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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vídeo-ND: Alto de la Ballena Cabernet Franc Reserva 2010 (Uruguai)

Mais um vídeo diretamente do canal, galera!

Desta vez o vídeo-ND é sobre um Cabernet Franc uruguaio espetacular: o Alto de la Ballena Cabernet Franc Reserva 2010! Visitei a vinícola em 2016 e foi uma experiência sensacional.

Este é um vinho que, apesar do preço um pouco elevado para os padrões nacionais, eu considero uma ótima relação qualidade-preço para ocasiões especiais.

Confere lá ...

Não se esqueça de deixar o seu "joinha", comentar e compartilhar o vídeo com os amigos e se inscrever no canal.

Boas degustações e
que Bacco nos ilumine!

sábado, 16 de janeiro de 2016

ND: Viña Progreso Sueños de Elisa Open Barrel 2011


Filho de peixe, peixinho é?

A história desde vinho e desta vinícola é bem interessante.
Após formar-se em Enologia, Gabriel Pisano - com todo o apoio da família com uma história de mais de 100 anos com o vinho no Uruguai - cria asas e voa mundo a fora, conhecendo com detalhes diversas regiões, vinícolas e grandes vinhateiros do Velho e Novo Mundo, casos de David Ramey (Sonoma – Califórnia), Beyers Truter (Stellenbosch – Africa do Sul) e Michel Rolland (Clos Apalta – Chile), além de realizar trabalhos na Espanha e no Priorato, exatamente onde o aprendeu uma técnica que os produtores lá utilizam para a vinificação de pequenos lotes: a Open Barrel ("barrica aberta"). 

Já de volta ao Uruguai - e cheio de ideias! - o jovem e inquieto Pisano logo inicia seu próprio projeto,
onde seus sonhos finalmente se tornariam realidade e seu talento poderia ser conhecido pelo Uruguai e pelo mundo. Nascia assim a Viña Progreso, uma espécie de vinícola experimental, sem vinhedos, adega e nem ao menos equipamentos próprios, na definição do próprio Gabriel uma "vinícola de garagem", com produção limitada, mas inovadora, a soma do pedigree Pisano com a vontade de inovar, de mostrar a sua cara.

Tive o prazer de conhecer a Pisano (leia o 
artigo da visita) algum tempo atrás, ocasião em que também conheci Gabriel e seus vinhos, que me chamaram bastante à atenção pela personalidade e rusticidade típica da família, mas principalmente pela maciez que os tornam destacados. Dentre todos, o que mais me encantou foi exatamente o Sueños de Elisa Tannat 2011, pioneiro do estilo Barrica Aberta no Uruguai.

No processo, as uvas são colocadas numa barrica de carvalho, as uvas são prensadas manualmente e são usadas apenas leveduras indígenas. Terminado o processo de fermentação, a barrica é "reconstruída" e o vinho permanece por mais alguns meses (6 meses nesta safra), terminando seu amadurecimento. A produção de pouco mais de 1000 garrafas e o enólogo homenageou sua tia, Elisa,
 que é também quem ilustra os rótulos da Viña Progreso.

Vamos ao vinho.


Cheio de fruta em compota em perfeito equilíbrio com a madeira no nariz, onde também aparecem notas de chocolate e algo de especiarias doces. Na boca, excelente acidez, muita fruta (de novo) e toques tostados e de chocolate dão a tônica. Taninos supermaduros e final longo, elegante e macio. Este é um daqueles vinhos que o prazer e a vontade de continuar bebendo transcedem a análise/descrição organoléptica. Uma aula de vinificação de Tannat e prova obrigatória para qualquer enófilo. Certamente um dos grandes vinhos da América do Sul. Seu preço pode parecer não muito convidativo, mas vale cada centavo! Sem dúvida um vinho com o tempero Pisano: sincero, rústico e frutado com uma pitada de maciez da nova geração.

REFINADO (17/20) / R$ 345,00 (Importadora Vinci)
E foi assim.

É a prova de que fazer grandes vinhos é transmitida de geração para geração! Se a geração dos irmãos Daniel, Gustavo e Eduardo consagrou os trabalhos de Don Cesar e dos demais antepassados em Progreso, Gabriel Pisano é o legítimo sucessor do legado dos Pisano. Um daqueles vinhos que merece o título de "vinhaço".

Que Baco nos ilumine!

terça-feira, 28 de julho de 2015

ND: Família Deicas Cru D'Exception Merlot 2007

Maior produtor de vinhos do Uruguai, o Establecimiento Juanicó / Familia Deicas, além de deter grande fatia do mercado interno é também o maior exportador do nosso vizinho e responsável – em grande parte – por tornar os vinhos uruguaios conhecidos no mundo todo.

