Mostrando postagens com marcador Uruguai - um país de vinhos únicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Uruguai - um país de vinhos únicos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Bodega Casa Filgueira (Uruguai)


Visite o site da Bodega Filgueira

Muita tradição remonta sobre o nome da Bodega Filgueira no Uruguai, cuja história vou tentar resumir dividida em três partes.


Na primeira delas, desde o início do século XX, com as primeiras videiras plantadas por Manuel Filgueira ao redor da propriedade localizada quase às margens do Rio Santa Lucia, em Canelones onde, por quase 70 anos, a família trabalhou duro para colocar o nome da vinícola entre os mais conceituados produtores do Uruguai, reconhecida pele esmero da produção e consequente qualidade dos vinhos.

Na segunda parte, a continuidade do Dr. José Luis Filgueira, médico cardiologista e filho de Manuel que, com mais juventude, impulsionou grandes avanços tecnológicos ao empreendimento juntamente com sua esposa, a sra. Martha Chiossoni que, ao se tornar diretora da vinícola em 1992 truxe “frescor” e toques de refinamento ao projeto da empresa que culminou, em 1999, com a  modernização das instalações para recebimento de turistas, naquilo que o staff chama hoje de “parte nova”.

Na última parte, iniciada em 2011, investidores brasileiros adquiriram a vinícola e começa-se então uma nova fase. Já consolidada no mercado interno, a Filgueira busca agora conquistar o mundo com seus vinhos de grande qualidade e tipicidade.

Atualmente, com 30 hectares de vinhedos todos na mesma propriedade - e ainda ao redor da vinícola! - boa parte de sua produção é exportada para Brasil, Estados Unidos, Espanha Canadá, Polônia e outros países. Seus vinhos estão divididos em 7 linhas, 
FugaClásicaSauvignon GrisPropriumReservaEdición Exclusiva e Familia Necchini, cada uma com características bem peculiares.

Tivemos a oportunidade de provar alguns deles acompanhados pela Melissa Barrera, "aquisição" desta nova fase da vinícola, uma jovem e promissora enóloga, vinda de uma família de enólogos uruguaios que chegou trazendo o combustível necessário para impulsionar ainda mais estes ótimos produtos.

Para não cair na mesmice de falar sobre os - sempre muito bons - Tannats uruguaios ou sobre os vinhos de linhas premium - também sempre muito bons (e algumas vezes, caros também!) - optamos por provar alguns vinhos da linha Clásica, que costumam ter ótimas relações qualidade-preço e - os que mais me encantam - vinhos Sauvignon Gris, uma tradição da vinícola que são quase uma exclusividade na América do Sul.


Vamos a eles.


Filgueira Tannat Cabernet Franc Rosé 2014

Leve, com algumas notas de morangos e algo herbáceo. Com final levemente adocicado é um vinho para ser apreciado despretenciosamente. 

Nota VS: 14/20
Preço Brasil: R$ 35,00

Sauvignon Gris Reserva 2009


Deliciosos aromas de frutas brancas em calda, mel e baunilha encantam desde o início. Na boca tem ótima acidez, que equilibra com perfeição o frutado. Ótimo corpo, cremoso. O final longo e macio deixa uma sensação intrigante de bala de café na boca. Uma preciosidade sulamericana.

Nota VS: 17/20
Preço Brasil: R$ 55,00



Sauvignon Gris Premium 2003


Uma espécie de irmão mais velho da SG 2009, este Premium é um vinho para apreciadores com certa experiência. As notas de mel e baunilha estão ainda mais concentradas e já aparecem acompanhadas de frutos secos, amêndoas e notas de oxidação. Na boca, tudo isso se confirma e ainda possui um bom equilíbrio, com final muito longo. Segundo a vinícola, restam por volta de 200 garrafas que, se dependesse de mim, estariam todas no Brasil.

