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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pago los Balancines - Crash Red 2011


Diretamente da DO Ribera del Guadiana, em Extremadura - Espanha, uma das mais importantes regiões da Península Ibérica durante o Império Romano, vem esse vinho jovem e frutado, adquirido por meio da Sociedade da Mesa: o Crash Red 2011, o “vinho de batalha” do produtor Pago los Balancines.

A história da vinícola fundada em 2006 é a do encontro de um grupo de apaixonados pelo mundo do vinho e uma região possuidora de inúmeros valores destacados na sua gastronomia, desde a produção das famosas cerejas do Valle del Jerte, passando por fantásticos azeites e mel, até chegar aos famosíssimos presuntos Pata Negra!

A vinícola chegou ao mercado com a proposta de elaborar vinhos “diferentes”, jovens, macios e frutados e que sejam referência de uma região muito rica em história e que, apesar de ocupar o segundo lugar em toda a Espanha em termos de superfície de vinhedos, não tem um grande destaque na produção de vinhos finos e por isso é pouco conhecida no cenário mundial.

O maior compromisso da vinícola é produzir vinhos com boa relação qualidade-preço, tentando alcançar outras regiões mais prestigiadas na Espanha.

O Crash Red 2011 é um corte de 25% Tempranillo, 25% Syrah, 25% Garnacha Tintorera e 25% Garnacha Negra, sem passagem por barricas de carvalho.

Coloração vermelho cereja, muito límpido e brilhante. Bonito. No nariz o destaque vai para morangos e cerejas maduros, com algum toque herbáceo e de ervas. O paladar não me agradou. É bastante frutado, mas me deixa aquele gosto de bala de cereja, adocicado demais. Falta acidez. Tem uma estrutura média e final muito curto e adocicado.

O preço por volta dos R$ 40,00 é caro demais se comparado à outras opções que temos no mercado brasileiro, inclusive se comparado a alguns vinhos nacionais que também têm essa pretensão de ser vinhos para o dia-a-dia, jovens e frutados. Apesar de não apresentar nenhum defeito, também não encanta em nenhum quesito. Não recomendo.

R$ 41,80 (Sociedade da Mesa) | Álcool 14,5%

Avaliação VINHO SIM: RAZOÁVEL (Nota: 10/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RUIM

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Degustação DO Ribera del Duero - Grandes destaques (Bodegas & Vinhos)

Conforme já comentei aqui no VINHO SIM, no dia 20/06 aconteceu um Showroom & Degustação de vinhos da DO Ribera del Duero, organizada pela Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil, junto com a ASEBOR (Asociación Empresarial de Bodegas acogidas a la D.O. Ribera del Duero), aqui em São Paulo.

No evento, que contou com 11 vinícolas provenientes das províncias de Burgos e Valladolid, foram degustados aproximadamente 50 vinhos, a grande maioria  produzidos a partir de Tempranillo ou Verdejo e eu, creio, degustei uns 90% deles.

Neste post vou apresentar os meus destaques do evento, mas no decorrer das semanas postarei as NDs dos demais vinhos. Vamos a eles.

Meu primeiro destaque é a Bodega y Viñedos Martín Berdugo.

Desde os vinhos mais simples, como os Jovem, Rosado e Verdejo 2011, muito frescos e alegres, passando pelos mais bem estruturados Barrica 2010 e Crianza 2009 até o top da vinícola, o Martín Berdugo mb 2006, todos os vinhos se mostraram com grande personalidade. Dentre todos os apresentados pelo simpaticíssimo Antonio Díez Martín (foto), os meus destaques foram


1. mb 2006


Visual vermelho cereja bem intenso, com halo já mostrando alguma evolução. No nariz muita fruta em compota, como ameixas e amoras. Notas defumadas, de baunilha e algum toque mineral. Na boca é extremamente sedoso, com taninos presentes e bem maduros. Complexo. Grande persistência e equilíbrio. EXCELENTE.
    
2. Verdejo 2011


Visual amarelo palha, com muito brilho. No nariz um belo misto de pimentões verdes e maçãs-verdes me lembrou bastante alguns Sauvignons Blancs chilenos. Na boca tem grande ataque frutado cítrico, muito saboroso. Boa persistência. ÓTIMO.

Outra curiosidade da Bodega são alguns contra-rótulos, que apresentam pequenos textos/poemas escolhidos a partir de um concurso chamado de concurso de Micro-relatos Martín Berdugo, como este do autor Juan Gromejón que estampa o vinho Jovem 2011, muito interessante!


Vale lembrar que os vinhos Martín Berdugo ainda não têm importador no Brasil, uma pena.

