Mostrando postagens com marcador Tannat. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tannat. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Histórias do Mundo do Vinho: Daniel Pisano (Pisano Wines, Uruguai) fala sobre o Gran Reserva Oculta Nº 1


Que história!

Em 2013 estive pela primeira vez na Pisano (
relembre), ocasião em que conheci Daniel, Gustavo e Eduardo, os "irmãos Pisano", que construíram - com muita luta e paixão - uma história linda neste mundo tão louco e fascinante que e o 'Mundo do Vinho', conseguindo colocar o Uruguai definitivamente no mapa vitivinícola mundial.

Esta visita rendeu muitas histórias e uma amizade, que gerou uma vontade intermitente de voltar ao Uruguai sempre que possível. E em 2014, lá estava eu novamente. E, claro, novamente visitei a Pisano, ocasião em que conheci um vinho único, o Gran Reserva Oculta Nº 1 - Don Cesar Tannat 2002, um daqueles exemplares cujo prazer em degustar não se encontra "apenas" na análise visual-olfativa-gustativa, mas sim na história que ele carrega e na oportunidade de compartilhá-lo com pessoas tão especiais, como foi o caso nesta visita.


E ninguém melhor que o próprio Daniel Pisano para falar sobre esse vinhaço e sobre como e quando foi a ideia de elaborá-lo. Uma história daquelas impagáveis, daquelas que fazem uma viagem toda valer a pena. Fala Daniel.


Desta vez levei "na bagagem" alguém muito especial, alguém com quem sabia que dividir algumas experiências que viriam pela frente seria muito especial, nada mais, nada menos, que minha avó, que acabara de completar 90 anos.

 Será que Daniel conseguiu prender a atenção da Dona Helena?

E tem gente que ainda me pergunta por que gosto tanto da gente e dos vinhos uruguaios.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Gheller - Cabanha Tannat 2008: uma surpresa e tanto!


Há pouco mais de um ano atrás escrevi sobre um vinho que havia me impressionado à época, o Gheller Tannat 2007 (relembre), principalmente por ser um brasileiro produzido com uma casta ainda não tão bem domada e difundida - posso contar nos dedos os Tannats brasileiros que gosto de verdade - e de relação qualidade-preço fora do comum. Na ocasião cheguei a comentar que o vinho, eleito aqui no Vinho SIM a pechincha de dezembro/2012, era um verdadeiro presente de Papai Noel.

Obviamente meu ceticismo quanto a esse resultado tão bom não me deixou feliz enquanto eu não provasse novamente o "dito cujo". Provei e confirmei: o Gheller Tannat 2007 é realmente uma das melhores relações qualidade-preço do Brasil.

Daquele momento em diante, comecei a prestar mais atenção ao mercado de Tannats brasileiros e o que pude concluir é que os produtores  por aqui me parecem estar olhando cada vez com mais carinho para a Tannat nos últimos anos e alguns bons produtos têm surgido no nosso mercado. Já temos há algum tempo a Don Laurindo e a Lídio Carraro produzindo bons vinhos com esta casta e mais recentemente também surgiram varietais da Casa Perini, Pizzato, Dunamis, dentre outros.

É claro que "nossos" Tannats ainda são incomparáveis em ternos de concentração de fruta, estrutura e taninos com os dos nossos vizinhos uruguaios, mas creio que este caminho da comparação não seja o ideal e nem a busca dos produtores, já que a concorrência seria, provavelmente, fatal para nós. Os Tannats produzidos por aqui são tem tudo um pouco menos que os dos nossos vizinhos, mas nem por isso podem ser menos prazerosos de beber. São estilos diferentes que podem se apropriar de nichos de mercado também diferentes.

E foi nesta busca que me deparei com a Gheller, uma jovem vinícola fundada em 2004 no município de Guaporé, a 50 km do Vale dos Vinhedos.

No início, foram apenas 3 hectares de Cabernet Sauvignon com mudas importadas da França em uma área privilegiada e cuidadosamente estruturada. Após um pequeno período de “testes”, a área foi ampliada e introduzidas novas cultivares como Merlot, Chardonnay, Tannat, Carnenère e Ugni Blanc (Trebbianno), totalizando 18 hectares de plantação de videiras com produção limitada ao máximo de 8.000 kg de uva por hectare, reforçando o foco na qualidade. 