Claro que nos últimos anos vem contando com “ajuda” de outras excepcionais vinícolas “concorrentes”, porém o nome 
Establecimiento Juanicó / Familia Deicas merece reconhecimento por tudo que fez e faz pelo vinho de seu país.

Atualmente conta com uma linha de vinhos com dezenas de rótulos, desde espumantes e vinhos leves sem passagem por madeira, até vinhos de alta gama, de produção baixíssima como é o caso deste ícone uruguaio que dá título ao artigo, o Cru D'Exception Merlot 2007. Vamos a ele.





Disparado o melhor Merlot uruguaio - quicá o melhor sulamericano. Uma verdadeira bomba de frutas maduras e compotadas, boa presença de especiarias doces, café, chocolate e diversas notas tostadas. Taninos maduros, excepcional acidez e final longo. Um Merlot muito diferente de todos que já provei, mas muito gostoso e interessante. Versátil, pode acompanhar desde belos cortes mal passados de carnes vermelhas até fondues de queijo ou carne e ainda massas com molhos fortes e bem estruturados. Não tem no Brasil e o preço é um pouco salgado no Uruguai (~ U$ 80,00), mas sem dúvida é um ícone sulamericano que merece ser provado. 

REFINADO (18/20) / ~ U$ 80,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim. 

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

ND: Lapostolle Clos Apalta 2010, uma verdadeira joia chilena.

 

Este grande ícone chileno, produzido pela conceituada  Casa Lapostolle é um daqueles vinhos para se deliciar com tempo suficiente para deixá-lo evoluir calmamente na taça, enquanto desfruta-se de um jantar romântico ou um encontro com grandes amigos, durante uma longa conversa, em que o simples prazer da companhia acentuará os aromas, sabores e toda a atmosfera que sua prova proporcionará.

O corte de 71% Carmenere, 18% Cabernet Sauvignon e 11% Merlot de uvas provenientes de vinhedos de cultivo biodinâmico e sem irrigação em Apalta (Vale do Colchágua, Chile) da linda vinícola, que tive o prazer de conhecer nos idos de 2012 (confira aqui varia ano a ano, sempre de acordo com a escolha dos enólogos, que selecionam as melhores barricas para elaborar o blend.

Este 2010 é aquilo que costumo definir como uma verdadeira bomba de frutas negras. Tanto no nariz quanto na boca, ameixas e groselhas pretas e mirtilos maduros e compotados preenchem os sentidos, trazendo um vinho muito sedoso e vigoroso ao mesmo tempo. Também aparecem muitas notas de figo, pimentas brancas, tostados e bastante baunilha,  provenientes do estágio de 24 meses em barricas novas de carvalhos francês. Com mais algum tempo de aerador/taça aparecem algumas notas de caixa de lápis também. O ótimo equilíbrio entre acidez-fruta-madeira é um convite-tentação para o próximo gole, onde é praticamente impossível perceber seus 15% de álcool! Taninos finos e um final longo e muito sedoso são a cartada final para avaliar este exemplar com um verdadeiro vinhaço sulamericano, que compartilhado com grandes amigos fica ainda melhor.

É bem verdade que o preço não é dos mais convidativos, não é vinho para o dia a dia, mas vale muito para ocasiões especiais.

R$ 550,00 (Mistral)

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

quinta-feira, 7 de maio de 2015

ND: Magaña Calchetas 2005

Durante muitos dos últimos anos considerada uma região para produção de vinhos a granel, a DO Navarra (Espanha) se reinventou a partir do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 e agora vem, anoa após ano, mandando para o mundo vinhos suculentos, densos, com aquela "rusticidade refinada" que tanto adoramos aqui no Vinho SIM e de personalidade marcante, como é o caso deste exemplar, o Calchetas 2005, da Bodega Viña Magaña.

A vinícola, localizada na parte sul de Navarra, tem uma história recente muito interessante. Trinta anos atrás, seu proprietário, Juan Maganã, teve uma visão: depois de pesquisar os melhores vinhos do mundo, ele decidiu cultivar "uvas Bordeaux" na região. Para isso, foi atrás de matrizes e comprou estacas Merlot exatamente do mesmo "berçário" que (diz a lenda!) forneceu videiras para o famoso Château Pétrus.

