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segunda-feira, 17 de março de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - Ranking Vinho SIM 2014 - Categoria EXTRA BRUT & NATURE - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Depois de um dia muito intenso, avaliando quase 40 amostras das categorias Brut Branco (relembre) e Brut Rosé (relembre), ambos produzidos pelo Método Tanque – popularmente chamado de Charmat -, partimos para o 2o dia de provas onde avaliamos os espumantes produzidos pelo Método Tradicional – Champenoise – divididos em três categorias, Brut Branco, Brut Rosé e Extra Brut & Nature, tema deste post.

Infelizmente em 2013 não obtive número significativo de amostras para realizar esta categoria e então avaliamos os espumantes que chegaram juntamente com os da categoria Brut - Tradicional, o que acabou gerando uma certa confusão no painel, motivo pelo qual decidi não divulgar os resultados, acreditando que a comparação não foi adequada. No entanto isso é passado e para esta 2a Edição do RVS foram catalogadas 10 amostras entre Extra Bruts e Natures, o que mostra o significativo aumento na produção deste tipo de vinho no Brasil e, certamente, mais um exemplo de autoconfiança e coragem dos nossos produtores.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Marcelo Iabiku, proprietário da importadora Hedoniste e do Empório Hedoniste e Jeriel da Costa, crítico de vinhos e autor do Blog do Jeriel 
Vanessa Sobral, autora do blog Falando sobre Vinhos e colaboradora da Revista Adega e Talita Martinez, colaboradora do blog Vinho SIM

Ressalto novamente o número de vinícolas convidadas para a prova: 70, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já expliquei nos artigos das categorias Brut Branco e Brut Rosé – Tanque, seguindo o que acontece em alguns dos principais concursos do mundo, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos.

CATEGORIA EXTRA BRUT & NATURE – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Perini Nature
Farroupilha - RS
Ch e PN
R$ 75,00
15,9
2
Dunamis Extra Brut 2012
Serra Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 50,00
15,6
3
Guatambu Nature 2012
D. Pedrito – C. Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 52,00
15,6
4
Valmarino & Churchill 2011
Pinto Bandeira – RS
Ch (90%) e PN
R$ 61,00
15,6
5
Estrelas do Brasil Rosé
Bento Gonçalves - RS
PN, Ch, Vi e RI
R$ 80,00
15,1
6
Campos de Cima Extra Brut
Campanha Gaúcha
Ch e PN
R$ 39,00
15,0

Em que

Ch: Chardonnay,
PN: Pinot Noir,
Vi: Viognier e
RI: Riesling Itálico.

1.  Perini Nature


Desde seu lançamento, o Nature da Perini vem amealhando algumas premiações e ótimas notas e não foi diferente em sua estreia nesta 2a Edição do RVS. Com os clássicos e esperados aromas de pão torrado e frutas cítricas acompanhados de ótima cremosidade e com toques de frutas de polpa branca, o espumante conseguiu a excelente média de 15,9 pontos que o coloca não apenas como grande destaque desta categoria, mas como um dos melhores espumantes do Brasil. Harmonioso, bem equilibrado e com final longo. Muito recomendado para pratos à base de frutos do mar com molhos sofisticados e amanteigados.

**** $$$$$

2.  Dunamis Extra Brut 2012


Outro estreante que chegou se destacando, conquistando a média de 15,6 pontos e se colocando entre os melhores espumantes do Brasil.
Nariz sedutor, lembrando maçãs com alguns toques de frutas secas. Na boca confirma notas de maça e mostra-se macio e cremoso, com boa acidez e final médio. É um vinho que apresenta certa complexidade bem aliada a um ótimo frescor. Sem dúvida alguma, um dos ótimos espumantes nacionais. Sua acidez marcante acompanhada de toques frutados o tornam um ótima pedida para acompanhar canapés e entradas diversas.

**** $$$$

3.  Guatambu Extra Brut 2012


Uma espécie de irmão mais velho de um dos maiores destaques da Edição do 2013 do RVS, o Poesia do Pampa 2011 (relembre), o Extra Brut 2012, com uma nota média de 15,6 pontos, mostra que a vinícola de Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha - RS, não veio para ser mais uma, mas sim para brilhar no cenário do vinho nacional.
Aromas de frutas cítricas com algum toque animal, ao meu ver uma das maiores características do vinho brasileiro, antecipam uma certa mineralidade levemente salgada e um ótimo frescor, que mostram a grande personalidade deste espumante. Complexo e com final médio é certamente uma ótima opção para frutos do mar frescos e preparados com poucos condimentos, como vieiras e mexilhões, além de entradas e saladas.

