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terça-feira, 28 de julho de 2015

ND: Família Deicas Cru D'Exception Merlot 2007

Maior produtor de vinhos do Uruguai, o Establecimiento Juanicó / Familia Deicas, além de deter grande fatia do mercado interno é também o maior exportador do nosso vizinho e responsável – em grande parte – por tornar os vinhos uruguaios conhecidos no mundo todo.

Claro que nos últimos anos vem contando com “ajuda” de outras excepcionais vinícolas “concorrentes”, porém o nome 
Establecimiento Juanicó / Familia Deicas merece reconhecimento por tudo que fez e faz pelo vinho de seu país.

Atualmente conta com uma linha de vinhos com dezenas de rótulos, desde espumantes e vinhos leves sem passagem por madeira, até vinhos de alta gama, de produção baixíssima como é o caso deste ícone uruguaio que dá título ao artigo, o Cru D'Exception Merlot 2007. Vamos a ele.





Disparado o melhor Merlot uruguaio - quicá o melhor sulamericano. Uma verdadeira bomba de frutas maduras e compotadas, boa presença de especiarias doces, café, chocolate e diversas notas tostadas. Taninos maduros, excepcional acidez e final longo. Um Merlot muito diferente de todos que já provei, mas muito gostoso e interessante. Versátil, pode acompanhar desde belos cortes mal passados de carnes vermelhas até fondues de queijo ou carne e ainda massas com molhos fortes e bem estruturados. Não tem no Brasil e o preço é um pouco salgado no Uruguai (~ U$ 80,00), mas sem dúvida é um ícone sulamericano que merece ser provado. 

REFINADO (18/20) / ~ U$ 80,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim. 

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estão chegando ao Brasil os vinhos da Junta Winery, olho neles!


A convite da diretora de marketing Veronica Barros, estive presente na última sexta-feira, dia 16/08/2013, no almoço-degustação, realizado no restaurante Zeffiro, de apresentação dos vinhos da Viña La Junta, localizada no Vale de Curicó - aproximadamente 200km ao sul de Santiago, Chile – com vinhedos dentro das novas subdenominação de origem Entre Cordilheiras e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações aqui).

Durante o encontro, onde estiveram presentes alguns jornalistas e formadores de opinião, a simpática Veronica Barros nos contou um pouco sobre a história da La Junta, fundada em 2009 com a única pretensão de produzir vinhos de grande qualidade.

Para atingir esta expectativa, a La Junta conta com o trabalho de Antonio Vásquez, enólogo apaixonado pela sua profissão, reconhecido principalmente pela sua capacidade de compreender a Carmenère, sendo considerado um dos maiores domadores da cepa emblemática do Chile, fama adquirida com os ótimos trabalhos desenvolvidos em vinícolas como Córpora,  Caliterra, Terramater, Santa Elena, Sieguel e San Pedro, nos vales de Aconcagua, Casablanca, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó, Maule e Bio Bio.

Só nos restava conhecer os vinhos para comprovar as pretensões da vinícola e a fama do enólogo.


Provamos vinhos das três linhas principais da vinícola. Da Momentos - linha reserva, que prima pela presença da fruta com leves toques de madeira - provamos o branco Viognier/Sauvignon Blanc 2012, o Carmenère 2012, o Cabernet Sauvignon 2012 e Merlot 2012. Da Gran Reserva - linha que prima pela concentração de aromas e sabores, bem como pela complexidade aportada pelo amadurecimento em barricas de carvalho - provamos o Cabernet Franc 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011. Por último, provamos o topo de gama da "La Junta", o Escalera 2008, corte de 40% Carmenère, 30% Syrah, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Verdot.

Gostei bastante dos vinhos, todos eles com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, que me parece ser uma tendência de diversas vinícolas chilenas para os próximos anos, trazendo ao mercado brasileiro um estilo menos agressivo e amadeirado que imperou por aqui nos últimos anos.

Como em qualquer prova, sempre gosto de buscar aqueles vinhos que se destaquem por motivos diversos e nesta não foi diferente. Vamos à eles.

