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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

ND: Ironstone Chardonnay 2009

Ironstone Vineyards é uma vinícola familiar localizada em Murphys, bem no coração de Sierra Foothills, Califórniard, EUA que busca pautar seu trabalho no respeito ao terroir local e nas belezas da região onde se encontra.

Possui algumas linhas de produtos bem conhecidas aqui no Brasil, das quais se destacam o vinho Obsession Symphony e alguns varietais da própria linha Ironstone e da linha Ironstone Reserve.

Em geral, os vinhos estadunidenses não me agradam muito porque considero exagerada a presença da madeira, o que causa, ao meu ver, um certo desequilíbrio, com estas notas muitas vezes sobrepondo a acidez e própria fruta. Além disso, os preços não costumam ser muito atrativos o que acaba inibindo a compra, sendo preteridos por exemplares de outras regiões.

E esse, o que me atraiu então?

A Casa Flora (importadora) está vendendo este vinho com 50% de desconto em alguns mercados parceiros, como é o caso da Coop aqui de Santo André, onde paguei R$ 30,00 por este Chardonnay 2009. Prática muito comum com vinhos de safras "antigas", possivelmente a importadora acredite que o vinho já esteja em declínio (aí seria até um pouco desonesto mantê-lo à venda - pelo menos sem um promotor que pudesse deixar isso claro aos clientes!) ou se tornou desinteressante comercialmente falando, já muitos consumidores ficarão receosos de comprar um vinho branco que já tem 6 anos de garrafa.




E o vinho, como está?
Não sou um aficcionado por descrever a cor do vinho, mas essa vale a pena: caraaaaaca! Douradíssimo e brilhante! No nariz uma mescla de damascos secos e mel, emoldurados por algo salgado, lembrando queijos com certa maturação. Estranho, né? Sim, estranho e delicioso! Aparecem ainda notas provenientes da madeira bem integradas ao conjunto, contrariando minhas expectativas a respeito de um vinho estadunidense. Na boca mostrou-se bem seco (uma surpresa depois da análise olfativa), com a madeira se fazendo presente em conjunto com a boa acidez. Novamente contrariando minhas expectativas. Estrutura cremosa e final médio-longo. Para mim está fantástico, creio que os anos na garrafa fizeram muito bem ao vinho. É bem verdade que tiraram um pouco do frescor, das notas de frutas frescas e daquele contorno cítrico, mas por outro lado, suavizou a madeira, integrando-a ao conjunto e aportou notas de frutas secas e concentração de aromas e sabores muito agradáveis. Prepare uma massa com um molho à base de manteiga e algum toque de bacon ou um presunto Parma (ou similar) e divirta-se.

Ahh, se encontrá-lo, compre
. Saúde!

ÓTIMO (16/20) / R$ 60,00 (R$ 30,00 em promoção da Casa Flora)
E foi assim. 

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Wine Bar mais alto do mundo: Baco, em Cusco - Peru (3400m)!

A cidade de Cusco, fundada entre os séculos XI e XII e com altitude de mais de 3400m acima do nível do mar, foi o mais importante centro administrativo e cultural do Império Inca e hoje é um dos destinos turísticos mais procurados no mundo, por ser a base para se chegar à Machu Picchu, a "cidade perdida" dos Incas. Mas falar sobre história e cultura de Cusco e dos Incas é chover no molhado e tenho certeza que há dezenas de blogs e sites mais qualificados que o Vinho SIM e que já discorreram brilhantemente sobre o assunto. 

Atraído principalmente pela atmosfera criada pelos vales de Cusco - que guardam histórias preciosas de um dos povos mais fascinantes da humanidade, os Incas - e pelos atrativos gastronômicos de Limarecentemente tive a oportunidade de visitar o Peru.

Eu quero mesmo é falar sobre um oásis que encontrei durante caminhadas por esta fantástica cidade, que guardava mais "segredos" entre suas apertadas ruas do que qualquer enófilo podia imaginar.

Estudos sobre nosso continente apontam que foi numa fazenda de nome Marcahausi, em Cusco, em meados do século XVI, que a história da vitivinicultura americana se inicia, com as primeiras videiras trazidas para o Peru por Francisco de Carabanes e Bartolomé de Terrazas, logo após a conquista pelos espanhóis.

Até aí tudo bem, mas você já se imaginou num winebar a 3400m de altitude?!

