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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Vídeo-ND (Direto do canal): Miolo Pinot Noir Reserva 2016



Mais uma novidade diretamente do canal, galera!

Desta vez o vídeo-ND é sobre o Pinot Noir Reserva 2016 da Miolo. Um um vinho leve e descomplicado.



Não se esqueça de deixar o seu "joinha", compartilhar o vídeo e o post e se inscrever no canal.

Abração 
e
que Bacco nos ilumine!


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Confraria Vinho SIM - Maio/2014: Pinot Noir!


A noite do dia 30 de maio marcou, novamente no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, mais um encontro da Confraria Vinho SIM, desta vez com o tema Pinot Noir, cujo único critério de seleção foi o preço: na faixa entre R$ 50,00 e R$ 120,00. Sendo assim, tivemos amostras do Brasil (1), Chile (4), França (1) e Itália (1), sendo seis delas trazidas pelos 10 confrades participantes e uma gentilmente cedida pela Nor Import, que realizava uma degustação de apresentação de alguns de seus vinhos no mesmo dia no Empório.

Consagrando a novidade implantada no encontro de Abril (relembre), André Cuer (AC), Riverlei Armellini (RA) e Talita Matinez (TM) contribuíram com suas NDs e, neste encontro, receberam também a companhia dos confrades Vanessa Sobral (VS), do blog Falando Sobre Vinhos e Rodrigo Pavan (RP). Mais uma vez torno público meus agradecimentos pelas contribuições.


E vamos aos vinhos, na ordem que foram degustados. Novamente, não houve critério para escolha da ordem e a degustação foi realizada às cegas.

1. Emiliana Novas Gran Reserva 2011


Coloração vermelho rubi de média intensidade e brilhante. No nariz mostra frutas vermelhas frescas com toques de ervas finas que aportam certa elegância. Aparece também algum sinal proveniente do estágio de 8 meses em barricas muito bem integrado com o conjunto. Na boca, além das frutas vermelhas, surge um saboroso apimentado que, acompanhado de ótima acidez tornam o vinho ainda mais interessante que no nariz. O final médio-longo confirma a ótima qualidade deste orgânico da região de Casablanca - Chile.

2. Villard Expresión Reserve 2009 R$ 90,00


Coloração vermelho rubi de média intensidade e brilhante. No nariz, além das esperadas frutas vermelhas frescas, surgem notas de cereja preta, algum toque mineral e um tostado bem sutil de madeira. Na boca, as notas de frutas frescas não se destacam muito e o que prevalece são frutas mais maduras e toques defumados, possivelmente aportadas pelos anos de evolução do vinho que, apesar de ainda ser relativamente jovem, já se mostra do auge para o declínio. Percebe-se ser um vinho de muito boa qualidade, mas a baixa acidez apresentada tira um pouco do brilho e, principalmente, não nos dá aquela vontade de continuar bebendo, que é uma virtude muito apreciada nos Pinot Noirs.

3. Albert Bichot Pinot Noir Vieilles Vignes


Coloração vermelho rubi de média intensidade e brilhante. Aromas herbáceos, verde e de frutas frescas. Na boca acidez muito presente, refrescante, rústico sem perder a elegância. Taninos suaves. Persiste na boca muito mais pela alta acidez do que propriamente pelos sabores de um conjunto equilibrado. Bom potencial gastronômico. (TM)