Entre um Tannat e outro, cheguei até a Gheller. Convidados por mim para participar da 1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais, toparam o desafio e, de lá para cá, comecei a procurar seus vinhos. Foi assim que cheguei ao Cabanha Tannat 2008, vinho surpreendente.

Com produção limitada a 5300 garrafas (3kg de uvas por planta) é um vinho de estilo próprio, cada vez mais raro no mercado. Consegue ser refinado com certos toques de rusticidade na medida certa

O nariz se abre com uma profusão de frutas vermelhas e negras bem maduras - quase uma compota de framboesas, groselhas, amoras e mirtilos -, que são acompanhadas por notas de couro, tudo envolvido por uma camada terrosa e toques defumados aportados pelos 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Na boca, a sensação de frutas maduras se confirma, acompanhadas por toques de chocolate, taninos firmes e maduros, além de excelente acidez que torna o conjunto muito harmonioso.

O próprio rótulo da garrafa já denuncia sua harmonização perfeita: a carne de cordeiro que, não por acaso, é uma das outras especialidades da fazenda onde a vinícola está. Escolhi carrés de cordeiro acompanhados de batatas rústicas assadas com tomilho e, sinceramente, embora o vinho deva se dar muito bem com carnes de sabor mais adocicado em geral, nem tente outra coisa, como diz o próprio site da vinícola "eles parecem ter nascido um para o outro".



Enfim, este é um vinho brasileiro que julgo imperdível para qualquer enófilo, curioso ou para aqueles que ainda têm qualquer preconceito com o que é produzido no Brasil. Recomendadíssimo! 

R$ 70,00 | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Lançamento do Dunamis Tannat 2012

 

Por Talita Martinez
(colunista do Vinho SIM)

Na noite da última quarta-feira (16/04) foi realizado no estúdio YB Music, em São Paulo, o lançamento do novo vinho da vinícola Dunamis, o Tannat 2012.

A ocasião foi uma ótima oportunidade de conhecermos os jovens enólogos da Dunamis, Thiago Peterle e Vinicius Cercato, e assim entender um pouco mais do conceito do vinho e, principalmente, do porquê de lançar ao mercado um Tannat, com tantas ótimas opções do Uruguai à disposição.

Segundo os enólogos, as primeiras parreiras de Tannat na propriedade em Campanha - RS foram plantadas em 2002, e desde então houve várias tentativas de produzir esse varietal, mas, ano a ano, muitos problemas foram enfrentados, como geadas, chuvas, safras não tão boas, até que finalmente a safra 2012 conseguiu ser adequada aos objetivos da vinícola: produzir um vinho com personalidade, com características próprias, diferente dos famosos Tannats dos nossos vizinhos.

A ideia de um Tannat descompromissado, que pode ser bebido a qualquer hora e em qualquer ocasião, é interessante, pois trata-se de uma uva peculiar, que geralmente leva a vinhos muito fortes e estruturados. Antes de provar o vinho, a dúvida que surgiu foi se esse vinho conseguiria manter a tipicidade da uva, dada a intenção de ser um vinho “fácil”.

O Dunamis Tannat 2012 passou 12 meses em barricas de carvalho americano e mais um ano em garrafa e chega ao mercado recebendo prêmio, ganhou a medalha de ouro no VII Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado de 8 a 11 de abril, em Bento Gonçalves.

Depois de entender um pouco do conceito do vinho, finalmente chegou a hora de prová-lo.

O momento foi bastante especial, pois o evento, que teve a sempre ótima organização da CH2A Comunicação, não se restringiu a uma prova do vinho e nos presenteou com uma fantástica apresentação musical: a indicada na categoria "Melhor cantora" ao Prêmio da Música Brasileira 2014, Blubell, acompanhada do saxofonista Hugo Hori, nos brindaram com um lindo show.