É difícil saber quanto disso é verídico, mas o que é certo é o grande objetivo da vinícola, especialmente com este Calchetas, é ter um vinho que possa evoluir por, pelo menos, 20 anos. Para isso, não há dúvida que a vinícola não mediu esforços, escolhendo com todo cuidado as melhores uvas (50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e Malbec 15%) de seus vinhedos plantados em 1970. Desde a fermentações alcoólica (passando pela malolática, já em barris de carvalho) até o afinamento de 12 a 14 meses em barricas de carvalho francesas, a vinificação de cada casta foi realizada em separado, ocorrendo o assemblage somente após este período. Decidido o corte, o vinho passou mais 10 meses em carvalho até ser engarrafado. Mais alguns meses na adega e, finalmente, o vinho está pronto para o consumo.

O interessante corte de 50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e 15% Malbec, bastante inusitado na Espanha, amealhou nada mais, nada menos que 95 pontos de Robert Parker. Vamos à prova.




Tive a sorte de provar este vinho algumas vezes e em anos diferentes, o que me deu uma boa condição não apenas de analisar suas características no momento da prova, mas também a forma que vem evoluindo no decorrer dos anos.
Sua cor já mostra o sinal dos tempos, um vermelho bem acastanhado, mas límpido. No nariz já não mostra toda a vivacidade de alguns anos atrás, por outro lado os aromas de couro e terrosos fazem bela companhia para um delicioso fundo de mirtilos maduros ainda envoltos por toques defumados do carvalho. Na boca, a acidez já não aparece mais como nos últimos anos, tornando o vinho menos vivaz, porém ainda muito equilibrado, com destaque agora para uma mineralidade que faz belo par com as frutas negras supermaduras. Os taninos ainda existem (bem madurinhos) e um final gostoso e longo fazem esta prova valer (e muito) a pena. 

REFINADO (17/20) / ~ U$ 50,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cantu apresenta suas novas estrelas italianas: La Fuga e Il Pareto, da vinícola Folonari!


O dia 27 de novembro foi a data escolhida pela Cantu Importadora para reunir jornalistas e formadores de opinião num jantar de lançamento de duas novas estrelas de seu catálogo, os consagrados Tre Bicchieri (Gambero Rosso) vinhos  Il Pareto e La Fuga, da vinícola italiana Ambrogio & Giovanni Folonari.


O evento, organizado pela CH2A Comunicação, aconteceu no Terraço Itália e foi conduzido pelo embaixador de vinhos italianos da importadora, Luiz André Batistello.

Localizada em pleno coração de Chianti Clássico, a Ambrogio & Giovanni Folonari não se limitou a produzir vinhos desta região, mas se expandiu para outras regiões da Toscana. Seu Il Pareto, por exemplo, vem de Greve in Chianti enquanto seu La Fuga é um Brunello de Montalcino.

O mapa abaixo, da Cellar Tour, mostra com mais detalhes a localização das regiões, em turquesa Greve in Chianti e em laranja Montalcino.


Além dos lançamentos da noite, ainda pudemos degustar Cabreo – La Pietra IGT 2008 (R$ 180,00), Campo Al Mare 2009 (R$ 160,00), Cabreo – Il Borgo IGT 2007 (R$ 230,00) e Campo Al Mare – Baía al Vento 2008 (R$ 270,00), todos do mesmo produtor e que já estão à disposição dos consumidores aqui no Brasil há algum tempo. Para mais informações visite o site da importadora.


Voltando às estrelas da noite ...

La Fuga – Brunello de Montalcino DOCG 2008

A denominação Brunello de Montalcino DOCG pode dizer muito sobre as regras e cuidados que o produtor teve de se submeter para concluir seu vinho e poder lançá-lo ao mercado (uvas 100% Sangiovese – tradicionalmente conhecida como Brunello na região –, conservação, envelhecimento em madeira, envelhecimento em garrafa, etc) e, possivelmente ainda mais quando se trata de um produtor com a estirpe dos Folonari, onde a tradição remonta há muitas décadas, sendo este vinho, por exemplo, o primeiro de toda a Toscana a receber o título DOCG (denominação de origem controlada e garantida).

Apesar disso tudo, nenhuma regra DOC, DOCG, dentre outras garante o que é, ao meu ver, o mais importante num vinho desta categoria: o prazer de bebê-lo.

E é justamente neste quesito que este vinho se destaca. O vermelho rubi de incrível brilho é apenas um sinal para o que vem pela frente. Frutas vermelhas permeando entre frescas e maduras somam-se a notas sutilmente defumadas para encantar o olfato e preparar as papilas gustativas para a sequência: notas de framboesas e morangos recém amadurecidos, com seus “tons” agridoces que enchem a boca e, ao mesmo tempo, trazem continuamente aquela vontade de continuar bebendo. Excelente persistência.

