segunda-feira, 28 de outubro de 2013

TOP 5 - Os melhores lugares para comprar/beber vinho no ABC - SP


Moro no "ABC" Paulista desde sempre. Nasci e cresci por aqui - mais precisamente em Santo André - e como bom filho desta terra, conheço relativamente bem a região composta de 7 cidades (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), mais de 2,5 milhões de habitantes e 825 km² de área.

Embora o consumo de brancos, rosés, tintos e afins não seja nenhuma novidade por aqui, a verdade é que os moradores da província do Grande ABC (como gosta de definir o jornalista Daniel Lima) ainda não se acostumaram a frequentar nossas casas de vinhos e, grande parte das vezes, partem para "a Capital" em busca de melhores opções, preços e atendimento especializado e, em grande parte das vezes (infelizmente!) com razão.

No entanto, de alguns anos para cá, novas adegas, empórios e até winebares surgiram na região, trazendo boas opções para quem não quer enfrentar o caótico e imprevisível trânsito para sair daqui rumo à capital. É fato que ainda não estamos competindo de igual para igual com as melhores lojas de São Paulo, mas é fato também que estamos em evolução e, com uma população consumidora de vinhos cada maior e mais exigente, é provável que novas boas opções surjam e que as existentes também melhorem para atender à esta demanda. Assim esperamos!

A confecção de uma lista TOP 5, TOP 10 ou seja o que for não é uma tarefa muito simples, pois sempre desagradará alguns, já que é muito possível que algum(uns) dos seus favoritos ficará(ão) de fora. Para que a confecção desta lista não apresentasse apenas uma opinião pessoal do Vinho SIM, contei com a colaboração de diversos amigos e conhecidos, todos grandes apreciadores de vinhos, jornalistas e/ou blogueiros, frequentadores assíduos dos estabelecimentos daqui, além de moradores de uma das 7 cidades da região, claro, para os quais perguntei: "na sua opinião, quais são as 3 melhores adegas/enotecas/empórios do ABC?".

Como a ideia deste artigo é apenas saudar e parabenizar os estabelecimentos que vêm desenvolvendo um ótimo trabalho pelo vinho na nossa região, optei apenas por apresentar a lista das 5 melhores Adegas/Enotecas/Empórios do ABC, sem qualquer classificação.

ADEGA TONEL DO RUDGE
R. Afonsina, 316 • Rudge Ramos • São Bernardo do Campo • (11) 4365-2020


Apesar de não ser a mais sofisticada e não possuir uma carta de vinhos tão vasta, a tradicional adega do bairro do Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, tem atributos suficientes para amealhar seu lugar nos TOP 5 do ABC.
Para começar é de longe a mais tradicional do ABC. Certamente o local onde muitos apreciadores da região começaram a gostar de vinho, dentre eles este que vos escreve. 
Outro grande atributo da Tonel é a grande parceria com vinícolas nacionais. Tudo começou com degustações de vinhos simples, tintos produzidos sob título “Bordô” e brancos produzidos com uvas Niágara - que existe até hoje a qualquer dia que se chegue na casa -, mas a casa evoluiu com os anos e hoje, não é difícil chegar lá e poder provar bons exemplares da Don Laurindo, Pizzato, Salton, dentre outros, além de alguns importados. É de longe a maior parceira do vinho nacional no ABC e quiçá em São Paulo. Eu pelo menos não conheço nenhuma loja “melhor” neste quesito.

EMPÓRIO HEDONISTE

Rua das Bandeiras, 336 Bairro Jardim Santo André (11) 4901-5625


A mais nova opção em Santo André é certamente a que possui os produtos mais refinados do ABC e também as melhores opções em vinhos franceses, uma vez que a empresa começou como uma importadora de Champagnes artesanais e hoje possui diversos produtos de importação própria. Parcerias com diversas pequenas importadoras enriquecem a carta de vinhos da casa, que possui desde os clássicos até opções de regiões menos conhecidos e de produção limitada.
Pães quentinhos e diversos produtos gourmet dão um charme todo especial ao empório que ainda oferece diversas opções de tábuas de frios e vinhos de taça no seu winebar todos os dias.

