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sábado, 16 de janeiro de 2016

ND: Viña Progreso Sueños de Elisa Open Barrel 2011


Filho de peixe, peixinho é?

A história desde vinho e desta vinícola é bem interessante.
Após formar-se em Enologia, Gabriel Pisano - com todo o apoio da família com uma história de mais de 100 anos com o vinho no Uruguai - cria asas e voa mundo a fora, conhecendo com detalhes diversas regiões, vinícolas e grandes vinhateiros do Velho e Novo Mundo, casos de David Ramey (Sonoma – Califórnia), Beyers Truter (Stellenbosch – Africa do Sul) e Michel Rolland (Clos Apalta – Chile), além de realizar trabalhos na Espanha e no Priorato, exatamente onde o aprendeu uma técnica que os produtores lá utilizam para a vinificação de pequenos lotes: a Open Barrel ("barrica aberta"). 

Já de volta ao Uruguai - e cheio de ideias! - o jovem e inquieto Pisano logo inicia seu próprio projeto,
onde seus sonhos finalmente se tornariam realidade e seu talento poderia ser conhecido pelo Uruguai e pelo mundo. Nascia assim a Viña Progreso, uma espécie de vinícola experimental, sem vinhedos, adega e nem ao menos equipamentos próprios, na definição do próprio Gabriel uma "vinícola de garagem", com produção limitada, mas inovadora, a soma do pedigree Pisano com a vontade de inovar, de mostrar a sua cara.

Tive o prazer de conhecer a Pisano (leia o 
artigo da visita) algum tempo atrás, ocasião em que também conheci Gabriel e seus vinhos, que me chamaram bastante à atenção pela personalidade e rusticidade típica da família, mas principalmente pela maciez que os tornam destacados. Dentre todos, o que mais me encantou foi exatamente o Sueños de Elisa Tannat 2011, pioneiro do estilo Barrica Aberta no Uruguai.

No processo, as uvas são colocadas numa barrica de carvalho, as uvas são prensadas manualmente e são usadas apenas leveduras indígenas. Terminado o processo de fermentação, a barrica é "reconstruída" e o vinho permanece por mais alguns meses (6 meses nesta safra), terminando seu amadurecimento. A produção de pouco mais de 1000 garrafas e o enólogo homenageou sua tia, Elisa,
 que é também quem ilustra os rótulos da Viña Progreso.

Vamos ao vinho.


Cheio de fruta em compota em perfeito equilíbrio com a madeira no nariz, onde também aparecem notas de chocolate e algo de especiarias doces. Na boca, excelente acidez, muita fruta (de novo) e toques tostados e de chocolate dão a tônica. Taninos supermaduros e final longo, elegante e macio. Este é um daqueles vinhos que o prazer e a vontade de continuar bebendo transcedem a análise/descrição organoléptica. Uma aula de vinificação de Tannat e prova obrigatória para qualquer enófilo. Certamente um dos grandes vinhos da América do Sul. Seu preço pode parecer não muito convidativo, mas vale cada centavo! Sem dúvida um vinho com o tempero Pisano: sincero, rústico e frutado com uma pitada de maciez da nova geração.

REFINADO (17/20) / R$ 345,00 (Importadora Vinci)
E foi assim.

É a prova de que fazer grandes vinhos é transmitida de geração para geração! Se a geração dos irmãos Daniel, Gustavo e Eduardo consagrou os trabalhos de Don Cesar e dos demais antepassados em Progreso, Gabriel Pisano é o legítimo sucessor do legado dos Pisano. Um daqueles vinhos que merece o título de "vinhaço".

Que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

ND: Dall'Agnol Fumê Blanc 2014 - Compre antes que acabe!


Quem acompanha o Vinho SIM sabe o quanto me entusiasmo ao falar dos vinhos produzidos no nosso país, vinhos estes que melhoram a cada ano e, mais, surpreendem a cada nova safra.

Ao passo em que muitos produtores de países como Chile e Argentina e os do Velho Mundo - que continuam produzindo coisas excelentes! - caminham cada vez mais para a produção de "vinhos pontuadores", vinhos padronizados por uma espécie de receita de alguns consultores para conquistar pontuações nas grandes publicações, há produtores que parecem não se submeter ao mercado - ou esperam que a crítica os reconheça independentemente dos padrões - e nos brindam com 
vinhos que nos surpreendem por serem excelentes exatamente por não se parecerem com "nada".

