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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

5º Tasting Wines of Chile São Paulo: Inovando com uvas antigas - Parte 1: Vinhos Brancos



No última semana (05/08) aconteceu em São Paulo a 
5ª Edição do Tasting Wines of Chile, um já tradicional evento na capital paulista que sempre traz grandes notícias e novidades do vinho chileno.
E é claro que este ano não foi diferente. Com o tema 
Inovando com uvas antigas e a sempre excelente organização e simpatia da equipe CH2A Comunicação, mais uma vez o sommelier chileno Héctor Riquelme conduziu a Masterclass com a espirituosidade de sempre, brindando a todos os convidados com muita informação e algumas novidades muitíssimo interessantes da vinicultura chilena, dos quais tenho o prazer de apresentar alguns para vocês.

Assim como acontece todos os anos, a ideia da Masterclass deste ano foi elucidar aos convidados de que forma os produtores chilenos se movimentaram no último ano para mostrar ao Brasil (e ao mundo) sua 
capacidade contínua de evolução. O tradicional "em time que está ganhando não se mexe" vale sim na cultura vitivinicultura chilena - há aspectos de sua produção que não há porque mudar - porém, não se acomodar também é importante e é exatamente isso que o Chile vem fazendo ano a ano, conquistando resultados cada vez mais expressivos no nosso mercado.

O evento é sempre bastante agradável e com um clima amistoso, mas 
este ano me pareceu ainda mais descontraído, já que a empolgação dos chilenos uniu o mundo do vinho aos recentes resultados futebolísticos de sua seleção, como é possível ver no vídeo a seguir, onde Oscar Páez Gamboa, diretor comercial da AproChilequebra o protocolo e a formalidade em sua fala de abertura do evento, conquistando os convidados e nos presenteando com mais um daqueles momentos incríveis que o mundo do vinho nos proporciona.


Para facilitar a organização e a leitura, separei esse artigo em duas partes: Vinhos brancos e Vinhos tintos, sendo os primeiros brevemente comentados a seguir.


Casa Silva 1912 Vines Sauvignon Gris 2014

Produzido com uma mescla de Sauvignons Gris e Sauvignons Blancs de vinhas com mais de 100 anos de Angostura (próximo de San Fernando) e Sauvignon Gris Paredones (a 7km do Pacífico) a e sempre muito consistente Casa Silva apresentou um vinho de aromas bem cítricos com algumas notas de carambola e algo que lembra casca de laranja seca, além de toques levemente herbáceos. Na boca confirma a elevada acidez, que agora aparece acompanhada de uma presença salgada e deliciosa textura cremosa. O final de tudo isso é equilibrado e de final médio-longo. Para mim, um vinho muito interessante. Muito gostoso de beber.

Nota VS: 17,0/20
Preço Brasil: R$ 74,00

Falernia Pedro Ximénez 2013

Diretamente do extremo norte chileno, da DO Vale do Elqui vem este que é certamente um dos raros vinhos sulamericanos produzidos com esta casta, a Pedro Ximénez que, de acordo com estudos recentes, não é a mesma casta tão difundida na Espanha. O vinho mostrou aromas que lembram bastante bons vinhos produzidos com Riesling, como as clássicas notas de petróleo e querosene. Na boca é bem seco, com um conjunto mineral-untuosidade bem interessante. Final médio-longo e agradável.

Nota VS: 16,0/20
Preço Brasil: R$ 60,00

Gallardia Blanco Corinto Moscatel 2014 (De Martino)

O Vale de Itata parece ser uma das "meninas dos olhos" dos enólogos chilenos dos últimos anos, não simplesmente por reunir ótimas condições de vitivinicultura, mas sim pela forma com que seu povo preserva certas tradições e sua cultura. Quem poderia imaginar um grande vinho chileno produzido com um corte de Moscatel com Corinto? A De Martino! Nariz cheio de frutas amarelas maduras e (acho que nunca havia notado este aroma em nenhum vinho!) doce de abóbora em calda. O conjunto aromático lembra um pouco o estilo dos Torrontés argentinos, embora com notas perfumadas diferentes. Na boca tem ótimo equilíbrio fruta-acidez e ainda um final com uma certa "picada", parte por alguma nota especiada, parte por algum resquício de gás carbônico. Fical curto-médio, mas muito saboroso. Um campeão no quesito 'vontade de continuar bebendo'.

