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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Degustação DO Ribera del Duero - Grandes destaques (Bodegas & Vinhos)

Conforme já comentei aqui no VINHO SIM, no dia 20/06 aconteceu um Showroom & Degustação de vinhos da DO Ribera del Duero, organizada pela Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil, junto com a ASEBOR (Asociación Empresarial de Bodegas acogidas a la D.O. Ribera del Duero), aqui em São Paulo.

No evento, que contou com 11 vinícolas provenientes das províncias de Burgos e Valladolid, foram degustados aproximadamente 50 vinhos, a grande maioria  produzidos a partir de Tempranillo ou Verdejo e eu, creio, degustei uns 90% deles.

Neste post vou apresentar os meus destaques do evento, mas no decorrer das semanas postarei as NDs dos demais vinhos. Vamos a eles.

Meu primeiro destaque é a Bodega y Viñedos Martín Berdugo.

Desde os vinhos mais simples, como os Jovem, Rosado e Verdejo 2011, muito frescos e alegres, passando pelos mais bem estruturados Barrica 2010 e Crianza 2009 até o top da vinícola, o Martín Berdugo mb 2006, todos os vinhos se mostraram com grande personalidade. Dentre todos os apresentados pelo simpaticíssimo Antonio Díez Martín (foto), os meus destaques foram


1. mb 2006


Visual vermelho cereja bem intenso, com halo já mostrando alguma evolução. No nariz muita fruta em compota, como ameixas e amoras. Notas defumadas, de baunilha e algum toque mineral. Na boca é extremamente sedoso, com taninos presentes e bem maduros. Complexo. Grande persistência e equilíbrio. EXCELENTE.
    
2. Verdejo 2011


Visual amarelo palha, com muito brilho. No nariz um belo misto de pimentões verdes e maçãs-verdes me lembrou bastante alguns Sauvignons Blancs chilenos. Na boca tem grande ataque frutado cítrico, muito saboroso. Boa persistência. ÓTIMO.

Outra curiosidade da Bodega são alguns contra-rótulos, que apresentam pequenos textos/poemas escolhidos a partir de um concurso chamado de concurso de Micro-relatos Martín Berdugo, como este do autor Juan Gromejón que estampa o vinho Jovem 2011, muito interessante!


Vale lembrar que os vinhos Martín Berdugo ainda não têm importador no Brasil, uma pena.

Meu segundo destaque, não necessariamente nesta ordem, é a Bodega El Lagar de Isilla.
A atenção da Beatriz Zapatero (foto) merece ser destacada, já que não são todos os produtores que estão 100% dispostos a explicar detalhes dos seus vinhos e esclarecer todas as dúvidas para pessoas que, como eu, não têm a intenção de importar seus vinhos, mas "apenas" conhecê-los para informar melhor os consumidores (leitores) sobre vinhos que possivelmente (tomara!) chegarão ao Brasil em breve.

A simpática Beatriz Zapatero, representante da El Lagar de Isilla
A Bodega El Lagar de Isilla trouxe diversos vinhos para o evento: o Jovem 2011 (sem madeira), o Roble 2010 (5 meses em carvalho), o Crianza 2009 (14 meses em carvalho), o Gestación (Fermentação malolática em barricas + 9 meses de envelhecimento) e os meus destaques

1. Reserva 2007

Visual vermelho rubi. No nariz, as notas de frutas vermelhas maduras e os toques provenientes do carvalho se destacam, mas sem muita intensidade. No paladar, a fermentação malolática realizada em barricas e os 18 meses de envelhecimento em carvalho aparecem no corpo sedoso do vinho. A fruta madura bem equilibrada pela acidez e o bom corpo tornam o vinho muito gostoso de ser bebido. Boa persistência. ÓTIMO.