Este é o caso deste 
Dall'Agnol Fumê Blanc 2014, dos enólogos Irineo DallÁgnol e Alejandro Cardozo, que apresentam um vinho único dentre os brasileiros, o primeiro Fumé Blanc produzido por aqui.

Fumé Blanc?

O site winepros.org traz a seguinte descrição para o nome: "Em 1968, Robert Mondavi começa a produzir vinhos de estilo "seco" com a Sauvignon Blanc e sugeriu o nome de "Fumé Blanc", numa espécie de "homenagem" aos Pouilly Fumé do Vale do Loire - França, um dos mais populares do mundo. Durante muitos anos o nome se restringiu a uso estadunidense, embora o próprio Mondavi tenha feito questão de não registrá-lo
 -, mas nos últimos tempos começa a pipocar pelo mundo, como é o caso do Chile e, agora, do Brasil.

Perguntado sobre de onde havia surgido a ideia de produzir este vinho, do porquê de um Fumê Branc (a Estrelas optou por escrever assim mesmo, com acento circunflexo, aportuguesado), Irineo me respondeu:

"Sempre tive vontade de cultivar um vinhedo de Sauvignon Blanc, mas há mais de 10 anos não me encorajava pois é uma das castas mais difíceis de se cultivar nas condições da serra gaúcha. Em agosto de 2012 fizemos uma mé viagem técnica com a Confraria do vinho de Bento Gonçalves para a Austrália Nova Zelândia, foi quando voltei convencido que podíamos fazer vinhos de Pinot Noir e Sauvignon Blanc com qualidade superior aos de lá.

Plantamos logo após a volta em setembro 1 hectare de Sauvignon Blanc e 3 de Pinot Noir. A minha ideia inicial era elaborar um vinho espumante de única fermentação, mas ainda não consegui convencer o Alejandro ... (Nota do Blog: vem mais coisa boa por aí ...)

Bem, 18 meses depois em fevereiro de 2014 colhemos a primeira safra e como o vinhedo era muito jovem a qualidade da uva apresentou maturação irregular o que não indicava para um bom e tradicional vinho Sauvingnon Blanc. Nesta condição surgiu a ideia de elaborarmos o primeiro Fumê Blanc brasileiro."

E depois dessa conversa toda, finalmente provamos o brazuca.



Nariz não impressiona. Fruta branca envolta por uma camada levemente tostada e alguma presença de baunilha.
Já a boca ... ahh a boca. Ótimo conjunto cremosidade-acidez raríssimo de ser encontrado em vinhos nacionais e bem incomum também em grandes chilenos, argentinos, uruguaios, estadunidenses, ... Dizer que se equipara aos Fumés do Loire seria um pouco exagerado, porém não nos esqueçamos de comparar também os preços, este da Estrelas do Brasil custa, no mínimo, umas 4 ou 5 vezes menos. A presença de frutas cítricas delicadamente amaciadas pela presença da madeira e algumas pontadas de mineralidade seduzem bastante o paladar, que fica oscilando entre complexo e fresco por toda a prova. Final muito gostoso, com persistência média e muita ‘vontade de continuar bebendo’.
Um grande ícone da relação qualidade-preço, certamente os R$ 35,00 mais bem gastos do ano. Compre antes que as 2000 garrafas produzidas acabem. Eu mesmo já comprei algumas delas.

Deve harmonizar bem com diversos pratos à base de frutos do mar, como massas com molhos de camarão, camarão na moranga, casquinha de siri ou ainda, como foi nosso caso, com um combinado de sushis e sashimis, que foi muito bem.

REFINADO (17/20) / R$ 35,00 (www.estrelasdobrasil.com.br)


Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

ND: Lapostolle Clos Apalta 2010, uma verdadeira joia chilena.

