jeito de responder estas questões era abrir uma garrafa e torcer para que o tempo não tenha deteriorado o vinho. E foi o que fiz!

De cara, a acidez exalou e quase desanimeichegando a ter dúvida se a acidez já havia tomado conta e ele se perdido com o tempo. Alguns minutos e consegui perceber que o aroma inicial era um balsâmico muito intenso. O paladar também apresentou uma acidez excessiva, mas sem denotar defeito. Estranho.

Mais alguns minutos na taça e os aromas de frutas secas foram aparecendo, assim como a acidez excessiva no paladar foi sendo amaciada.

O que fazer? Recorrer ao “santo decanter”, sem dúvida. Uma hora de bate-papo foi suficiente para o humilde Boutique Reserva CS 2004 se tornar um vinho completamente diferente do que aparentou nos instantes iniciais e incrivelmente saboroso. Uma certa complexidade aumentou ainda mais o  meu respeito por este vinho.

Cor vermelho rubi com poucas nuances acastanhadas e bons limpidez e brilho. Algum sedimento, mas bem pouco. No nariz alguma fruta madura e muita fruta seca, como ameixas e tâmaras, assim como uvas passas e toques de especiarias como noz moscada. Balsâmico. No paladar tem corpo leve e a acidez proeminente deu lugar a uma maciez fantástica, com ótimo equilíbrio. Taninos maduros, mas ainda presentes. Boa persistência.


É claro que não estou falando de uma super guarda, são "apenas" 8 anos de garrafa, o que considero bastante para este vinho. Acredito que ainda possa evoluir um pouco mais. Não sei se comemoro ou se lamento, mas tenho mais uma (só?) garrafa na minha adega ...

Lembro-me que as safras seguintes não me encantaram tanto quanto a 2004, por isso acabei não comprando mais, no entanto acabo de me arrepender, seria muito bom poder fazer uma vertical desde vinho!

Peço aos amigos leitores que tiverem provado outras safras deste vinho, a gentileza de compartilhar suas experiências para matar um pouco da minha curiosidade ...

É isso. Saúde!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

De Aguirre - Casilda Gran Reserva 2009


Localizada na Vila Alegre, a 285km ao sul de Santiago, bem no coração no Vale do Maule, a De Aguirre Bodegas e Viñedos é uma vinícola familiar – os 7 irmãos trabalham em diferentes áreas - com mais de 60 anos de tradição.

O Vale do Maule é a maior região vinícola do Chile, onde se cultiva praticamente todas as variedades de uvas do país, porém com um grande percentual de vinhedos de uvas comuns, não ideais para a produção de vinhos finos. Certamente esse é o principal motivo para que a região não seja tão aclamada como os vales do Maipo, Colchágua, Casablanca, etc.
Apesar disso, a região vem ganhando destaque nos últimos anos com o desabrochamento de diversas vinícolas que aumentaram seu investimento na região, produzindo vinhos de extrema qualidade.

O protagonista deste post, Casilda Grand Reserva 2009 é a seleção de agosto da Sociedade da Mesa, produzido com 70% Cabernet Sauvignon e 30% Carménère provenientes de vinhedos selecionados da propriedade, cuidadosamente administrados com rendimentos controlados.

Cor vermelho violáceo. Aromas frutados, com destaque para mirtilos e framboesas maduras. Toques de pimenta branca e pimentão. Os aromas de baunilha e café provenientes dos 15 meses de passagem por barricas novas de carvalho francês são muito elegantes e não se sobressaem no conjunto. Paladar macio, de taninos maduros e ótima acidez. Harmonioso. Ótima persistência. Prova obrigatória, especialmente pelo preço.

R$ 40,00 (Sociedade da Mesa) | Álcool 13,6%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

sábado, 25 de agosto de 2012

Tenuta San Guido - Le Difese 2009


Terceiro vinho na escala de importância da vinícola Tenuta San Guido, produtora do famoso Sassicaia, localizada na região da Toscana, Itália, o Le Difese, produzido com 70% Sangiovese e 30% Cabernet Sauvignon, é o vinho de entrada da vinícola, apesar de seu custo no Brasil ser em torno dos R$ 180,00.

Provei este vinho pela primeira vez na EXPOVINIS 2012, mas não quis escrever uma ND antes de prová-lo novamente. Feita a segunda prova, pude confirmar aquilo que já havia pensado: os 90 pontos concedidos por Robert Parker foram de bom tamanho.
O que quero dizer com isso? O vinho é muito bom, mas não surpreende na sua faixa de preço!

Vamos às impressões.
Cor vermelho rubi intenso, límpido e com bom brilho. Ainda sem evolução cromática. Aromas bem francos de fruta vermelha, toques de fumo, um pouco de terra molhada e notas de chocolate e baunilha, provenientes dos 12 meses de estágio em barricas de carvalho. No paladar novamente destaque para as frutas vermelhas maduras. Taninos presentes, levemente amaciados. A acidez elevada é um convite gastronômico, como é de esperar dos bons tintos italianos, principalmente se harmonizado com pratos da culinária italiana. Creio que o vinho já possa ser bebido, mas  eu acredito que ele vá evoluir (talvez muito!) nos próximos 3 ou 4 anos.

R$ 178,00 (Ravin) | Alcool 14% |

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Briga de gente grande: Caballo Loco Gran Cru Maipo Andes 2010 x Viña Maipo Protegido 2008



A ideia da importadora da Ravin era apresentar a sommeliers de São Paulo alguns vinhos recém chegados ao seu portfólio, com destaque especial para o Viña Maipo - Protegido 2008 e o Valdivieso - Caballo Loco Gran Cru - Maipo Andes 2010.

Ambos produzidos por vinícolas em crescimento no Chile e no mundo, com muita ambição de produzir grandes ícones e tomar mercado. Ambos produzidos com base na Cabernet Sauvignon chilena do Vale do Maipo e com preço na faixa dos R$ 200,00 ~ R$ 250,00. Será que as coincidências pararam por aí?

A degustação ficou pequena demais pros dois! Um “confronto” foi inevitável.


No Caballo Loco (60% Cabernet Sauvignon, 35% Cabernet Franc e 5% Carménère), de cor vermelho rubi profundo com nuances violáceas, muita fruta, com destaque para amora, mirtilo e ameixas. Um bom mentolado se mistura aos toques de baunilha provenientes da maturação. Algumas notas de arruda e toques de couro. No final o café dá o ar de sua graça, completando a matiz aromática deste grande vinho. Na boca é elegante com ótima estrutura, taninos presentes, já amadurecendo. Boa acidez. Boa persistência.


O Viña Maipo Protegido, também de cor vermelho rubi profundo com nuances violáceas, apesar de decantado por pelo menos uma hora, começou mais tímido. Frutas vermelhas maduras se misturam ao eucalipto e notas de pimentão, mostrando toda a tipicidade da Cabernet Sauvignon do Maipo. Taninos macios e presentes e acidez correta. Ótima persistência. Muito elegante.

O embate surgiu naturalmente e justamente por isso foi muito interessante ... a conclusão?

Apesar de todas as coincidências iniciais, são vinhos com estilos bem diferentes. O Caballo, mais frutado e jovem, eu indicaria para harmonizar com pratos à base de carne caça ou de cordeiro. O Protegido é um vinho mais elegante, que seria a companhia perfeita para carnes vermelhas braseadas mal passadas, como um bife ancho, um entrecote argentino ou um assado de tira uruguaio.

Isto é, se puder, fique com os dois, você não vai se arrepender!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?