Nota VS: 16,5/20
Preço Brasil: R$ 73,00








Kiñe Verdejo 2014 (Viña El Principal)

Em 2007, após uma viagem para Rueda (Espanha) os enólogo da vinícola decidiram trazer para o Chile mudas de Verdejo para a produção deste vinho que só liberada pelos órgãos chilenos responsáveis em 2010. A partir daí um intenso trabalho se deu até a primeira safra (2013) vir ao mercado. Este 2014 é, portanto, apenas a segunda safra deste projeto que, ao meu ver, já apresenta resultados interessantes. No nariz as notas de madeira (6 meses de passagem por barricas de 2º uso) se sobressaem, escondendo lá no fundo a fruta. Já na boca ... ahhh, que beleza! Excelente concentração de fruta madura muito bem equilibrada por deliciosa acidez e toques da madeira (já não mais em destaque, mas integrada) num corpo denso, "gordo". Final longo e muito bom.

Nota VS: 16,5/20
Preço Brasil: R$ 155,00








Outer Limits Moscatel Rosada 2015

De vinhedos com cerca de 100 anos localizados no Vale do Maule vem esta raridade da vitivinicultura mundial, um Moscatel Rosada. Muito aromático, com deliciosas notas de manga e pera se alternando e se mesclando sobre um contorno floral de rosas. Na boca, a ótima acidez dá o tom, muito bem escoltada por muitas notas de frutas tropicais e algo apimentado. O final é de ligeiro para médio, mas muito gostoso. O vinho ainda é extremamente jovem e praticamente um projeto experimental. Deve vir coisa muito boa por aí nos próximos anos.

Nota VS: 16,0/20
Preço Brasil: R$ não disponível ainda (Os demais vinhos da linha Outer Limits têm preço na faixa dos R$ 150,00 ~ R$ 220,00)


E foi assim, alguns vinhos bem diferentes do "padrão-Chile" que nos acostumamos a provar nos últimos tempos o que, pessoalmente, me deixou bastante animado, já que a mesmice que o mercado tem se tornado e nos apresentado tem tornado algumas provas muito monótonas e previsíveis. Os próximos anos prometem grandes novidades ...

Acompanhe aqui no 
Vinho SIM as NDs dos vinhos tintos degustados nesta Masterclass, além de mais alguns detalhes deste excelente evento realizado em São Paulo! 

Que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Vertical Ícones do Chile - Uma década de grandes vinhos!


São Paulo recebeu na tarde do dia 29 de outubro mais um evento pra lá de especial, a degustação vertical Ícones do Chile, que reuniu 12 amostras dos maiores vinhos do segmento ultrapremium do nosso vizinho.

Depois de algumas ótimas ações para tratar das novas Subdenominações do Chile, desta vez a Wines of Chile reuniu alguns especialistas, jornalistas e críticos em torno de uma questão inicial, lançada pelo mediador, Patrício Tápia: "os vinhos chilenos evoluem bem?"

O crítico chileno foi acompanhado pelos "pais/mães" (enólogos) de alguns dos vinhos presentes, como Ana Maria Cumsille (Altair), Angélica Carrasco (Casa Lapostolle), Cecília Torres (Santa Rita) e Gustavo Hormann (Viña Montes), que engrandeceram muito o evento, trazendo muita informação e  riqueza de detalhes que as fichas técnica jamais apresentam.

Para embasar a resposta, a ideia foi trazer as amostras em 6 pares, propondo 6 mini-verticais com vinhos de safras com alguns anos de diferença e ainda com o cuidado, segundo Tápia, de serem safras com características similares para que o comparativo fosse o mais correto possível. 

Vamos aos vinhos.

Da esquerda para a direita: Montes Folly, Lapostolle Clos Apalta, Altaïr, Errazuriz Don Maximiano, Concha y Toro Don Melchor e Santa Rita Casa Real. Foto: CH2A Comunicação.