**** $$$$

4.  Valmarino & Churchill 2011


Outro que vem recebendo diversos elogios desde seu lançamento, a safra 2011 da parceria entre Nathan Churchill e Vinícola Valmarino que também foi destaque aqui no RVS, conseguindo a ótima média 15,6, graças à uma linda e fina perlage, aromas de frutas cítricas acompanhados de notas de brioche e baunilha, uma acidez refrescante, muito bem equilibrada com a fruta, tudo isso encapado por ótima cremosidade. Um espumante complexo e interessante, com toda certeza um dos melhores do Brasil. Ideal para acompanhar entradas à base de queijos e risotos diversos.

**** $$$$

5.  Estrelas do Brasil Rosé


Único rosé do grupo, o Nature da vinícola que vem surpreendendo o mercado desde seu lançamento, mostrou que tem qualidade e personalidade suficientes para encarar qualquer desafio, já que alguns dos melhores espumantes do Brasil estavam justamente nesta categoria. Com 60 meses de contato com as leveduras e um corte bem intrigante, que leva as clássicas Chardonnay e Pinot Noir acompanhadas de um clone de Riesling Itálico e ainda Viognier, este é um espumante complexo, denso, com diversas notas de frutas secas, panificação e até café, acompanhadas de uma ótima acidez. Cremoso, complexo, com final médio-longo, é ótima opção para acompanhar pratos da culinária oriental, desde os mais leves da japonesa, até os mais aromáticos das indiana e tailandesa.

**** $$$$$

6.  Campos de Cima


A vinícola da Campanha Gaúcha, ainda menos conhecida no cenário nacional que o merecido, que já havia se destacado na 1a Edição do RVS com a ótima pontuação do seu Brut, agora confirma toda sua capacidade na categoria Extra Brut & Nature, apresentando um espumante de grande qualidade e preço altamente competitivo, um dos melhores, senão o melhor, na relação qualidade-preço no mercado nacional.
No nariz, a primeira impressão foi de algo que lembra um leve amargor, possivelmente cevada, mas este toque não aparece de forma negativa e sim como uma característica, que logo foi apagada pelas notas de frutas secas, mostrando evolução. Na boca, a refrescância dá o tom, mas a combinação de frutas maduras e toques amanteigados tornam este espumante certamente um dos mais destacados da prova. Muito recomendado para entradas e pratos à base de peixes e frutos do mar no geral.

**** $$$

Nesta categoria foram avaliadas 10 amostras, sendo que 6 delas atingiram os 15 pontos (ou mais) de média, o maior percentual de aproveitamento de todas as categorias e bem acima da média geral, em torno dos 30%.

Conclusões:

1. Nos últimos tempos houve um nítido aumento no interesse dos produtores em elaborar produtos sem adição de licor de expedição, mostrando que a cada ano a vontade de mostrar produtos mais autênticos é mais aflorada.
2. Esta categoria foi a que apresentou o maior rendimento de todas, com 60% das amostras atingindo a nota média de 15 ou mais pontos, um incrível aproveitamento.
3. Aqui não estão os espumantes mais frescos e tampouco os mais “diferentes”, no entanto certamente é nesta categoria onde notamos os verdadeiros riscos que nossos produtores aceitam correr, produzindo espumantes de grande qualidade que mostram exatamente aquilo que podemos esperar do Brasil.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos e novas safras desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário aqui em baixo.


Matérias relacionadas (demais resultados):

 RVS 2014: Brut Branco - Método Tanque

 RVS 2014: Brut Rosé - Método Tanque



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estão chegando ao Brasil os vinhos da Junta Winery, olho neles!


A convite da diretora de marketing Veronica Barros, estive presente na última sexta-feira, dia 16/08/2013, no almoço-degustação, realizado no restaurante Zeffiro, de apresentação dos vinhos da Viña La Junta, localizada no Vale de Curicó - aproximadamente 200km ao sul de Santiago, Chile – com vinhedos dentro das novas subdenominação de origem Entre Cordilheiras e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações aqui).

Durante o encontro, onde estiveram presentes alguns jornalistas e formadores de opinião, a simpática Veronica Barros nos contou um pouco sobre a história da La Junta, fundada em 2009 com a única pretensão de produzir vinhos de grande qualidade.

Para atingir esta expectativa, a La Junta conta com o trabalho de Antonio Vásquez, enólogo apaixonado pela sua profissão, reconhecido principalmente pela sua capacidade de compreender a Carmenère, sendo considerado um dos maiores domadores da cepa emblemática do Chile, fama adquirida com os ótimos trabalhos desenvolvidos em vinícolas como Córpora,  Caliterra, Terramater, Santa Elena, Sieguel e San Pedro, nos vales de Aconcagua, Casablanca, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó, Maule e Bio Bio.

Só nos restava conhecer os vinhos para comprovar as pretensões da vinícola e a fama do enólogo.


Provamos vinhos das três linhas principais da vinícola. Da Momentos - linha reserva, que prima pela presença da fruta com leves toques de madeira - provamos o branco Viognier/Sauvignon Blanc 2012, o Carmenère 2012, o Cabernet Sauvignon 2012 e Merlot 2012. Da Gran Reserva - linha que prima pela concentração de aromas e sabores, bem como pela complexidade aportada pelo amadurecimento em barricas de carvalho - provamos o Cabernet Franc 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011. Por último, provamos o topo de gama da "La Junta", o Escalera 2008, corte de 40% Carmenère, 30% Syrah, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Verdot.