2. Vendimia Seleccionada 2006

Créditos: www.urbinavinos.blogspot.com.br
Ao meu ver o grande destaque da vinícola. Vermelho rubi com traços de evolução. Nariz complexo. Notas de couro, terrosas e de frutas maduras se misturam dando grande elegância ao vinho. Na boca mostrou-se bem diferente dos demais vinhos da Bodega e uma exceção no evento. Apresentou uma acidez bem viva e ainda bastante sedoso. A fruta fresca e algumas notas de especiarias se destacam. Ótimos corpo e persistência. EXCELENTE.


Mais uma vinícola ainda sem importador no Brasil.

Outro grande destaque do evento foi a Tamaral Bodegas y Viñedos que apresentou seus vinhos Cosecha 2010 (4 meses de barrica), Vendimia Seleccionada 2009 (14 meses de barrica), Finca La Mira 2009, Reserva 2008 (18 meses de barrica), todos muito bons, boa presença de fruta integrada com a madeira e acidez equilibrada. Meus destaques vão para os futuros best-buys

1. Rosado 2011


Vermelho cereja-rosado de pouca intensidade, muito límpido e brilhante. Muito bonito. No nariz os morangos e framboesas frescas se destacam, juntando-se a notas herbáceas e algo que me lembra pêssegos ou mesmo damascos. Na boca é muito saboroso. Bastante corpo para um rosado e uma acidez excepcional. Um vinho rosé muito acima da média dos que estão no mercado brasileiro. REFINADO.

2. Verdejo 2011

Cor amarelo palha, com bastante brilho. Extremamente aromático. Muitas notas de frutas tropicais como abacaxi, manga e maçã-verde. Assim como notei no Verdejo da Bodega Martín Berdugo também senti notas de pimentão, o que me fez confirmar a semelhança destes Verdejo com alguns Sauvignon Blancs chilenos. Na boca, confirma as frutas tropicais, com doçura e acidez na medida certa. Bom corpo para um branco. Muito saboroso. REFINADO.


Javier Pérez, representante da Tamaral.

Além das três Bodegas mencionadas e seus vinhos fantásticos, ainda tenho como destaques

Ferratus - Sensaciones 2007



Com 14 meses de envelhecimento em carvalho e 3 anos engarrafado na adega da Bodegas Cuevas Jiménez (Ferratus), este vinho ainda não foi lançado na Espanha e segundo a representante Maria Luisa Cuevas ainda deverá permanecer mais um ano antes do lançamento.
Visual vermelho rubi de grande intensidade, brilho e limpidez. No nariz notas de frutas negras maduras e tostados provenientes da madeira. Na boca, confirma fruta madura, tem boa acidez, mas os taninos ainda estão um pouco verdes, mostrando que a decisão de mantê-lo mais um tempo em garrafa é correta. Me parece um vinho com longo potencial de guarda. ÓTIMO.

Pagos de Quintana Crianza 2008


Os 12 meses de envelhecimento em carvalho já fizeram deste vinho um exemplar extremamente elegante. Cor vermelho rubi-granada, com alguns traços de envelhecimento. No nariz notas de terra molhada, couro e madeira nova, aliadas a bastante fruta vermelha e negra madura tornam a matriz aromática deste exemplar da Bodegas del Campo (Pagos de Quintana) muito boa, um destaque do evento. Na boca é muito sedoso, frutado e com algum toque apimentado, um vinho de qualidade incontestável. REFINADO.

Señorío de Baldíos Crianza - 2009

Os 87 pontos do Guia Peñin 2012 a este Crianza da Bodegas Garcia de Aranda são, ao meu ver, absolutamente injustos para este vinho, um dos meus destaques deste evento. Certamente mereceria uma nota acima dos 90 pontos.
Vermelho rubi intenso, bem límpido e brilhante. No nariz, os aromas de couro e fumo se destacam imediatamente, sendo completados por notas de frutas vermelhas. Na boca tem ótima acidez, bem equilibrada com as notas frutadas. Mostra algo de especiarias também. Bem sedoso. ÓTIMO.


