quinta-feira, 12 de julho de 2012

Degustação DO Ribera del Duero - Grandes destaques (Bodegas & Vinhos)

Conforme já comentei aqui no VINHO SIM, no dia 20/06 aconteceu um Showroom & Degustação de vinhos da DO Ribera del Duero, organizada pela Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil, junto com a ASEBOR (Asociación Empresarial de Bodegas acogidas a la D.O. Ribera del Duero), aqui em São Paulo.

No evento, que contou com 11 vinícolas provenientes das províncias de Burgos e Valladolid, foram degustados aproximadamente 50 vinhos, a grande maioria  produzidos a partir de Tempranillo ou Verdejo e eu, creio, degustei uns 90% deles.

Neste post vou apresentar os meus destaques do evento, mas no decorrer das semanas postarei as NDs dos demais vinhos. Vamos a eles.

Meu primeiro destaque é a Bodega y Viñedos Martín Berdugo.

Desde os vinhos mais simples, como os Jovem, Rosado e Verdejo 2011, muito frescos e alegres, passando pelos mais bem estruturados Barrica 2010 e Crianza 2009 até o top da vinícola, o Martín Berdugo mb 2006, todos os vinhos se mostraram com grande personalidade. Dentre todos os apresentados pelo simpaticíssimo Antonio Díez Martín (foto), os meus destaques foram


1. mb 2006


Visual vermelho cereja bem intenso, com halo já mostrando alguma evolução. No nariz muita fruta em compota, como ameixas e amoras. Notas defumadas, de baunilha e algum toque mineral. Na boca é extremamente sedoso, com taninos presentes e bem maduros. Complexo. Grande persistência e equilíbrio. EXCELENTE.
    
2. Verdejo 2011


Visual amarelo palha, com muito brilho. No nariz um belo misto de pimentões verdes e maçãs-verdes me lembrou bastante alguns Sauvignons Blancs chilenos. Na boca tem grande ataque frutado cítrico, muito saboroso. Boa persistência. ÓTIMO.

Outra curiosidade da Bodega são alguns contra-rótulos, que apresentam pequenos textos/poemas escolhidos a partir de um concurso chamado de concurso de Micro-relatos Martín Berdugo, como este do autor Juan Gromejón que estampa o vinho Jovem 2011, muito interessante!


Vale lembrar que os vinhos Martín Berdugo ainda não têm importador no Brasil, uma pena.

Meu segundo destaque, não necessariamente nesta ordem, é a Bodega El Lagar de Isilla.
A atenção da Beatriz Zapatero (foto) merece ser destacada, já que não são todos os produtores que estão 100% dispostos a explicar detalhes dos seus vinhos e esclarecer todas as dúvidas para pessoas que, como eu, não têm a intenção de importar seus vinhos, mas "apenas" conhecê-los para informar melhor os consumidores (leitores) sobre vinhos que possivelmente (tomara!) chegarão ao Brasil em breve.

A simpática Beatriz Zapatero, representante da El Lagar de Isilla
A Bodega El Lagar de Isilla trouxe diversos vinhos para o evento: o Jovem 2011 (sem madeira), o Roble 2010 (5 meses em carvalho), o Crianza 2009 (14 meses em carvalho), o Gestación (Fermentação malolática em barricas + 9 meses de envelhecimento) e os meus destaques

1. Reserva 2007

Visual vermelho rubi. No nariz, as notas de frutas vermelhas maduras e os toques provenientes do carvalho se destacam, mas sem muita intensidade. No paladar, a fermentação malolática realizada em barricas e os 18 meses de envelhecimento em carvalho aparecem no corpo sedoso do vinho. A fruta madura bem equilibrada pela acidez e o bom corpo tornam o vinho muito gostoso de ser bebido. Boa persistência. ÓTIMO.