Um vinho italiano para encantar olhos, nariz e boca. Sem nenhuma dúvida, um dos grandes Brunellos no mercado brasileiro.

R$ 240,00 | Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18,5/20)


Il Pareto – IGT

Então há de se imaginar que o supertoscano da Folonari seria ofuscado, não é mesmo?

Ledo engano, caro amigo. Os Folonari ainda tinham mais surpresas aos presentes.

Este 100% Cabernet Sauvignon, que estagia entre 16 e 18 meses em barricas de carvalho é um grande exemplo do porquê os supertoscanos são tão cultuados mundo afora. Cor, aromas e sabores sem miséria! Paladar de ótimo volume e concentração de frutas, com toques de baunilha e chocolate amargo, envoltos por taninos presentes e maduros, somados à acidez típica dos grandes vinhos italianos fazem deste vinho um dos mais agradáveis exemplares de uvas não autóctones da Toscana no mercado brasileiro.

R$ 315,00 | Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)


Sendo assim, sejam bem-vindos os novos italianos ao mercado brasileiro e

que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Vinho do Mês [SETEMBRO/2013]: Família Deicas - 1er Cru D'Exception Tannat 2006


Quem vem acompanhando o blog se acostumou a ver no final de cada mês (nem todos ... rs), a coluna Vinho do mês, em que o vinho que mais gostei dentro daquele período recebe este "título" e entra para o "Hall da Fama" do Vinho SIM.

Nos últimos meses acabei não sendo muito assíduo na elaboração desta coluna (um pouco por falta de tempo e outro pouco por alguma indecisão no momento da escolha), mas neste mês eu seria injusto se não publicasse algo sobre este tannat puro sangue uruguaio.

O eleito de setembro/2013 é um vinho fora de série, daqueles que você lembra dos aromas por muito tempo e cujo restrogosto é quase infinito. Já faz algumas semanas que provei o 1er Cru D'Excpetion Tannat 2006, da Família Deicas, mas ainda me lembro como fosse há poucos minutos ...

Já demonstrei no artigo "Uruguai, um país de vinhos únicos!" que sou fã dos vinhos do nosso "menor" vizinho (sim, menor entre aspas, pois este adjetivo, neste caso, é apenas uma alusão às dimensões geográficas do país, pois os vinhos ... ahh os vinhos uruguaios ...) e para mim, falar do vinho uruguaio é chover no molhado. Prova após prova estes vinhos me surpreendem e agradam cada vez mais.

Um pouquinho sobre a Família Deicas (Establecimiento Juanicó)

Conheci a vinícola Juanicó (Establecimiento Juanicó – Família Deicas) em outubro de 2011, ocasião na qual provei este vinho (junto com uma porção de outros) e achei espetacular!

A vinícola é conduzida pela Família Deicas e o patriarca e fundador, sr. Juan Carlos Deicas - acompanhado de filhos e netos - ainda é presente no dia-a-dia da empresa, a maior produtora do Uruguai – mais de 4 milhões de litros produzidos na última safra - e, possivelmente, uma das grandes reponsávelis pelo desenvolvimento e crescimento da vitivinicultura do país, tendo sido pioneira numa série de ações que mudaram a forma do nosso vizinho pensar seu vinho, principalmente em se tratando de qualidade, já que foi a primeira a produzir um grande vinho de guarda (em 1992), a primeira a ganhar uma Gran Medalla de Oro num grande concurso internacional (1996, na Espanha), foi a criadora a categoria Roble o Uruguai (em 1996, com a linha Don Pascual), a primeira vinícola sulamericana a obter certificação ISSO 9001 (em 1998), a primeira a produzir um Licor de Tannat (em 2002), dentre muitas outras contribuições para a vitivinicultura uruguaia.

O vinho: 1er Cru D'Exception Tannat 2006



Para começar, um vermelho vivo bem escuro com nuances violáceas - quase negro - chama a atenção, muito límpido e brilhante.

No nariz, as notas de frutas vermelhas e negras maduras aparecem de cara, aos poucos sendo substituídas por frutas secas, me trazendo fortes lembranças das misturas de frutas que são muito comuns de se ver no período natalino, além de diversas notas aportadas por toda elaboração em tonéis de carvalho e envelhecimento em barricas, tais como chocolate e café torrado.

No primeiro gole, a superação. A textura densa volumosa enche a boca trazendo de volta as impressões de frutas maduras e secas, agora permeadas por um toque mineral quase salgado e ótima acidez.