Meu segundo destaque, não necessariamente nesta ordem, é a Bodega El Lagar de Isilla.
A atenção da Beatriz Zapatero (foto) merece ser destacada, já que não são todos os produtores que estão 100% dispostos a explicar detalhes dos seus vinhos e esclarecer todas as dúvidas para pessoas que, como eu, não têm a intenção de importar seus vinhos, mas "apenas" conhecê-los para informar melhor os consumidores (leitores) sobre vinhos que possivelmente (tomara!) chegarão ao Brasil em breve.

A simpática Beatriz Zapatero, representante da El Lagar de Isilla
A Bodega El Lagar de Isilla trouxe diversos vinhos para o evento: o Jovem 2011 (sem madeira), o Roble 2010 (5 meses em carvalho), o Crianza 2009 (14 meses em carvalho), o Gestación (Fermentação malolática em barricas + 9 meses de envelhecimento) e os meus destaques

1. Reserva 2007

Visual vermelho rubi. No nariz, as notas de frutas vermelhas maduras e os toques provenientes do carvalho se destacam, mas sem muita intensidade. No paladar, a fermentação malolática realizada em barricas e os 18 meses de envelhecimento em carvalho aparecem no corpo sedoso do vinho. A fruta madura bem equilibrada pela acidez e o bom corpo tornam o vinho muito gostoso de ser bebido. Boa persistência. ÓTIMO.

2. Vendimia Seleccionada 2006

Créditos: www.urbinavinos.blogspot.com.br
Ao meu ver o grande destaque da vinícola. Vermelho rubi com traços de evolução. Nariz complexo. Notas de couro, terrosas e de frutas maduras se misturam dando grande elegância ao vinho. Na boca mostrou-se bem diferente dos demais vinhos da Bodega e uma exceção no evento. Apresentou uma acidez bem viva e ainda bastante sedoso. A fruta fresca e algumas notas de especiarias se destacam. Ótimos corpo e persistência. EXCELENTE.


Mais uma vinícola ainda sem importador no Brasil.

Outro grande destaque do evento foi a Tamaral Bodegas y Viñedos que apresentou seus vinhos Cosecha 2010 (4 meses de barrica), Vendimia Seleccionada 2009 (14 meses de barrica), Finca La Mira 2009, Reserva 2008 (18 meses de barrica), todos muito bons, boa presença de fruta integrada com a madeira e acidez equilibrada. Meus destaques vão para os futuros best-buys

1. Rosado 2011


Vermelho cereja-rosado de pouca intensidade, muito límpido e brilhante. Muito bonito. No nariz os morangos e framboesas frescas se destacam, juntando-se a notas herbáceas e algo que me lembra pêssegos ou mesmo damascos. Na boca é muito saboroso. Bastante corpo para um rosado e uma acidez excepcional. Um vinho rosé muito acima da média dos que estão no mercado brasileiro. REFINADO.

2. Verdejo 2011

Cor amarelo palha, com bastante brilho. Extremamente aromático. Muitas notas de frutas tropicais como abacaxi, manga e maçã-verde. Assim como notei no Verdejo da Bodega Martín Berdugo também senti notas de pimentão, o que me fez confirmar a semelhança destes Verdejo com alguns Sauvignon Blancs chilenos. Na boca, confirma as frutas tropicais, com doçura e acidez na medida certa. Bom corpo para um branco. Muito saboroso. REFINADO.


Javier Pérez, representante da Tamaral.

Além das três Bodegas mencionadas e seus vinhos fantásticos, ainda tenho como destaques

Ferratus - Sensaciones 2007



Com 14 meses de envelhecimento em carvalho e 3 anos engarrafado na adega da Bodegas Cuevas Jiménez (Ferratus), este vinho ainda não foi lançado na Espanha e segundo a representante Maria Luisa Cuevas ainda deverá permanecer mais um ano antes do lançamento.
Visual vermelho rubi de grande intensidade, brilho e limpidez. No nariz notas de frutas negras maduras e tostados provenientes da madeira. Na boca, confirma fruta madura, tem boa acidez, mas os taninos ainda estão um pouco verdes, mostrando que a decisão de mantê-lo mais um tempo em garrafa é correta. Me parece um vinho com longo potencial de guarda. ÓTIMO.

Pagos de Quintana Crianza 2008


Os 12 meses de envelhecimento em carvalho já fizeram deste vinho um exemplar extremamente elegante. Cor vermelho rubi-granada, com alguns traços de envelhecimento. No nariz notas de terra molhada, couro e madeira nova, aliadas a bastante fruta vermelha e negra madura tornam a matriz aromática deste exemplar da Bodegas del Campo (Pagos de Quintana) muito boa, um destaque do evento. Na boca é muito sedoso, frutado e com algum toque apimentado, um vinho de qualidade incontestável. REFINADO.