A primeira mini-vertical foi com o Don Maximiano Founders Reserve, da Viña Errázuriz, localizada no Vale do Aconcágua, com as safras 2002 e 2010.


E que começo! Como já era de se esperar, dois grandes vinhos, mas, com estilos diferentes.

2010 é um corte de 78% Cabernet Sauvignon, 10% Carmenère, 7% Petit Verdot e 5% Syrah, tem um estilo mais "moderno", novo mundo, com grande concentração de fruta em compota, tostado e notas de trufas com um belo frescor e ótima persistência, enquanto 2002, um 100% Cabernet Sauvignon, mostrou-se mais elegante e refinado, com um incrível mentolado e notas de caixa de lápis e alcaçuz e mostrou-se que o 2002. O passar dos anos estão fazendo bem a este vinho.

Não só gostei mais do 2002, como o considerei um dos "TOP 3" da prova. 1 x 0 pros "velhinhos"!


Do Aconcágua, partimos partimos alguns quilómetros para o Sul, chegando ao Vale do Maipo, onde passamos ao famosíssimo Don Melchor, da Concha y Toro, com as safras 1996 e 2010.


O vinho é um verdadeiro ícone chileno no mercado brasileiro e mundial e seu currículo com inúmeras premiações dispensa maiores apresentações.

2010, corte de 3% Cabernet Franc com 97% de Cabernet Sauvignon, apresentou-se extremamente fresco, com nuances minerais e uma "pitada" de casca de laranja, que dá um toque levemente amargo, trazendo um certo mistério muito interessante ao vinho. Já o 1996, apesar dos "já" 17 anos ainda possui uma acidez que dá aquela "vontade de continuar bebendo" que eu aprecio muito no vinho. Muito elegante, com notas de tabaco e menta e final saboroso

Essa "disputa" ficou um pouco desigual, já que o 1996 está em seu esplendor, prontíssimo para ser consumido, enquanto o 2010 ainda é uma criança. Apesar de toda a exuberância do 1996, aposto num amadurecimento ainda melhor do 2010, mas, no momento, fico com o 1996! 2 x 0 pros "velhinhos"!


Ainda no Vale do Maipo, seguimos com o Casa Real, da Viña Santa Rita, das safras 2002 e 2010.


2010, um "puro sangue" Cabernet Sauvignon, traz aromas de frutas em compota e notas do tostado da madeira, mas impressiona mesmo quando vem pra boca, mostrando uma acidez crocante e boa mineralidade, que me dá a nítida sensação de uma grande evolução nos próximos anos, ainda mais esperada quando se passa para a prova da safra 2002, que eu defino como muito mais que um 100% Cabernet Sauvignon! O vinho é, ao meu ver, um dos maiores exemplos do que o Chile pode fazer com esta casta, uma aula de vinificação, quase que um tratado de como fazer um Cabernet Sauvignon e, ainda mais, uma das maiores mostras de como seus vinhos podem evoluir no decorrer dos anosMuito complexo e sedoso. Um daqueles vinhos que parecem sempre prontos para o consumo, pois sua evolução é constante. Ao meu ver, o melhor do painel. 3 x 0 pros "velhinhos"! Virou goleada!


Continuando nossa viagem sentido Sul chileno, partimos do Vale do Maipo para o Vale do Cachapoal, chegando à vinícola Altaïr, a mais jovem da degustação, e provando os vinhos ícones da vinícola das safras 2002 (a primeira da história) e 2010


Esta foi a mini-vertical que me deu mais condições de avaliar a evolução de um vinho, já que os vinhos da Altaïr foram os que se mostraram mais semelhantes, com um estilo bem definido

Eu já havia provado duas safras deste vinho, a 2004 e a 2006, e inclusive destacado a capacidade de evolução do vinho durante evento da importadora (Grand Cru) deste ano (relembre) que agora se comprovou ainda mais.