 

Este grande ícone chileno, produzido pela conceituada  Casa Lapostolle é um daqueles vinhos para se deliciar com tempo suficiente para deixá-lo evoluir calmamente na taça, enquanto desfruta-se de um jantar romântico ou um encontro com grandes amigos, durante uma longa conversa, em que o simples prazer da companhia acentuará os aromas, sabores e toda a atmosfera que sua prova proporcionará.

O corte de 71% Carmenere, 18% Cabernet Sauvignon e 11% Merlot de uvas provenientes de vinhedos de cultivo biodinâmico e sem irrigação em Apalta (Vale do Colchágua, Chile) da linda vinícola, que tive o prazer de conhecer nos idos de 2012 (confira aqui varia ano a ano, sempre de acordo com a escolha dos enólogos, que selecionam as melhores barricas para elaborar o blend.

Este 2010 é aquilo que costumo definir como uma verdadeira bomba de frutas negras. Tanto no nariz quanto na boca, ameixas e groselhas pretas e mirtilos maduros e compotados preenchem os sentidos, trazendo um vinho muito sedoso e vigoroso ao mesmo tempo. Também aparecem muitas notas de figo, pimentas brancas, tostados e bastante baunilha,  provenientes do estágio de 24 meses em barricas novas de carvalhos francês. Com mais algum tempo de aerador/taça aparecem algumas notas de caixa de lápis também. O ótimo equilíbrio entre acidez-fruta-madeira é um convite-tentação para o próximo gole, onde é praticamente impossível perceber seus 15% de álcool! Taninos finos e um final longo e muito sedoso são a cartada final para avaliar este exemplar com um verdadeiro vinhaço sulamericano, que compartilhado com grandes amigos fica ainda melhor.

É bem verdade que o preço não é dos mais convidativos, não é vinho para o dia a dia, mas vale muito para ocasiões especiais.

R$ 550,00 (Mistral)

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

quinta-feira, 7 de maio de 2015

ND: Magaña Calchetas 2005

Durante muitos dos últimos anos considerada uma região para produção de vinhos a granel, a DO Navarra (Espanha) se reinventou a partir do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 e agora vem, anoa após ano, mandando para o mundo vinhos suculentos, densos, com aquela "rusticidade refinada" que tanto adoramos aqui no Vinho SIM e de personalidade marcante, como é o caso deste exemplar, o Calchetas 2005, da Bodega Viña Magaña.

A vinícola, localizada na parte sul de Navarra, tem uma história recente muito interessante. Trinta anos atrás, seu proprietário, Juan Maganã, teve uma visão: depois de pesquisar os melhores vinhos do mundo, ele decidiu cultivar "uvas Bordeaux" na região. Para isso, foi atrás de matrizes e comprou estacas Merlot exatamente do mesmo "berçário" que (diz a lenda!) forneceu videiras para o famoso Château Pétrus.

É difícil saber quanto disso é verídico, mas o que é certo é o grande objetivo da vinícola, especialmente com este Calchetas, é ter um vinho que possa evoluir por, pelo menos, 20 anos. Para isso, não há dúvida que a vinícola não mediu esforços, escolhendo com todo cuidado as melhores uvas (50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e Malbec 15%) de seus vinhedos plantados em 1970. Desde a fermentações alcoólica (passando pela malolática, já em barris de carvalho) até o afinamento de 12 a 14 meses em barricas de carvalho francesas, a vinificação de cada casta foi realizada em separado, ocorrendo o assemblage somente após este período. Decidido o corte, o vinho passou mais 10 meses em carvalho até ser engarrafado. Mais alguns meses na adega e, finalmente, o vinho está pronto para o consumo.

O interessante corte de 50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e 15% Malbec, bastante inusitado na Espanha, amealhou nada mais, nada menos que 95 pontos de Robert Parker. Vamos à prova.




Tive a sorte de provar este vinho algumas vezes e em anos diferentes, o que me deu uma boa condição não apenas de analisar suas características no momento da prova, mas também a forma que vem evoluindo no decorrer dos anos.
Sua cor já mostra o sinal dos tempos, um vermelho bem acastanhado, mas límpido. No nariz já não mostra toda a vivacidade de alguns anos atrás, por outro lado os aromas de couro e terrosos fazem bela companhia para um delicioso fundo de mirtilos maduros ainda envoltos por toques defumados do carvalho. Na boca, a acidez já não aparece mais como nos últimos anos, tornando o vinho menos vivaz, porém ainda muito equilibrado, com destaque agora para uma mineralidade que faz belo par com as frutas negras supermaduras. Os taninos ainda existem (bem madurinhos) e um final gostoso e longo fazem esta prova valer (e muito) a pena. 