2. Vendimia Seleccionada 2006

Créditos: www.urbinavinos.blogspot.com.br
Ao meu ver o grande destaque da vinícola. Vermelho rubi com traços de evolução. Nariz complexo. Notas de couro, terrosas e de frutas maduras se misturam dando grande elegância ao vinho. Na boca mostrou-se bem diferente dos demais vinhos da Bodega e uma exceção no evento. Apresentou uma acidez bem viva e ainda bastante sedoso. A fruta fresca e algumas notas de especiarias se destacam. Ótimos corpo e persistência. EXCELENTE.


Mais uma vinícola ainda sem importador no Brasil.

Outro grande destaque do evento foi a Tamaral Bodegas y Viñedos que apresentou seus vinhos Cosecha 2010 (4 meses de barrica), Vendimia Seleccionada 2009 (14 meses de barrica), Finca La Mira 2009, Reserva 2008 (18 meses de barrica), todos muito bons, boa presença de fruta integrada com a madeira e acidez equilibrada. Meus destaques vão para os futuros best-buys

1. Rosado 2011


Vermelho cereja-rosado de pouca intensidade, muito límpido e brilhante. Muito bonito. No nariz os morangos e framboesas frescas se destacam, juntando-se a notas herbáceas e algo que me lembra pêssegos ou mesmo damascos. Na boca é muito saboroso. Bastante corpo para um rosado e uma acidez excepcional. Um vinho rosé muito acima da média dos que estão no mercado brasileiro. REFINADO.

2. Verdejo 2011

Cor amarelo palha, com bastante brilho. Extremamente aromático. Muitas notas de frutas tropicais como abacaxi, manga e maçã-verde. Assim como notei no Verdejo da Bodega Martín Berdugo também senti notas de pimentão, o que me fez confirmar a semelhança destes Verdejo com alguns Sauvignon Blancs chilenos. Na boca, confirma as frutas tropicais, com doçura e acidez na medida certa. Bom corpo para um branco. Muito saboroso. REFINADO.


Javier Pérez, representante da Tamaral.

Além das três Bodegas mencionadas e seus vinhos fantásticos, ainda tenho como destaques

Ferratus - Sensaciones 2007



Com 14 meses de envelhecimento em carvalho e 3 anos engarrafado na adega da Bodegas Cuevas Jiménez (Ferratus), este vinho ainda não foi lançado na Espanha e segundo a representante Maria Luisa Cuevas ainda deverá permanecer mais um ano antes do lançamento.
Visual vermelho rubi de grande intensidade, brilho e limpidez. No nariz notas de frutas negras maduras e tostados provenientes da madeira. Na boca, confirma fruta madura, tem boa acidez, mas os taninos ainda estão um pouco verdes, mostrando que a decisão de mantê-lo mais um tempo em garrafa é correta. Me parece um vinho com longo potencial de guarda. ÓTIMO.

Pagos de Quintana Crianza 2008


Os 12 meses de envelhecimento em carvalho já fizeram deste vinho um exemplar extremamente elegante. Cor vermelho rubi-granada, com alguns traços de envelhecimento. No nariz notas de terra molhada, couro e madeira nova, aliadas a bastante fruta vermelha e negra madura tornam a matriz aromática deste exemplar da Bodegas del Campo (Pagos de Quintana) muito boa, um destaque do evento. Na boca é muito sedoso, frutado e com algum toque apimentado, um vinho de qualidade incontestável. REFINADO.

Señorío de Baldíos Crianza - 2009

Os 87 pontos do Guia Peñin 2012 a este Crianza da Bodegas Garcia de Aranda são, ao meu ver, absolutamente injustos para este vinho, um dos meus destaques deste evento. Certamente mereceria uma nota acima dos 90 pontos.
Vermelho rubi intenso, bem límpido e brilhante. No nariz, os aromas de couro e fumo se destacam imediatamente, sendo completados por notas de frutas vermelhas. Na boca tem ótima acidez, bem equilibrada com as notas frutadas. Mostra algo de especiarias também. Bem sedoso. ÓTIMO.