4. Fulvia Garagem 2012


A descrição do vinho ficou por conta do sommelier Riverlei Armellini e a empolgação da ND demonstra como os confrades receberam este vinho.
Coloração rubi turva, tonalidade pálida. No nariz mostrou-se franco, com intensidade pronunciada, complexo, notas de aroma animal, estrebaria, fundo de floresta, húmus, cogumelos, champignon, pimenta e especiarias. Fruta vermelha e negra como framboesa e amora-silvestre e um traço herbáceo de folha de groselha, culminando em mineral, com um leve traço de borracha queimada. Na boca é seco, com excelente frescor, ótima acidez, álcool, tanino, corpo, todos médios e equilibrados. Intensidade de sabor pronunciada repetindo as frutas, framboesa e amora-silvestre, mas também evidenciando um traço de salinidade, especiaria e pimenta. O final é persistente, deixando na boca uma boa sensação de frescor.
Harmonizações: Terrina de cogumelos silvestres. O prato libera grossas baforadas outonais, captadas na vegetação rasteira, sob o húmus, mas o vinho não tem nada a invejar: suas próprias notas de cogumelos chamam para si os aromas de caça, frutas maceradas, mineral aquecido deste prato. Outra boa harmonização seria um Boeuf bourguignon bem untuoso, com uma porção bem farta de Champignons de Paris e uma pitada de pimenta moída.

5. Tabali Reserva 2012


Coloração vermelho claro e límpido. Aromas refinados e perfumados. Na boca surgem as notas de groselhas e morangos maduros, acompanhadas de suaves toques florais e de baunilha. Paladar aveludado com taninos redondos e delicada estrutura. (RP)

6. Lapostolle Cuvée Alexandre 2012


Coloração vermelho violáceo intenso e límpido. No nariz surgem de cara as notas amadeiradas, até conflitando com as gostosas e intensas notas de frutas vermelhas e negras maduras. Tostado. Na boca, a sensação da forte presença da madeira continua, que somada a uma acidez média-baixa traz uma certa frustração por saber que se trata de um Pinot Noir. Apesar de ser um ótimo vinho, dependendo dos parâmetros adotados, pode até ser considerado um pouco desequilibrado, principalmente pela pouca tipicidade apresentada. (AC)

7. Castelargo Delle Venezie IGT


Rubi translúcido. Frutas vermelhas frescas no aroma, com nota de menta e um discreto baslsâmico. Bom corpo, textura sedosa com sabores adocicados e persistentes. (VS)


Vinho / Produtor
Safra
Região
País
$ médio 
Nota
1
Fulvia / Marco Danielle
2012
Encruzilhada do Sul - RS
Brasil
R$ 120,00
17,1
2
Vieilles Vignes / Albert Bichot
2012
Borgonha
França
R$ 60,00
16,4
3
Novas Gran Reserva / Emiliana
2011
Casablanca
Chile
R$ 54,00
16,3
4
Expresión Rserve / Villard
2009
Casablanca
Chile
R$ 90,00
16,3
5
Reserva / Tabali
2012
Limari
Chile
R$ 55,00
15,9
6
Cuvée Alexandre / Lapostolle
2012
Casablanca
Chile
*
15,5
7
Delle Venezie / Castelargo
2011
Friulli
Itália
**
15,3

* Não disponível no mercado brasileiro.
** Não encontrei em nenhum site/loja especializada.

E foi assim.

Vale destacar a recepção do Empório do Bacalhau (Rua Continental, 389 – Jd. do Mar – SBC – Fone 2356-2010), que ficou responsável pela elaboração do um cardápio e acertou em cheio, oferecendo um serviço de excelente qualidade que encerrou a noite de forma brilhante.

Próximo encontro!

O encontro de junho da CVS já está acertado. Será dia 13, novamente no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, que nos receberá para o tema Chianti. Promessa de mais uma noite de muito bate-papo e estudos! Dúvidas, sugestões e comentários diversos, deixe seu recado aqui em baixo.

Reitero o convite para que novos apaixonados que se identificarem com essas ideias e queiram participar, entrar em contato através do e-mail vinhosim@uol.com.br que sua solicitação será avaliada pelos fundadores da Confraria Vinho SIM com toda atenção. Produtores e importadoras que queiram trazer ideias e sugestões para os encontros também devem entrar em contato pelo mesmo e-mail.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Direto de Mendoza - Pulenta Estate


Fazer um grande vinho é um ato de generosidade, de pensar sempre no outro que vai degustá-lo. A nossa missão é produzir series limitadas de grandes vinhos, elaborados com orgulho na Argentina.”