Foi neste cenário que me deparei com a possibilidade de viver esta experiência. E como bom amante dos vinhos, não desperdicei a oportunidade de conhecer a casa cujo nome não poderia ser mais propício, Baco - Food and Wine

Além de um cardápio bem variado, com boas opções - como é de costume no Peru -, o winebar oferece uma grande variedade de vinhos - principalmente da América do Sul - e o mais interessante: a possibilidade de provar alguns vinhos peruanos em taça, algo que não encontrei em nenhum restaurante durante toda minha estada no Peru.

Provei 3 exemplares, o Chardonnay 2012 da Intipalka, o Blanco de Blancos 2013 e o Cabernet Sauvignon 2012, ambos da Bodega Tabernero.


Foi neste cenário que me deparei com a possibilidade de viver esta experiência. E como bom amante dos vinhos, não desperdicei a oportunidade de conhecer a casa cujo nome não poderia ser mais propício, Baco - Food and Wine

Além de um cardápio bem variado, com boas opções - como é de costume no Peru -, o winebar oferece uma grande variedade de vinhos - principalmente da América do Sul - e o mais interessante: a possibilidade de provar alguns vinhos peruanos em taça, algo que não encontrei em nenhum restaurante durante toda minha estada no Peru.


Provei 3 exemplares, o Chardonnay 2012 da Intipalka, o Blanco de Blancos 2013 e o Cabernet Sauvignon 2012, ambos da Bodega Tabernero.

O Chardonnay 2012 do Valle de Ica - um dos mais tradicionais (senão o mais) na produção de uvas do Peru - produzido pela Intilpalka, foi o mais interessante dos três, com ótimo equilíbrio entre fruta e acidez, bom corpo e boa persistência. Um vinho que, se chegasse ao Brasil com custo na casa dos R$ 40,00, certamente teria seu público e ocuparia um espaço no mercado. Ótimo (15/20).

O segundo vinho provado, o Blanco de Blancos 2013, um corte de Chardonnay, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc, produzido pela Tabernero no Valle de Chincha não chamou tanta atenção quanto o primeiro, mas não chega a decepcionar. Mostrou-se um vinho simples, algo entre os reservados e os reservas chilenos que chegam ao nosso mercado, mas sem presença de madeira. Fruta fresca e uma boa acidez são seus principais atributos.

Na sequência provamos o Cabernet Sauvignon 2012, também da Tabernero, que chegou à mesa credenciado por uma medalha de prata no francês Challenge International du Vin. O vinho até tenta apresentar alguma qualidade, mas a baixa acidez o tornam um pouco enjoativo, prevalecendo muito as notas frutadas.

Definitivamente é um passeio imperdível! Se não tanto pelos vinhos peruanos, que não chegam a empolgar, pelo sentimento de estar no Wine Bar mais alto do mundo numa das cidades mais fantásticas do mundo.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Confraria Vinho SIM - Abril/2014: Chardonnay barricado x Chardonnay não-barricado!


Após a reestreia da Confraria Vinho SIM no excelente encontro de março, com o tema Sauvignon Blanc Novo Mundo (relembre), voltamos a nos reunir, desta vez na noite do dia 04 de abril, no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo.

O tema definido foi "Chardonnay barricado x Chardonnay não-barricado" e, desta vez, mudamos um pouquinho o formato de seleção das amostras.

Além do tema do encontro, definimos também duas faixas de preço. A primeira, adotada por quem chega “desacompanhado” é de R$ 75,00 e a segunda, que pode ser adotada pelos “casais” é de R$ 150,00. Desta forma, tivemos uma maior variedade de vinhos, com amostras da Argentina (2), Austrália (1), Brasil (1), Chile (1) e França (3), trazidas pelos 12 confrades participantes.

Neste encontro tivemos o desfalque dos confrades Rodrigo e Graziela que, por motivo de viagem, não puderam estar presentes, mas, por outro lado, tivemos a estreia da confrade Beatriz, mais uma apaixonada por vinhos aqui do ABC.


Outra novidade neste encontro é a colaboração dos confrades na construção das NDs/avaliações dos vinhos. Para este encontro teremos avaliações dos confrades André Cuer (AC) - que escreve sua primeira (de muitas) nota de degustação -, Riverlei Armellini (RA) – sommelier pela ABS-SP -, e Talita Martinez (TM) - colunista do Vinho SIM.

Tem frase melhor para definir o encontro de uma confraria?

Chega de “papo”, vamos aos vinhos. A sequência foi definida aleatoriamente e a degustação feita às cegas.