REFINADO (17/20) / ~ U$ 50,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim.

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O vinho brasileiro evolui bem? [Lídio Carraro Grande Vindima CS 2004]



A história do vinho no Brasil se confunde com a própria história do país, com relatos de videiras plantadas no início do século XVI na capitania de São Vicente, mas isso não significa (nem de longe) que muita coisa de interessante tenha sido produzida por aqui ou mesmo que tantos anos de "prática" tenha nos tornado um produtor de excelência. Pelo contrário.

O que aconteceu de fato foram anos e mais anos de uma produção estagnada em termos de evolução na qualidade e alguns passos que começam a ser dados nos anos 1980 e que viram saltos mesmo já no início dos anos 2000.

De lá pra cá se passam menos de duas décadas de uma produção que vem visivelmente melhorado a cada ano e que se depara, de forma iminente - e cada vez mais -, com a dúvida: o vinho brasileiro evolui bem? Tem potencial de guarda?

Como responder esta pergunta?

Diferentemente do que vem fazendo Chile e Argentina, no Brasil ainda não vejo um movimento organizado (que obviamente deveria partir das próprias vinícolas) para promover degustações verticais que poderiam fornecer subsídios para onde se poderia criar elementos para uma resposta, se não definitiva, pelo menos significativa.

Enquanto isso não acontece, nós do Vinho SIM, como grandes admiradores dos vinhos do nosso país, vamos apresentar alguns resultados/comentários de degustações de vinhos da nossa adega pessoal.

O primeiro vinho desta série será o Lídio Carraro Grande Vindima Cabernet Sauvignon 2004., que foi o nosso escolhido para iniciar esta série por um motivo em especial: é um vinho sem passagem por barrica.

Este CS, com uvas de Encruzilhada do Sul, mostrou-se vermelho rubi com com tons acastanhados. Mostrou potentes aromas de frutas negras maduras, notas balsâmicas, animais, de caixa de charutos, além da clássica "folhas de uva em conserva", típica dos vinhos do Sul do país. Na boca ainda é vivo, com um conjunto fruta-acidez muito harmonioso. Final de média duração, mas muito agradável. No auge dos seus 10 anos de idade, creio que ainda tenha potencial para evoluir mais.
Certamente um dos grandes exemplares já produzidos no Brasil.

REFINADO (18/20) 

Vem mais por aí. Acompanhe.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Gheller - Cabanha Tannat 2008: uma surpresa e tanto!


Há pouco mais de um ano atrás escrevi sobre um vinho que havia me impressionado à época, o Gheller Tannat 2007 (relembre), principalmente por ser um brasileiro produzido com uma casta ainda não tão bem domada e difundida - posso contar nos dedos os Tannats brasileiros que gosto de verdade - e de relação qualidade-preço fora do comum. Na ocasião cheguei a comentar que o vinho, eleito aqui no Vinho SIM a pechincha de dezembro/2012, era um verdadeiro presente de Papai Noel.

Obviamente meu ceticismo quanto a esse resultado tão bom não me deixou feliz enquanto eu não provasse novamente o "dito cujo". Provei e confirmei: o Gheller Tannat 2007 é realmente uma das melhores relações qualidade-preço do Brasil.

Daquele momento em diante, comecei a prestar mais atenção ao mercado de Tannats brasileiros e o que pude concluir é que os produtores  por aqui me parecem estar olhando cada vez com mais carinho para a Tannat nos últimos anos e alguns bons produtos têm surgido no nosso mercado. Já temos há algum tempo a Don Laurindo e a Lídio Carraro produzindo bons vinhos com esta casta e mais recentemente também surgiram varietais da Casa Perini, Pizzato, Dunamis, dentre outros.