Não há dúvida alguma que se trata de um dos grandes exemplares uruguaios, sulamericanos e, quicá, do mundo. Um vinho de ótimo equilíbrio, com muita personalidade e que mostra o que de melhor de se pode fazer com a tannat.


Para a harmonização escolhi carré de cordeiro acompanhado de batatas e vagens sauté, que casaram perfeitamente com o vinho.

 

Certamente carnes vermelhas mais gordurosas, como uma bela costela ou um entrecote argentino braseados também seriam escoltas perfeitas para este vinho.

Infelizmente, para o meu bolso, seu preço aqui no Brasil é pouco convidativo, mas caso vá ao Uruguai ou encontre-o no freeshop, recomendo a compra, pois vale a experiência da prova.

No site da Todo Vino (www.todovino.com.br) é encontrado por R$ 600,00 e na wine.com há a safra 2005 por "míseros" R$ 385,00.

R$ 600,00 (Interfood) | Álcool 12,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)

sábado, 8 de dezembro de 2012

Confraria Vinho SIM [Novembro/2012]: Piemonte x Toscana!


A velha “disputa” italiana Piemonte x Toscana deu o tom, na última quarta-feira de novembro, em mais um divertido encontro da Confraria Vinho SIM.

Para os que não leram o post do encontro de outubro (relembre), explico que a CVS tem um objetivo um pouquinho diferente de grande parte das confrarias existentes. Além de reunir um grupo de apreciadores para trocar ideias e estudar sobre vinhos, nosso foco está na harmonização destes vinhos com pratos artesanais, elaborados pelos bistrôs, restaurantes e afins, principalmente aqui do ABC-SP.

Novembro foi mais um mês em que nos reunimos no Empório D’Vino, grande parceiro desta empreitada pioneira aqui na Província (pelo menos eu não tenho notícias sobre outra confraria nestes moldes, se alguém tiver e quiser/puder me convidar para participar, tô dentro! rs).

Após alguns bate-papos decidimos fazer uma brincadeira com com dois vinhos italianos das regiões da Toscana e do Piemonte. A ideia era provar vinhos um pouco fora do padrão e fugir do clichê (fantástico, diga-se passagem ...) Brunello x Barolo!

Para isso, da Toscana elegemos o Sant'Antimo Rosso D.O.C 2009, da vinícola La Velona e do Piemonte fomos de Le Grive 2009, da vinícola Forteto della Luja.

É importante frisar, antes de mais nada, que a tônica do encontro era apenas conhecer vinhos das duas regiões e não compará-los. Os vinhos não são equivalentes, nem em termos de preço, nem em termos de produção, por isso qualquer tentativa de comparação seria injusta.

Vamos aos protagonistas.

O Sant’Antimo Rosso DOC é um vinho tradicional da região de Siena, próximo a Montalicino – Toscana, produzido principalmente com Sangiovese Rosso, mas é comum vê-lo cortado com Cabernet Sauvignon, Merlot, Novello e até Pinot Noir. Normalmente é um vinho sem grandes pretensões, um vinho geralmente bem elaborado para escoltar pratos típicos da culinária italiana, mas, como quase tudo na vinicultura italiana, é possível encontrar exemplares fantásticos dele.

O nome Sant’Antimo é uma homenagem à majestosa Abadia de Sant'Antimo, construída no século X com arquitetura românica medieval, toda em mármore travertino e alabastro. No final de todos os dias um grupo de monges Norbertinos fazem seu canto gregoriano ecoar primorosamente, na missa das 17h.

Abazzia di Sant’Antimo, Siena – Itália. Fonte:  http://www.nozio.it. Acesso em nov/2012.


O La Velona - Sant’Antimo DOC 2009, produzido com 100% Sangiovese Rosso, mostrou-se com coloração vermelho rubi de média intensidade e bastante brilho. Aromas que me agradam bastante de cereja fresca, com alguns toques de fumo e de ervas frescas. Na boca tem corpo médio, com bastante frescor e uma sutil presença de taninos. É um vinho com bastante personalidade, facilmente reconhecível como italiano, o que me agrada e me deixa bastante satisfeito. Confesso que fui positivamente surpreendido. Certamente com grande vocação gastronômica, principalmente para pratos à base de molhos pouco sofisticados, como um sugo preparado com tomates frescos ou um bolonhesa. Pizzas também serão ótima companhia para ele.