EMPÓRIO DO BACALHAU

Rua Padre Lustosa, 374 Centro São Bernardo do Campo (11) 4123.5651
Rua Continental, 389 Jd. Do Mar São Bernardo do Campo (11) 2356-2010
Av. Higienópolis, 87 Vl. Gilda Santo André (11) 2669-1418
A casa começou como um restaurante (Bacalhau e Vinho Verde) no Centro de São Bernardo, que possuía uma pequena loja acoplada onde os clientes podiam escolher seu vinho para acompanhar os pratos portugueses, tornou-se rapidamente uma referência em vinhos na região, principalmente devido aos preços competitivos e ao atendimento que foi se especializando à medida que a casa crescia. Hoje o restaurante ainda funciona e o Empório do Bacalhau conta 4 unidades, sendo que na mais nova delas, intitulada Loja Conceito, conta com um winebar muito simpático.
A vasta carta de vinhos, a facilidade de comprar pelo site, os bons preços e o ótimo atendimento são os destaques da loja.

EMPORIUM DINIS

Park Shopping São Caetano Loja 1055
Alameda Terracota, 545 Espaço Cerâmica São Caetano do Sul   (11) 4233-8488 


Com lojas em grandes shoppings de São Paulo, o Emporium Dinis chegou ao ABC (Park Shopping São Caetano) para ocupar um espaço que ainda estava vago. Se não possui os preços mais convidativos da região e não tem a tradição e ligação com a região como outras lojas, a extensa carta de vinhos - com mais de 1000 rótulos - e o conforto que uma loja de shopping oferece, além de produtos gourmet de grande qualidade e atendimento especializado são atributos suficientes para colocá-la nesta lista das 5 melhores do ABC.

ADEGA & EMPÓRIO ABC

Avenida Lino Jardim - 854 Vila Bastos Santo André   (11) 4436-3813 


A loja, que conta com localização privilegiada, bem no coração de Santo André, vem crescendo a cada ano em diversidade/qualidade de produtos, mas o que realmente a coloca neste TOP 5 é o grande número de eventos-degustações que realiza durante o ano todo, com destaque para o Workshop de Vinhos, no qual diversas importadoras e, pelo menos uma vinícola brasileira, apresentam alguns de seus rótulos com preços diferenciados, com descontos especiais que valem a pena.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Vinho do Mês [SETEMBRO/2013]: Família Deicas - 1er Cru D'Exception Tannat 2006


Quem vem acompanhando o blog se acostumou a ver no final de cada mês (nem todos ... rs), a coluna Vinho do mês, em que o vinho que mais gostei dentro daquele período recebe este "título" e entra para o "Hall da Fama" do Vinho SIM.

Nos últimos meses acabei não sendo muito assíduo na elaboração desta coluna (um pouco por falta de tempo e outro pouco por alguma indecisão no momento da escolha), mas neste mês eu seria injusto se não publicasse algo sobre este tannat puro sangue uruguaio.

O eleito de setembro/2013 é um vinho fora de série, daqueles que você lembra dos aromas por muito tempo e cujo restrogosto é quase infinito. Já faz algumas semanas que provei o 1er Cru D'Excpetion Tannat 2006, da Família Deicas, mas ainda me lembro como fosse há poucos minutos ...

Já demonstrei no artigo "Uruguai, um país de vinhos únicos!" que sou fã dos vinhos do nosso "menor" vizinho (sim, menor entre aspas, pois este adjetivo, neste caso, é apenas uma alusão às dimensões geográficas do país, pois os vinhos ... ahh os vinhos uruguaios ...) e para mim, falar do vinho uruguaio é chover no molhado. Prova após prova estes vinhos me surpreendem e agradam cada vez mais.

Um pouquinho sobre a Família Deicas (Establecimiento Juanicó)

Conheci a vinícola Juanicó (Establecimiento Juanicó – Família Deicas) em outubro de 2011, ocasião na qual provei este vinho (junto com uma porção de outros) e achei espetacular!

A vinícola é conduzida pela Família Deicas e o patriarca e fundador, sr. Juan Carlos Deicas - acompanhado de filhos e netos - ainda é presente no dia-a-dia da empresa, a maior produtora do Uruguai – mais de 4 milhões de litros produzidos na última safra - e, possivelmente, uma das grandes reponsávelis pelo desenvolvimento e crescimento da vitivinicultura do país, tendo sido pioneira numa série de ações que mudaram a forma do nosso vizinho pensar seu vinho, principalmente em se tratando de qualidade, já que foi a primeira a produzir um grande vinho de guarda (em 1992), a primeira a ganhar uma Gran Medalla de Oro num grande concurso internacional (1996, na Espanha), foi a criadora a categoria Roble o Uruguai (em 1996, com a linha Don Pascual), a primeira vinícola sulamericana a obter certificação ISSO 9001 (em 1998), a primeira a produzir um Licor de Tannat (em 2002), dentre muitas outras contribuições para a vitivinicultura uruguaia.