A frase que é a marca da vinícola poderia ser apenas um conjunto de palavras bonitas e bem colocadas, mas não, a vinícola localizada na zona de Alto Agrelo, Luján de Cuyo – Mendoza - Argentina é um grande exemplo de como a tecnologia pode ser uma grande aliada de uma vinificação quase artesanal, unindo perfeitamente o que há de mais avançado em termos técnicos com a tradição de quem está no mundo do vinho há mais de um século.

Estive na vinícola em 2013, com minha parceira de blog, Talita Martinez, e pude conhecer um pouco da história da família, que tento resumir nas linhas seguintes.


Embora a vinícola Pulenta tenha apenas um pouco mais de uma década de existência, a família está ligada à viticultura Argentina por três gerações, desde que os patriarcas Angelo Polenta e Palma Spinsanti chegaram à Argentina em 1902. Depois de breve estada em Buenos Aires, partiram para Mendoza onde começaram a construir a história da família, que seguiu seus passos e cresceu ainda mais já na região de San Juan, onde em 1914 compraram seu primeiro terreno, de 5 hectares, que deu origem a primeira vinícola da família.

Uma década depois, os 9 filhos do casal acabam ficando órfãos mas a família, agora liderada pelo irmãos mais velhos Quinto e Maria, continuou batalhando e honrando o legado de trabalho, esforço e união familiar deixado pelos pais, expandindo o pequeno empreendimento familiar por San Juan e Mendoza.

É aí que aparece a figura de Antonio, o penúltimo dos nove irmãos, que se translada para Mendoza para estudar enologia e posteriormente  tomar conta da vinícola da província. Em 1946,  ele se casa com María Zulema Chirino com quem teve 6 filhos: Silvia, Carlos, Antonio, Eduardo, Zulema e Hugo.

Pulenta Estate é a continuação desta tradição, já que são justamente os filhos do vinicultor Antonio Pulenta - Eduardo e Hugo Pulenta -, que dão vida a esta vinícola em 2002, aportando experiência e a mais qualificada mão de obra.

Hoje são 135 hectáres de vinhedos próprios a 980 metros acima do nivel do mar, com diversas variedades, como trazidas especialmente da França e da Itália por Antonio Pulenta e que beneficiam cada dia mais das virtudes da proximidade com a Cordilheira dos Andes.

São vinhedos de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Gris, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Pinot Noir e Cabernet Franc (para mim o grande destaque da vinícola!) vinificados em três linhas, denominadas La Flor, a linha de entrada, com vinhos de caráter mais jovem, fresco e frutado, Pulenta Estate, com vinhos que transitam entre o jovem e maduro, já um pouco mais densos e com alguma passagem por barricas de carvalho e, por último, a Pulenta, com os vinhos premium da vinícola, sempre amadurecidos em barricas de carvalho francês e de estilo mais complexo e refinado.

Provei alguns deles durante a visita e fiquei bastante feliz com o resultado. São vinhos elegantes, que mostram com segurança o estilo mendocino (maduro e frutado) com a forte tradição francesa e italiana que a vinícola carrega de anos e anos.

Começamos com Sauvignon Blanc VI 2012 e Pinot Gris XIV 2012, ambos da linha Pulenta Estate que acertam em cheio na harmonia frescor e fruta. Ambos com bastante intensidade aromática e boa persistência são ótimas opções para pratos à base de frutos do mar.
R$ 78,00 cada.
Na se quência passei para a prova dos 4 vinhos da linha Pulenta, Pinot Noir XV 2010, Grand Malbec X 2010, Gran Cabernet Franc XI 2009 e Gran Corte VII 2009.

Desta linha, os 4 vinhos agradaram bastante. São vinhos com muita personalidade e, principalmente, tipicidade. Aqui, meus destaques principais vão para o Pinot Noir XV e o Cabernet Franc XI.