Nota VS: 18/20
Preço Uruguai: U$ (Pesos uruguaios) 340,00
Preço Brasil: não disponível


Filgueira Tannat / Cabernet Franc

Fruta, fruta e fruta. A proposta da linha Clásica e apresentar um vinho jovem, frutado e fácil de beber. Conseguiu. Este aqui ainda traz uma certa rusticidade, com alguma presença de chocolate amargo, que lhe confere um charme especial. Certamente uma das grandes relações qualidade-preço do Uruguai. Um vinho para acompanhar uma tábua de queijos, carnes vermelhas magras na brasa e uma pizza.

Nota VS: 16/20
Preço Brasil: R$ 35,00


Filgueira Cabernet Sauvignon 2002

Impressionados com a capacidade de guarda do SG Premium 2003 perguntei se havia a possibilidade de provar algum outro vinho de longa data disponível na vinícola. Foi quando Melissa sugere que provemos este CS 2002. Bingo. Apesar dos 13 anos de idade, a fruta ainda aparece, contornando as notas defumadas que dão o tom. Mostra grande evolução, com aromas e sabores bem complexos, mas ainda boa acidez e alguma presença de taninos. Incrível, mas acredito que ainda tenha o que evoluir. Está disponpivel para compra na vinícola. Imperdível para os amantes de vinhos com notas de evolução.

Nota VS: 18/20
Preço Uruguai: U$ 150,00 (~ R$ 15,00: Quê???)
Preço Brasil: não disponível.

Convidei à Melissa Barrera para falar um pouquinho sobre a Filgueira e principalmente sobre seus Sauvignon Gris, já uma espécie de marca da vinícola, a variedade que se tornou emblemática e vem nos brindando com brancos fantásticos e únicos.



Dentre as opções de visitas, a Filgueira conta com duas modalidades: degustação acompanhada das imperdíveis empanadas uruguaias e tábua de frios ou degustação acompanhada do tradicional 'asado uruguayo', que foi nossa escolha. Simplesmente delicioso e altamente recomendado.

E assim terminamos mais uma visita cujas boas lembranças nos acompanharão para sempre. Grande alegria compartilhar estes ótimos momentos com vocês, Filgueira. Muchas gracias desde Brasil!


Bodega Casa Filgueira

Por que visitar?


  • Sensação de estar visitando velhos amigos.
  • Ótima opção para comprar vinhos de excelente relação qualidade-preço.
  • Sauvignon Gris únicos na América do Sul.

Produção anual (vinhos finos): 200 mil litros
Importador no Brasil: Supermercado Verdemar (Belo Horizonte - MG)


Avaliação VS


Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Bodega Santa Rosa: tesouros subterrâneos te aguardam em plena Montevidéu - Uruguai

 Visite o site da Bodega Santa Rosa

Quase 120 anos de vida e 6 gerações gerações da mesma família.
Parece bom?

Quem conhece a história do vinho na América do Sul sabe que esses números já seriam mais que suficientes para colocar a Santa Rosa como uma das mais sensacionais vinícolas do nosso continente.

No entanto, todo o pioneirismo não pararia por aí.

Dados verídicos da produção da vinícola na porta de descida para a cave

A Santa Rosa protegendo os vinhos na entrada da cave

Quase 
80 anos produzinho espumantes pelo método tradicional (champenoise)! A primeira safra, em 1936, foi um corte de Chardonnay e Pinot Noir que recebeu o nome de Fond de Cave, nome este que ainda está nos espumantes da vinícola. É desta mesma época a Cave subterrânea da vinícola, que ocupa uma área de quase 4000 metros quadrados.


 

Quase 40 anos desde a contratação do primeiro enólogo francês, Jean Pierre Lèdé, simplesmente um dos fundadores e professor do Instituto de Análise Sensorial de Champagne que colocou a vinícola definitivamente entre as melhores produtoras de espumantes das Américas.

Eu costumo dizer que no mundo vinho, entre estudos de produtos e produtores, degustações, visitas, provas e tudo mais 
há coisas interessantes e coisas desinteressante, mas há algumas que, definitivamente, não se enquadram em nenhuma das duas categorias, pois são extraordinárias, simplesmente necessárias a qualquer enófilo apaixonado, a qualquer estudioso. Uma dessas coisas é essa vinícola: Santa Rosa.