Viña Buena Jovem - 2011

Pedi ao sr. Jose Martinez Martinez (é assim mesmo, com dois "Martinez"), representante da Bodegas Viña Buena que começasse me mostrando seu vinho mais simples. Para minha surpresa, o Jovem 2011, chamado de "vino del año" foi um dos destaques do dia. Vermelho violáceo, com bastante brilho e bem límpido.  Apesar de não passar por carvalho é um vinho que possui, além dos esperados aromas de frutas frescas, toques de especiarias e de café que não são comuns em vinhos que não têm envelhecimento. O buquê é muito interessante porque agrega aromas que normalmente não encontramos juntos. Na boca é bem leve, mas com um final longo e taninos bem amadurecidos. Um vinho impressionante para sua faixa de preço (algo em torno de 1 euro na Espanha). ÓTIMO.


Apontei alguns destaques neste artigo, mas não houve um vinho sequer que eu tenha julgado razoável, todos muito bons! Só nos resta torcer para que os produtores sem importadora no Brasil negociem rapidamente e que possamos ter estas excelentes opções no mercado o mais rápido possível.

E foi isso, excelentes vinhos, excelente evento.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fox Creek - Shadow´s Run - 2006



Mais um daqueles vinhos que experimento, adoro e guardo uma garrafa pra provar daí algum tempo e verificar se meu palpite quanto ao seu potencial de guarda estava correto, bem como se o vinho poderia mesmo ficar ainda melhor com o passar de alguns anos. Bingo!

O nome Shadow´s Run é uma homenagem às peripécias do mascote da família, o cão Shadow, que adora percorrer as videiras junto aos donos e funcionários da vinícola Fox Creek Wines, do Vale McLaren, uma das regiões mais famosas do Sul da Austrália e reconhecidíssima pelos seus fantásticos Syrahs (que lá são Shiraz!).

O cão Shadow, mascote da Fox Creek Wines.
Vamos ao nosso Shadow´s Run 2006.
Corte de Syrah com Cabernet Sauvingon (não encontrei os percentuais de cada um!).

Na taça apresentou-se vermelho granada com muitos traços de envelhecimento.

Bordas bem acastanhadas. Um pouco turvo, mas ainda com com certo brilho. Alguns sedimentos. No nariz o primeiro deleite: compota de frutas negras, chocolate branco (não, não escrevi errado!), pimenta (muita pimenta!), eucalipto e folhas frescas. Demais! Na boca, outro prazer: o frutado vem acompanhado de notas tostadas, baunilha e côco e o "apimentado" dá o toque final. Bons taninos, bem maduros. A acidez já está no limite, o que me fez ficar ainda mais feliz de tê-lo aberto agora, creio que não melhorará mais. Um vinho fantástico!


Se você tem algum na sua adega, não hesite, beba já!

Tenho notícias de que é o importador atual é a Decanter, mas não vou ousar recomendar a compra já que a safra atual no site do produtor é a 2010, muito longe desta comentada. Se alguém prová-lo por favor compartilhe a experiência comigo.

REFINADO - ÓTIMA relação QUALIDADE-PREÇO

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vinho & Pizza: sugestões de harmonizações desta dupla que tanto adoramos!



A pizza é um alimento tão singular que possui um dia só pra ela: 10/07 é o dia da pizza!
Essa data foi escolhida por acaso, após um concurso, em São Paulo, que elegeria as 10 melhores receitas de pizzas mussarela e marguerita. O sucesso do evento foi tão grande que o estado decidiu instituir o 10/07 como o dia da pizza!
São Paulo conta com mais de 6 mil pizzarias, produzindo mais de 1 milhão de pizzas por dia, mas a pizza é um paixão paulistana, não é uma paixão paulista, é uma paixão nacional, mundial.