Linha Momentos: Carmenère 2012


Confirmando o que disse a Veronica, realmente este Carmenère mostra toda a habilidade do enólogo em domar esta cepa que, nesta faixa de preço (R$ 40,00 ~ R$ 50,00*), costuma apresentar vinhos austeros, herbáceos e comumente maquiados por um excesso de madeira. Este é macio, com um frutado muito gostoso e notas de especiarias. Praticamente imperceptível a presença da madeira e com a grande virtude de não trazer as notas de pimentão verde que costumam aparecer nos exemplares da sua (possível) faixa de preço. Par perfeito para a pizza de sábado à noite (e qualquer outro dia, calro! rs).

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20)

* Ainda não tem preço no mercado brasileiro.

Linha Gran Reserva: Cabernet Franc 2011


Ainda que o Cabernet Sauvignon tenha sido bastate elogiado (justamente) por grande parte dos presentes na degustação, minha preferência foi claramente por este Cabernet Franc. Esta cepa não possui boa fama para a produção de varietais (com poucas exceções), mas, quando bem tratada, traz resultados espetaculares, como é o caso deste Gran Reserva 2011. Um vinho com grande concentração de aromas de frutas negras maduras, assim como alguns toques terrosos e de especiarias. Na boca confirma a concentração de frutas, que aparecem de forma harmoniosa com os toques dos 12 meses de afinamento em carvalho, permeados por muito boa acidez, que lhe confere frescor e grande vocação gastronômica.
Aproveitei a oportunidade para testá-lo numa harmonização que não me parecia provável, mas que a minha veia investigativa e a ocasião me permitiram fazer, e acabou se mostrando bastante interessante. A acidez e os taninos bem afinados do Cabernet Franc Gran Reserva 2011 escoltaram perfeitamente a delicadeza e untuosidade do saboroso Nhoque com ragu de rabada, servido pelo Zeffiro. Recomendado.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)

Escalera 2008


Com produção de apenas 2760 garrafas, o Escalera 2008 foi elaborado para ser a grande estrela da La Junta e o resultado de todo o cuidado na elaboração, que foi desde a seleção das melhores uvas até a escolha das melhores barricas de cada cepa do corte, é realmente muito significativo. O escalera 2008 não é somente a grande estrela da La Junta, mas possivelmente um dos grandes vinhos do Vale do Curicó e da subdenominação Entre Cordilheiras. Expressão aromática de grande complexidade, com presença de frutas maduras, frutas secas, especiarias e algumas notas refinadas provenientes do envelhecimento em carvalho. Na boca confirma toda a concentração de fruta e apresenta taninos bem maduros e um delicioso frescor, que lhe conferiria uma grande nota no quesito "vontade de continuar bebendo". 

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)


Acredito que os vinhos La Junta cheguem ao Brasil com condições de mercado bastante favoráveis, pois são vinhos de muita qualidade e personalidade com, aparentemente (e esperançosamente) bons preços, que expressam toda a capacidade do Chile de produzir grandes vinhos com preços muito convidativos.

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Confraria Vinho SIM [Dezembro/2012]: Merlots da Casa Lapostolle!



Em dezembro, devido às festas de fim de ano, a Confraria Vinho SIM se reuniu um pouco antes do habitual para mais uma prova e bom bate-papo.

Apesar dos desfalques proporcionados pela proximidade com o final do ano, a forte chuva que assolou o ABC e mais alguns imprevistos, neste mês a CVS ganhou os reforços dos amigos Vanessa Sobral, do blog Falando sobre Vinhos, Carlos Eduardo de Oliveira, do blog Conservado no Vinho e Arnaldo Grizzo.

A bola da vez foram dois vinhos bastante interessantes, produzidos basicamente por Merlot pela fantástica vinícola chilena Casa Lapostolle.


Visitei a vinícola em janeiro/2012 (leia o post) e fiquei muito positivamente impressionado com a seriedade com que tratam o vinho e com as instalações, uma das mais modernas do Chile.  Na ocasião da visita, inclusive, provei a safra 2008 de um dos vinhos deste encontro, o Cuvée Alexander Merlot. Se estiver pelo Colchágua, não perca a oportunidade de visitar a Lapostolle.