Tive a honra de conhecê-la guiado pelo atual manager, Daniel Mutio, uma daquelas figuras indispensáveis para o mundo do vinho, cuja conduta se pauta na verdade de seus produtos e no contato com seus amigos, não no jogo de cena ou no marketing descompromissado com a realidade que acabou se tornando o mundo atual, um homem que nasceu para lidar com o vinho e o faz com um amor cada vez mais raro e mais admirado. 

Hoje, algum tempo depois da visita e já desimpactado pela experiência vivida, posso afirmar com toda tranquilidade: ir ao Uruguai e não conhecer essa pérola, não ter oportunidade de conversar com Daniel Mutio e ouvir suas histórias, é um grande desperdício para qualquer amante dos vinhos.


 

Obviamente não sairíamos de lá sem provar algumas das preciosidades produzidas pela vinícola. O portfólio da vinícola é bem extenso, com produtos desde o mais famoso Médio a Médio uruguaio, até tintos encorpados e complexos, passando pelos espumantes elaborados pelo método tradicional, os quais privilegiamos nesta visita.


Fond de Cave Blanc de Blancs Extra Brut

Corte de 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay (Blanc de Blancs?) com 12 meses de contato com as borras. Perlage perfeita. Nariz pleno de frutas tropicais e algumas notas de frutas vermelhas e pão. Boca muito harmoniosa, com fruta e acidez na medida certa. Final médio-longo muito elegante.

Nota VS: 16/20



Brut Sauvage Nature

100% Chardonnay com 16 meses de contato com as borras. Perlage perfeita. Aqui, além das tradicionais leveduras e das notas de frutas como abacaxi, pêssego e até banana, aparace também a baunilha (20% do vinho é fermentado inicialmente em barricas de carvalho francês). Na boca, um conjunto cítrico-amanteigado de textura fantástica dá o tom, muito equilibrado. Final longo e muito prazeroso, trazendo notas complexas e deixando aquele gostinho de quero mais. Espumante de "gente grande".
Nota VS: 18/20



Fond de Cave Blanc de Noir

100% Pinot Noir com 12 meses de contato com as borras. Perlage perfeita. Nariz com destaque para frutas vermelhas frescas sobre um fundo de creme, algo como uma tortinha de framboesa e morango. Na boca, a lembrança da tortinha volta a aparecer muito equilibrada com uma acidez incrível, muito equilibrada. Final médio-longo e muito gostoso.

Nota VS: 17,5/20


Conclusão da prova. Você tem alguma dúvida que o Uruguai pode produz grandes espumantes? Visite a Santa Rosa.

Qualquer forma de agradecimento à recepção amistosa e calorosa de Daniel Mutio e equipe seria pequena perante a alegria de apreciadores como nós do Vinho SIM de estar perto de pessoas tão especiais, que constroem dia a dia não somente uma vitivinicultura melhor, mas um mundo melhor!



Bodega Santa Rosa

Por que visitar?


  • História da vinícola se confunde com a própria história do vinho uruguaio.
  • Uma das mais lindas caves da América do Sul.
  • Provar espumantes deliciosos produzidos pelo método tradicional.
Importador no Brasil: no momento está sem.

Avaliação VS



Que Baco nos ilumine!


Artigos Relacionados







segunda-feira, 8 de julho de 2013

Uruguai, um país de vinhos únicos!


Há algum tempo ando de olho no Uruguai. Com área de aproximadamente 175mil km2 (menor que o Rio Grande Sul, que o Paraná e que São Paulo, por exemplo) e população de menos de 3,5 milhões de habitantes, nosso vizinho tem uma posição geográfica bastante privilegiada e condições naturais muito interessantes para a produção de vinhos de alta qualidade.

Da região Sul do país, a única região da América do Sul que possui clima Atlântico - e ainda com algumas microrregiões com solos similares aos da Borgonha -, vem grande parte da produção, beneficiada pela insolação típica do paralelo Sul 35 - o mesmo que "contém" regiões superprodutoras como Mendoza (Argentina), Santiago (Chile) e Cape Town e Adelaide (Austrália), por exemplo –, e pela brisa fria proveniente das Ilhas Malvinas que banha suas costas durante as noites.