O vinho: 1er Cru D'Exception Tannat 2006



Para começar, um vermelho vivo bem escuro com nuances violáceas - quase negro - chama a atenção, muito límpido e brilhante.

No nariz, as notas de frutas vermelhas e negras maduras aparecem de cara, aos poucos sendo substituídas por frutas secas, me trazendo fortes lembranças das misturas de frutas que são muito comuns de se ver no período natalino, além de diversas notas aportadas por toda elaboração em tonéis de carvalho e envelhecimento em barricas, tais como chocolate e café torrado.

No primeiro gole, a superação. A textura densa volumosa enche a boca trazendo de volta as impressões de frutas maduras e secas, agora permeadas por um toque mineral quase salgado e ótima acidez.


Não há dúvida alguma que se trata de um dos grandes exemplares uruguaios, sulamericanos e, quicá, do mundo. Um vinho de ótimo equilíbrio, com muita personalidade e que mostra o que de melhor de se pode fazer com a tannat.


Para a harmonização escolhi carré de cordeiro acompanhado de batatas e vagens sauté, que casaram perfeitamente com o vinho.

 

Certamente carnes vermelhas mais gordurosas, como uma bela costela ou um entrecote argentino braseados também seriam escoltas perfeitas para este vinho.

Infelizmente, para o meu bolso, seu preço aqui no Brasil é pouco convidativo, mas caso vá ao Uruguai ou encontre-o no freeshop, recomendo a compra, pois vale a experiência da prova.

No site da Todo Vino (www.todovino.com.br) é encontrado por R$ 600,00 e na wine.com há a safra 2005 por "míseros" R$ 385,00.

R$ 600,00 (Interfood) | Álcool 12,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Achei no supermercado: Doña Dominga Gran Reserva Syrah 2009 e 2010!



Andava eu por um supermercado aqui de Santo André, quando me deparei com uma grande divulgação dos vinhos Doña Dominga.

Nunca havia provado os vinho e a única informação que eu tinha sobre eles é que são uma marca pertencente à renomada vinícola chilena Casa Silva

De cara, fiquei com um pé atrás em comprá-los, pois não costumo ter muitas experiências positivas com vinhos chilenos desta feixa de preço - em torno de R$ 30,00 -, no entanto, minha curiosidade falou mais alto e, por se tratar de vinhos categorizados como Gran Reserva, decidi experimentar. A oportunidade de fazer uma espécie de degustação mini-vertical das duas safras disponíveis - 2009 e 2010 - também foi determinante.

A marca Doña Dominga nasceu em meados de 1999 como um projeto moderno e inovador, cujo principal objetivo era introduzir no mercado vinhos de ótima relação qualidade-preço, produzidos a partir de vinhedos das hoje subdenominações Andes e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações chilenas neste artigo) do Vale do Colchágua

O foco é a produção de vinhos de caráter frutado fresco, com taninos macios e bom equilíbrio.

Levando-se em conta os Gran Reserva Syrah que provei, posso concluir: conseguiram.

Vamos às impressões.


Gran Reserva Syrah 2009


Creio que esteja pronto para consumo e não deva melhorar nos próximos anos. Mostrou notas de frutas negras maduras e especiarias, com um apimentado bem típico da Syrah e talvez ainda mais dos syrahs do Vale do Colchágua. Na boca confirma as notas frutadas, tem bom corpo e o frescor que se espera dos vinhos da subdenominação Costa. Boa persistência. Gostoso de beber. É uma grande pedida para pizzas condimentadas e também para churrascos.

R$ 28,90 | Álcool 14%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

Gran Reserva Syrah 2010


Também está pronto para consumo, mas certamente ainda vai melhorar nos próximos dois anos. As notas de frutas negras maduras e especiarias e o apimentado da Syrah também aparecem aqui, tanto na nariz quanto na boca, mas neste vinho eles vêm acompanhados de um frescor com toque mineral que não apareceu no 2009. Mostrou-se também mais elegante, com um potencial de guarda que não percebi no seu antecessor. Pode ser considerado uma grande compra

R$ 28,90 | Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: GRANDE COMPRA

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Os vinhos biodinâmicos da Ramos Pinto - Entrevista com Jorge Rosas, gerente de exportação da vinícola



"Não vamos colocar nos rótulos que os nossos vinhos são biodinâmicos, porque queremos vender nossos vinhos por serem bons e não por serem biodinâmicos".