É claro que "nossos" Tannats ainda são incomparáveis em ternos de concentração de fruta, estrutura e taninos com os dos nossos vizinhos uruguaios, mas creio que este caminho da comparação não seja o ideal e nem a busca dos produtores, já que a concorrência seria, provavelmente, fatal para nós. Os Tannats produzidos por aqui são tem tudo um pouco menos que os dos nossos vizinhos, mas nem por isso podem ser menos prazerosos de beber. São estilos diferentes que podem se apropriar de nichos de mercado também diferentes.

E foi nesta busca que me deparei com a Gheller, uma jovem vinícola fundada em 2004 no município de Guaporé, a 50 km do Vale dos Vinhedos.

No início, foram apenas 3 hectares de Cabernet Sauvignon com mudas importadas da França em uma área privilegiada e cuidadosamente estruturada. Após um pequeno período de “testes”, a área foi ampliada e introduzidas novas cultivares como Merlot, Chardonnay, Tannat, Carnenère e Ugni Blanc (Trebbianno), totalizando 18 hectares de plantação de videiras com produção limitada ao máximo de 8.000 kg de uva por hectare, reforçando o foco na qualidade. 

Entre um Tannat e outro, cheguei até a Gheller. Convidados por mim para participar da 1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais, toparam o desafio e, de lá para cá, comecei a procurar seus vinhos. Foi assim que cheguei ao Cabanha Tannat 2008, vinho surpreendente.

Com produção limitada a 5300 garrafas (3kg de uvas por planta) é um vinho de estilo próprio, cada vez mais raro no mercado. Consegue ser refinado com certos toques de rusticidade na medida certa

O nariz se abre com uma profusão de frutas vermelhas e negras bem maduras - quase uma compota de framboesas, groselhas, amoras e mirtilos -, que são acompanhadas por notas de couro, tudo envolvido por uma camada terrosa e toques defumados aportados pelos 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Na boca, a sensação de frutas maduras se confirma, acompanhadas por toques de chocolate, taninos firmes e maduros, além de excelente acidez que torna o conjunto muito harmonioso.

O próprio rótulo da garrafa já denuncia sua harmonização perfeita: a carne de cordeiro que, não por acaso, é uma das outras especialidades da fazenda onde a vinícola está. Escolhi carrés de cordeiro acompanhados de batatas rústicas assadas com tomilho e, sinceramente, embora o vinho deva se dar muito bem com carnes de sabor mais adocicado em geral, nem tente outra coisa, como diz o próprio site da vinícola "eles parecem ter nascido um para o outro".



Enfim, este é um vinho brasileiro que julgo imperdível para qualquer enófilo, curioso ou para aqueles que ainda têm qualquer preconceito com o que é produzido no Brasil. Recomendadíssimo! 

R$ 70,00 | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Vinho do Mês [SETEMBRO/2013]: Família Deicas - 1er Cru D'Exception Tannat 2006


Quem vem acompanhando o blog se acostumou a ver no final de cada mês (nem todos ... rs), a coluna Vinho do mês, em que o vinho que mais gostei dentro daquele período recebe este "título" e entra para o "Hall da Fama" do Vinho SIM.

Nos últimos meses acabei não sendo muito assíduo na elaboração desta coluna (um pouco por falta de tempo e outro pouco por alguma indecisão no momento da escolha), mas neste mês eu seria injusto se não publicasse algo sobre este tannat puro sangue uruguaio.

O eleito de setembro/2013 é um vinho fora de série, daqueles que você lembra dos aromas por muito tempo e cujo restrogosto é quase infinito. Já faz algumas semanas que provei o 1er Cru D'Excpetion Tannat 2006, da Família Deicas, mas ainda me lembro como fosse há poucos minutos ...

Já demonstrei no artigo "Uruguai, um país de vinhos únicos!" que sou fã dos vinhos do nosso "menor" vizinho (sim, menor entre aspas, pois este adjetivo, neste caso, é apenas uma alusão às dimensões geográficas do país, pois os vinhos ... ahh os vinhos uruguaios ...) e para mim, falar do vinho uruguaio é chover no molhado. Prova após prova estes vinhos me surpreendem e agradam cada vez mais.

Um pouquinho sobre a Família Deicas (Establecimiento Juanicó)

Conheci a vinícola Juanicó (Establecimiento Juanicó – Família Deicas) em outubro de 2011, ocasião na qual provei este vinho (junto com uma porção de outros) e achei espetacular!