O 2010, corte de 76% Cabernet Sauvignon13% Syrah, 7% Carmenère e 4% Petit Verdotassim como seus contemporâneos, mostrou uma ótima concentração de frutas vermelhas e negras e boas notas provenientes do envelhecimento em carvalho que, claramente, vem sendo cada vez mais ajustado aos vinhos, já que no 2002, corte de 86% Cabernet Sauvignon7% Carmenère e 7% Merlot o uso da madeira foi bem maior. Se o 2010 evoluir como o 2002 será um grande vinho, mas acredito, baseado nas impressões de acidez e tanicidade, que este terá uma evolução ainda mais longa e brilhante que o "progenitor" da vinícola. Gostei mais do 2010! 3 x 1 pros "velhinhos"! Reação?


Depois de passar pelos Vales de Aconcágua, Maipo e Cachapoal, chegamos ao Colchágua, mais especificamente à sub-região de Apalta, uma das minhas favoritas do Chile.

Estando em Apalta, partimos para a degustação de um dos grandes ícones locais: o Clos Apalta, das safras 2002 e 2010, da Casa Lapostolle, que tive a oportunidade de visitar pouco tempo atrás (leia o artigo da visita).


O 2010, corte de 71% Carmenère, 18% Cabernet Sauvignon e 11% Merlot é uma verdadeira bomba de frutas e madeira, muito bem equilibradas por ótima acidez. Lembro-me de ter provado a safra 2009 deste vinho na visita que fiz à Lapostolle e de não ter me encantado tanto. O 2002, corte de 85% Carmenère/Merlot e 15% Merlot ainda possui boa acidez e continua mostrando a presença da madeira, neste caso já muito bem integrada com o vinho, e apresentou uma deliciosa nota de chocolate amargo que confere elegância ao vinho. Nesta disputa, deu "empate". 


Da Lapostolle, andamos pouquíssimos quilômetros até chegar à Viña Montes, outra que tive a felicidade de conhecer  (leia o artigo da visita) e provar alguns de seus ótimos vinhos. O escolhido para esta prova foi o Folly, das safras 2000 e 2010.



O 2010100% Syrah, completa meu quadro "TOP 3", com uma explosão de frutas negras permeadas por especiarias, acompanhadas de algum toque mineral e uma acidez pungente, que, somada à estrutura quase mastigável, tornam este vinho, ao meu ver, um dos grandes exemplares do que a Syrah do Vale do Colchágua pode apresentar ao mundo. Certamente crescerá muito com o passar dos anos! O 2000, também 100% Syrah, apresentou notas licorosas acompanhadas de especiarias doces, porém menos acidez do que eu gostaria, acredito que já alcançou seu auge e não deva melhorar nos próximos anos. A "disputa" termina 3 x 2 pros "velhinhos"!


Conclusões

1.
Se havia qualquer dúvida sobre a capacidade de envelhecimento "dos vinhos chilenos", certamente ela foi esclarecida, pois não houve um vinho sequer, das safras "antigas", que não estava ótimo!
Mas por que "dos vinhos chilenos"? É importante frisar que os vinhos apresentados na degustação são todos vinhos ícones do Chile, posicionados na faixa de preços entre R$ 350,00 ~ R$ 500,00, por isso, não considero adequado generalizar para "os vinhos chilenos evoluem bem". Para esta conclusão, seria necessária uma prova com vinhos de outras faixas de preço, pelo menos um pouco mais intermediária, já que comumente não se espera evolução de vinhos do dia a dia. Fica a sugestão para a Wines of Chile.

2.
O resultado final da minha "disputa" é passível de uma observação: 3 x 2 pros "velhinhos" (e um empate). Por que? Ao meu ver, os 3 jovens que "perderam" têm um ótimo potencial de envelhecimento e certamente evoluirão muito nos próximos anos, talvez até superando seus predecessores, mas o que me chamou mesmo a atenção foram os 2 que "venceram" suas disputas, já que tiveram pela frente grandes "adversários". Estes vinhos, Altaïr 2010 e Folly 2010, são vinhos para se ficar de olho e aproveitar qualquer oportunidade de compra, pois mostraram um incrível potencial e, certamente, evoluirão muito nos próximos anos e, quicá, décadas.