Outra característica interessante do país é o fato de os vinhedos não necessitarem de irrigação artificial - já que o volume de chuvas anual é considerado muito bom –, e, ao mesmo tempo, gerarem uvas com ideal maturação em boa parte dos anos.

Esse conjunto de condições naturais aliado a uma pitada de cultura local fazem do Uruguai o paraíso da Tannat, cepa que chegou ao país por volta de 1838 pelas mãos de Pascual Harriague, originário do País Basco e considerado o pai da viticultura uruguaia.

A Tannat, cuja origem remete à Irouléguy e Madiran (País Basco – França), se adaptou muito bem ao solo e clima do Uruguai, tendo se tornado a uva emblemática do nosso vizinho - tal qual a Malbec para a Argentina -, produzindo vinhos com muita cor e estrutura boa presença de taninos, o que os tornam o acompanhamento ideal para carnes vermelhas na brasa, símbolo maior da gastronomia uruguaia.

A onipresente Tannat, símbolo maior da vinicultura uruguaia

Muito embora os vinhos corpulentos, carnudos, frutados e tânicos sejam o estereótipo do tannat uruguaio, não é esse o vinho que vem me chamado a atenção nos últimos tempos!

Tenho provado alguns exemplares que preservam as principais características destes tannats uruguaios, mas com um toque refinado, complexo e elegante, típico dos vinhos europeus. O equilíbrio entre fruta (suavidade e doçura), taninos, afinamento em madeira e acidez, aliados a um preço ainda bastante convidativo (creio que isso não durará muitos anos!) tornam os vinhos uruguaios, ao meu ver, peças únicas da vinicultura sulamericana e entre os mais elegantes do continente.

Grande parte das suas quase 180 vinícolas está localizada no departamento de Canelones - muito próximo de Montevidéu -, é de origem familiar, com produção artesanal (sem abrir mão de tecnologia de ponta) e algumas delas estão preparadas para receber turistas, oferecendo visitas com passeios pelas instalações e vinhedos, diversos tipos de degustações e até almoço.


Nos últimos anos visitei algumas das principais delas, tais como Família Deicas, Bodegas Carrau, Antigua Bodega Stagnari, Pisano, Marichal (relembre), Viña Progreso, Santa Rosa, Bouza, dentre outras (escreverei mais detalhes sobre as visitas em breve) e fiquei muito satisfeito com a qualidade dos vinhos e com a forma com que me receberam, sempre com muito carinho e disposição para falar sobre os vinhos e o trabalho desenvolvido!

 

  

  

Creio que o Uruguai seja uma ótima escolha de viagem para os diversos tipos de interesses em torno do mundo do vinho. Aos iniciantes é uma boa forma de conhecer vinícolas de um país muito próximo, que certamente darão atenção toda especial por serem empreendimentos familiares e, em geral, pequenos. Para os iniciados é uma ótima forma de conhecer uma vitivinicultura que empenha grande parte de seus esforços na produção de vinhos a partir de uma cepa muito típica. E para os conhecedores é uma forma de provar, com preços justos, vinhos que ainda (tomara que assim permaneçam por muito tempo) não cederam à padronização imposta pelo mercado e possuem grande tipicidade.

Para os três casos, a dupla Tannat + Asado Criollo é um atrativo imperdível, principalmente se foram acompanhados de um passeio ao fantástico Mercado del Puerto, onde turistas e locais se deliciam todos os dias com uma das melhores carnes do mundo acompanhadas de ótimos vinhos, tudo com preços bastante honestos!


Para mais informações sugiro os sites Bodegas del Uruguay e Los Caminos del Vino, que trazem notícias sobre o vinho uruguaio e boas dicas de rotas para conhecer as principais vinícolas, com telefones e e-mails de contato das principais delas.

                

Para mais dicas e/ou sugestões ou ainda tendo qualquer outra dúvida, não hesite em deixar seu comentário abaixo.

Saúde a todos e 

que Baco nos ilumine sempre!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?