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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vídeo-ND: Alto de la Ballena Cabernet Franc Reserva 2010 (Uruguai)

Mais um vídeo diretamente do canal, galera!

Desta vez o vídeo-ND é sobre um Cabernet Franc uruguaio espetacular: o Alto de la Ballena Cabernet Franc Reserva 2010! Visitei a vinícola em 2016 e foi uma experiência sensacional.

Este é um vinho que, apesar do preço um pouco elevado para os padrões nacionais, eu considero uma ótima relação qualidade-preço para ocasiões especiais.

Confere lá ...

Não se esqueça de deixar o seu "joinha", comentar e compartilhar o vídeo com os amigos e se inscrever no canal.

Boas degustações e
que Bacco nos ilumine!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Direto de Mendoza - Pulenta Estate


Fazer um grande vinho é um ato de generosidade, de pensar sempre no outro que vai degustá-lo. A nossa missão é produzir series limitadas de grandes vinhos, elaborados com orgulho na Argentina.”

A frase que é a marca da vinícola poderia ser apenas um conjunto de palavras bonitas e bem colocadas, mas não, a vinícola localizada na zona de Alto Agrelo, Luján de Cuyo – Mendoza - Argentina é um grande exemplo de como a tecnologia pode ser uma grande aliada de uma vinificação quase artesanal, unindo perfeitamente o que há de mais avançado em termos técnicos com a tradição de quem está no mundo do vinho há mais de um século.

Estive na vinícola em 2013, com minha parceira de blog, Talita Martinez, e pude conhecer um pouco da história da família, que tento resumir nas linhas seguintes.


Embora a vinícola Pulenta tenha apenas um pouco mais de uma década de existência, a família está ligada à viticultura Argentina por três gerações, desde que os patriarcas Angelo Polenta e Palma Spinsanti chegaram à Argentina em 1902. Depois de breve estada em Buenos Aires, partiram para Mendoza onde começaram a construir a história da família, que seguiu seus passos e cresceu ainda mais já na região de San Juan, onde em 1914 compraram seu primeiro terreno, de 5 hectares, que deu origem a primeira vinícola da família.

Uma década depois, os 9 filhos do casal acabam ficando órfãos mas a família, agora liderada pelo irmãos mais velhos Quinto e Maria, continuou batalhando e honrando o legado de trabalho, esforço e união familiar deixado pelos pais, expandindo o pequeno empreendimento familiar por San Juan e Mendoza.

É aí que aparece a figura de Antonio, o penúltimo dos nove irmãos, que se translada para Mendoza para estudar enologia e posteriormente  tomar conta da vinícola da província. Em 1946,  ele se casa com María Zulema Chirino com quem teve 6 filhos: Silvia, Carlos, Antonio, Eduardo, Zulema e Hugo.

Pulenta Estate é a continuação desta tradição, já que são justamente os filhos do vinicultor Antonio Pulenta - Eduardo e Hugo Pulenta -, que dão vida a esta vinícola em 2002, aportando experiência e a mais qualificada mão de obra.

Hoje são 135 hectáres de vinhedos próprios a 980 metros acima do nivel do mar, com diversas variedades, como trazidas especialmente da França e da Itália por Antonio Pulenta e que beneficiam cada dia mais das virtudes da proximidade com a Cordilheira dos Andes.

São vinhedos de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Gris, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Pinot Noir e Cabernet Franc (para mim o grande destaque da vinícola!) vinificados em três linhas, denominadas La Flor, a linha de entrada, com vinhos de caráter mais jovem, fresco e frutado, Pulenta Estate, com vinhos que transitam entre o jovem e maduro, já um pouco mais densos e com alguma passagem por barricas de carvalho e, por último, a Pulenta, com os vinhos premium da vinícola, sempre amadurecidos em barricas de carvalho francês e de estilo mais complexo e refinado.

Provei alguns deles durante a visita e fiquei bastante feliz com o resultado. São vinhos elegantes, que mostram com segurança o estilo mendocino (maduro e frutado) com a forte tradição francesa e italiana que a vinícola carrega de anos e anos.