E foi assim. 

A divulgação e organização ficou a cargo da sempre muito eficiente CH2A Comunicação, que mais uma vez acertou em todos os detalhes.
Deixo aqui meus parabéns para a Alessandra Casolato e toda equipe!


Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

3º Tasting Wines of Chile São Paulo - Compreendendo as novas subdenominações do Chile através dos vinhos


O tempo é senhor da razão e como diz o ditado, nada como um dia após o outro ou, ainda melhor, nada como um um vinho após o outro.

Como comentei aqui no Vinho SIM, o Winebar do dia 07/08 - uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias -, que reuniu diversos blogueiros e enófilos para provar alguns vinhos chilenos e trocar impressões sobre as novas subdenominações de origem do Chile, fiquei com algumas dúvidas que me trouxeram diversos momentos de reflexão e estudos interessantes, mas que deixaram inquietações que pareciam não ter fim ...

Pareciam, pois a chegada do dia 14/08, com o 3º Tasting Wines of Chile São Paulo mudou tudo. É claro que seria muito pretensioso da minha parte dizer aqui que agora já compreendo as subdenominações ou mesmo dar uma fórmula para que o leitor possa usar em suas provas para identificar os exemplares de cada subdenominação, mas posso dizer que a seleção de vinhos da Master Class, assim como outras dezenas de vinhos provados durante a feira, foi de grande valia e aprendizado.



Este post tem como principal objetivo ser o mais didático possível, tornando-se mais uma fonte de pesquisa na (nenhum pouco simples) tarefa de entender quais são as influências que cada uma das três novas subdenominações chilenas exercem sobre os vinhos, assim como quais são as  características esperadas destes vinhos. 


Vamos aos vinhos provados.

Subdenominação Costa:

    · Cool Coast Sauvignon Blanc 2012, da Casa Silva;
    · Cipreses Sauvignon Blanc Vineyard 2011, da Casa Marin e
    · Signos de Origen Syrah 2010, da Emiliana.

Os três vinhos apresentados, somados aos outros três exemplares do Winebar são ótimos descritores desta região, porém meu destaque vai para o Emiliana Signos de Origem Syrah 2010, produzido a partir daquela que para mim é a grande casta chilena, a Syrah e que está longe de ser uma escolha óbvia para representar uma região onde a mineralidade e o frescor imperam devido à forte influência das correntes frias provenientes do Pacífico.
Este vinho, embora ainda esteja jovem e apresente um grande potencial de melhora nos próximos anos, já mostra toda a elegância e tipicidade da região: ótima acidez e mineralidade permeados por toques apimentados e frutados típicos da Syrah. Os admiradores desta casta, podem esperar da subdenominação Costa grandes e diferentes exemplares nos próximos anos.

Subdenominação Entre Cordilheiras:

    · Vértice Carménère-Syrah 2007, da Ventisquero;
    · El Incidente Carménère 2008, da Viu Manent e
    · Lien 2009, da Maquis.

Desta subdenominação, onde se encontram as mais antigas e clássicas regiões do Chile, são esperados vinhos de grande concentração, potência e complexidade, devidos à pelmaturação mais lenta e controlada das uvas, proporcionadas  pela proteção das Cordilheiras da Costa e dos Andes.
Nesta cenário, os três exemplares apresentados atendem a todos os requisitos para serem destacados como grandes descritores da região, mas meu destaque vai para o Maquis Lien 2009, corte diferentão com 42% de Cabernet Franc, 32% Syrah, 23% Carmenère e 3% de Petit Verdot, onde se o melhor de cada casta aparece com grande destaque, frutas negras e vermelhas madurastoques mentoladosflorais e apimentados, tudo muito bem afinado pela fina presença do carvalho francês (envelhecimento de 10 a 12 meses), perfeitamente integrada à ótima acidez e taninos madurosSuculento.

Subdenominação Andes

    · Carménère 2010, da Koyle;
    · Sauvignon Blanc 2013, da Calcu;
    · Reserva de Família Cabernet Sauvignon 2009, da Santa Carolina;
    · Intriga Cabernet Sauvignon 2010, da MontGras e
    · Finis Terrae 2010, da Cousiño-Macul.