Señorío de Baldíos Crianza - 2009

Os 87 pontos do Guia Peñin 2012 a este Crianza da Bodegas Garcia de Aranda são, ao meu ver, absolutamente injustos para este vinho, um dos meus destaques deste evento. Certamente mereceria uma nota acima dos 90 pontos.
Vermelho rubi intenso, bem límpido e brilhante. No nariz, os aromas de couro e fumo se destacam imediatamente, sendo completados por notas de frutas vermelhas. Na boca tem ótima acidez, bem equilibrada com as notas frutadas. Mostra algo de especiarias também. Bem sedoso. ÓTIMO.


Viña Buena Jovem - 2011

Pedi ao sr. Jose Martinez Martinez (é assim mesmo, com dois "Martinez"), representante da Bodegas Viña Buena que começasse me mostrando seu vinho mais simples. Para minha surpresa, o Jovem 2011, chamado de "vino del año" foi um dos destaques do dia. Vermelho violáceo, com bastante brilho e bem límpido.  Apesar de não passar por carvalho é um vinho que possui, além dos esperados aromas de frutas frescas, toques de especiarias e de café que não são comuns em vinhos que não têm envelhecimento. O buquê é muito interessante porque agrega aromas que normalmente não encontramos juntos. Na boca é bem leve, mas com um final longo e taninos bem amadurecidos. Um vinho impressionante para sua faixa de preço (algo em torno de 1 euro na Espanha). ÓTIMO.


Apontei alguns destaques neste artigo, mas não houve um vinho sequer que eu tenha julgado razoável, todos muito bons! Só nos resta torcer para que os produtores sem importadora no Brasil negociem rapidamente e que possamos ter estas excelentes opções no mercado o mais rápido possível.

E foi isso, excelentes vinhos, excelente evento.

sábado, 30 de junho de 2012

Vinho do mês [JUNHO/2012]: Embocadero 2009



Ao contrário do que faço sempre, antes de escrever sobre este vinho procurei artigos e postagens em sites especializados espanhóis e blogs aqui do Brasil, pois me lembrava de ter lido críticas muito diferentes sobre ele nos últimos tempos.

O Embocadero 2009 recebeu 92 pontos de Robert Parker o que, confesso, não costuma me impressionar muito, porque já adorei vinhos mal pontuados por ele e também não gostei de vinhos que receberam boas pontuações. A verdade é que as boas notas do Parker geram uma curiosidade extra de provar o vinho, mas não me causam nenhuma expectativa.

Por outro lado, percebo um certo ranço na avaliação de algumas pessoas, pelo puro "prazer" de se posicionar contra os 92 pontos dados pelo Robert Parker a este vinho e suas ótimas avaliações dos vinhos espanhóis nos últimos tempos. Insinuações contra estas avaliações não nos levam a nada.

O Embocadero 2009, produzido pela Bodega San Pedro Regalado, é produzido com 100% Tempranillo e estagia 14 meses em barris de carvalho e mais um ano em adega antes de sair ao mercado.

Vinho de coloração vermelho rubi intenso, com halo levemente púrpura. No nariz apresentou frutas negras maduras, especiarias e café, um buquê bem amplo, aberto e gostoso. Na boca, além de confirmar as frutas maduras, apresentou certa mineralidade e uma textura muito sedosa. Belos taninos, maduros e bem afinados. A acidez na medida certa mostra que este vinho ainda melhorará nos próximos anos.

Considero este espanhol, especialmente na sua faixa de preço, um vinho bem acima da média, muito gostoso e certamente um ótimo acompanhamento para carnes vermelhas, massas com molhos medianamente condimentados e queijos maduros.

R$ 49,00 (Grand Cru) Álcool 14,0 %

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) - Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bodegas MURVIEDRO – Reserva / Tempranillo + Monastrell + CS / 2007


Apesar do aumento considerável da qualidade dos vinhos espanhóis nos últimos anos, confesso que ainda fico meio com o pé atrás quando vou provar vinhos destas DOs relativamente novas e, às vezes, pouco conhecidas aqui no Brasil, como é o caso da D.O. Valência.
Trazido pela Sociedade da Mesa (R$ 38,70) foi uma grata surpresa para mim.
Vermelho rubi de média intensidade. No nariz apresenta bastante fruta madura, um toque de fumo e notas de côco, certamente provenientes dos 12 meses de estágio em barricas de carvalho americano. Na boca confirma bastante fruta madura, taninos bem finos e acidez correta, enfim, bastante equilibrado. Média persistência. Quem tiver algum guardado, sugiro não guardar mais, não acredito que irá evoluir mais.


Abri este vinho para acompanhar uma pizza, mas é um vinho com boa vocação gastronômica que deve ficar ainda melhor se acompanhado por pratos pouco gordurosos, como um lombinho ou uma costelinha de porco com molhos leves ou mesmo assados.


Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO:ÓTIMA.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?