Jorge Rosas, gerente de exportação da vinícola Ramos Pinto


No dia 12 de agosto último tive o prazer de almoçar com Jorge Rosas, um verdadeiro representante de toda a tradição da vinícola Ramos Pinto, sobrinho-bisneto do fundador, Adriano Ramos Pinto, e hoje gerente de exportação desta marca que é uma das mais prestigiadas do mundo.

Durante o almoço falamos sobre diversos assuntos, como a história centenária da Ramos Pinto no Brasil, os "novos" vinhos do Douro, a contribuição acadêmica que a vinícola teve e tem para os vinhos portugueses,  harmonizações com vinho do Porto, vinhos biodinâmicos, dentre outros e seguimos para a degustação de alguns rótulos que estão à disposição aqui no Brasil. Para saber mais de como foi essa conversa, clique aqui e leia o post com a 1ª parte da entrevista que fiz com Jorge Rosas.

Falando sobre vinhos bionâmicos, Rosas me contou que a Ramos Pinto foi a pioneira na plantação de vinhedos orgânicos no Douro e conta hoje com um total de 25 hectares desses vinhedos.

Será que em breve teremos um "vinho do Porto orgânico/biodinãmico"?

Assista a seguir à 2ª parte da entrevista concedida ao Vinho SIM.




Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Wine IN 2013 - Challenge Brasil x América Latina até R$ 50,00: resultados comentados


Sempre fui um entusiasta do vinho brasileiro. Entusiasta.

Desde que comecei a gostar de vinhos e participar de cursos de formação, palestras e degustações nos nossos vizinhos Argentina, Chile e Uruguai, acompanhadas de inúmeras visitas às vinícolas destes países, sempre mantive os "nossos" vinhos por perto, dentro de um raio de ação que meu radar pudesse acompanhar o iminente crescimento e desenvolvimento dos últimos anos, principalmente no quesito qualidade.

Visitas às vinícolas brasileiras e provas constantes dos nossos vinhos ajudaram a desenvolver esse "radar" e no decorrer dos últimos anos pude formar uma opinião sobre o vinho nacional e seu papel na América do Sul e no mundo. Opinião essa que, felizmente, não é absoluta e tampouco imutável, mas que muitas vezes não agrada. Mas opinião é assim mesmo, né? Não é feita pra agradar.

Com um pouco de atenção se percebe que há diversos outros entusiastas do vinho produzido em nossas terras, mas há também um sem número de oportunistas que escreve de forma irresponsável e tendenciosa, iludindo o consumidor com matérias cujo conteúdo e resultados são, no mínimo, duvidosos. Por isso é importante separar o que é entusiasmo pelo vinho nacional do que é oportunismo. É importante valorizar quem é sério, quem de fato acrescenta algo ao vinho nacional.

E foi com gente séria e com gana de debater o vinho nacional que aconteceu aqui em São Paulo, há duas semanas (22 e 23 de agosto/2013), paralelamente ao Circuito Brasileiro de Degustação, o 1º Wine In, organizado pelo Breno Raigorodsky, que tive a oportunidade de conhecer há pouco tempo num almoço intermediado por um amigo em comum. Quis o destino que o assunto Wine In surgisse na mesa e seu idealizador pudesse falar um pouco sobre o evento, do qual eu sabia pouco, mas que o slogan "a cada ano um mergulho no vinho" e o papo de ser "um encontro sério sobre o vinho brasileiro e seu potencial" me parecia bem interessante.

A programação foi muito bacana, com diversas palestras e debates, mas o que me chamou a atenção de verdade foram as degustações às cegas intituladas Challenge Brasil x América Latina, com duas modalidades: abaixo dos R$ 50,00 e acima dos R$ 50,00.

Cada uma delas foi divida da seguinte forma.