Começamos com Sauvignon Blanc VI 2012 e Pinot Gris XIV 2012, ambos da linha Pulenta Estate que acertam em cheio na harmonia frescor e fruta. Ambos com bastante intensidade aromática e boa persistência são ótimas opções para pratos à base de frutos do mar.
R$ 78,00 cada.
Na se quência passei para a prova dos 4 vinhos da linha Pulenta, Pinot Noir XV 2010, Grand Malbec X 2010, Gran Cabernet Franc XI 2009 e Gran Corte VII 2009.

Desta linha, os 4 vinhos agradaram bastante. São vinhos com muita personalidade e, principalmente, tipicidade. Aqui, meus destaques principais vão para o Pinot Noir XV e o Cabernet Franc XI.

O Pinot Noir XV por ser um vinho de estilo praticamente único com esta casta no mercado brasileiro, conseguindo alcançar um ponto de equilíbrio entre os chilenos superconcentrados e amadeirados (que são a maioria no nosso mercado) e os grandes borgonhas terrosos e cheios de frutas vermelhas frescas, cujo preço em grande parte das vezes não são nenhum pouco convidativos. Claro que este vinho não pode ser considerado uma pechincha, mas seus atributos o colocam como uma ótima compra, ainda aos R$ 185,00 que chega ao Brasil. 

Já o Cabernet Franc não só é um dos principais vinhos desta vinícola como foi, para mim, um dos 10 melhores vinhos de Mendoza provados em 2013, conforme artigo que publiquei no final do ano (relembre). A mescla de frutas e ervas frescas é muito interessante e nos seduz desde o primeiro contato. Na boca, o conjunto continua surpreendendo com grande equilíbrio, taninos maduros e grande persistência. Um dos grandes vinhos no mercado brasileiro e grande destaque na sua faixa de preço (R$ 185,00).


Atestar a paixão de todos da Pulenta Estate pelo trabalho e, principalmente, pelos seus vinhos - alguns dos quais já conhecia e admirava – foi algo extraordinário, mas já esperado, uma vez que já havia pesquisado e estudado um pouco sobre a vinícola. O que eu não podia imaginar é que o prazer de degustar alguns deles com o clima e a “energia” local seria tão grande e tão impressionante.

Sem dúvida alguma, uma visita imperdível em Mendoza.

Michelle (responsável pelo turismo), eu, Gabi (que nos apresentou a vinícola) e Talita.

A vinícola está aberta das 9h às 17h de segundas às sextas-feiras e da 9h às 13h aos sábados e feriados. Para reservar seu tour guiado (em espanhol, com duração entre 1 - 2 horas) é importante fazer reserva. Para isso, envie um e-mail diretamente para a amável responsável pelo turismo Michelle Schromm (michelle@pulentaestate.com) ou para reservas@pulentaestate.com solicitando um horário.

Os vinhos da Pulenta Estate são importados ao Brasil pela Grand Cru e podem ser adquiridos através do site www.grandcru.com.br. 

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estão chegando ao Brasil os vinhos da Junta Winery, olho neles!


A convite da diretora de marketing Veronica Barros, estive presente na última sexta-feira, dia 16/08/2013, no almoço-degustação, realizado no restaurante Zeffiro, de apresentação dos vinhos da Viña La Junta, localizada no Vale de Curicó - aproximadamente 200km ao sul de Santiago, Chile – com vinhedos dentro das novas subdenominação de origem Entre Cordilheiras e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações aqui).

Durante o encontro, onde estiveram presentes alguns jornalistas e formadores de opinião, a simpática Veronica Barros nos contou um pouco sobre a história da La Junta, fundada em 2009 com a única pretensão de produzir vinhos de grande qualidade.

Para atingir esta expectativa, a La Junta conta com o trabalho de Antonio Vásquez, enólogo apaixonado pela sua profissão, reconhecido principalmente pela sua capacidade de compreender a Carmenère, sendo considerado um dos maiores domadores da cepa emblemática do Chile, fama adquirida com os ótimos trabalhos desenvolvidos em vinícolas como Córpora,  Caliterra, Terramater, Santa Elena, Sieguel e San Pedro, nos vales de Aconcagua, Casablanca, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó, Maule e Bio Bio.