Vamos aos vinhos do encontro.

Normalmente quando penso em Chile, as primeiras uvas que me vêm à cabeça são Cabernet Sauvignon e Syrah, com menção honrosa para Carmenère e Sauvingnon Blanc, mas diante da oportunidade de escolher um tema para o encontro de dezembro da CVS, decidi escolher a Merlot que é considerada uma das grandes especialidades da Lapostolle e tratada com muito carinho por lá.

O primeiro vinho provado foi o Casa Grand Selection Merlot 2011, um dos cartões de visita da Lapostolle, o vinho de entrada da vinícola.
Em geral, os vinhos desta linha apresentam 85% da uva que lhes dá o nome e os outros 15% bastante variados de ano pra ano, mas sempre usando uvas da mesma denominação, Vale do Rapel para os tintos e Vale de Casablanca para os brancos.


O Grand Selection Merlot 2011 é composto de 85% Merlot, 1% Cabernet Sauvignon, 9% Carmenère, 2% Petit Verdot e 3% Syrah, tendo apresentado as seguintes impressões. Vermelho rubi-violáceo, com bom brilho e limpidez. No nariz as frutas negras frescas, como ameixas e mirtilos se destacam, mas têm a companhia de um toque de especiarias. Na boca mostrou-se redondo e com boa acidez, corpo médio e taninos amaciados. Muito agradável.

Vale citar que este vinho já foi considerado uma das "escolhas mais sólidas" para a Wine Spectator e uma "impressionante relação qualidade/preço" para Robert Parker.

No encontro da CVS não achamos tudo isso, mas vale a pena ser provado!

R$ 60,00 (Mistral) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

O segundo vinho da noite foi o Cuvée Alexander Merlot 2009. Esta linha Cuvée Alexander já é um pouco mais refinada, apresentando alguns rótulos 100% varietais e outros, como é o caso deste Merlot, com um corte um pouco mais direto, utilizando menos variedades de uvas na composição. 


Este Merlot 2009 é um corte de 85% Merlot e 15% Carmenère com coloração vermelho rubi bem escuro. A primeira impressão no nariz é de um vinho com muita fruta vermelha madura, algum toque herbáceo, amadeirado e com álcool querendo saltar da taça. Com alguns instantes na taça, o amadeirado e o álcool são “amaciados”, o herbáceo fica mais “fino” e as frutas começam a ser acompanhadas por toques de especiarias e chocolate. A boa acidez e os taninos ainda um pouco verdes me dão a impressão que o vinho ainda pode evoluir um pouco mais.

Para acompanhá-lo escolhi um raviole de cordeiro ao sugo, uma massa muito saborosa e, como sempre, muito bem preparada pela Shirley do Empório D’Vino!

R$ 120,00 (Mistral) | Álcool 15%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL-BOA


Mais um encontro com bom bate-papo, bons vinhos e boa massa! Pra galera que não foi, só resta aguardar o encontro de janeiro. Pros presentes, deixo aqui meu agradecimento pelos momentos descontraídos e desejo um 2013 cheio de paz, saúde, sucesso e, claro, ótimos vinhos!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pechincha do mês [NOVEMBRO/2012]: Juno CS + Merlot 2009


Fala galera, tudo bem com vocês?

Mais uma vez estou aqui para indicar o vinho de preço mais acessível degustado por mim nos últimos 30 dias. Chegou a vez de novembro!
Sempre lembrando que para “preço acessível” defini o teto de R$ 40,00, que só será ultrapassado no caso do vinho em questão possuir uma relação QUALIDADE-PREÇO excepcional.

O achado de novembro vem direto da África do Sul e conheci na 5a edição do sempre muito bom Mania de Vinhos, realizado pela Maison des Caves da Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. Este evento marca a abertura de uma promoção que a Maison des Caves faz todos os anos, sempre incluindo ótimos rótulos a preços muito bons.

Apesar de provar por volta de uns 30 vinhos, este que é o protagonista deste post chamou a atenção especialmente por sua relação qualidade-preço.