Inicialmente um júri especial (composto por  Beto Duarte, Celito Guerra, Horst Kissman, Jean Pierre Rosier, Jeriel Costa, João Filipe Clemente, José Maria Santana, José Luiz Pagliari, Jorge Carrara, Juliana Reis, Manuel Luz, Marcio Oliveira, Mario Telles, Mauro Zanuz, Nicola Massa, Silvia Mascella, Silvia Franco, Suzana Barelli, Amy Friday, Andrew Shaw, Claudio Salgado, Charles Byers, Daniel Marquez, James Lapsley, Olivier Bourse e Roberto Rabachino) escolheu às cegas os 5 vinhos - de um total de 18 amostras pré-selecionadas a partir de notas/avaliações obtidas em publicações diversas que seriam os representantes do Brasil em cada categoria. Posteriormente estes vinhos se juntaram a 10 representantes da Argentina e Chile e foram submetidos a outra prova às cegas, agora realizada por dois júris de forma independente, o mesmo júri especial e um júri popular, formado por participantes diversos que se inscreveram previamente ou que foram convidados pelo Breno durante a visita ao CBD. Nesta etapa o objetivo era posicionar os vinhos brasileiros frente aos seus concorrentes.

Participei das duas degustações, mas vou me ater a escrever sobre aquela dos vinhos abaixo dos R$ 50,00, uma vez que já há material farto sobre a outra, em que os vinhos brasileiros se saíram bastante bem, por sinal. Para quem se interessar por estes resultados sugiro a leitura do artigo "Conheça os vencedores do primeiro “Wine In” São Paulo: dois vinhos brasileiros e um chileno" (aqui) publicado pelo Jeriel da Costa no seu blog Club do Jeriel.

Nesta degustação provamos, na ordem:

Zorzal - Terroir Único Malbec 2011 (Argentina)
Dal Pizzol - Do Lugar Cabernet Franc 2011 (Brasil)
Humberto Canale - Merlot 2011 (Argentina)
Santa Rita - Reserva Carmenere 2009 (Chile)
Leyda - Classic Reserve Syrah 2011 (Chile)
Pizzato - Reserva Merlot 2010 (Brasil)
Casa Perini - Tannat 2011 (Brasil)
De Martino - 347 Single Vineyard Syrah 2011 (Chile)
Dona Paula - Los Cardos Malbec 2011 (Argentina)
Monte Paschoal - Dedicato Cabernet Sauvignon 2011 (Brasil)
Morandé Pionero - Cabernet Sauvignon 2011 (Chile)
Las Moras - Malbec 2011 (Argentina)
Finca La Linda – Bonarda 2011 (Argentina)
Ramirana Reserva – CS + Carmenere 2011 (Chile)
Salton Intenso Merlot 2009 (Brasil)

Nesta categoria, ao contrário do que havia acontecido no Challenge Brasil x América Latina acima de R$ 50,00, deu Argentina. A seguir, os TOP 5.

O TOP 5 do Júri Especial:

1. Las Moras - Malbec 2011 - Argentina (R$ 29,00) - 87 pontos
2. Humberto Canale - Merlot 2011 - Argentina (R$ 49,00) - 86,39 pontos
3. Ramirana Reserva – CS + Carmenere 2011 - Chile (R$ 45,00) - 86,33 pontos
4. Dona Paula - Los Cardos Malbec 2011 - Argentina (R$ 45,00) - 86,11 pontos
5. Monte Paschoal - Dedicato Cabernet Sauvignon 2011 - Brasil (R$ 55,00 ?) - 85,94 pontos

O TOP 5 do Júri Popular:

1. Las Moras - Malbec 2011 - Argentina - 83,34 pontos
2. Humberto Canale - Merlot 2011 - Argentina - 80,7 pontos
3. Salton - Intenso Merlot 2009 - Brasil (R$ 42,00) - 80,51 pontos
4. Finca La Linda Bonarda - Argentina (R$ 41,00) - 80,17 pontos
5. Casa Perini - Tannat 2011 - Brasil (R$ 30,00) - 78,61 pontos

O TOP 5 do Vinho SIM:

1. Las Moras - Malbec 2011 - Argentina - 90,5 pontos
2. Finca La Linda Bonarda 2011 - Argentina - 90 pontos
3. Dona Paula - Los Cardos Malbec 2011 - Argentina - 90 pontos
4. Humberto Canale - Merlot 2011 - Argentina - 88 pontos
5. Casa Perini - Tannat 2011 - Brasil - 87,5 pontos

Note que no TOP 5 do júri especial, o brasileiro mais bem colocado apareceu só na 5ª posição com o Monte Paschoal Dedicato Cabernet Sauvignon 2011, um vinho que, por sinal, não encontrei em nenhum lugar por menos de R$ 50,00.  No TOP 5 do júri popular os brasileiros se saíram um pouco melhor, ocupando duas posições, enquanto no TOP 5 do Vinho SIM (elaborado por mim e por minha parceira Talita Martinez) o brazucas mais bem colocado apareceu também na 5ª posição com o Casa Perini Tannat 2011.