A vinícola é conduzida pela Família Deicas e o patriarca e fundador, sr. Juan Carlos Deicas - acompanhado de filhos e netos - ainda é presente no dia-a-dia da empresa, a maior produtora do Uruguai – mais de 4 milhões de litros produzidos na última safra - e, possivelmente, uma das grandes reponsávelis pelo desenvolvimento e crescimento da vitivinicultura do país, tendo sido pioneira numa série de ações que mudaram a forma do nosso vizinho pensar seu vinho, principalmente em se tratando de qualidade, já que foi a primeira a produzir um grande vinho de guarda (em 1992), a primeira a ganhar uma Gran Medalla de Oro num grande concurso internacional (1996, na Espanha), foi a criadora a categoria Roble o Uruguai (em 1996, com a linha Don Pascual), a primeira vinícola sulamericana a obter certificação ISSO 9001 (em 1998), a primeira a produzir um Licor de Tannat (em 2002), dentre muitas outras contribuições para a vitivinicultura uruguaia.

O vinho: 1er Cru D'Exception Tannat 2006



Para começar, um vermelho vivo bem escuro com nuances violáceas - quase negro - chama a atenção, muito límpido e brilhante.

No nariz, as notas de frutas vermelhas e negras maduras aparecem de cara, aos poucos sendo substituídas por frutas secas, me trazendo fortes lembranças das misturas de frutas que são muito comuns de se ver no período natalino, além de diversas notas aportadas por toda elaboração em tonéis de carvalho e envelhecimento em barricas, tais como chocolate e café torrado.

No primeiro gole, a superação. A textura densa volumosa enche a boca trazendo de volta as impressões de frutas maduras e secas, agora permeadas por um toque mineral quase salgado e ótima acidez.


Não há dúvida alguma que se trata de um dos grandes exemplares uruguaios, sulamericanos e, quicá, do mundo. Um vinho de ótimo equilíbrio, com muita personalidade e que mostra o que de melhor de se pode fazer com a tannat.


Para a harmonização escolhi carré de cordeiro acompanhado de batatas e vagens sauté, que casaram perfeitamente com o vinho.

 

Certamente carnes vermelhas mais gordurosas, como uma bela costela ou um entrecote argentino braseados também seriam escoltas perfeitas para este vinho.

Infelizmente, para o meu bolso, seu preço aqui no Brasil é pouco convidativo, mas caso vá ao Uruguai ou encontre-o no freeshop, recomendo a compra, pois vale a experiência da prova.

No site da Todo Vino (www.todovino.com.br) é encontrado por R$ 600,00 e na wine.com há a safra 2005 por "míseros" R$ 385,00.

R$ 600,00 (Interfood) | Álcool 12,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Vinho do mês [MAIO/2013]: Urraca - Cabernet Sauvignon 2008


No início dos anos 2000, aproveitando-se dos baixos preços das terras, muitos estrangeiros decidiram investir na Argentina e a região de Mendoza foi, provavelmente, a que mais se aproveitou desses recursos de fora que estavam sendo injetados na economia local.
No auge da crise no país, uma verdadeira revolução acontecia na vitivinicultura, transformando uma indústria com ótima matéria prima, mas com poucos recursos financeiros, numa verdadeira potência no mundo do vinho!

Dentre essas centenas de investidores, a família Langley, vinda da Califórnia, foi mais uma a se “aventurar” em terras mendocinas e encontrou em Agrelo - Luján de Cuyo (~ 950m de altitude) o lugar ideal para fundar a Urraca Wines, em 2005.

Seus vinhos são elaborados pelo renomado enólogo Walter Bressia, dono de uma carreira brilhante (Nota: Walter Bressia possui sua própria vinícola, chamada Bressia, que tive a oportunidade de conhecer. Veja relato da visita), com várias premiações na Argentina e no mundo, formando o par ideal para a produção de vinhos de qualidade: tecnologia + tradição local.

Vamos ao Urraca Cabernet Sauvignon 2008.