Thiago Peterle e Vinicius Cercato apresentam seu lançamento enquanto a cantora Blubell e o saxofonista Hugo Hori se preparam para a apresentação musical que viria a seguir

conclusão após a prova: o Tannat 2012 não é um vinho "fácil". Apesar de mais "leve" que a grande maioria dos Tannats encontrados no nosso mercado, ainda continua sendo um Tannat e, portanto, é bastante intenso. No nariz mostrou boa presença de frutas negras maduras e algum aroma que remete à couro, evidenciando ser um vinho brasileiro. Na boca, confirma bom frutado equilibrado por uma acidez presente, viva, e taninos macios. Apareceu também uma pontinha de amargor ao final, mas nada que atrapalhe sua harmonia. É certamente um vinho para acompanhar um bom churrasco, que deve agradar o público em geral.

A seguir, uma pitadinha do que foi o show da Blubell e Hugo Hori.


Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário abaixo.


Que Baco nos ilumine!

Matérias relacionadas:

 Gheller Tannat 2007 eleito Vinho de Dezembro 2012
Gheller Tannat 2007: Vinho de dezembro/2012  
Perini Tannat 2011 é destaque no Wine IN
Perini Tannat 2011 é destaque no Wine IN

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Vinho do Mês [SETEMBRO/2013]: Família Deicas - 1er Cru D'Exception Tannat 2006


Quem vem acompanhando o blog se acostumou a ver no final de cada mês (nem todos ... rs), a coluna Vinho do mês, em que o vinho que mais gostei dentro daquele período recebe este "título" e entra para o "Hall da Fama" do Vinho SIM.

Nos últimos meses acabei não sendo muito assíduo na elaboração desta coluna (um pouco por falta de tempo e outro pouco por alguma indecisão no momento da escolha), mas neste mês eu seria injusto se não publicasse algo sobre este tannat puro sangue uruguaio.

O eleito de setembro/2013 é um vinho fora de série, daqueles que você lembra dos aromas por muito tempo e cujo restrogosto é quase infinito. Já faz algumas semanas que provei o 1er Cru D'Excpetion Tannat 2006, da Família Deicas, mas ainda me lembro como fosse há poucos minutos ...

Já demonstrei no artigo "Uruguai, um país de vinhos únicos!" que sou fã dos vinhos do nosso "menor" vizinho (sim, menor entre aspas, pois este adjetivo, neste caso, é apenas uma alusão às dimensões geográficas do país, pois os vinhos ... ahh os vinhos uruguaios ...) e para mim, falar do vinho uruguaio é chover no molhado. Prova após prova estes vinhos me surpreendem e agradam cada vez mais.

Um pouquinho sobre a Família Deicas (Establecimiento Juanicó)

Conheci a vinícola Juanicó (Establecimiento Juanicó – Família Deicas) em outubro de 2011, ocasião na qual provei este vinho (junto com uma porção de outros) e achei espetacular!

A vinícola é conduzida pela Família Deicas e o patriarca e fundador, sr. Juan Carlos Deicas - acompanhado de filhos e netos - ainda é presente no dia-a-dia da empresa, a maior produtora do Uruguai – mais de 4 milhões de litros produzidos na última safra - e, possivelmente, uma das grandes reponsávelis pelo desenvolvimento e crescimento da vitivinicultura do país, tendo sido pioneira numa série de ações que mudaram a forma do nosso vizinho pensar seu vinho, principalmente em se tratando de qualidade, já que foi a primeira a produzir um grande vinho de guarda (em 1992), a primeira a ganhar uma Gran Medalla de Oro num grande concurso internacional (1996, na Espanha), foi a criadora a categoria Roble o Uruguai (em 1996, com a linha Don Pascual), a primeira vinícola sulamericana a obter certificação ISSO 9001 (em 1998), a primeira a produzir um Licor de Tannat (em 2002), dentre muitas outras contribuições para a vitivinicultura uruguaia.

O vinho: 1er Cru D'Exception Tannat 2006



Para começar, um vermelho vivo bem escuro com nuances violáceas - quase negro - chama a atenção, muito límpido e brilhante.