Era daqui que vinham as dúvidas que mais me incomodavam, já que das subdenominações anteriores a gama de regiões conhecidas e exemplares no Brasil são um pouco mais abundantes. 
O Pérez Cruz CS provado no Winebar, embora tenha sido um vinho muito prazeroso, não havia me levado a nenhuma conclusão, mas depois desta experiência, já tenho ideia do que esperar desta subdenominação, onde os solos aluviais (profundos e arenosos, pobres em matéria orgânica), as brisas frias provenientes dos Andes e, ao mesmo tempo a proteção que a montanha oferece em relação à insolação, fornecem condições para a produção de vinhos de extrema qualidade, com características únicas, que unem concentração de frutaacidez muito equilibrada e taninos aveludados.
Como grande exemplar desta subdenominação e destaque desta prova elegi o MontGras Intriga CS 2010, um vinho em que o equilíbrio impera do início ao fimMuita fruta envolvida por toques mentolados, somadas à ótima acidez lhe conferem um frescor sensacional, que o coloca como um grande ícone no quesito "vontade de continuar bebendo". Os taninos finos e maduros e uma ótima persistência o tornam um vinho não apenas recomendado, mas um exemplar obrigatório para compreender o que é a subdenominação Andes.


Espero que a análise dos vinhos possa ajudar de alguma forma na compreensão das novas subdenominações. Eu ficarei bastante grato de receber algum retorno neste sentido, seja através de críticas, sugestões ou comentários diversos. Bom proveito e


que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estão chegando ao Brasil os vinhos da Junta Winery, olho neles!


A convite da diretora de marketing Veronica Barros, estive presente na última sexta-feira, dia 16/08/2013, no almoço-degustação, realizado no restaurante Zeffiro, de apresentação dos vinhos da Viña La Junta, localizada no Vale de Curicó - aproximadamente 200km ao sul de Santiago, Chile – com vinhedos dentro das novas subdenominação de origem Entre Cordilheiras e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações aqui).

Durante o encontro, onde estiveram presentes alguns jornalistas e formadores de opinião, a simpática Veronica Barros nos contou um pouco sobre a história da La Junta, fundada em 2009 com a única pretensão de produzir vinhos de grande qualidade.

Para atingir esta expectativa, a La Junta conta com o trabalho de Antonio Vásquez, enólogo apaixonado pela sua profissão, reconhecido principalmente pela sua capacidade de compreender a Carmenère, sendo considerado um dos maiores domadores da cepa emblemática do Chile, fama adquirida com os ótimos trabalhos desenvolvidos em vinícolas como Córpora,  Caliterra, Terramater, Santa Elena, Sieguel e San Pedro, nos vales de Aconcagua, Casablanca, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó, Maule e Bio Bio.

Só nos restava conhecer os vinhos para comprovar as pretensões da vinícola e a fama do enólogo.


Provamos vinhos das três linhas principais da vinícola. Da Momentos - linha reserva, que prima pela presença da fruta com leves toques de madeira - provamos o branco Viognier/Sauvignon Blanc 2012, o Carmenère 2012, o Cabernet Sauvignon 2012 e Merlot 2012. Da Gran Reserva - linha que prima pela concentração de aromas e sabores, bem como pela complexidade aportada pelo amadurecimento em barricas de carvalho - provamos o Cabernet Franc 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011. Por último, provamos o topo de gama da "La Junta", o Escalera 2008, corte de 40% Carmenère, 30% Syrah, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Verdot.

Gostei bastante dos vinhos, todos eles com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, que me parece ser uma tendência de diversas vinícolas chilenas para os próximos anos, trazendo ao mercado brasileiro um estilo menos agressivo e amadeirado que imperou por aqui nos últimos anos.

Como em qualquer prova, sempre gosto de buscar aqueles vinhos que se destaquem por motivos diversos e nesta não foi diferente. Vamos à eles.