1. Jean-Marc Brocard – Chablis 2011


A região de Chablis – França, produz vinhos separados em quatro categorias, que são determinadas conforme o terreno onde os vinhos são produzidos: Grand Cru, 1er Cru, Petit Chablis e Chablis. A última, caso deste exemplar, é a mais simples e, em geral, seguem direto do tanque de inox para as garrafas.
A definição geral desta categoria, prega que os vinhos sejam muito vivos, com aroma floral e de frutas brancas, apresentando grande acidez na boca. E é exatamente assim que é este vinho de Jean-Marc Brocard, um vinho com ótima tipicidade.

Recebeu a nota média de 15,6, o que seria relativamente baixa para seu custo na casa dos R$ 150,00, mas vale ressaltar que parte do painel considerou que o fato de ter sido o primeiro da noite prejudicou um pouco sua avaliação. 

Posto tudo isso, creio que ainda valha a compra, principalmente se seu objetivo for uma harmonização com peixes com molhos leves e ácidos.

2. Miras Jovem - 2012


Como os vinhos deste produtor da Patagônia vêm recebendo diversos elogios, decidimos provar um deles, o Chardonnay Jovem 2012, cujo volume de 30% estagia por 10 meses em barricas de carvalho francês e americano.

No nariz a madeira se mostra bem integrada, destacando um fundo suave de baunilha. Paladar denota frutas cítricas com acidez fresca, que não chama à atenção. Equilibrado, com boa estrutura e persistência média. Vinho correto. (AC)

Com nota média de 15,2 e preço na casa dos R$ 60,00, nem de longe justifica toda aclamação que o produtor vem recebendo. Esperamos provar outros exemplares do Marcelo Miras em breve para verificar se esta impressão se modifica.


3. Château de Péronne – Mâcon-Villages 2011


Macon-Villages é uma denominação de vinhos brancos produzidos nos municípios selecionados do Maconnais, área vinícola do sul da Borgonha – França.
Assim como acontece em Chablis, em Macon também há algumas classificações, basicamente separadas em Macon, Macon-Villages e Macon-“nome da vila” (por exemplo, Macon Lugny ou Macon Fuisse), que são mais refinadas, pois os vinhos são elaborados com uvas provindas de um mesmo terroir. Normalmente na região, a Chardonnay amadurece um pouco mais que em Clablis, por isso os vinhos podem ter algumas características mais frutadas, sendo que as frutas cítricas aparecem mais “quentes” nos melhores exemplares.

O vinho degustado, do produtor Château de Péronne foi o grande destaque da noite, exalando um gostoso perfume de flores e frutas cítricas maduras, com um final lembrando mel. Na boca, mostrou-se com ótima estrutura, realmente trazendo todas as características de um clima quente, mostrando também alguns toques de frutas secas, como amêndoas e nozes e boa acidez. Muito bem equilibrado e com final longo. Certamente é uma ótima harmonização para pescados – preferencialmente os de carne mais firme – com molhos brancos e rosés à base de creme de leite.

A nota média de 17,2 e a indicação do melhor do painel por 6 confrades, o colocam como o campeão do encontro. Suas qualidades o fazem uma ótima compra, ainda que seu custo médio seja na faixa dos R$ 120,00.

4. Diamandes de Uco - 2010


Na “brincadeira” de acertar qual vinho era barricado e qual não, esse foi o mais “sem graça”. Assim que provamos, o termo usado para descrevê-lo foi “chá de madeira”.

Produzido pela associação entre a Família Bonnie, proprietária do Château Malartic-Lagravière, e Michel Rolland, DiamAndes é o último Diamante do grupo Clos de los Siete. Fincada ao pé dos Andes, no Valle de Uco - Mendoza - Argentina, a DiamAndes possui 130 ha onde cria seus vinhos

No nariz e boca apresenta notas de frutas tropicais e cítricas, com um final longo e boa acidez, porém o estágio de 8 a 10 meses em barricas de carvalho francês lhe confere aromas excessivos de baunilha, que acabam se sobressaindo às outras características, tornando o vinho pesado e um pouco desequilibrado, especialmente se consumido numa ocasião como essa, uma prova às cegas de Chardonnays diversos. (TM)

Provei o vinho em outra ocasião, acompanhando uma bacalhoada à Gomes de Sá e as impressões organolépticas mudaram um pouco. O conjunto da carne do bacalhau e da oleosidade suave do prato fez bem ao vinho, embora sua principal característica (madeira) ainda seja destacada.