Produzido na região de Paarl, na África do Sul, o Juno Cabernet Sauvignon/Merlot 2009 já chama a atenção pela arte no seu rótulo.

A vinícola Juno Wine Company nasceu de um casamento entre vinho e arte, sempre estampando em seus rótulos, imagens da artista Tertia du Toit, muito conhecida na África do Sul por seus trabalhos sempre destacando a sensualidade feminina. Mulheres, que não por acaso, são destaque também dentro da vinícola, desde um dos lemas da empresa: “Honrar as mulheres, arte e vinho”, até a elaboração do vinho, que é feita por 4 enólogas, Adele Dunbar, Stephanie Betts, Alicia Rechner e Licia Solomans. Veja mais detalhes aqui.

Sensacional! Parabéns à Juno por esta empreitada!

Este vinho é corte de 60% Cabernet Sauvignon e 40% Merlot, que, de cara, já impressiona pelo ataque aromático. Muita fruta vermelha e negra madura, toques de eucalipto e um defumado muito gostoso me seduziram desde o primeiro momento. Não consegui encontrar informações oficiais do tempo de passagem por barricas, mas certamente passa alguns meses o que lhe confere algumas notas de baunilha muito interessantes. Na boca é muito macio, tem bastante fruta e uma acidez que me dá o tempo todo aquela vontade de continuar bebendo. Taninos maduros e ótima persistência. Não é um vinho para acompanhar alta gastronomia, mas pode ser um par perfeito para uma tábua de frios ou uma bela pizza!

Comprei-o por R$ 38,00, mas com a promoção leve 3 pague 2 cada garrafa sai por volta de R$ 25,00. É claro que comprei várias! Há ainda a opção do Shiraz, que também é muito bom e será tema de algum post futuro!

R$ 38,00 (Maison des Caves) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio: Tormentas - Minimus Anima 2007



Conheço os vinhos produzidos pelo Marco Danielle desde as primeiras safras e o que venho notando, ano após ano, é que eles quase sempre despertam sentimento de amor ou ódio nos degustadores. É raro nos deixarem resignados.

O projeto do Marco Danielle, denominado Atelier Tormentas – Vinho de Autor pode ser definido como, no mínimo, ousado, como descreve o próprio site da vinícola: “Nossos vinhos não são filtrados ou estabilizados artificialmente, de forma a preservar ao máximo certos traços de caráter. Vemos o depósito em garrafa não só como um charme ritual, mas como evidência de um processo de elaboração com mínima intervenção. Em função de nossa política de vinificações a baixo ou nenhum SO2 (sem adição de sulfitos ou INS 220), indicamos guarda climatizada. Mas isso vale para qualquer bom vinho, e só tem importância quando a intenção é adegar por vários anos. Mesmo assim, a opção por vinhos naturais, com baixo ou nenhum conservante, pode gerar leve gaseificação (nota frisante) em algumas garrafas, lotes ou safras, sem qualquer conseqüência sobre a qualidade geral e facilmente neutralizável por aeração em decanter. Aceitar tais condições é indispensável para compartilhar nossa proposta, e usufruir as vantagens de uma vinicultura não intervencionista. Embora utilizemos frutos produzidos com máximo esmero, nossa agricultura não é orgânica. Contudo nossa vinificação, em alguns casos, pode ser totalmente orgânica.

Alguns críticos consideram que o enólogo é muito panfleteiro, que exalta demais tudo o que faz e que usa isso como forma de esconder alguns defeitos de seus vinhos (leia esta crítica do enólogo Jucelio K. de Medeiros, antiga - de 2008 - mas que vale para uma reflexão) e outros consideram seus vinhos fantásticos, cheios de originalidade, como o enófilo e grande músico Ed Motta e o crítico Steven Spurrier, que costumam morrer de amores por eles.

Eu confesso que acho um pouco dos dois! Já é a terceira vez que provo este Minimus Anima 2007 e só agora tive vontade de escrever sobre ele. Já provei muitos vinhos do Tormentas e há alguns que gostei bastante e outros que nem tanto. A superpanfletagem não me agrada, porém compreendo a posição do Marco Danielle de querer exaltar seus vinhos e não simplesmente deixá-los à mercê da opinião alheia. Desde que o faça com bom senso, moderação e honestidade, acho tudo certo.