Linha Momentos: Carmenère 2012


Confirmando o que disse a Veronica, realmente este Carmenère mostra toda a habilidade do enólogo em domar esta cepa que, nesta faixa de preço (R$ 40,00 ~ R$ 50,00*), costuma apresentar vinhos austeros, herbáceos e comumente maquiados por um excesso de madeira. Este é macio, com um frutado muito gostoso e notas de especiarias. Praticamente imperceptível a presença da madeira e com a grande virtude de não trazer as notas de pimentão verde que costumam aparecer nos exemplares da sua (possível) faixa de preço. Par perfeito para a pizza de sábado à noite (e qualquer outro dia, calro! rs).

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20)

* Ainda não tem preço no mercado brasileiro.

Linha Gran Reserva: Cabernet Franc 2011


Ainda que o Cabernet Sauvignon tenha sido bastate elogiado (justamente) por grande parte dos presentes na degustação, minha preferência foi claramente por este Cabernet Franc. Esta cepa não possui boa fama para a produção de varietais (com poucas exceções), mas, quando bem tratada, traz resultados espetaculares, como é o caso deste Gran Reserva 2011. Um vinho com grande concentração de aromas de frutas negras maduras, assim como alguns toques terrosos e de especiarias. Na boca confirma a concentração de frutas, que aparecem de forma harmoniosa com os toques dos 12 meses de afinamento em carvalho, permeados por muito boa acidez, que lhe confere frescor e grande vocação gastronômica.
Aproveitei a oportunidade para testá-lo numa harmonização que não me parecia provável, mas que a minha veia investigativa e a ocasião me permitiram fazer, e acabou se mostrando bastante interessante. A acidez e os taninos bem afinados do Cabernet Franc Gran Reserva 2011 escoltaram perfeitamente a delicadeza e untuosidade do saboroso Nhoque com ragu de rabada, servido pelo Zeffiro. Recomendado.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)

Escalera 2008


Com produção de apenas 2760 garrafas, o Escalera 2008 foi elaborado para ser a grande estrela da La Junta e o resultado de todo o cuidado na elaboração, que foi desde a seleção das melhores uvas até a escolha das melhores barricas de cada cepa do corte, é realmente muito significativo. O escalera 2008 não é somente a grande estrela da La Junta, mas possivelmente um dos grandes vinhos do Vale do Curicó e da subdenominação Entre Cordilheiras. Expressão aromática de grande complexidade, com presença de frutas maduras, frutas secas, especiarias e algumas notas refinadas provenientes do envelhecimento em carvalho. Na boca confirma toda a concentração de fruta e apresenta taninos bem maduros e um delicioso frescor, que lhe conferiria uma grande nota no quesito "vontade de continuar bebendo". 

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)


Acredito que os vinhos La Junta cheguem ao Brasil com condições de mercado bastante favoráveis, pois são vinhos de muita qualidade e personalidade com, aparentemente (e esperançosamente) bons preços, que expressam toda a capacidade do Chile de produzir grandes vinhos com preços muito convidativos.

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Wine Bar: As novas subdenominações de origem do Chile

 

Na quarta-feira dia 07/08 tive o prazer de participar do Winebar, uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias, que reúne diversos blogueiros e enófilos dispostos a trocar experiências e debater sobre uma seleção de vinhos envolvendo algum tema deste mundo tão fascinante. É literalmente uma confraria virtual.

O tema desta semana foi "Subdenominações de Origem do Chile", parte da campanha da Wines of Chile no Brasil para divulgar um novo formato (implantado no Chile em meados de 2011) de divisão do território chileno em três partes, chamadas de Costa, Entre Cordilheiras e Andes.

Para nos guiar nesta aula-degustação, o Winebar desta semana contou com as presenças de representantes da Ventisquero (Nicolas Torres) e da Concha y Toro (Michele Carvalho), assim como o enólogo da Miguel Torres (Horacio Fuentes), além do âncora, Daniel Perches.

O mais interessante desta nova divisão do território chileno está na orientação. A divisão em "fatias" horizontais (os vales) permanece inalterada, mas agora também temos as divisões em três "fatias" verticais, algo bem inusitado para um país com comprimento de mais de 4000km, mas cuja largura média fica em torno dos 200km. E é justamente aí que está a grande sacada.