Pizza pra mim é sagrada e como tal, merece vinhos de respeito. Os amantes do guaraná que me perdoem, mas refrigerante não dá. Cerveja nem pensar. Entendo que cada um tem seu gosto, mas pra mim, pizza e vinho nasceram um para o outro. Se é o dia da pizza, é o dia do vinho também!

Muita gente me pergunta sobre harmonizações de vinho com pizza, dizem que já leram inúmeros artigos e que cada um diz uma coisa diferente, que os "manuais" propostos pelos "sábios" são quase sempre contraditórios e que, ao  buscar ajuda, acabam ficando ainda mais perdidos. Pois eu tenho a resposta: esqueça tudo o que você já leu (inclusive o que você lerá aqui nas próximas linhas! rs) e ouse harmonizar o vinho que você gosta com a pizza que você gosta! É muito provável que a harmonização não ficará perfeita, mas cá entre nós, a perfeição é um saco, né? 

A harmonização ideal é aquela que te dá prazer, sem convenções, sem regras, sem manuais. Ainda assim, se você quer um norteador para começar, vou fazer algumas indicações de combinações que eu já fiz e que me deram certo. 

A variedade de sabores de pizzas é infinita e cada um tem suas preferências, por isso elegi as mais tradicionais para apresentar minhas sugestões aqui no VINHO SIM. Espero que gostem.

Mussarela (ou Muçarela)

A mais adorada de todas leva molho de tomate, queijo mussarela, orégano e azeitonas e não é difícil de ser harmonizada. Ao meu ver, a tradição da mussarela merece um vinho do velho mundo, especialmente os italianos que levam Sangiovese na composição, como o Montessu 2008 ou alguns brasileiros de estilo velho mundo, como Fulvia Cabernet Franc, do Marco Danielle (foto).


Margherita

A pizza que homenageia a princesa-consorte Margarida de Savóia, que adorava pizzas, leva molho de tomate, queijo mussarela, orégano, folhas de manjericão e azeitonas e faz as mesmas parcerias que a mussarela com sucesso.

Quatro queijos

Molho de tomate, queijos mussarela, provolone, catupiri e gorgonzola, orégano e azeitonas.

Brancos com boa estrutura e acidez, como o Sol de Sol Chardonnay (ND) ou  o Etchart C. Rosa 2009 (foto) e tintos leves com boa acidez como o Pinot Noir Angheben ou o Pinot Noir Suzin 2011 (ND) são ótimas pedidas.



Calabresa
    
A mescla de molho de tomate, calabresa, cebola, orégano e azeitonas é a minha preferida e a lista de indicados é extensa. Syrahs chilenos e californianos e Malbecs argentinos são a minha combinação perfeita, mas Tempranillos jovens e Cabernets Sauvignons do Novo Mundo também poderão ser ótimas pedidas aqui. Cuidados importantes:
1) a linguiça muito apimentada pode atrapalhar suas papilas gustativas e aí nenhum vinho será capaz de te dar prazer.
2) alguns vinhos desta gama possuem pouca acidez e deixam um sabor adocicado no final, o que deixará uma confusão muito grande na sua boca. Os frutados são interessantes, mas sem abrir mão de uma acidez equilibrada e de bons taninos para suportar a gordura da linguiça.

Meus preferidos são o Cycles Gladiator 2009 (ND), o Montes Folly 2007 (post da Viña Montes), Casa Valduga Mundvs Malbec 2007Antu Ninquén 2009 (ND) e o Embocadero 2009 (ND).


Pepperoni

A combinação de molho de tomate, queijo mussarela, rodelas de salame pepperoni, rúcula, tomate seco, orégano e azeitonas é tradicionalíssima na Itália e seu conjunto de aromas e sabores pede combinações similares às da Calabresa, porém um pouco mais de taninos pode ser agradável para combater o excesso de gordura causado pelo queijo agregado ao salame. Minhas sugestões são Don Cândido Gran Reserva (foto), Hiragami Torii Cabernet Sauvignon (leia o artigo "Tem japonês no vinho brasileiro") e Spice Route Mourvèdre 2008 (ND).