Muito bem, vamos ao Minimus Anima 2007, cuja produção se limitou a apenas 2600 garrafas com um corte de 35% Cabernet Sauvignon, 35% Tannat “supertardia”, 20% Alicante Bouschet e 10% Merlot, sem passagem por madeira e com quantidade insignificante de SO2.

Na taça, mostrou coloração vermelho rubi intenso com leves traços acastanhados, já mostrando uma certa evolução. Límpido, mas sem muito brilho. Os aromas que mais se destacam de cara são os de frutas maduras, com nítido toque de cassis, um belo floral e terra molhada. Me agrada bastante essa “clareza” da fruta, sem os toques de madeira. No paladar, de ótima estrutura, também se destaca uma bela concentração de fruta, com taninos bem maduros, possivelmente resultado da utilização de uvas Tannat "supertardia" em 35% do corte. A safra de 2007 foi contada em verso e prosa como uma safra não muito boa no Sul do país, inclusive na região da Encruzilhada do Sul - onde foram produzidas as uvas utilizadas neste corte -, mas, ao contrário do esperado, não considero elevada a acidez do vinho, que se mostrou bem presente durante a prova, mas fez um pouco de falta no final, deixando o retrogosto mais para o adocicado.


Para a harmonização deste vinho, escolhi um macarrão parafuso ao funghi seco, que se mostrou bastante correta, formando uma ótima parceria.

Ao meu ver, não se pode considerar este vinho um ícone brasileiro, mas também está longe de algumas críticas contundentes que já li. É um vinho que, sem a menor dúvida, deve ser, ou melhor, TEM QUE SER provado, principalmente pelas suas características únicas! É uma pena que está esgotado, pelo menos no site do produtor, mas, caso o encontre em alguma loja por aí, compre-o!

R$ 80,00 (site do produtor - esgotado) | Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pechincha do mês [SETEMBRO/2012]: Don Laurindo Merlot "Leve" 2012


Mais uma novidade aqui no Vinho SIM!

A partir de setembro, vou indicar pra vocês o vinho de preço mais acessível degustado por mim dentro daquele mês, que chamarei de PECHINCHA do mês!
Como “preço acessível” é algo bem discutível, vou estabelecer um teto de R$ 40,00, que só será ultrapassado no caso do vinho em questão possuir uma relação QUALIDADE-PREÇO excepcional.

À medida do possível, vou fazer indicações de vinhos provados em eventos que tiverem acontecido há pouco tempo, de preferência até mesmo dentro do mês, para garantir que os vinhos indicados possam ser encontrados pelos leitores.

Como já é praxe aqui no Vinho SIM, sinta-se à vontade para comentar minhas escolhas, seja para acrescentar alguma informação, discordar da análise ou fazer qualquer apontamento que julgue interessante.

Foi com grande satisfação que escolhi minha primeira PECHINCHA do mês, pois é um vinho brasileiro, de uma vinícola butique de Bento Gonçalves, pela qual tenho grande admiração, a Don Laurindo.

Antes de falar da vinícola e do vinho - que me desculpem os leitores mais sensatos -, já imaginando que possíveis comentários possam surgir, eu gostaria de deixar clara uma posição minha e do blog Vinho SIM com relação à produção de material sobre vinhos brasileiros.

É fato que meu entusiasmo pelos vinhos brasileiros, outrora muito grande, diminuiu sensivelmente nos últimos meses, devido à postura de determinados produtores em relação às salvaguardas, porém acredito não ser justo ignorar completamente trabalhos que vêm sendo muito bem desenvolvidos por diversos pequenos produtores - que são sabidamente contra as salvaguardas - e "puni-los", boicotando seus vinhos.
O blog Vinho SIM já se posicionou algumas vezes contra as salvaguardas (relembre aqui), mas sempre apresentando argumentos visando a melhora da qualidade dos produtos e de ofertas no mercado brasileiro, jamais com comentários toscos ou com argumentos frágeis que generalizam toda uma classe de produtores que, na verdade, está "representada" nesta história das salvaguardas, por uma minoria poderosa (e canalha!) que se preocupa apenas com os interesses próprios.