R$ 75,00 (Tahaa) | Álcool 14%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Passemos ao outro astro do encontro: o Le Grive 2009, da vinícola Forteto della Luja. Um vinho produzido a partir de preceitos orgânicos, com muito mais cuidados na elaboração e de estilo completamente diferente do Sant’Antimo. 

A pequena vinícola Forteto della Luja, de propriedade da família Scaglione, produz vinhos na mesma região desde 1826, o que não é nenhuma garantia de qualidade, mas é um grande indicativo de quão envolvida com o vinho é.

Interessante ver que numa região tão consagrada com a produção de Barolos, Barbarescos, Docettos, Barberas, Moscatos, dentre outros, há produtores que se dediquem a elaborar vinhos com personalidade própria e ainda mais, como é o caso da Forteto della Luja, orgânicos. Show!

O Forteto della Luja - Le Grive 2009 é um vinho que traz a denominação de origem Monferrato RossoEsta denominação é bastante flexível, não impondo aos produtores nenhum tipo de exigência quanto ao envelhecimento dos vinhos em barricas de carvalho e nem restringindo demais as castas a serem utilizadas, mas sempre dando prioridade para as castas locais como Barbera, Croatina, Freisa, Grignolino e Nebbiolo, que podem ser cortadas com castas internacionais como Bonarda, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir, dentre outras. As uvas devem ser provenientes da área que inclui vários municípios das províncias de Asti e Alessandria, na costa centro-leste do Piemonte.


Composto de 80% Barbera e 20% Pinot Noir, o Le Grive 2009 apresentou-se vermelho rubi intenso, com bastante brilho. Aromas de frutas vermelhas maduras, especiarias e  notas de baunilha dão o tom principal. Os 12 meses de afinamento em carvalho aparecem de forma sutil e bem integrada, acompanhados por um mentolado agradável e toques de anis. Paladar macio e aveludado, com ótimo equilíbrio. Ótima acidez e taninos afinados. Já está ótimo para consumo, mas me pareceu um vinho com grande potencial de envelhecimento, deve evoluir bastante nos próximos anos.

O preço é um pouco salgado, mas sabendo das dificuldades que é produzir um vinho orgânico de forma tão cuidadosa, não posso deixar de recomendá-lo. Vale a pena!

Apesar da indicação de harmonização do produtor ser principalmente para entradas, optei por me aventurar no sempre sensacional raviole de alcachofras ao sugo, como sempre, muito bem preparado pelo Empório D’Vino! Adivinha o que aconteceu? Não sobrou nadinha, nem pra contar história!

R$ 190,00 (Tahaa) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA


Em dezembro tem mais!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Luis Pato - BTT - 2009


O fantástico Luis Pato, “rei” da região da Bairrada, em Portugal, aprontou mais uma de suas peripécias enológicas lançando este vinho de nome dúbio, o BTT 2009.

Segundo o próprio Luis Pato me disse no Encontro Mistral 2012 (relembre), a ideia deste corte de Baga, Touriga Nacional e Tinta Cão é "mostrar ao mundo que é possível consumir um vinho da Bairrada - produzido somente com castas locais – ainda jovem, desconstruindo a noção de que os bons vinhos locais sempre levam alguma “casta internacional” no seu corte."

Outra informação muito interessante é que a sigla BTT - uma clara referência aos nomes das castas – também é a abreviação de mountain bike em Portugal, o que nos leva a associá-la com a capacidade deste vinho de transitar por qualquer tipo de situação, seja ela a de servir como vinho de contemplação ou mesmo de harmonização para um grande número de pratos.

Teria sido Luis Prato pretensioso demais?

Quando se trata deste gênio da enologia portuguesa e mundial, nada é pretensão demais. O português é fera na arte de produzir excelentes vinhos, é uma figura das mais carismáticas do mundo do vinho e vem se mostrando uma grande revelação na arte da inovação também.

O BTT 2009 logo em sua primeira safra já foi condecorado como um dos 50 melhores vinhos de Portugal por Tom Cannavan, um feito louvável vindo deste renomado crítico escocês.

Coloração vermelho rubi intenso, muito límpido e brilhante. No nariz muita fruta vermelha fresca, como morangos e cerejas, além de toques de ameixas maduras, café e terra molhada. Paladar fresco, com ótima acidez e bastante frutado. Taninos presentes e maduros. Ótima persistência. Um vinho muito gostoso de beber e que vale muito mais pela curiosidade de provar um vinho típico da Bairrada, produzido com um corte incomum no Brasil. 