O Pinot Noir XV por ser um vinho de estilo praticamente único com esta casta no mercado brasileiro, conseguindo alcançar um ponto de equilíbrio entre os chilenos superconcentrados e amadeirados (que são a maioria no nosso mercado) e os grandes borgonhas terrosos e cheios de frutas vermelhas frescas, cujo preço em grande parte das vezes não são nenhum pouco convidativos. Claro que este vinho não pode ser considerado uma pechincha, mas seus atributos o colocam como uma ótima compra, ainda aos R$ 185,00 que chega ao Brasil. 

Já o Cabernet Franc não só é um dos principais vinhos desta vinícola como foi, para mim, um dos 10 melhores vinhos de Mendoza provados em 2013, conforme artigo que publiquei no final do ano (relembre). A mescla de frutas e ervas frescas é muito interessante e nos seduz desde o primeiro contato. Na boca, o conjunto continua surpreendendo com grande equilíbrio, taninos maduros e grande persistência. Um dos grandes vinhos no mercado brasileiro e grande destaque na sua faixa de preço (R$ 185,00).


Atestar a paixão de todos da Pulenta Estate pelo trabalho e, principalmente, pelos seus vinhos - alguns dos quais já conhecia e admirava – foi algo extraordinário, mas já esperado, uma vez que já havia pesquisado e estudado um pouco sobre a vinícola. O que eu não podia imaginar é que o prazer de degustar alguns deles com o clima e a “energia” local seria tão grande e tão impressionante.

Sem dúvida alguma, uma visita imperdível em Mendoza.

Michelle (responsável pelo turismo), eu, Gabi (que nos apresentou a vinícola) e Talita.

A vinícola está aberta das 9h às 17h de segundas às sextas-feiras e da 9h às 13h aos sábados e feriados. Para reservar seu tour guiado (em espanhol, com duração entre 1 - 2 horas) é importante fazer reserva. Para isso, envie um e-mail diretamente para a amável responsável pelo turismo Michelle Schromm (michelle@pulentaestate.com) ou para reservas@pulentaestate.com solicitando um horário.

Os vinhos da Pulenta Estate são importados ao Brasil pela Grand Cru e podem ser adquiridos através do site www.grandcru.com.br. 

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - RVS 2014 - Categoria BRUT ROSÉ - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Seguindo os trabalhos no 2o dia de avaliações, passamos às avaliações dos espumantes da categoria Brut Rosé – Método Tradicional.

Este ano, houve a inscrição de 5 amostras nesta categoria, praticamente o mesmo número do ano passado e, como já acontecera em 2013 e também com os rosés produzidos pelo Método Tanque (Charmat) neste ano, esta categoria também agradou, novamente com espumantes cheios de personalidade, produzidos com cortes muito particulares, mais uma demonstração de coragem e ousadia dos nossos enólogos, muitas vezes tão criticados - por mim, inclusive - por vinhos previsíveis e cada vez mais padronizados.

Confesso que estava bastante curioso com esta categoria, já que as 4 amostras avaliadas da  Edição 2013 do RVS de Espumantes Nacionais (relembre) tiveram um ótimo desempenho.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Ressalto novamente que 70 vinícolas brasileiras foram convidadas para o RVS, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos, o que correspondeu a algo em torno de 25% das quase 80 amostras avaliadas, sendo os resultados completos enviados individualmente por e-mail aos produtores.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem que não necessariamente é fiel à qualidade. 

CATEGORIA BRUT ROSÉ – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Valmarino
Pinto Bandeira - RS
Sa e PN
R$ 35,00
15,4
2
Casa Valduga Blush 25 2011
Vale dos Vinhedos - RS
Ch e PN
R$ 45,00
15,3
3
Poesia do Pampa 2012
Don Pedrito – RS
Ge e PN
R$ 52,00
15,1

Em que

Sa: Sangiovese,
PN: Pinot Noir,
Ch: Chardonnay e
Ge: Gewürztraminer.