Só nos restava conhecer os vinhos para comprovar as pretensões da vinícola e a fama do enólogo.


Provamos vinhos das três linhas principais da vinícola. Da Momentos - linha reserva, que prima pela presença da fruta com leves toques de madeira - provamos o branco Viognier/Sauvignon Blanc 2012, o Carmenère 2012, o Cabernet Sauvignon 2012 e Merlot 2012. Da Gran Reserva - linha que prima pela concentração de aromas e sabores, bem como pela complexidade aportada pelo amadurecimento em barricas de carvalho - provamos o Cabernet Franc 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011. Por último, provamos o topo de gama da "La Junta", o Escalera 2008, corte de 40% Carmenère, 30% Syrah, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Verdot.

Gostei bastante dos vinhos, todos eles com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, que me parece ser uma tendência de diversas vinícolas chilenas para os próximos anos, trazendo ao mercado brasileiro um estilo menos agressivo e amadeirado que imperou por aqui nos últimos anos.

Como em qualquer prova, sempre gosto de buscar aqueles vinhos que se destaquem por motivos diversos e nesta não foi diferente. Vamos à eles.

Linha Momentos: Carmenère 2012


Confirmando o que disse a Veronica, realmente este Carmenère mostra toda a habilidade do enólogo em domar esta cepa que, nesta faixa de preço (R$ 40,00 ~ R$ 50,00*), costuma apresentar vinhos austeros, herbáceos e comumente maquiados por um excesso de madeira. Este é macio, com um frutado muito gostoso e notas de especiarias. Praticamente imperceptível a presença da madeira e com a grande virtude de não trazer as notas de pimentão verde que costumam aparecer nos exemplares da sua (possível) faixa de preço. Par perfeito para a pizza de sábado à noite (e qualquer outro dia, calro! rs).

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20)

* Ainda não tem preço no mercado brasileiro.

Linha Gran Reserva: Cabernet Franc 2011


Ainda que o Cabernet Sauvignon tenha sido bastate elogiado (justamente) por grande parte dos presentes na degustação, minha preferência foi claramente por este Cabernet Franc. Esta cepa não possui boa fama para a produção de varietais (com poucas exceções), mas, quando bem tratada, traz resultados espetaculares, como é o caso deste Gran Reserva 2011. Um vinho com grande concentração de aromas de frutas negras maduras, assim como alguns toques terrosos e de especiarias. Na boca confirma a concentração de frutas, que aparecem de forma harmoniosa com os toques dos 12 meses de afinamento em carvalho, permeados por muito boa acidez, que lhe confere frescor e grande vocação gastronômica.
Aproveitei a oportunidade para testá-lo numa harmonização que não me parecia provável, mas que a minha veia investigativa e a ocasião me permitiram fazer, e acabou se mostrando bastante interessante. A acidez e os taninos bem afinados do Cabernet Franc Gran Reserva 2011 escoltaram perfeitamente a delicadeza e untuosidade do saboroso Nhoque com ragu de rabada, servido pelo Zeffiro. Recomendado.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)

Escalera 2008


Com produção de apenas 2760 garrafas, o Escalera 2008 foi elaborado para ser a grande estrela da La Junta e o resultado de todo o cuidado na elaboração, que foi desde a seleção das melhores uvas até a escolha das melhores barricas de cada cepa do corte, é realmente muito significativo. O escalera 2008 não é somente a grande estrela da La Junta, mas possivelmente um dos grandes vinhos do Vale do Curicó e da subdenominação Entre Cordilheiras. Expressão aromática de grande complexidade, com presença de frutas maduras, frutas secas, especiarias e algumas notas refinadas provenientes do envelhecimento em carvalho. Na boca confirma toda a concentração de fruta e apresenta taninos bem maduros e um delicioso frescor, que lhe conferiria uma grande nota no quesito "vontade de continuar bebendo". 

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)


Acredito que os vinhos La Junta cheguem ao Brasil com condições de mercado bastante favoráveis, pois são vinhos de muita qualidade e personalidade com, aparentemente (e esperançosamente) bons preços, que expressam toda a capacidade do Chile de produzir grandes vinhos com preços muito convidativos.

Que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?