Aliche ("anchova" em Italiano)

Molho de tomate, aliche, orégano e azeitonas. O sabor salgado acentuado da aliche é complicadíssimo de ser harmonizado, mas duas combinações costumam dar bons resultados: vinhos verdes e vinhos espumantes. O Quinta da Lixa - Verde (ND), com sua acidez pungente e o Espumante Rosé Brut, da Vinícola Kranz (leia o post sobre a Kranz), com seu equilíbrio fantástico são minhas principais sugestões, mas tenho certeza que a grande maioria dos excelentes espumantes brasileiros serão excelentes escolhas para acompanhar esta pizza.



Atum

Molho de tomate, atum, cebola e azeitona. Algumas receitas levam também um pouco de queijo mussarela.
Para mim, não há melhor opção para pizzas de atum que os Sauvignon Blancs, especialmente os chilenos. A mescla de sabores de frutas tropicais com a ótima acidez desta casta são o acompanhamento ideal para os sabores sutis desta pizza, como o Amaral (ND), o Palo Alto (ND) e o Cipreses, da Casa Mariin (foto). 

Molho de tomate, presunto, queijo mussarela, cebola, ovos cozidos, ervilhas, orégano e azeitonas. Esta para mim é disparada a mais complicada de harmonizar, principalmente pela forte presença de ovo em sua composição. Algumas tentativas que derem certo foram principalmente com portugueses leves e com os velhos e bons italianos de base Sangiovese. Vou ficar com o Vinha do Bispado 2010, o Tons de Duorum 2010 (foto) e o mais seguro (mas também mais caro) Le Difese 2009.


É isso.
Agora é só escolher sua pizza, seu vinho e curtir com uma boa companhia.
Bom divertimento!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Suzin - Pinot Noir - 2011


Fui apresentado aos vinhos da Vinícola Suzin na EXPOVINIS 2012 (leia artigos sobre a feira aqui) e fiquei positivamente surpreso com mais vinhos de qualidade vindos de São Joaquim - SC.

A vinícola Suzin iniciou atividades em 2001, criada pelo patriarca da família, sr. Zelindo e seus dois filhos Everson e Jeferson, depois de diversos anos trabalhando no ramo de fruticultura. Seu vinhedo é composto de 50% Cabernet Sauvignon, 35% Merlot, 10% Sauvignon Blanc e 5% Pinot Noir, de onde vem este 2011, estrela do post.

A produção da vinícola para vinhos próprios é de apenas 20 toneladas e a vinificação ainda é terceirizada, parte dela pela Vinícola Kranz.

Vamos ao Pinot Noir 2011.
Cor vermelho entre o rubi e o cereja, de média intensidade. No nariz apresenta frutas vermelhas frescas, nitidamente morangos e cerejas. Toques de algo parecido com pólvora, mais para o mineral do que para defeito. Os 6 meses de estágio em madeira são praticamente imperceptíveis, algo extremamente positivo na minha avaliação. Na boca confirma as notas de morango e uma certa mineralidade. Boa acidez. Ligeiro. É um vinho de estilo interessante, diferente dos Pinot Noirs típicos da América do Sul que são muito frutados e amadeirados. Prefiro este estilo. Vinho com vocação gastronômica. Bom acompanhamento para massas a base de molhos leves de queijos ou rosés, carnes brancas e pizzas com condimentação de leve a média. Recomendado.


R$ ? (sem preço no site da vinícola) | Álcool 13,5% 

ÓTIMO.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cousiño Macul - Finis Terrae - 2008



A linha Finis Terrae da Cousiño Macul é considerada uma linha premium, produzida a partir de vinhedos antigos do Vale do Maipo, região central do Chile.