No nariz, as notas de frutas vermelhas e negras maduras aparecem de cara, aos poucos sendo substituídas por frutas secas, me trazendo fortes lembranças das misturas de frutas que são muito comuns de se ver no período natalino, além de diversas notas aportadas por toda elaboração em tonéis de carvalho e envelhecimento em barricas, tais como chocolate e café torrado.

No primeiro gole, a superação. A textura densa volumosa enche a boca trazendo de volta as impressões de frutas maduras e secas, agora permeadas por um toque mineral quase salgado e ótima acidez.


Não há dúvida alguma que se trata de um dos grandes exemplares uruguaios, sulamericanos e, quicá, do mundo. Um vinho de ótimo equilíbrio, com muita personalidade e que mostra o que de melhor de se pode fazer com a tannat.


Para a harmonização escolhi carré de cordeiro acompanhado de batatas e vagens sauté, que casaram perfeitamente com o vinho.

 

Certamente carnes vermelhas mais gordurosas, como uma bela costela ou um entrecote argentino braseados também seriam escoltas perfeitas para este vinho.

Infelizmente, para o meu bolso, seu preço aqui no Brasil é pouco convidativo, mas caso vá ao Uruguai ou encontre-o no freeshop, recomendo a compra, pois vale a experiência da prova.

No site da Todo Vino (www.todovino.com.br) é encontrado por R$ 600,00 e na wine.com há a safra 2005 por "míseros" R$ 385,00.

R$ 600,00 (Interfood) | Álcool 12,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Pechincha do mês [DEZEMBRO/2012]: Gheller - Tannat 2007


Mais uma pechincha do mês aqui no Vinho SIM!

Todo mês aqui no blog é comentado o vinho de preço mais acessível degustado por mim naqueles últimos 30 dias. Como “preço acessível” defini um teto de R$ 40,00, que só será ultrapassado no caso do vinho em questão possuir uma relação QUALIDADE-PREÇO excepcional.

A pechincha de dezembro pode ser considerada um verdadeiro presente de Papai Noel, é o Gheller Tannat 2007, encontrado na Vinhosnet e na Vinhos & Vinhos, duas lojas virtuais com grandes opções de vinhos nacionais, por menos de R$ 25,00!

O que esperar de um vinho nacional de 2007, produzido com Tannat e com preço de R$ 25,00? Confesso que abri a garrafa sem grandes expectativas, mas esse é o grande barato do mundo do vinho ...



Vinícola Gheller iniciou suas atividades em 2004 no município de Guaporé, a 50 km do Vale dos Vinhedos, com o cultivo de 3 hectares de Cabernet Sauvignon com mudas importadas da França em uma área privilegiada e cuidadosamente estruturada.

Após um pequeno período de “testes”, a área foi ampliada e introduzidas novas cultivares como Merlot, Chardonnay, Tannat, Carnenère e Ugni Blanc (Trebbianno), totalizando 18 hectares de plantação de videiras com produção limitada ao máximo de 8.000 kg de uva por hectare, reforçando o foco na qualidade.

Para brindar sua estreia no mercado, a Gheller foi contemplada com a safra de 2005, excelente pelo clima o que permitiu uma maturação excepcional das frutas.

Em 2011, a vinícola Gheller se funde à Monte Azzurro, uma vinícola boutique familiar, localizada em Dois Lajeados cujo foco é a produção de vinhos Reserva e Gran Reserva e a vinícola passa a se chamar Gheller – Monte Azzurro.

Pouco tempo de história, mas grande qualidade na produção e certamente muitas notícias futuras ...

Vamos ao Gheller Tannat 2007.

Coloração vermelho rubi-violáceo intenso, brilhante e com boa limpidez. Ao despejar a primeira porção de vinho na taça, já fui positivamente surpreendido pelos aromas de amoras e ameixas bem madurasFrutas em compota e marmelada, acompanhados por alguns toques de chocolate e de especiarias compõem a matiz aromática deste vinho. Na boca mostrou-se bem estruturado e com ótima acidez. Os taninos presentes e maduros me recordaram estar tomando um bom tannat. Boa persistência.

É um exemplar muito interessante que me lembrou os bons tannats uruguaios, o que considero um grande feito para um vinho nacional de custo por volta dos R$ 25,00. 