Viña Buena Jovem - 2011

Pedi ao sr. Jose Martinez Martinez (é assim mesmo, com dois "Martinez"), representante da Bodegas Viña Buena que começasse me mostrando seu vinho mais simples. Para minha surpresa, o Jovem 2011, chamado de "vino del año" foi um dos destaques do dia. Vermelho violáceo, com bastante brilho e bem límpido.  Apesar de não passar por carvalho é um vinho que possui, além dos esperados aromas de frutas frescas, toques de especiarias e de café que não são comuns em vinhos que não têm envelhecimento. O buquê é muito interessante porque agrega aromas que normalmente não encontramos juntos. Na boca é bem leve, mas com um final longo e taninos bem amadurecidos. Um vinho impressionante para sua faixa de preço (algo em torno de 1 euro na Espanha). ÓTIMO.


Apontei alguns destaques neste artigo, mas não houve um vinho sequer que eu tenha julgado razoável, todos muito bons! Só nos resta torcer para que os produtores sem importadora no Brasil negociem rapidamente e que possamos ter estas excelentes opções no mercado o mais rápido possível.

E foi isso, excelentes vinhos, excelente evento.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Degustação DO Ribera del Duero - Visão Geral



A Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil, junto com a ASEBOR (Asociación Empresarial de Bodegas acogidas a la D.O. Ribera del Duero), organizou no dia 20/06 no restaurante A Figueira Rubaiyat, em São Paulo, um Showroom & Degustação com a presença de 11 vinícolas provenientes das províncias de Burgos e Valladolid, duas das quatro que compõem a região D.O. Ribera del Duero.
Fonte: Junta de Castilla y León. Acesso em junho/2012.

O evento contou com representantes das Bodegas Cuevas Jimenez, Del Campo, El Lagar de Isilla, Garcia de Aranda, Martin Berdugo, Montevannos, Pascual, Tamaral, Valduero, Viñabuena e Vinhedos la Nava, que trouxeram ao Brasil mais de 50 vinhos para serem demonstrados e degustados.

As bodegas desta região produzem vinhos principalmente com a uva Tempranillo, que é a principal uva da região e conhecida localmente por Tinta del País ou Tinto Fino.

Uvas Tempranillo da região de Ribera del Duero

O nome Tempranillo vem de temprano, que significa cedo. A uva recebe este nome justamente por ter um ciclo de crescimento e amadurecimento curto, um pouco menor que as demais variedades da região.
Provamos também alguns brancos muito interessantes, produzidos a partir da uva Verdejo (também conhecida como Botón de Gallo Blanco, Gouveio, Verdeja, Verdeja Blanca, Verdejo Blanco, Verdelho ou Verdello), outra variedade local bastante difundida.

Uvas Verdejo.
Créditos: www.sensawine.com. Acesso: junho/2012.

Nos próximos posts vou comentar um pouco mais sobre os produtores e seus respectivos vinhos e, por isso, gostaria de apresentar um pequeno resumo da classificação dos vinhos tintos da DO Ribera del Duero para facilitar a leitura futura.

Tintos Jovens

Vinhos sem estágio em madeira ou com passagem por barricas de carvalho inferior a 12 meses. Muitos produtores optam pela não passagem por madeira e liberam seus vinhos ao mercado no mesmo ano da colheira, são os chamados vinhos do ano

Tintos Crianza

Permanecem no mínimo 12 meses em barricas. A maior parte dos produtores ainda deixa o vinho mais 12 meses na adega antes de liberá-los ao mercado.

Tintos Reserva

Vinhos com 36 meses de envelhecimento entre barrica e garrafa, cumprindo um mínimo de 12 meses em carvalho.

Tintos Gran Reserva

Vinhos com 60 meses de envelhecimento entre barrica e garrafa, cumprindo pelo menos 24 meses em carvalho. A maioria dos produtores só faz estes vinhos em anos de safras excepcionais!

Rosados

Devem ser elaborados com um mínimo de 50% das variedades das uvas autorizadas. Dos presentes a este evento, todos optaram pela produção de rosados com 100% Tempranillo.

Estivemos no evento eu e Talita, e degustamos quase todos os vinhos, tendo tido impressões muito similares sobre a grande maioria: muito bons!



Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?