Interessante também notar que o campeão foi o mesmo nos três grupos, o Especial (especialistas), o Popular e o Vinho SIM.

Vale aqui uma reflexão sobre estes resultados, especialmente se compararmos o desempenho que os vinhos brasileiros tiveram nesta categoria com o que tiveram na categoria acima de R$ 50,00.

Entre os vinhos abaixo dos R$ 50,00 não tivemos destaque. "Aparecemos" somente no meio da tabela e, embora tenhamos ficado à frente de alguns vinhos dos nossos vizinhos, estamos falando de produtos da mesma faixa de preço.

Este resultado é realista? 
O que acontece com nossos vinhos de até R$ 50,00? 

Quero falar dos vinhos desta faixa de preço porque é aí que, ao meu ver, as vinícolas deveriam empenhar seus maiores esforços, é aí nesta faixa de preço que o consumo de vinhos no Brasil pode aumentar nos próximos anos.

É claro que sou completamente a favor do velho (e sempre atual) debate sobre os impostos que incidem sobre os nossos vinhos e compartilho da angústia dos produtores brasileiros com relação à produção de vinhos com preços competitivos e é claro também que esta discussão poderia ser invocada aqui - mais ainda agora que o Governo de São Paulo nos presenteou com mais um aumento de imposto (ST), [canalhas!] - mas, apesar de acreditar que devemos continuar batendo nesta tecla e exigindo mudanças, quero refletir sob outra ótica.

Será que de fato os (abusivos) impostos são os únicos e/ou maiores vilões no nosso mercado?

Brigar contra os impostos é uma necessidade, mas debater sobre a capacidade de produzirmos com preços competitivos, apesar de todas as adversidades, também é preciso. Além do mais, não podemos esquecer de todos impostos e custos que as importadoras têm para trazer nossos "concorrentes" para cá.

Ainda assim, tenho provado e escrito sobre diversos ótimos vinhos nacionais com preços abaixo dos R$ 50,00 que, pela metodologia que foi utilizada para a seleção das amostras - diga-se de passagem bem honesta e transparente -, não estiveram presentes nas provas, mas que tenho certeza que poderiam fazer bonito frente aos nossos vizinhos.

Afinal, com o que temos hoje, é possível produzirmos vinhos de até R$ 50,00 no Brasil para concorrer de igual para igual com argentinos, chilenos e uruguaios? Como a Perini, com seu Tannat 2011, a Angheben, com seu Teroldego, a Don Laurindo, com seu Merlot Leve, a Gheller, com seu Tannat, o Marco Daniele, com seu Prelúdio - só para citar alguns - conseguiram produtos de tanta qualidade nesta faixa de preço? São golpes de sorte, safras excepcionais, estão trabalhando no vermelho o tempo todo, ... ?

Essas e outras perguntas poderão ser as norteadoras de um artigo que publicarei em um futuro breve ...


Viva o vinho nacional e

que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

3º Tasting Wines of Chile São Paulo - Compreendendo as novas subdenominações do Chile através dos vinhos


O tempo é senhor da razão e como diz o ditado, nada como um dia após o outro ou, ainda melhor, nada como um um vinho após o outro.

Como comentei aqui no Vinho SIM, o Winebar do dia 07/08 - uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias -, que reuniu diversos blogueiros e enófilos para provar alguns vinhos chilenos e trocar impressões sobre as novas subdenominações de origem do Chile, fiquei com algumas dúvidas que me trouxeram diversos momentos de reflexão e estudos interessantes, mas que deixaram inquietações que pareciam não ter fim ...

Pareciam, pois a chegada do dia 14/08, com o 3º Tasting Wines of Chile São Paulo mudou tudo. É claro que seria muito pretensioso da minha parte dizer aqui que agora já compreendo as subdenominações ou mesmo dar uma fórmula para que o leitor possa usar em suas provas para identificar os exemplares de cada subdenominação, mas posso dizer que a seleção de vinhos da Master Class, assim como outras dezenas de vinhos provados durante a feira, foi de grande valia e aprendizado.