A nota média de 14,7 ao custo de R$ 70,00 colocaram este vinho como o último colocado do painel. A não ser que você seja um adorador de vinhos amadeirados, a compra deste exemplar não é recomendada.

5. Domaine Denis Race – Chablis 1er Cru


Aqui já subimos de categoria dentro da região de Chablis. Os 1er Cru costumam ser mais elegantes, finos e longevos que os das categorias Chablis e Petit Chablis e costumam ter alguma passagem por madeira e, por isso, podem ser guardados por mais anos.

Este exemplar mostrou-se límpido, com tonalidade amarela pálida e nuances e reflexos verde-ouro cambiantes, claros e cristalinos. Nariz elegante no limiar de percepção, cítrico, mineral e com delicado toque floral. Paladar cítrico de limão a pequenos traços de toranja, integrados a uma sensível mineralidade e uma fresca acidez, harmoniosamente equilibrada por um leve traço láctico. Corpo médio e persistência média, sempre evidenciando um final cítrico, bem mineral, proporcionando um frescor harmonioso na boca. Harmoniza bem com pescado branco, grelhado e servido com molhos a base de limão, maracujá. Também vai bem com ostras e vieiras. (RA)

Recebeu nota média de 15,6 pontos e a indicação de 3 confrades como o melhor da noite, o que o coloca, no mínimo, como um vinho a ser provado. Custo médio de R$ 120,00.

6. Elderton Unoaked 2011


O sexto vinho do encontro era um desconhecido da quase todos os confrades, um Chardonnay não-barricado da região de Barossa - Austrália.
Ao contrário da maior parte da Austrália, cuja indústria do vinho foi fortemente influenciada pelos ingleses, Barossa Valley tem uma forte ligação com a Alemanha, já que foram os alemães fugidos da Prússia que colonizaram a região. Essa informação talvez seja muito importante para entender um pouco mais o Chardonnay 2011 da Elderton.

O vinho tem uma acidez quase pungente que lembra um pouco um Sauvignon Blanc, ainda mais quando se percebe algumas notas minerais. De cara, pensamos ser um vinho de clima frio, mas aí surgem algumas notas de frutas tropicais e até algum amendoado.

O Barossa Valley é, na realidade, uma região quente e este vinho foi bastante intrigante. Apesar de não apresentar tanta tipicidade da Chardonnay – pelo menos não aquela que estamos acostumados -, os confrades gostaram do vinho, indicando que é muito agradável, fácil de beber e versátil. Um dos confrades, inclusive, o indicou como o melhor da noite.

A nota média de 15,7 pontos o deixa praticamente empatado com o 4o e o 5o colocados e um pouco longe dos 2 primeiros, mas ainda assim, ao custo médio de R$ 80,00 pode incluído na lista de vinhos para conhecer. Parece-me uma boa pedida para acompanhar pratos leves em geral. 

7. Dal Pizzol - Chardonnay 2013


O que diz a vinícola: o mosto deste vinho foi obtido através de desengace e leve prensagem das uvas. Logo após, foi refrigerado e clarificado, para estar em condições ideais de serem inoculadas as leveduras selecionadas (Saccharomyces Cerevisiae). Este vinho requer uma fermentação com temperatura controlada, em torno de 15 a 18ºC e um rigoroso processo de limpeza do mosto, a fim de ressaltar seus aromas secundários provindos da fermentação. Após realizar a fermentação malolática, passou por um pequeno período de amadurecimento sobre suas borras finas (03 meses), posteriormente estabilizado, filtrado e engarrafado.

Certamente a grande surpresa da noite, que já chama à atenção por seu aspecto brilhante. Os aromas de maçã verde, maracujá e abacaxi maduro, com um certo toque adocicado lembram bastante um Chablis. Na boca, a acidez quase picante confirma as notas de frutas cítricas e chega-se a notar alguma mineralidade. A boa estrutura, acompanhada de certa elegância, ótimo equilíbrio e um final médio fecham a análise deste ótimo exemplar brasileiro.

A nota média 16,6 pontos ao custo na faixa dos R$ 40,00 não só somente o colocam na 2ª colocação este vinho como a melhor relação qualidade-preço da noite, muito embora tenhamos provado vinhos mais refinados.