Gostei bastante dos vinhos, todos eles com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, que me parece ser uma tendência de diversas vinícolas chilenas para os próximos anos, trazendo ao mercado brasileiro um estilo menos agressivo e amadeirado que imperou por aqui nos últimos anos.

Como em qualquer prova, sempre gosto de buscar aqueles vinhos que se destaquem por motivos diversos e nesta não foi diferente. Vamos à eles.

Linha Momentos: Carmenère 2012


Confirmando o que disse a Veronica, realmente este Carmenère mostra toda a habilidade do enólogo em domar esta cepa que, nesta faixa de preço (R$ 40,00 ~ R$ 50,00*), costuma apresentar vinhos austeros, herbáceos e comumente maquiados por um excesso de madeira. Este é macio, com um frutado muito gostoso e notas de especiarias. Praticamente imperceptível a presença da madeira e com a grande virtude de não trazer as notas de pimentão verde que costumam aparecer nos exemplares da sua (possível) faixa de preço. Par perfeito para a pizza de sábado à noite (e qualquer outro dia, calro! rs).

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20)

* Ainda não tem preço no mercado brasileiro.

Linha Gran Reserva: Cabernet Franc 2011


Ainda que o Cabernet Sauvignon tenha sido bastate elogiado (justamente) por grande parte dos presentes na degustação, minha preferência foi claramente por este Cabernet Franc. Esta cepa não possui boa fama para a produção de varietais (com poucas exceções), mas, quando bem tratada, traz resultados espetaculares, como é o caso deste Gran Reserva 2011. Um vinho com grande concentração de aromas de frutas negras maduras, assim como alguns toques terrosos e de especiarias. Na boca confirma a concentração de frutas, que aparecem de forma harmoniosa com os toques dos 12 meses de afinamento em carvalho, permeados por muito boa acidez, que lhe confere frescor e grande vocação gastronômica.
Aproveitei a oportunidade para testá-lo numa harmonização que não me parecia provável, mas que a minha veia investigativa e a ocasião me permitiram fazer, e acabou se mostrando bastante interessante. A acidez e os taninos bem afinados do Cabernet Franc Gran Reserva 2011 escoltaram perfeitamente a delicadeza e untuosidade do saboroso Nhoque com ragu de rabada, servido pelo Zeffiro. Recomendado.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)

Escalera 2008


Com produção de apenas 2760 garrafas, o Escalera 2008 foi elaborado para ser a grande estrela da La Junta e o resultado de todo o cuidado na elaboração, que foi desde a seleção das melhores uvas até a escolha das melhores barricas de cada cepa do corte, é realmente muito significativo. O escalera 2008 não é somente a grande estrela da La Junta, mas possivelmente um dos grandes vinhos do Vale do Curicó e da subdenominação Entre Cordilheiras. Expressão aromática de grande complexidade, com presença de frutas maduras, frutas secas, especiarias e algumas notas refinadas provenientes do envelhecimento em carvalho. Na boca confirma toda a concentração de fruta e apresenta taninos bem maduros e um delicioso frescor, que lhe conferiria uma grande nota no quesito "vontade de continuar bebendo". 

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)


Acredito que os vinhos La Junta cheguem ao Brasil com condições de mercado bastante favoráveis, pois são vinhos de muita qualidade e personalidade com, aparentemente (e esperançosamente) bons preços, que expressam toda a capacidade do Chile de produzir grandes vinhos com preços muito convidativos.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Estampa Estate Viognier + Chardonnay 2011

Conheci este vinho numa degustação realizada na própria Viña Estampa, localizada no Vale do Colchágua, Chile e achei-o bastante interessante, especialmente pelo blend entre as uvas Chardonnay e Viognier, esta última pouco conhecida no Brasil. Aliás, a Viña estampa é uma especialista em blends, não produzem varietais.

De uma amarelo dourado de média intensidade, muito límpido e brilhante este vinho começa a chamar à atenção quando os aromas de abacaxi em calda e de frutas tropicais começam a explodir. Manga e banana são bastante evidentes, além de notas de anis.
Na boca é extremamente delicado e muito cremoso, confirmando abacaxi maduro e frutas tropicais, boa complexidade.
Excepcionalmente bom para sua faixa de preço (algo em torno de USD$ 10,00), em breve certamente será indicado como best-buy pelas grandes publicações.


Como já conhecia o vinho, escolhi harmonizá-lo com uma casquinha de siri (excepcionalmente bem feita pela minha esposa, Talita!) e salada de rúcula e tomates secos. Excelente pedida.


Altamente recomendados o vinho e a harmonização! 

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO:ÓTIMA.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?