1.  Valmarino


A vinícola de Pinto Bandeira que já havia emplacado seu Valmarino & Churchill entre os melhores da categoria Extra Brut & Nature (relembre), “estreou com os dois pés direitos” no RVS. A consistência dos espumantes da Valmarino já não é de hoje, com produtos sempre destacados no mercado, mas este rosé realmente chama bastante à atenção. Primeiramente pelo corte de Sangiovese com Pinot Noir (será que existe outro espumante no mundo com esta combinação?) e depois pelo preço de R$ 35,00, o que o coloca, sem nenhuma dúvida, como uma das grandes compras no mercado brasileiro.
A descrição-resumo do painel de degustadores destacou aromas florais com toques de frutas vermelhas. Boca macia, redonda, com acidez na medida certa. Final sem amargor, limpo e de média persistência.

**** $$$


2.  Casa Valduga Blush 25


Um dos poucos “veteranos” de toda a prova que se manteve como destaque nas duas edições do RVS, o que mostra a consistência deste espumantes, avaliado ano passado em sua safra 2008 e este ano em sua safra 2011.

Não é novidade pra ninguém que a Casa Valduga é uma das principais vinícolas nacionais e produz espumantes que a cada dia cativam mais o mercado e este rosé com 25 meses de contato com suas borras já se mostra imediatamente após ser despejado na taça, com aromas suaves frutas vermelhas e uma pitada de pimenta. Intrigante e sedutor. Na boca apresenta-se leve, com boa acidez e equilibrado, além de boa persistência. O custo médio de R$ 45,00 é bastante convidativo.

**** $$$


3.  Guatambu – Poesia do Pampa Rosé


Outra vinícola que apresenta grande consistência com seus espumantes – o Poesia do Pampa Branco, por exemplo, foi o grande vencedor da categoria Brut Branco - Tanque da 1a Edição do RVS (relembre) -, a Guatambu, da região de Don Pedrito, na Campanha Gaúcha, acabou de lançar ao mercado seu Poesia do Pampa Rosé e o espumante “chegou chegando”, de cara já sendo destacado em meio a diversos produtos já consagrados no mercado. O corte de Gewürztraminer com Pinot Noir é, pelo menos para mim, muitíssimo inusitado e não conheço outro espumante produzido assim no mundo, o que já torna sua prova algo interessante, mesmo ao (não tão barato) custo médio de R$ 52,00.
A avaliação do painel destacou notas de morangos frescos e lichia na paleta aromática, boa fruta vermelha fresca e acidez viva na boca, assim como ótimo equilíbrio e persistência. Macio na boca, gostoso de beber.

*** $$$$

Conclusões

1. Houve uma ligeira queda nas notas médias deste ano em relação às da 1a Edição do RVS, entretanto a diferença entre a maior e a menor nota média entre todas as amostras de 2013 e 2014 foram muito próximas.
2. Neste ano tivemos a inscrição de amostras de 1 nova vinícola nesta categoria, o mesmo aumento no número de amostras. Parece pouco, mas para um “universo” tão pequeno, isto já representa 20% de aumento.
3. Assim como na categoria Brut Rosé Tanque (relembre), nesta categoria também apareceram produtos bem diferentes, onde a ousadia e criatividade se afloraram trazendo boas perspectivas de produtos cheios de personalidade para os próximos anos.

Repetindo as conclusões do artigo Brut Rosé – Método Tanque, fiquei bastante feliz com os resultados desta categoria e gostaria de deixar público meus parabéns por toda coragem dos nossos enólogos em produzir espumantes com tanta personalidade.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

Nos próximos dias o resultado das categoria Brut Branco – Método Tradicional estarão disponíveis aqui, bem como artigos com os destaques gerais, destaques na relação qualidade-preço e considerações gerais acerca dos espumantes nacionais.

Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário aqui em baixo.

Que Baco nos ilumine!