Sua boa estrutura é um convite para um belo corte de contra-filé ou uma costela de ripa na brasa, mas também pode ser um belo par para pizzas preparadas com ingredientes gordurosos, como calabresa e/ou queijos de boa maturação.

Já está excelente para consumo, mas creio que ainda possa evoluir um pouco mais. Recomendadíssimo! 

R$ 25,00 | Álcool 13,2%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio: Tormentas - Minimus Anima 2007



Conheço os vinhos produzidos pelo Marco Danielle desde as primeiras safras e o que venho notando, ano após ano, é que eles quase sempre despertam sentimento de amor ou ódio nos degustadores. É raro nos deixarem resignados.

O projeto do Marco Danielle, denominado Atelier Tormentas – Vinho de Autor pode ser definido como, no mínimo, ousado, como descreve o próprio site da vinícola: “Nossos vinhos não são filtrados ou estabilizados artificialmente, de forma a preservar ao máximo certos traços de caráter. Vemos o depósito em garrafa não só como um charme ritual, mas como evidência de um processo de elaboração com mínima intervenção. Em função de nossa política de vinificações a baixo ou nenhum SO2 (sem adição de sulfitos ou INS 220), indicamos guarda climatizada. Mas isso vale para qualquer bom vinho, e só tem importância quando a intenção é adegar por vários anos. Mesmo assim, a opção por vinhos naturais, com baixo ou nenhum conservante, pode gerar leve gaseificação (nota frisante) em algumas garrafas, lotes ou safras, sem qualquer conseqüência sobre a qualidade geral e facilmente neutralizável por aeração em decanter. Aceitar tais condições é indispensável para compartilhar nossa proposta, e usufruir as vantagens de uma vinicultura não intervencionista. Embora utilizemos frutos produzidos com máximo esmero, nossa agricultura não é orgânica. Contudo nossa vinificação, em alguns casos, pode ser totalmente orgânica.

Alguns críticos consideram que o enólogo é muito panfleteiro, que exalta demais tudo o que faz e que usa isso como forma de esconder alguns defeitos de seus vinhos (leia esta crítica do enólogo Jucelio K. de Medeiros, antiga - de 2008 - mas que vale para uma reflexão) e outros consideram seus vinhos fantásticos, cheios de originalidade, como o enófilo e grande músico Ed Motta e o crítico Steven Spurrier, que costumam morrer de amores por eles.

Eu confesso que acho um pouco dos dois! Já é a terceira vez que provo este Minimus Anima 2007 e só agora tive vontade de escrever sobre ele. Já provei muitos vinhos do Tormentas e há alguns que gostei bastante e outros que nem tanto. A superpanfletagem não me agrada, porém compreendo a posição do Marco Danielle de querer exaltar seus vinhos e não simplesmente deixá-los à mercê da opinião alheia. Desde que o faça com bom senso, moderação e honestidade, acho tudo certo.

Muito bem, vamos ao Minimus Anima 2007, cuja produção se limitou a apenas 2600 garrafas com um corte de 35% Cabernet Sauvignon, 35% Tannat “supertardia”, 20% Alicante Bouschet e 10% Merlot, sem passagem por madeira e com quantidade insignificante de SO2.

Na taça, mostrou coloração vermelho rubi intenso com leves traços acastanhados, já mostrando uma certa evolução. Límpido, mas sem muito brilho. Os aromas que mais se destacam de cara são os de frutas maduras, com nítido toque de cassis, um belo floral e terra molhada. Me agrada bastante essa “clareza” da fruta, sem os toques de madeira. No paladar, de ótima estrutura, também se destaca uma bela concentração de fruta, com taninos bem maduros, possivelmente resultado da utilização de uvas Tannat "supertardia" em 35% do corte. A safra de 2007 foi contada em verso e prosa como uma safra não muito boa no Sul do país, inclusive na região da Encruzilhada do Sul - onde foram produzidas as uvas utilizadas neste corte -, mas, ao contrário do esperado, não considero elevada a acidez do vinho, que se mostrou bem presente durante a prova, mas fez um pouco de falta no final, deixando o retrogosto mais para o adocicado.