8. De Martino Quebrada Seca 2011



O último vinho da noite, foi um dos destaques do Guia Descorchados 2014, amealhando nada mais, nada menos que 95 pontos de Patrcio Tapia.

Produzido com uvas do Valle del Limarí – Chile e fermentado já em barricas de carvalho francês, tem ainda mais 12 meses de afinamento em barricas de usos diversos. Os aromas, de intensidade não muito marcante, mostraram toques cítricos, algo de frutas secas e nada mais. Na boca tem as mesmas notas do nariz, boa acidez e algo mineral. Apesar de equilibrado, não se destaca positivamente nenhum dos seus atributos. Boa estrutura, boa persistência. Pode ser harmonizado com uma tábua de frutos do mar grelhados, assim como peixes defumados.

Um vinho correto e nada mais. Não justificou, pelo menos nesta degustação, a superpontuação que recebeu de Patricio Tapia, pois recebeu aqui a nota média de 15,3, o que o colocou em 6o lugar no nosso painel. O custo médio de R$ 120,00 me parece um tanto exagerado e o coloca como, no máximo, razoável no quesito qualidade-preço.


E assim, terminamos mais um encontro da CVS. 


Vinho / Produtor
Safra
Região
País
$ médio
Nota
1
Château de Péronne
2011
Mâcon-Villages
França
R$ 120,00
17,2
2
Dal Pizzol
2013
C. Gaúcha - RS
Brasil
R$ 45,00
16,6
3
Elderton Unoaked
2011
Barossa
Austrália
R$ 75,00
15,7
4
Jean-Marc Brocard
2011
Chablis
França
R$ 150,00
15,6
5
Domaine Denis Race
2011
Chablis 1er Cru)
França
R$ 120,00
15,5
6
De Martino Quebrada Seca
2011
Vale de Limari
Chile
R$ 120,00
15,3
7
Mira Jovem
2012
Patagônia
Argentina
R$ 63,00
15,2
8
DiamAndes
2010
Vale do Uco
Argentina
R$ 70,00
14,8

A seguir, algumas fotos do encontro.

 

  

 

E foi assim.

Vale destacar a recepção do Empório do Bacalhau (Rua Continental, 389 – Jd. do Mar – SBC – Fone 2356-2010), que ficou responsável pela elaboração de um cardápio sugerido pelos confrades e acertou em cheio, oferecendo um serviço de excelente qualidade que encerrou a noite de forma brilhante.

Próximo encontro!


O encontro de maio da CVS já está acertado. Será dia 30, novamente no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, que nos receberá para o tema Pinot Noir. Promessa de mais uma noite de muito bate-papo e estudos! Dúvidas, sugestões e comentários diversos, deixe seu recado aqui em baixo.

Reitero o convite para que novos apaixonados que se identificarem com essas ideias e queiram participar, entrar em contato através do e-mail vinhosim@uol.com.br que sua solicitação será avaliada pelos fundadores da Confraria Vinho SIM com toda atenção. Produtores e importadoras que queiram trazer ideias e sugestões para os encontros também devem entrar em contato pelo mesmo e-mail.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - RVS 2014 - Categoria BRUT ROSÉ - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Seguindo os trabalhos no 2o dia de avaliações, passamos às avaliações dos espumantes da categoria Brut Rosé – Método Tradicional.

Este ano, houve a inscrição de 5 amostras nesta categoria, praticamente o mesmo número do ano passado e, como já acontecera em 2013 e também com os rosés produzidos pelo Método Tanque (Charmat) neste ano, esta categoria também agradou, novamente com espumantes cheios de personalidade, produzidos com cortes muito particulares, mais uma demonstração de coragem e ousadia dos nossos enólogos, muitas vezes tão criticados - por mim, inclusive - por vinhos previsíveis e cada vez mais padronizados.

Confesso que estava bastante curioso com esta categoria, já que as 4 amostras avaliadas da  Edição 2013 do RVS de Espumantes Nacionais (relembre) tiveram um ótimo desempenho.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Ressalto novamente que 70 vinícolas brasileiras foram convidadas para o RVS, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos, o que correspondeu a algo em torno de 25% das quase 80 amostras avaliadas, sendo os resultados completos enviados individualmente por e-mail aos produtores.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem que não necessariamente é fiel à qualidade. 