O Chile, que possui a Cordilheira dos Andes em toda sua extensão leste, possui também uma segunda cadeia de montanhas, denominada Cordilheira da Costa que, embora não possua a mesma altitude dos Andes, em alguns trechos pode ultrapassar os 2000m de altitude sobre o nível do mar e encontra-se a poucos quilômetros do Oceano Pacífico.

Não seria difícil então perceber que a probabilidade destas regiões gerarem vinhos com características únicas seria muito grande. Constatado isso, a nova divisão foi estabelecida.

O vídeo da Wines of Chile, apresentado no Winebar é muito didático e ilustrativo. Clique aqui assistir ao vídeo. Vale a pena.

Para ilustrar as características de cada região, foram selecionados 5 rótulos das três novas subdenominações.




Da subdenominação Costa, foram selecionados o espumante Santa Digna Estrelado Rosé, da Miguel Torres, o Pinot Noir Reserva 2011, da Viña Ventisquero e o Terrunyo Sauvignon Blanc 2011, da Concha y Toro.


Muito interessante notar que realmente os três vinhos, de vinificação completamente diferente - o primeiro (à esquerda) é um espumante rosado produzido com a casta local País, o segundo (centro) um tinto de Pinot Noir e o terceiro (à direita) um branco de Sauvignon Blanc, possuem como características, marcadas pela região, o excelente frescor e uma certa mineralidade, devidos aos ventos frios provenientes da corrente de Humboldt, que nasce na Antártida e banha a costa do Chile, baixando consideravelmente a temperatura média local.


Da subdenominação Entre Cordilheiras, foi selecionado o clássico Terrunyo Carmenère Cuartel 47, safra 2007, da Concha y Toro.


O carmenère da linha Terrunyo - que durante algum tempo foi considerada a principal da Concha y Toro, responsável, inclusive, por diversas premiações da vinícola -, produzido com uvas do Vale do Cachapoal, é um vinho que vem mantendo sua grande forma safra após safra. E esta não foi diferente, contemplando-nos com um vinho de grande concentração de aromas, paladar complexo e de excelente estrutura.  

Trata-se aqui, não só de um grande vinho da nova subdenominação Entre Cordilheiras, mas também de um grande vinho do Chile e, justamente por isso, confesso que não consegui chegar a qualquer conclusão sobre a região em si. Senti falta de algum outro exemplar, preferencialmente que diferisse deste de alguma forma (produção, tipo de casta, ...) para poder comparar e procurar algo que caracterizasse a região, como aconteceu no caso da subdenominação Costa.

Por outro lado compreendo que este já foi um Winebar com 5 vinhos e a inserção de outros mais poderia dificultar bastante a prática da degustação e mesmo a troca de ideias entre os participantes.


Finalmente a terceira subdenominação da noite: Andes, que trouxe como representante o Pérez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva 2011, um dos bons chilenos em termos de relação qualidade-preço no mercado brasileiro.


O mais interessante desta nova subdenominação, ao meu ver, está na influência que o clima e o solo exercem sobre as videiras.

Muito embora a localização ao pé dos Andes não seja única no mundo - uma vez que Mendoza também disfruta deste privilégio da natureza -, o solo, a posição das montanhas em relação ao sol, o clima seco, a elevada drenagem - proporcionada por grandes concentrações de pedra no solo -, dentre outros, tornam esta região muito interessante e, possivelmente, uma das mais predispostas no mundo ao cultivo de vinhedos orgânicos e biodinâmicos.
Com relação à prova deste vinho, tive uma dificuldade parecida com a que escrevi na subdenominação Entre Cordilheiras. A falta de um vinho para poder comparar e buscar características em comum em vinhos diferentes torna a descrição da região algo impossível.


De qualquer forma, este foi um Winebar muito interessante. A mescla de uma boa condução, ótimos convidados, tema interessante e bons vinhos tornou a participação muito prazerosa.

Deixo aqui meu agradecimento pelo convite e

que Baco nos ilumine!

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