R$ 164,00 (Mistral) | Álcool 13,0 %

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vinho do mês [NOVEMBRO/2012]: Almaviva 2006


Quem vem acompanhando o Vinho SIM já se acostumou a ver no final de cada mês, o artigo Vinho do mês, em que seleciono o vinho melhor avaliado nos últimos 30 dias (ou um pouquinho mais, em casos excepcionais) para comentar aqui.

O vinho de outubro (relembre), o fantástico Special Blend 2007, da Bodegas del Fin del Mundo foi bastante acessado e agora chegou a vez de um ícone chileno, o Almaviva 2006.

O site da vinícola Almaviva, traz a seguinte descrição:

Em 1997, a baronesa Philippine de Rothschild, assessora-presidente da Baron Philippe de Rothschild S.A. e Don Eduardo Guilisasti Tagle, presidente da Viña Concha y Toro S.A., firmaram um acordo de sociedade com a ideia de criar um vinho premium franco-chileno excepcional. Desta fusão surgiu o Almaviva.

Produzido sob a supervisão conjunta dos dois sócios, a primeira colheita foi sucesso internacional imediato assim que foi lançada ao mercado, em 1998.

O nome Almaviva, apesar da ressonância hispânica, pertence à literatura clássica francesa: O Conde de Almaviva é o herói de O Casamento de Fígaro, a famosa comédia de Beaumarchais (1732-1799), mais tarde transformada em ópera pelo gênio Mozart.

O logotipo, por sua vez, faz uma homenagem à história da ancestralidade do Chile, com três reproduções que simbolizam a visão da terra e do cosmos na civilização Mapuche. O rótulo exibe o nome de "Almaviva" com o manuscrito original de Beaumarchais.


Localizada em Puente Alto - a parte mais alta do Vale do Maipo, zona central do Chile e reconhecida como ideal para a produção de Cabernet Sauvigon, a vinícola, projetada pelo arquiteto Martín Hurtado, une toda a modernidade de um “desenho” muito funcional com as tradições dos nativos da região, desde a utilização de madeira provinda do Sul do Chile até a decoração com símbolos e artefatos da cultura mapuche.

Apesar de jovem, a vinícola certamente veio pra ficar. Ou melhor, já está!

Ufa, vamos ao vinho!

Escrever sobre uma safra boa no Chile é chover no molhado. Nos últimos anos o país vem experimentando boas safras uma após a outra, o que colabora muito com a crescente produção de vinhos ícones, como é o caso, porém 2006 teve suas particularidades. O inverno um pouco menos chuvoso que a média trouxe um sofrimento extra às videiras, o que garantiu um brotamento homogênio, que gerou posteriormente frutos com excelente concentração de açúcar, ainda mais potencializado pelas já comuns poucas chuvas do verão e pela grande amplitude térmica do Maipo. As baixas temperaturas de abril desaceleraram um pouco o amadurecimento final das uvas, tendo a colheita sido sido iniciada no final de abril.

Provei o Almaviva 2006, um corte de 63% Cabernet Sauvignon, 26 Carmenère, 9% Cabernet Franc e 2% Merlot, que estagiou 17 meses em barricas de carvalho francês novas na companhia do amigo e enófilo Waldemar de Lello Jr., grande apreciador dos ícones chilenos e as impressões foram as seguintes.

Coloração vermelho rubi de grande intensidade, tingindo a taça com veemência. Límpido e brilhante. No nariz, o vinho começa a justificar seu nome, pois realmente tem uma grande alma, apresentando novidades incríveis com o passar dos minutos. A proposital não utilização de um decanter trouxe mais prazer à nossa prova, pois a oxigenação foi mais demorada, facilitando que pudéssemos notar as mudanças da paleta olfativa do vinho. De cara, muita fruta vermelha (groselha e framboesa) e negra (amora, mirtilo e ameixa) em compota e pimentão entremeados por notas de carvalho novo, que imprimem um caráter “verde”, um pouco selvagem, mas sem agressividade. Em alguns segundos, um tostado, baunilha, tabaco, mentolado e chocolate também deram o ar da graça. É daqueles vinhos que dá vontade de ficar curtindo os aromas por muito tempo. Paladar de grande estrutura, mastigável. Muita fruta madura bem contornada pela acidez. Taninos maduros. Excelente equilíbrio. Ótimo para consumo, mas certamente ainda deverá evoluir por longos anos. Muito persistente.

Uma curiosidade sobre este vinho é que ele não possui importador, é trazido ao Brasil por negociantes, prática muito comum na França, mas bem incomum por aqui.

Apesar do preço salgado, é um vinho super recomendado!