Para a harmonização deste vinho, escolhi um macarrão parafuso ao funghi seco, que se mostrou bastante correta, formando uma ótima parceria.

Ao meu ver, não se pode considerar este vinho um ícone brasileiro, mas também está longe de algumas críticas contundentes que já li. É um vinho que, sem a menor dúvida, deve ser, ou melhor, TEM QUE SER provado, principalmente pelas suas características únicas! É uma pena que está esgotado, pelo menos no site do produtor, mas, caso o encontre em alguma loja por aí, compre-o!

R$ 80,00 (site do produtor - esgotado) | Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

sábado, 1 de setembro de 2012

Vinho Peruano! Viña Tacama - Gran Tinto 2010



Eu nunca havia provado um vinho peruano. Para ser bem honesto, conhecia bem pouco sobre a vitivinicultura do nosso vizinho, cujo povo eu tenho grande simpatia e cuja culinária eu adoro!
O amigo Celso Pavani, proprietário do Empório D’Vino, ganhou este vinho de um casal de clientes e me convidou para fazer a degustação. Convite irrecusável para um eno-curioso de carteirinha.

História é o que não falta à Viña Tacama, produtora do nosso protagonista, o Gran Tinto 2010.

Os primeiros vinhedos de Ica, região onde se localiza a Tacama - a sul de Lima -, foram plantados por Francisco de Carabantespioneiro da vitivinicultura na Amérca - em 1540, vindos diretamente do México. Uau, quase 500 anos de história!

Na década de 1920, a Viña Tacama decidiu importar tecnologia e material da França com a intenção de melhorar sua produção, mas foi depois da 2a Guerra Mundial - mais precisamente a partir 1958 - que a vinícola direcionou de vez seus esforços para a produção de vinhos de qualidade, com a contratação do enólogo francês Robert Niederman, e de lá para cá a vinícola colhe bons frutos e elogios de grandes especialistas pelo mundo, como o renomado professor Jean Ribéreau-Gayon que declarou que “os esforços da Tacama já têm sido coroados com a produção de vinhos de qualidade indiscutível, mostrando toda a tipicidade do terroir peruano, comparados aos melhores vinhos dos países vinicultores”.


Muito bem, vamos tratar do Gran Tinto 2010.

Este vinho é um corte de Malbec, Tannat e Petit Verdot (não encontrei os percentuais), com 12,5% de álcool.
Coloração rubi de média intensidade.
De cara, no nariz, surgem aromas florais, especialmente de jasmim e violeta, muito evidentes. Agradável. Algumas notas frutadas. Nada de madeira. Na boca mostra-se bem seco, mas com taninos praticamente imperceptíveis. Um pouco mineral. Creio que a quantidade de açúcar residual seja bem baixa. Boa acidez. Um vinho bem diferente dos encontrados normalmente aqui no Brasil e que valeu muito a prova.

Ainda não tem no mercado brasileiro, mas se você for ao Peru, fica a dica: prove os vinhos peruanos!

Avaliação VINHO SIM: BOM / Relação QUALIDADE-PREÇO: S/A

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Vinho do mês [JULHO/2012]: Marichal - Grand Reserve Tannat A - 2007



Os vinhos uruguaios e mesmo a Bodega Marichal já foram tema de alguns posts meus aqui no Vinho SIM, mas não me canso de bebê-los e de escrever sobre eles, porque sempre me encantam.

Conheci este Tannat Grand Reserve 2007 na própria Bodega Marichal, que tive o grande prazer de conhecer no final de 2011.

Esta série (Tannat A – Grand Reserve) só é produzida em safras especiais e é proveniente dos melhores vinhedos da Bodega, com aproximadamente 22 anos de vida.

Limitado a apenas 2182 garrafas, todas numeradas à mão, este vinho teve 18 meses de afinamento em barricas de carvalho americano novas e é um vinho muito especial.

Garrafa nº 465
Sua cor é de um vermelho azulado tão intenso, que chega a ser quase negro. No nariz apresenta muita fruta negra em calda, com destaque para ameixas e mirtilos, côco, chocolate e algumas notas animais e defumadas. Um vinho muito complexo. Na boca é delicioso, com excelente estrutura, carnudo. Taninos maduros e uma acidez corretíssima. Um vinho com longo potencial de guarda, certamente mais de 10 anos.