CATEGORIA BRUT ROSÉ – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Valmarino
Pinto Bandeira - RS
Sa e PN
R$ 35,00
15,4
2
Casa Valduga Blush 25 2011
Vale dos Vinhedos - RS
Ch e PN
R$ 45,00
15,3
3
Poesia do Pampa 2012
Don Pedrito – RS
Ge e PN
R$ 52,00
15,1

Em que

Sa: Sangiovese,
PN: Pinot Noir,
Ch: Chardonnay e
Ge: Gewürztraminer.

1.  Valmarino


A vinícola de Pinto Bandeira que já havia emplacado seu Valmarino & Churchill entre os melhores da categoria Extra Brut & Nature (relembre), “estreou com os dois pés direitos” no RVS. A consistência dos espumantes da Valmarino já não é de hoje, com produtos sempre destacados no mercado, mas este rosé realmente chama bastante à atenção. Primeiramente pelo corte de Sangiovese com Pinot Noir (será que existe outro espumante no mundo com esta combinação?) e depois pelo preço de R$ 35,00, o que o coloca, sem nenhuma dúvida, como uma das grandes compras no mercado brasileiro.
A descrição-resumo do painel de degustadores destacou aromas florais com toques de frutas vermelhas. Boca macia, redonda, com acidez na medida certa. Final sem amargor, limpo e de média persistência.

**** $$$


2.  Casa Valduga Blush 25


Um dos poucos “veteranos” de toda a prova que se manteve como destaque nas duas edições do RVS, o que mostra a consistência deste espumantes, avaliado ano passado em sua safra 2008 e este ano em sua safra 2011.

Não é novidade pra ninguém que a Casa Valduga é uma das principais vinícolas nacionais e produz espumantes que a cada dia cativam mais o mercado e este rosé com 25 meses de contato com suas borras já se mostra imediatamente após ser despejado na taça, com aromas suaves frutas vermelhas e uma pitada de pimenta. Intrigante e sedutor. Na boca apresenta-se leve, com boa acidez e equilibrado, além de boa persistência. O custo médio de R$ 45,00 é bastante convidativo.

**** $$$


3.  Guatambu – Poesia do Pampa Rosé


Outra vinícola que apresenta grande consistência com seus espumantes – o Poesia do Pampa Branco, por exemplo, foi o grande vencedor da categoria Brut Branco - Tanque da 1a Edição do RVS (relembre) -, a Guatambu, da região de Don Pedrito, na Campanha Gaúcha, acabou de lançar ao mercado seu Poesia do Pampa Rosé e o espumante “chegou chegando”, de cara já sendo destacado em meio a diversos produtos já consagrados no mercado. O corte de Gewürztraminer com Pinot Noir é, pelo menos para mim, muitíssimo inusitado e não conheço outro espumante produzido assim no mundo, o que já torna sua prova algo interessante, mesmo ao (não tão barato) custo médio de R$ 52,00.
A avaliação do painel destacou notas de morangos frescos e lichia na paleta aromática, boa fruta vermelha fresca e acidez viva na boca, assim como ótimo equilíbrio e persistência. Macio na boca, gostoso de beber.

*** $$$$

Conclusões

1. Houve uma ligeira queda nas notas médias deste ano em relação às da 1a Edição do RVS, entretanto a diferença entre a maior e a menor nota média entre todas as amostras de 2013 e 2014 foram muito próximas.
2. Neste ano tivemos a inscrição de amostras de 1 nova vinícola nesta categoria, o mesmo aumento no número de amostras. Parece pouco, mas para um “universo” tão pequeno, isto já representa 20% de aumento.
3. Assim como na categoria Brut Rosé Tanque (relembre), nesta categoria também apareceram produtos bem diferentes, onde a ousadia e criatividade se afloraram trazendo boas perspectivas de produtos cheios de personalidade para os próximos anos.

Repetindo as conclusões do artigo Brut Rosé – Método Tanque, fiquei bastante feliz com os resultados desta categoria e gostaria de deixar público meus parabéns por toda coragem dos nossos enólogos em produzir espumantes com tanta personalidade.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

Nos próximos dias o resultado das categoria Brut Branco – Método Tradicional estarão disponíveis aqui, bem como artigos com os destaques gerais, destaques na relação qualidade-preço e considerações gerais acerca dos espumantes nacionais.

Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário aqui em baixo.

Que Baco nos ilumine!


Matérias relacionadas (demais resultados):

 RVS 2014: Brut Branco - Método Tanque

 RVS 2014: Brut Rosé - Método Tanque

  RVS 2014: Extra Brut & Nature - Método Tradicional

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?