Provei este safra 2008, composto de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (35%) e Syrah (5%), na própria Cousiño Macul e tive as seguintes impressões.
Cor vermelho granada bem intenso, com alguns reflexos violáceos, mostrando-se bem jovial ainda. No nariz as frutas negras maduras aparecem imediatamente, com destaque para os mirtilos e amoras. Algumas notas de especiarias e pimenta também aparecem, assim como tostados provenientes dos 14 meses de estágio em madeira, mas não se sobressaem à fruta. Muito agradável. Na boca a madeira é mais evidente. Possui boa acidez e boa persistência. Taninos bem sutis, equilibrado.

É um vinho bastante correto, de qualidades incontestáveis, mas que não me encantou. Certamente será muito apreciado se acompanhado por pratos à base de carnes de caça e carnes vermelhas com pouca gordura. 

R$ 80,00 (Santar) | Álcool 14,1% 

ÓTIMO - BOA relação QUALIDADE-PREÇO

terça-feira, 3 de julho de 2012

Vinho contra a Doença de Alzheimer!

Uvas da Bodega MontGras, no Vale do Colchágua, Chile
Muitos artigos científicos e blogs vem tratando sistematicamente sobre os benefícios do vinho para a saúde humana, inclusive eu aqui no VINHO SIM, no artigo Salvaguardas NÃO, vinho como alimento já! abordei este assunto e ainda mais especificamente neste mesmo artigo, os benefícios do resveratrol para a doença (ou mal) de Alzheimer.

Agora, gostaria de abordar novamente o mal de Alzheimer, mas a partir de um estudo liderado por Cinta Valls-Padret, da Unidad de Lípidos do Hospital Clínic de Barcelona.

O estudo, multidisciplinar, analisou os efeitos preventivos da dieta mediterrânea num grupo de 7447 pessoas, com idade entre 55 e 80 anos.

Apresentado recentemente pela revista Journal of Alzheimer´s Disease (http://www.j-alz.com/), o artigo mostra que o consumo elevado de polifenóis reduz consideravelmente a chance de se desenvolver doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.

Neste artigo citam-se três alimentos chaves para o aporte extra de polifenóis: o azeite de oliva, as nozes e o vinho, sendo aconselhado um consumo diário dos três. Especificamente para o vinho, recomenda-se duas taças por dia para homens e uma taça para mulheres.

O estudo ainda apresenta uma conclusão concreta para cada um dos alimentos. O consumo sistemático de azeite de oliva virgem ajudou a aumentar a pontuação em testes de memória verbal, as nozes melhoraram a pontuação da memória de trabalho e o consumo de vinho ajudou a melhorar a função cognitiva global, isto é, atenção, percepção, juízo, imaginação e linguagem, isto é, a capacidade global de pensamento e raciocínio do indivíduo!

E no Brasil o vinho não é considerado alimento ...

Fontes:
<http://www.saberdevino.com>. Acesso em maio/2012.

<http://www.j-alz.com>. Acesso em maio/2012.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

TOP 10 - Argentinos até R$ 40,00 no Brasil / 2012-2013!



Uma das frases que mais venho repetindo nos últimos tempos é: fazer vinho bom a preços exorbitantes não é mérito, é obrigação! O difícil mesmo é produzir a preços acessíveis.

E o que é acessível?

O acessível para um pode ser inacessível para outro e assim por diante.
Neste artigo da SÉRIE TOP 10 você encontra a indicação de 10 vinhos com preços inferiores a R$ 40,00 (na verdade 9, já que um deles está com preço um pouquinho acima! rs), a primeira faixa de preços do blog. Nesta faixa de preço é bem difícil alguém "bater" os argentinos no mercado brasileiro, por isso eles são os escolhidos da semana.

Nunca é demais repetir que todos os vinhos desta relação foram comprados por mim, degustados nas próprias vinícolas ou em degustações abertas realizadas aqui no ABC e em São Paulo e, portanto, não possuem nenhuma influência de produtores, lojas, importadoras, etc.