O vinho ideal para carnes vermelhas na brasa ou preparos com carnes de cordeiro.

R$ 148,00 (Ravin) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20) – Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sexta-feira, 18 de maio de 2012

4º Festival do "Tannat e Cordeiro" da Bodegas Carrau - Uruguai


Crédito: www.bodegasdeluruguay.com. Acesso em maio/2012

Quer viajar no feriado prolongado de Corpus Christi e não sabe pra onde ir? Já conhece o Uruguai e seus vinhos fantásticos?
Se tem disposição para viajar e quer conhecer este nosso vizinho de gente muito interessante e ótimos vinhos e vinícolas, a Bodegas Carrau está te dando mais um motivo para fazê-los no próximo feriado: o 4o Festival do “Tannat e Cordeiro”, a realizar-se no dia 09/06/2012!

Um menu de alta gastronomia, onde diferentes preparos de cordeiro da raça Texel serão acompanhados por uma seleção de vinhos Tannat prometem causar sensações singulares nos participantes. A textura fina e macia do cordeiro harmoniza-se perfeitamente com vinhos de aroma e sabor intensos como são os Tannats uruguaios.

Menu de harmonização "Tannat y Cordero”

Recepção

    Petiscos variados.
    +  JUAN CARRAU Tannat Rosé "Saignée" 2012

Entrada

    Carpaccio de cordeiro sobre crosta de parmesão.
    Mini ragout de cordeiro.
    Mini hamburguer.
    +  CASTEL PUJOL Clásico Tannat 2010.
    +  JUAN CARRAU Tannat de Reserva 2010.

Prato principal

    Rolinhos de cordeiro ao pesto de amêndoas com molho de Tannat.
    +  YSERN Blend of Regions Tannat - Tannat 2005.
    +  ARUNGUÁ Tannat 2007.

Sobremesa

    Pudim de chocolate.
    +  VIVENT Licor de Tannat 2006   (Leia a ND aqui)


VAGAS LIMITADAS

Sábado, 9 de junho  das 12h às 15h.

BODEGAS CARRAU - César M. Gutiérrez, 2556 – Colón, Montevideo

Custo: $ 1.050 Pesos uruguaios (~ R$ 100,00)


Crédito: www.bodegascarrau.com. Acesso em maio/2012.

RESERVAS: e-mail: info@bodegascarrau.com

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Bodegas Carrau - VIVENT - Licor de Tannat - 2006

  
Fantástico fortificado uruguaio produzido pela competentíssima Bodegas Carrau, do Uruguai, a partir da uva emblemática do país, a Tannat.

Um vinho de sobremesa, especialmente indicado para chocolate, que faz frente aos grandes vinhos do Porto. Conheci este vinho numa degustação na própria vinícola Carrau e trouxe algumas garrafas para comprovar se era tão bom quanto pareceu mesmo. É bom demais!

Vamos às impressões.

Cor Vermelho granada com tons acastanhados. Bastante límpido.
No nariz aromas de frutas em compota, tais como figos e ameixas somadas à nozes e avelãs. Muitas notas defumadas.
Na boca bastante corpo. Muita fruta em compota e chocolate, elegantemente equilibrados por uma bela acidez que deixa uma salivação constante e aquele gostinho de quero mais, que acaba sendo controlado quando olhamos para o rótulo e lembramos que são 17,5% de álcool. Imperceptíveis!


É um vinho de grande qualidade que, certamente nos próximos anos, tornar-se-á uma boa opção para os vinhos do Porto, pelo menos na América do Sul, principalmente devido à sua ótima relação qualidade-preço. Acredito que ainda não esteja sendo comercializado no Brasil (pelo menos não o encontrei em nenhum site ou loja) e deve chegar por aqui em torno dos R$ 60,00.

Apesar de não ter para comprá-lo, outras opções de Licor de Tannat já têm aparecido por aqui e minha dica é que, se tiver oportunidade, experimente, todos os que provei até agora foram muito bons!


Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO:ÓTIMA.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?