R$ 400,00 ~ R$ 700,00 Álcool 14,5 %

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (18/20)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Confraria Vinho SIM [Outubro/2012]: Degustando uma lenda!


Depois de muita pesquisa, bate-papo com amigos, reuniões com empórios, lojas, importadoras, produtores nacionais e tudo o mais, finalmente saiu do papel a Confraria Vinho SIM (CVS), única em seu estilo na região do ABC.

É claro que a CVS tem como objetivo principal reunir um grupo de enófilos para trocar ideias e estudar sobre vinhos, mas essa confraria é diferente pois tem outro grande objetivo: a harmonização com pratos artesanais.

Depois de fazermos um teste em setembro, voltamos com tudo em outubro para degustar uma verdadeira lenda, o Ventisquero Heru 2010, que foi muito bem harmonizado com uma bela pasta artesanal do Empório D’vino, acompanhada por um molho que, em breve, certamente tornar-se-á também uma lenda aqui em Santo André.

Começamos a noite provando dois brancos descompromissados com a complexidade, mas muito compromissados com o prazer: o Mitto Moscato Jovem 2012 e o Ventisquero Yelcho Sauvignon Blanc 2011.

O Mitto Moscato, como o nome diz, é um vinho jovem, bastante aromático - onde se destacam flores brancas, limão siciliano e maçã verde – e com ótimo frescor na boca. Ótima pedida para acompanhar saladas de folhas.

O Yelcho SB 2011 já é um vinho um pouco mais marcante. As frutas cítricas se destacam no aroma e vêm acompanhadas por notas de frutas tropicais, de pimentão verde e pimenta fresca. O paladar confirma frutas cítricas e tropicais, tem ótima acidez, certa untuosidade e algumas notas minerais, o que torna o vinho bastante interessante, principalmente levando-se em conta sua faixa de preço por volta dos R$ 30,00.

Ambos foram escoltados por uma cestinha de pães acompanhada por um antepasto de berinjela e uma clássica sardela, ambos muito bons.

Após esse passeio pelos brancos já estávamos aptos a escolher nossas pastas artesanais do Empório D’Vino, já que, em princípio, o molho já estava definido: o fantástico limão siciliano com presunto parma.

Pastas eleitas, escolhemos o sempre correto Montes Selection Pinot Noir para preparar as papilas para um grande Pinot Noir que viria pela frente: o Ventisquero Herú 2010, a grande estrela da noite!

O site da Ventisquero traz uma historinha interessante sobre o nome do vinho, sob o título “A partir de nossa imaginação para as mesas do mundo”: Heru é o testemunho de uma lenda que fala de um lugar chamado Casablanca, protegido por duendes mágicos sob o olhar de seu líder de boné vermelho, e onde todo feitiço é possível”. Sabores incomparáveis ​​atingem seu esplendor no terceiro mês do ano, momento em que a Pinot Noir do lote 34 é extraída utilizando todos os cuidados que devem ter os frutos de um feitiço”.


Tudo meio bobinho, mas interessante a forma como a vinícola trata uma das suas estrelas.

Vamos à lenda:

A coloração vermelho rubi médio com tons violáceos não lembra em nada os clássicos Pinot Noirs da Borgonha, mas sim os vinhos mais tinturados típicos da América do Sul. Já no nariz, os aromas de morangos e framboesas maduras, acompanhados de cerejas em calda se aproximaram mais do estilo dos bons Pinot Noir, mas as notas de baunilha e côco, apesar de serem bem agradáveis, me tiraram um pouco do prazer que é degustar um PN. No paladar também mostrou-se bem agradável, com boa fruta - uma mescla de vermelhas maduras -, acidez correta, uma presença discreta de taninos e uma certa mineralidade. O Herú 2010 passou 14 meses em barricas de carvalho francesas, sendo 35% novas, 35% de segundo uso e 30% de terceiro uso e, apesar de ser muito bem integrada, a presença da madeira me desagrada um pouco nos Pinot Noirs.

O raviolone de espinafre com molho de limão siciliano e presunto Parma foi uma harmonização sensacional para o Herú 2010.

"Moral da história": o Herú 2010 é um vinho extremamente saboroso, de qualidade indiscutível e, dentro desse perfil Pinot Noir com passagem por barricas, é certamente um dos melhores do Chile, porém, como já mencionei em outras ocasiões, este tipo de Pinot Noir não preenche minhas expectativas de degustar um vinho produzido com esta casta tão delicada. Continuo preferindo o estilo Borgonha de produzir a partir de Pinot Noir!

R$ 180,00 (Cantu) | Álcool 14%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA.

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