Como já escrevi em outras oportunidades, para mim os melhores vinhos de Mendoza são os produzidos com Cabernet Sauvignon, apesar de toda qualidade e todo o marketing feitos em cima dos Malbecs. Esse vinho é mais um exemplo disso.

De coloração vermelho rubi intenso, no nariz mostra muita fruta, com nuances frescas e maduras. Notas terrosas, de chocolate e algo mentolado também aparecem, além dos tostados provenientes do estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano novas, diga-se de passagem, muito bem integradas ao conjunto. Complexo. Na boca, ótima acidez com algum toque mineral e muita, mas muita fruta mesmo. Taninos redondos e final longo. Muito equilibrado.

R$ 60,00 | Álcool 14,8%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Dia Mundial da Malbec 2013: Gran Malbec de Angeles 2009!



A cepa que se tornou símbolo da vitivinicultura da Argentina tem dia próprio, 17 de abril é o Dia Mundial da Malbec.

O dia é uma referência ao 17 de abril de 1853, data em que o presidente Domingo Faustino Sarmiento, importou algumas videiras da França, sua pátria-mãe. Após ser praticamente devastada do país europeu por geadas nos anos 1960, a cepa encontrou na Argentina condições climáticas perfeitas, que somadas à culinária portenha que cultua a carne bovina, formaram o par ideal para recebê-la de braços abertos e adotá-la como sua. Para mim não há dúvidas, a Malbec é argentina!

Vinho SIM não poderia ficar de fora dessa grande festa e para brindar esse dia tão especial nada melhor que a seleção de um vinho de respeito, um vinho que seja a cara da Malbec da Argentina. O eleito foi o Gran Malbec de Angeles, da Bodega Viña 1924.

O nome 1924 é uma alusão a um antigo vinhedo de Malbec localizado no Vale Vistalba, em Luján de Cuyo, Mendoza, um dos vinhedos de Malbec mais antigos (quicá o mais antigo!) da Argentina.

Do vinho, que já recebeu excelentes pontuações de diversos periódicas e figurou, inclusive, em listas dos melhores vinhos da Argentina, foram produzidas, pelo enólogo Juan Manuel González, apenas 4520 garrafas, após 14 meses de amadurecimento em barricas novas de carvalho francês.

No nariz um show de sensações, incluindo muita fruta com toques de café, chocolate, baunilha e um tostado fino. Complexo. Na boca, outro show! Apesar dos 15,5% de álcool o vinho apresenta grande equilíbrio, com taninos maduros e um equilíbrio entre fruta e acidez perfeito. Excelente persistência. Um vinho muito prazeroso de ser degustado.

Infelizmente não está à venda no Brasil, mas se tiver a oportunidade de estar na Argentina, procur-o. Altamente recomendado. Paguei por volta de 300 pesos argentinos na Lo de Joaquin Alberdi, em Palermo (Calle Jorge Luis Borges, 1772 - Palermo Soho – Fones 54 11 4832 5329 / 54 11 4831 7720 - info@lodejoaquinalberdi.com).


Avaliação VINHO SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sexta-feira, 29 de março de 2013

Miguel Torres - Vendimia Tardia - Riesling - 2008


Depois de mais de um século produzindo vinhos na Espanha, a vinícola Miguel Torres decide iniciar uma história também no Chile, onde em 1979 adquire uma pequena bodega no Vale do Curicó, buscando um mercado promissor e terras com grande potencial de produção, sendo assim, a primeira vinícola estrangeira a produzir vinhos no Chile.

Atualmente são 445 hectares de vinhedos próprios, separados em seis parcelas com características distintas (veja mais detalhes aqui), no próprio Vale do Curicó e também em outros vales próximos, onde são produzidas cepas tradicionais como Cabernet Sauvignon, Carmenère, Syrah, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay, etc e também cepas como Tempranillo e Monastrel, especialmente destinadas à produção dos vinhos de gama alta.

Há também produção de uvas não tão difundidas no Chile como a Gewürztraminer e a Riesling, que são destinadas a “projetos” especiais, como é o caso do colheita tardia que dá título a este post

Falando isso, vamos à ele.