Matérias relacionadas (demais resultados):

 RVS 2014: Brut Branco - Método Tanque

 RVS 2014: Brut Rosé - Método Tanque

  RVS 2014: Extra Brut & Nature - Método Tradicional

segunda-feira, 17 de março de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - Ranking Vinho SIM 2014 - Categoria EXTRA BRUT & NATURE - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Depois de um dia muito intenso, avaliando quase 40 amostras das categorias Brut Branco (relembre) e Brut Rosé (relembre), ambos produzidos pelo Método Tanque – popularmente chamado de Charmat -, partimos para o 2o dia de provas onde avaliamos os espumantes produzidos pelo Método Tradicional – Champenoise – divididos em três categorias, Brut Branco, Brut Rosé e Extra Brut & Nature, tema deste post.

Infelizmente em 2013 não obtive número significativo de amostras para realizar esta categoria e então avaliamos os espumantes que chegaram juntamente com os da categoria Brut - Tradicional, o que acabou gerando uma certa confusão no painel, motivo pelo qual decidi não divulgar os resultados, acreditando que a comparação não foi adequada. No entanto isso é passado e para esta 2a Edição do RVS foram catalogadas 10 amostras entre Extra Bruts e Natures, o que mostra o significativo aumento na produção deste tipo de vinho no Brasil e, certamente, mais um exemplo de autoconfiança e coragem dos nossos produtores.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Marcelo Iabiku, proprietário da importadora Hedoniste e do Empório Hedoniste e Jeriel da Costa, crítico de vinhos e autor do Blog do Jeriel 
Vanessa Sobral, autora do blog Falando sobre Vinhos e colaboradora da Revista Adega e Talita Martinez, colaboradora do blog Vinho SIM

Ressalto novamente o número de vinícolas convidadas para a prova: 70, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já expliquei nos artigos das categorias Brut Branco e Brut Rosé – Tanque, seguindo o que acontece em alguns dos principais concursos do mundo, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos.

CATEGORIA EXTRA BRUT & NATURE – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Perini Nature
Farroupilha - RS
Ch e PN
R$ 75,00
15,9
2
Dunamis Extra Brut 2012
Serra Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 50,00
15,6
3
Guatambu Nature 2012
D. Pedrito – C. Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 52,00
15,6
4
Valmarino & Churchill 2011
Pinto Bandeira – RS
Ch (90%) e PN
R$ 61,00
15,6
5
Estrelas do Brasil Rosé
Bento Gonçalves - RS
PN, Ch, Vi e RI
R$ 80,00
15,1
6
Campos de Cima Extra Brut
Campanha Gaúcha
Ch e PN
R$ 39,00
15,0

Em que

Ch: Chardonnay,
PN: Pinot Noir,
Vi: Viognier e
RI: Riesling Itálico.

1.  Perini Nature


Desde seu lançamento, o Nature da Perini vem amealhando algumas premiações e ótimas notas e não foi diferente em sua estreia nesta 2a Edição do RVS. Com os clássicos e esperados aromas de pão torrado e frutas cítricas acompanhados de ótima cremosidade e com toques de frutas de polpa branca, o espumante conseguiu a excelente média de 15,9 pontos que o coloca não apenas como grande destaque desta categoria, mas como um dos melhores espumantes do Brasil. Harmonioso, bem equilibrado e com final longo. Muito recomendado para pratos à base de frutos do mar com molhos sofisticados e amanteigados.

**** $$$$$

2.  Dunamis Extra Brut 2012


Outro estreante que chegou se destacando, conquistando a média de 15,6 pontos e se colocando entre os melhores espumantes do Brasil.
Nariz sedutor, lembrando maçãs com alguns toques de frutas secas. Na boca confirma notas de maça e mostra-se macio e cremoso, com boa acidez e final médio. É um vinho que apresenta certa complexidade bem aliada a um ótimo frescor. Sem dúvida alguma, um dos ótimos espumantes nacionais. Sua acidez marcante acompanhada de toques frutados o tornam um ótima pedida para acompanhar canapés e entradas diversas.