Muito bem, depois deste esclarecimento, voltemos à Don Laurindo!

Os vinhos da Don Laurindo podem ser considerados a minha porta de entrada ao mundo dos vinhos nacionais e até mesmo aos vinhos finos, há muitos anos atrás, quando fui apresentado a eles pelo amigo Paulinho, até então atendente de vinhos na Adega Tonel do Rudge, uma tradicional adega aqui do ABC, muito conhecida pela venda de vinhos de mesa, mas que, nos últimos anos, ampliou, e muito, seu portfólio de ótimos produtos.


Eu não sou um grande fã de Merlot e, ao contrário do que dizem muitos especialistas brasileiros, não creio que os Merlots nacionais sejam nossos melhores exemplares, mas neste vinho, o Merlot Leve, acredito que a Don Laurindo tenha acertado em cheio!

Ano após ano tenho provado este vinho e ele tem se mostrado sempre aquele companheiro que jamais causa surpresas desagradáveis e que escolta com correção diversos pratos do cotidiano, que geralmente são preparados sem uma grande quantidade de temperos e com a simplicidade que tanto precisamos no dia a dia. Essa é a grande vocação deste Merlot: ser o melhor possível no dia a dia.

Ainda não tinha provado esta safra, mas tive o prazer de conhecê-la no Circuito Brasileiro de Degustação – São Paulo (leia o post com os destaques aqui) agora em setembro.


Este Merlot Leve, que nesta safra não recebeu este nome no rótulo, mas apenas Merlot Reserva 2012, guardadas as devidas proporções, é uma espécie de Beaujolais Nouveau da Don Laurindo, um vinho jovem, para ser consumido jovem e de forma despretensiosa. Como já é comum, ano após ano, a Don Laurindo acertou de novo.

Na taça tem uma coloração cereja-rubi de pouca intensidade e ótimo brilho, quase transparente, lembrando a coloração de alguns Pinot Noirs. No nariz, grande destaque para os aromas de morangos frescos e de jambo-amarelo, uma fruta não muito difundida aqui no Sudeste, mas de aroma bem marcante, que me lembra muito minha infância. Alguns toques de ervas frescas também aparecem, como hortelã e arruda. Paladar bem leve, com ótima acidez. Bem equilibrado. Pouca persistência, mas muito gostoso de beber. Recomendado.

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ACHADO! Albae - Esencia - Syrah / Merlot 2009!


Não costumo comprar vinhos em supermercados, mas confesso que, às vezes, caio na tentação de levar para casa uma ou outra garrafa na esperança de encontrar algo diferente. Na maior parte das vezes, como já é de se esperar, me decepciono. Mas desta vez foi diferente!

Localizada na região de Tomellosso (~ 200km ao sul e Madrid), a Hacienda Albae é um novo projeto focado na produção de vinhos de ótima relação qualidade-preço. A vinícola prioriza a Tempranillo na produção, mas vem apostando forte em outras cepas, como a Syrah, a Merlot, a Cabernet Sauvignon e a Chardonnay.

O projeto é encravado numa fazenda, que conta com vinhedo, vinícola e  um hotel junto ao edifício da vinícola, a partir do qual pode-se visitar os vinhedos e degustar os vinhos da empresa.

O protagonista desde post é um corte das melhores Syrah e Merlot da vinícola e tem uma passagem de 3 meses por barricas de carvalho americano e francês.

Coloração vermelho rubi intenso. Aromas de frutas vermelhas e negras maduras, principalmente framboesas e ameixas. Aparece também algum toque de especiarias, como pimenta, assim como notas de baunilha. Paladar bastante agradável, sedoso. As frutas vermelhas se destacam, com ótimo equilíbrio entre acidez, doçura e álcool. Boa persistência.