Produzido com 100% Riesling, provenientes do Vale San Francisco, em Molina, este colheita tardia apresentou coloração amarelo dourado com algum traço de evolução para o âmbar, límpido e brilhante. Muito bonito. No nariz, as notas de mel, misturadas com abacaxi fresco, flores do campo e algo de especiarias são um ótimo presságio do que é o vinho. Esta mistura de aromas doces e cítricos é muito interessante e excita a salivação. Na boca, a impressão dos aromas se confirma. A ótima concentração de açúcares permeada por uma acidez muito agradável, tornam este vinho muito harmonioso e, diferentemente de muitos colheitas tardias, deixa aquele “gostinho de quero mais” na boca.

Provei o vinho antes de saber que sobremesa escolheria, mas assim que coloquei-o na boca, percebi que seu par ideal poderia ser um chocolate.


Testei uma harmonização com um chocolate com amêndoas e laranja que deu muito certo, mas acredito que este vinho possa acompanhar muito bem qualquer sobremesa que esteja nos extremos entre doçura e acidez, como um pudim de leite condensado ou uma torta de limão, por exemplo. Não o indicaria para sobremesas com ataque mais neutro, como cheesecakes ou similares.

R$ 85,00 (DeVinum) | Álcool 14,5%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pechincha do mês [FEVEREIRO/2013]: Zorzal Wines - Terroir Único - Pinot Noir 2012



Mais um achado do mês aqui no Vinho SIM!

Todo mês, aqui no blog, será indicado para você o vinho de preço mais acessível degustado por mim no mês anterior. Como “preço acessível”, defini em 2012 um teto de R$ 40,00, mas haja vista a grande oferta de excelentes vinhos até R$ 50,00 no nosso mercado, em 2013 alterei o limite, para evitar ter que promover exceções.

Em fevereiro, a grande “surpresa” foi o Zorzal Terroir Único Pinot Noir 2012!

Conheci o estilo de produzir o Pinot Noir Terroir Único em recente visita que fiz à Zorzal Wines (leia o relato da viagem!), uma jovem vinícola fundada em 2008 numa área praticamente inexplorada, o distrito de Gualtallary, em Tupungato, Vale do Uco, Mendoza, Argentina.

Na ocasião, o enólogo Juan Pablo Michelini – que me recebeu e conduziu a visita – fez questão de mostrar a forma carinhosa como a vinícola tem tratado a Pinot Noir e tive a oportunidade de provar uma amostra, diretamente da barrica, do Pinot Noir Gran Terroir 2013, um vinho que ainda não estava pronto, mas que já impressionava bastante pelo excepcional equilíbrio entre fruta, acidez e madeira.

Como não pude comprar este Gran Terroir 2013, pois ainda não estava pronto, comprei algumas garrafas do Terroir Único Pinot Noir 2012, pois tinha a intenção de prová-lo com algumas empanadas argentinas, principalmente com a especialidade de Mendoza, que recebe o clássico nome de Criolla, preparada com carne minuciosamente picada, ovo também picadinho e um pouco de molho chimichurri (um molho à base de alho, cebola, tomilho, orégano, pimenta vermelha moida e outros ingredientes, bastante utilizado nas culinárias argentina e uruguaia). Harmonização 100% aprovada!


De volta ao Brasil, meu típico ceticismo falou mais alto e eu tive que provar este vinho novamente para ter certeza que aquelas ótimas impressões não tinham sido majoradas pela atmosfera mendocina.

Vamos à prova.

A região de Gualtallary desenvolve ótima mineralidade nos vinhos, pois é uma região que num passado distante foi fundo de oceano, como provam amostras de fósseis encontrados há algum tempo atrás.
Essa característica, ao meu ver, essencial para um Pinot Noir, é muito destacada neste vinho, o que, somada à excelente acidez, gera um equilíbrio final pouco visto nos Pinot Noirs da América do Sul, principalmente quando se fala em vinhos desta faixa de preço. Algumas notas de frutas secas dão complexidade e elegância ao vinho, sem perder a leveza e sutilidade características da casta. Um vinho muito bem feito, que pode acompanhar desde entradas até pratos com carne vermelha, desde que pouco gordurosos, passando por pizzas, “empanaditas”, bruschettas, etc.

R$ 46,00 (Grand Cru) | Álcool 13,5%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

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