**** $$$$

3.  Guatambu Extra Brut 2012


Uma espécie de irmão mais velho de um dos maiores destaques da Edição do 2013 do RVS, o Poesia do Pampa 2011 (relembre), o Extra Brut 2012, com uma nota média de 15,6 pontos, mostra que a vinícola de Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha - RS, não veio para ser mais uma, mas sim para brilhar no cenário do vinho nacional.
Aromas de frutas cítricas com algum toque animal, ao meu ver uma das maiores características do vinho brasileiro, antecipam uma certa mineralidade levemente salgada e um ótimo frescor, que mostram a grande personalidade deste espumante. Complexo e com final médio é certamente uma ótima opção para frutos do mar frescos e preparados com poucos condimentos, como vieiras e mexilhões, além de entradas e saladas.

**** $$$$

4.  Valmarino & Churchill 2011


Outro que vem recebendo diversos elogios desde seu lançamento, a safra 2011 da parceria entre Nathan Churchill e Vinícola Valmarino que também foi destaque aqui no RVS, conseguindo a ótima média 15,6, graças à uma linda e fina perlage, aromas de frutas cítricas acompanhados de notas de brioche e baunilha, uma acidez refrescante, muito bem equilibrada com a fruta, tudo isso encapado por ótima cremosidade. Um espumante complexo e interessante, com toda certeza um dos melhores do Brasil. Ideal para acompanhar entradas à base de queijos e risotos diversos.

**** $$$$

5.  Estrelas do Brasil Rosé


Único rosé do grupo, o Nature da vinícola que vem surpreendendo o mercado desde seu lançamento, mostrou que tem qualidade e personalidade suficientes para encarar qualquer desafio, já que alguns dos melhores espumantes do Brasil estavam justamente nesta categoria. Com 60 meses de contato com as leveduras e um corte bem intrigante, que leva as clássicas Chardonnay e Pinot Noir acompanhadas de um clone de Riesling Itálico e ainda Viognier, este é um espumante complexo, denso, com diversas notas de frutas secas, panificação e até café, acompanhadas de uma ótima acidez. Cremoso, complexo, com final médio-longo, é ótima opção para acompanhar pratos da culinária oriental, desde os mais leves da japonesa, até os mais aromáticos das indiana e tailandesa.

**** $$$$$

6.  Campos de Cima


A vinícola da Campanha Gaúcha, ainda menos conhecida no cenário nacional que o merecido, que já havia se destacado na 1a Edição do RVS com a ótima pontuação do seu Brut, agora confirma toda sua capacidade na categoria Extra Brut & Nature, apresentando um espumante de grande qualidade e preço altamente competitivo, um dos melhores, senão o melhor, na relação qualidade-preço no mercado nacional.
No nariz, a primeira impressão foi de algo que lembra um leve amargor, possivelmente cevada, mas este toque não aparece de forma negativa e sim como uma característica, que logo foi apagada pelas notas de frutas secas, mostrando evolução. Na boca, a refrescância dá o tom, mas a combinação de frutas maduras e toques amanteigados tornam este espumante certamente um dos mais destacados da prova. Muito recomendado para entradas e pratos à base de peixes e frutos do mar no geral.

**** $$$

Nesta categoria foram avaliadas 10 amostras, sendo que 6 delas atingiram os 15 pontos (ou mais) de média, o maior percentual de aproveitamento de todas as categorias e bem acima da média geral, em torno dos 30%.

Conclusões:

1. Nos últimos tempos houve um nítido aumento no interesse dos produtores em elaborar produtos sem adição de licor de expedição, mostrando que a cada ano a vontade de mostrar produtos mais autênticos é mais aflorada.
2. Esta categoria foi a que apresentou o maior rendimento de todas, com 60% das amostras atingindo a nota média de 15 ou mais pontos, um incrível aproveitamento.
3. Aqui não estão os espumantes mais frescos e tampouco os mais “diferentes”, no entanto certamente é nesta categoria onde notamos os verdadeiros riscos que nossos produtores aceitam correr, produzindo espumantes de grande qualidade que mostram exatamente aquilo que podemos esperar do Brasil.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos e novas safras desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário aqui em baixo.


Matérias relacionadas (demais resultados):

 RVS 2014: Brut Branco - Método Tanque

 RVS 2014: Brut Rosé - Método Tanque



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