Comprei este vinho numa promoção "leve 3 - pague 2" no Carrefour (que é o importador), ao preço de R$ 24,90 por garrafa, ou seja, R$ 49,80 por 3 garrafas na promoção, o que o torna um vinho de EXCELENTE relação QUALIDADE-PREÇO. Na última semana passei novamente no mercado e o vinho já está custando R$ 28,90 e sem a promoção do "leve 3 - pague 2", mas ainda assim o preço é bom. Vale a pena provar.

R$ 28,90 (Carrefour) Álcool 13,5%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Vinho do mês [AGOSTO/2012]: Família Deicas - Don Pascual Roble - Edición Limitada - Merlot 2008



Conheci a vinícola Juanicó (Establecimiento Juanicó – Família Deicas) em outubro de 2011, ocasião na qual provei este vinho (junto com uma porção de outros) e achei espetacular! Como não podia deixar de fazer, trouxe alguns para casa para poder confirmar aquelas impressões obtidas no Uruguai.

Antes de comentar do vinho, vou escrever algumas linhas sobre a Família Deicas.

Vinhedos da propriedade da Família Deicas, em Juanicó.
A vinícola é conduzida pela Família Deicas e o patriarca e fundador, sr. Juan Carlos Deicas - acompanhado de filhos e netos - ainda é presente no dia-a-dia da empresa, a maior produtora do Uruguai – mais de 4 milhões de litros produzidos na última safra - e talvez a maior reponsável pelo desenvolvimento e crescimento da vitivinicultura do país, tendo sido pioneira numa série de ações que mudaram a forma do nosso vizinho pensar seu vinho, principalmente em se tratando de qualidade, já que foi a primeira a produzir um grande vinho de guarda (em 1992), a primeira a ganhar uma Gran Medalla de Oro num grande concurso internacional (1996, na Espanha), foi a criadora a categoria Roble o Uruguai (em 1996, com a linha Don Pascual), a primeira vinícola sulamericana a obter certificação ISSO 9001 (em 1998), a primeira a produzir um Licor de Tannat (em 2002), dentre muitas outras contribuições para a vitivinicultura uruguaia.

Após esta visão inicial deste ótimo produtor, vamos àquele que foi eleito o VINHO de AGOSTO pelo blog Vinho SIM, o Família Deicas – Don Pascual - Edición Limitada Single Barrel – Merlot 2008.

Os vinhos da linha Don Pascual - Edición Limitada são vinhos de guarda que vêm de uma seleção especial feita das melhores barricas. Single Barrel significa que cada barrica é envasada diretamente, de forma separada e sem filtragem, gerando poucas garrafas, numeradas à mão e que são verdadeiramente únicas.

O exemplar provado foi a garrafa 12 – de um total de apenas 266 – provenientes da barrica no 1712, como se pode ver na foto inicial do post.

Cor vermelho rubi brilhante. Aromas de frutas negras maduras, nitidamente ameixas e mirtilos, acompanhados de notas de especiarias doces (canela) e chocolate. Paladar muito sedoso, com taninos bem maduros. Frutas em calda e chocolate voltam a aparecer. Surge também uma certa mineralidade. Acidez correta. Vinho extremamente equilibrado. No auge.


Para acompanhá-lo, preparei um risoto de miolo de alcachofra com presunto parma e a harmonização foi espetacular.


Quem importa a Família Deicas para o Brasil é a Interfood, mas não encontrei este vinho para venda no Brasil. No Uruguai custa por volta dos US$ 25,00.

Alcool 13,2%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: S/A.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O maior produtor biodinâmico da França: Domaine Cazes - Le Canon du Marechal 2010



Desde 1997, o Domaine Cazes segue práticas sustentáveis de viticultura, sendo atualmente o maior proprietário de vinhedos biodinâmicos da França.
Seus aclamados vinhos doces de Muscat de Rivesaltes são considerados praticamente um patrimônio do Roussillon, no Sul da França, mas seus secos sob a denominação Côtes de Roussillon também têm ganhado respeito e recebido muitos elogios da imprensa mundo afora, especialmente pela fantástica relação qualidade-preço.

O protagonista deste post, Le Canon du Maréchal 2010, em sua safra 2007 já foi apontado pela Wine Spectator como um dos Best Values da Europa e, ao meu ver, não demorará muito para este 2010 receber grandes elogios também.