Este post tem como principal objetivo ser o mais didático possível, tornando-se mais uma fonte de pesquisa na (nenhum pouco simples) tarefa de entender quais são as influências que cada uma das três novas subdenominações chilenas exercem sobre os vinhos, assim como quais são as  características esperadas destes vinhos. 


Vamos aos vinhos provados.

Subdenominação Costa:

    · Cool Coast Sauvignon Blanc 2012, da Casa Silva;
    · Cipreses Sauvignon Blanc Vineyard 2011, da Casa Marin e
    · Signos de Origen Syrah 2010, da Emiliana.

Os três vinhos apresentados, somados aos outros três exemplares do Winebar são ótimos descritores desta região, porém meu destaque vai para o Emiliana Signos de Origem Syrah 2010, produzido a partir daquela que para mim é a grande casta chilena, a Syrah e que está longe de ser uma escolha óbvia para representar uma região onde a mineralidade e o frescor imperam devido à forte influência das correntes frias provenientes do Pacífico.
Este vinho, embora ainda esteja jovem e apresente um grande potencial de melhora nos próximos anos, já mostra toda a elegância e tipicidade da região: ótima acidez e mineralidade permeados por toques apimentados e frutados típicos da Syrah. Os admiradores desta casta, podem esperar da subdenominação Costa grandes e diferentes exemplares nos próximos anos.

Subdenominação Entre Cordilheiras:

    · Vértice Carménère-Syrah 2007, da Ventisquero;
    · El Incidente Carménère 2008, da Viu Manent e
    · Lien 2009, da Maquis.

Desta subdenominação, onde se encontram as mais antigas e clássicas regiões do Chile, são esperados vinhos de grande concentração, potência e complexidade, devidos à pelmaturação mais lenta e controlada das uvas, proporcionadas  pela proteção das Cordilheiras da Costa e dos Andes.
Nesta cenário, os três exemplares apresentados atendem a todos os requisitos para serem destacados como grandes descritores da região, mas meu destaque vai para o Maquis Lien 2009, corte diferentão com 42% de Cabernet Franc, 32% Syrah, 23% Carmenère e 3% de Petit Verdot, onde se o melhor de cada casta aparece com grande destaque, frutas negras e vermelhas madurastoques mentoladosflorais e apimentados, tudo muito bem afinado pela fina presença do carvalho francês (envelhecimento de 10 a 12 meses), perfeitamente integrada à ótima acidez e taninos madurosSuculento.

Subdenominação Andes

    · Carménère 2010, da Koyle;
    · Sauvignon Blanc 2013, da Calcu;
    · Reserva de Família Cabernet Sauvignon 2009, da Santa Carolina;
    · Intriga Cabernet Sauvignon 2010, da MontGras e
    · Finis Terrae 2010, da Cousiño-Macul.

Era daqui que vinham as dúvidas que mais me incomodavam, já que das subdenominações anteriores a gama de regiões conhecidas e exemplares no Brasil são um pouco mais abundantes. 
O Pérez Cruz CS provado no Winebar, embora tenha sido um vinho muito prazeroso, não havia me levado a nenhuma conclusão, mas depois desta experiência, já tenho ideia do que esperar desta subdenominação, onde os solos aluviais (profundos e arenosos, pobres em matéria orgânica), as brisas frias provenientes dos Andes e, ao mesmo tempo a proteção que a montanha oferece em relação à insolação, fornecem condições para a produção de vinhos de extrema qualidade, com características únicas, que unem concentração de frutaacidez muito equilibrada e taninos aveludados.
Como grande exemplar desta subdenominação e destaque desta prova elegi o MontGras Intriga CS 2010, um vinho em que o equilíbrio impera do início ao fimMuita fruta envolvida por toques mentolados, somadas à ótima acidez lhe conferem um frescor sensacional, que o coloca como um grande ícone no quesito "vontade de continuar bebendo". Os taninos finos e maduros e uma ótima persistência o tornam um vinho não apenas recomendado, mas um exemplar obrigatório para compreender o que é a subdenominação Andes.


Espero que a análise dos vinhos possa ajudar de alguma forma na compreensão das novas subdenominações. Eu ficarei bastante grato de receber algum retorno neste sentido, seja através de críticas, sugestões ou comentários diversos. Bom proveito e


que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?