Destaco mais uma vez também que esta é uma lista elaborada por mim que, claro, não degustei todos os vinhos argentinos do mercado (infelizmente!), logo, sempre haverá outras ótimas opções. Se quiserem fazer qualquer sugestão fiquem à vontade, o VINHO SIM está aberto a todos!

ÁLAMOS Bonarda 2010 / ÁLAMOS Cabernet Sauvignon 2010

(Mistral, R$ 39,00)

  
A linha Alamos, do renomadíssimo produtor Catena Zapata, é um clássico das listas de barganhas no Brasil. Bem pontuados em diversas safras por R. Parker e Wine Spectator, o Cabernet Sauvignon (esquerda) e o Bonarda (direita) são, ao meu ver, os melhores vinhos da linha. Sempre bem estruturados, são ótimas pedidas para os dias de inverno.


Santa Julia Mais [+] Torrontés - 2011

(Ravin, R$ 38,00)
Apesar de estarmos no inverno, estação propícia aos tintos, esse Torrontés é tão saboroso e possui uma relação qualidade-preço tão boa que não seria justo deixá-lo fora de uma lista com 10 argentinos de ótimos preços no mercado brasileiro.


Viña Amália - Dos Fincas - Cabernet Sauvignon + Merlot - 2010

(Decanter, R$ 30,00)

A qualidade da Cabernet Sauvignon na Argentina já é, ao meu ver, indiscutível e neste corte, amaciada pela Marlot fica ainda mais agradável. Este vinho de corpo leve é bastante frutado, com taninos bem amaciados e bom equilíbrio. Não é um vinho com grandes pretenções gastronômicas, mas é um belo achado por R$ 30,00 e pode ser uma excelente opção para uma pizza ou uma tábua de queijos.


Susana Balbo - Linha Crios

(Cantu, R$ 38,00)

Outro grande clássico da relação QUALIDADE-PREÇO no Brasil. A linha Crios, composta pelos varietais Malbec, Cabernet Sauvignon, Torrontés, Chardonnay e Rosé Malbec, além do corte Syrah + Bornarda é produzida pela aclamada Susana Balbo e é uma escolha segura. Vinhos de ótima qualidade, muito frutados e bem equilibrados. Para mim, os melhores são os três da foto, da esquerda para direita: Torrontés, Malbec e Cabernet Sauvignon. É diversão garantida!


Norton D.O.C. - Malbec - 2010

(Pacific Importados, R$ 35,00)


Este vinho foi o primeiro argentino desta categoria a receber a denominação Malbec DOC e é um vinho que agrada a todos, principalmente os apreciadores iniciantes que adoram a maciez dos Malbec, pois os 12 meses de afinamento em barricas de carvalho e a fermentação malolática deixam este exemplar bem sedoso no paladar. Ótima relação QUALIDADE-PREÇO.


Zorzal - Malbec - 2010

(Grand Cru, R$ 39,00)

Produzido com uvas provenientes de Tupungato, região mendocina com altitude média de 1300m de altitude, este Malbec acaba de receber 93 pontos da Wine & Spirits, pontuação que praticamente fala por si mesma.
Este é vinho de boa estrutura e certa complexidade. Apresenta-se bem frutado, com ataque de especiarias e notas de baunilha e café. Na boca um certo apimentado dá charme a este ótimo Malbec. Compre antes que o preço suba!



Finca La Anita - Tonada - 2007

(Sociedade da Mesa, R$ 39,80)


A Bodega Finca la Anita foi uma das primeiras argentinas a apostar na produção de vinhos de alta qualidade, priorizando a qualidade em detrimento da quantidade. Também foi a primeira a utilizar o conceito “pequena bodega” e uma das únicas no país vizinho a engarrafar apenas vinhos que provêm das uvas de sua propriedade, de 71 hectares.
Este vinho, seleção de junho da Sociedade da Mesa é um corte de Syrah, Malbec e Cabernet Sauvignon do ano 2007, envelhecido em carvalho francês e que descansou engarrafado, em temperatura constante, na adega da Finca la Anita antes de sair à venda.
É um vinho elegante, de estilo "velho mundo" e com boa vocação gastronômica. Vale a pena ser provado. 