Elaborado com 50% Syrah e 50% Merlot e sem passagem por barricas de carvalho, este vinho mostrou-se vermelho violáceo com bastante brilho. No nariz grande destaque para frutas vermelhas frescas e algum toque floral. Paladar de bom corpo. Boa intensidade de fruta, ótima acidez e maciez típica da fermentação malolática. Taninos discretos e maduros. Um vinho muito prazeroso e fácil de beber. Ótima pedida para massas e pizzas.

R$ 70,00 (Mistral) | Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMO

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cousiño Macul - Finis Terrae - 2008



A linha Finis Terrae da Cousiño Macul é considerada uma linha premium, produzida a partir de vinhedos antigos do Vale do Maipo, região central do Chile.

Provei este safra 2008, composto de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (35%) e Syrah (5%), na própria Cousiño Macul e tive as seguintes impressões.
Cor vermelho granada bem intenso, com alguns reflexos violáceos, mostrando-se bem jovial ainda. No nariz as frutas negras maduras aparecem imediatamente, com destaque para os mirtilos e amoras. Algumas notas de especiarias e pimenta também aparecem, assim como tostados provenientes dos 14 meses de estágio em madeira, mas não se sobressaem à fruta. Muito agradável. Na boca a madeira é mais evidente. Possui boa acidez e boa persistência. Taninos bem sutis, equilibrado.

É um vinho bastante correto, de qualidades incontestáveis, mas que não me encantou. Certamente será muito apreciado se acompanhado por pratos à base de carnes de caça e carnes vermelhas com pouca gordura. 

R$ 80,00 (Santar) | Álcool 14,1% 

ÓTIMO - BOA relação QUALIDADE-PREÇO

sábado, 16 de junho de 2012

Ramirana - Merlot - 2010



Os vinhos Ramirana são de uma linha da Viña Ventisquero, articulada para oferecer uma opção diferente ao mercado, pois grande parte das uvas utilizadas são provenientes de vinhedos localizados no Vale do Maipo Costa, uma região com grande influência marítma. 
O enólogo da empresa é o aclamado Alejandro Galaz, que elabora vinhos verdadeiramente autorais, buscando sempre a perfeição.

Este varietal Merlot degustado é o vinho mais básico da vinícola.
Vermelho rubi de média intensidade. No nariz apresenta notas de frutas vermelhas frescas e toques florais. Na boca é equilibrado, com boa acidez e taninos praticamente imperceptíveis. 12% do vinho passou por barricas de carvalho americano. É um vinho bastante simples, ideal para aquela tacinha ao final de uma dia de trabalho ou como acompanhamento de uma porção de queijo provolone temperada com orégano. 


R$ 26,00 (Cantu) Álcool 13,5 %

BOM - BOA relação QUALIDADE-PREÇO

sábado, 7 de abril de 2012

Direto da adega: Cape Mentelle CS + MERLOT 2001

Há pouco tempo, Jeremy Oliver, grande crítico australiano, teceu diversos elogios a este vinho. Como eu estava aguardando algum momento especial para degustá-lo, decidi que a hora seria agora!

Guardei duas garradas deste vinho apostando comigo mesmo que aquele já excelente vinho tomado há alguns anos atrás ainda tinha um potencial de guarda enorme. Acredito que acertei e quer saber mais? Ainda acho que ele não chegou ao auge, provavelmente melhorará mais um pouco nos próximos 2 ou 3 anos. Me arrependo profundamente de não ter comprado mais garrafas para deixá-las por mais alguns anos na minha adega.


Este corte de Cabernet Sauvignon e Merlot é um vinho fantástico. Seu aroma defumado com muitas notas de cassis, ameixas pretas, azeitonas e cedro, emoldurado pela baunilha proveniente no longo estágio em barricas de carvalho é enfeitiçador (existe esta palavra?). Na boca é muito redondo, sedoso, untuoso e estruturado, com taninos muito finos, delicioso. Resumindo, se tiver oportunidade, tome. 100% prazer.


Avaliação VINHO SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

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