Salentein Winemaker´s Selection Malbec + Cabernet Sauvignion + Merlot 2008

(Zahil, R$ 39,90)


Produtor de grande reputação mundial, a Salentein faz vinhos muito bons desde sua linha de entrada. 
Este vinho é mais um que expressa com maestria a capacidade que os argentinos têm de misturar sua grande uva, a Malbec, com sua outra excepecional produção, a Cabernet Sauvignon. O toque da Merlot traz ainda mais suavidade ao vinho. É um vinho de bons corpo e acidez e com taninos amaciados. Normalmente custa na casa dos R$ 50,00, mas a Zahil traz este vinho por R$ 39,00 na promoção o que o torna uma excelente pedida!


Uxmal Alto - Cabernet Sauvignion + Merlot 2010

(Mistral, R$ 33,00)


Apesar de já ter colocado este Uxmal Alto numa lista de TOP 10 [Vinhos para o inverno (junho-julho)], qualquer lista de TOP 10 argentinos de melhores relação qualidade-preço, ao meu ver, deve conter este vinho que é mais um que expressa a grande evolução da Cabernet Sauvignon na Argentina. Bom ataque aromático. Mostra frutas vermelhas maduras, toques mentolados e algum tostado proveniente da madeira. Na boca é denso e macio, frutado, com boa acidez. Ideal para pizzas, tábuas de frios e pratos a base de carnes pouco condimentados.


Escorihuela Gascón - Malbec - 2009

(Grand Cru, R$ 49,00)




Apesar do artigo ter sido intitulado Argentinos até R$ 40,00, decidi indicar este vinho que custa um pouco acima, devido a sua grande qualidade. Este Malbec é um vinho muito redondo, com madeira presente e bem integrada e presença de fruta e acidez na medida certa. Indicado para harmonizações com pratos mais elaborados, tais como massas com molhos apimentados. A velha e boa carne vermelha mal passada também é uma indicação certeira para este super Malbec argentino!

É isso, agora é só escolher seu vinho, chamar sua companhia preferida e curtir. Boa diversão à todos!

domingo, 1 de julho de 2012

Quinta da Romaneira - Rosé - 2009



A Quinta da Romaneira, localizada na região do Douro, em Portugal, vem apostando na qualidade e modernidade para se destacar no mercado português, recebendo diversos prêmios e boas pontuações pelos seus vinhos.

Este Rosé 2009, produzido a partir de Tinta Roriz, recebeu pontuação 87/100 da Wine Spectator e ainda foi considerado o melhor rosé português na publicação W 2010 de Anibal Coutinho, fator preponderante na minha decisão de prová-lo.

A coloração vermelho-cereja de pouca intensidade, com tons alaranjados chama a atenção. Muito límpido e brilhante. Bonito. No nariz apresentou sutis aromas de frutas brancas e vermelhas frescas, como melão e morangos, além de notas florais. Na boca é bem fresco e possui boa acidez, porém apresentou um leve amargor residual, que incomoda um pouquinho, mas não o torna imbebível.

Como abri o vinho para fazer a prova, tive tempo de pensar em algo para harmonizar e a escolha foi um filé de Anchova com gengibre, tomate e cebola. A escolha do sabor forte do gengibre foi uma tentativa de aguçar as papilas gustativas e verificar se aquele amargor sentido inicialmente havia sido apenas uma impressão. O peixe trouxe ainda mais vivacidade ao vinho e amenizou um pouco aquele amargorzinho residual, mas não fez milagre. 

R$ 45,00 (Grand Cru) | Álcool 13,5% | Acidez 5,8g/L

RAZOÁVEL

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?