É isso lindões do meu Brasil, com o advento dos bota-foras de algumas importadoras (em
destaque World Wine, Decanter e Grand Cru) em janeiro, resolvi preparar uma
mini-lista com indicações de vinhos pra comprar já, pá-pum, sem pestanejar.
Lá vão
eles:
Marquês de Almeida Tinto 2010(World Wine, R$ 28,80 em 23/01/2017)
Direto e reto: por R$ 28,80 é pra comprar de caixa. Provei este
português algumas vezes e agora de novo. Creio que já não está mais no auge,
mas continua muito agradável, com bastante fruta e alguma especiaria ainda bem
presente. Que tipo de vinhos temos comprado por este preço atualmente? om esse relação qualidade-preço imagino que os estoque acabará rapidinho.
El Tallar Selección 2012(Grand Cru, R$ 49,00 em 23/01/2017)
Gosto de definir este espanhol como um “Tempranillo diferentão” por
conta das notas temperadas e especiadas que apresenta, além do tradicional
frutado delicioso típico da casta. O envelhecimento em barricas estadunidenses
também me agrada bastante. Por R$ 49,00 é uma boa pechincha.
Tabalí Reserva Syrah 2013(World Wine, R$ 49,20 em 23/01/2017)
Não é
segredo pra ninguém que os Syrahs chilenos estão entre os meus favoritos,
principalmente quando se pensa em vinhos do Novo Mundo. Esse 2013 da Tabalí é
um ótimo exemplar para comprovar essa minha preferência: muita fruta e boa complexidade
para a faixa de preço. Por R$ 49,20 então passa a ser uma compra obrigatória!
Benegas Cabernet Sauvignon 2009 (Decanter, R$ 75,05 em 23/01/2017)
Visitei aBenegas Lynchem meados de 2014 (reveja a matéria aqui) e
tive a oportunidade de conhecer diversos de seus vinhos. São produtos
elaborados com muito esmero e de extrema qualidade, como é o caso deste CS
2009, com muita fruta compotada muitíssimo bem integrada às notas tostadas da
madeira, principalmente as provenientes do carvalho estadunidense. Nos
padrões atuais é um vinho que vale os R$ 150,00 cobrados fora da promoção pela
importadora, imagina só por R$ 75,00?
Em tempo, a importadora também colocou
o Don Tiburcio 2010, do mesmo produtor, em promoção, por R$ 70,00! Vale muito a
pena também!
San Gimignano DOC Folgòre Rosso 2002(World
Wine, R$ 235,50 em 23/01/2017)
Pra
fechar a lista um italiano pra quem está disposto a investir um pouco mais.
Corte de Sangiovese e Merlot, este supertoscano é daqueles vinhos para grandes
ocasiões. As notas de tabaco e couro são amplas e se fundem perfeitamente com
as frutas que ainda permanecem por ali apesar dos 15 anos do vinho.
É isso.
Qualquer dúvida, deixem nos comentários. Compartilhem a publicação, curta a página do Facebook e se inscrevam no meu canal do YouTube.
Foi durante uma visita à Bodega Hacienda del Plata (recorde o artigo) que conheci Pepe Reginato, uma espécie de guru do espumante argentino, consultor de diversas vinícolas mendocinas na produção deste tão maravilhoso vinho.
Com uma fala segura e direta, de quem conhece o assunto, Pepe apresentou com exclusividade ao Blog Vinho SIM dois espumantes de sua produção, cuja elaboração é dividida com Mathias Prieto, enólogo também da Hacienda del Plata, que na ocasião não pode estar presente por compromissos pessoas.
Provamos alguns espumantes bem distintos e bem interessantes, mas estes dois mencionados pelo Pepe foram os que realmente mais se destacaram, principalmente por serem produzidos com uvas Malbec, produtos quase únicos no mundo do vinho. O primeiro foi o Reginato Malbec Rosé 2013, um Charmat com dois meses de contato com as borras que já chama à atenção por ser um Charmat safrado, algo pouco comum. Se mostrou leve com frescor médio, um toque de taninos bem interessante e incomum nos espumantes brasileiros e final levemente adocicado. Na avaliação VS mereceu a nota 15/20. O segundo foi o Reginato Celestina Malbec 2011, produzido pelo método Tradional com 36 meses de contato com as borras e também safrado. Aqui a Malbec já mostra um pouco mais, trazendo muitas notas de frutas vermelhas maduras que, acompanhadas das notas tostadas e de fermentação formam um conjunto bem raro e interessante. Na boca, o adocicado das frutas é acompanhado de perto por ótima acidez que deixa o espumante muito equilibrado. Persistência longa e final muito saboroso completam o conjunto, que mereceu amealhou 17/20 pontos na avaliação VS. São espumantes que não estão no Brasil, embora tenham preços (US$ 4,00 e US$ 7,00, respectivamente, no mercado Argentino) que, dependendo de algumas condições de mercado, podem ser competitivos por aqui.
E assim tivemos a oportunidade de viver mais esta experiência que tenho o prazer de compartilhar com vocês.Para dúvidas, comentários, críticas e sugestões deixe seu comentário.
Mais uma daquelas experiências únicas que o mundo do vinho me proporcionou. É assim que eu descrevo esse encontro com Lucas Amoretti, a quem conheci durante o I Desafio Brasil x Argentina de Espumantesque organizei em Mendoza, ocasião em que uma admiração surgiu imediatamente por este jovem enólogo - com ótimo trabalho desenvolvido na gigante Trapiche -, certamente com grande potencial para num futuro próximo ser um dos mais destacados de Mendoza.
A sintonia foi tão grande e imediata que Lucas nos convidou para provar um vinho de seu projeto pessoal - desenvolvido com outros 3 amigos -, o vinho Entonado Malbec 2012.
A descrição "organoléptica" no contra-rótulo do vinho - que você acompanha no vídeo a seguir com o próprio Lucas - já fala por si só (em tradução livre). Nariz: vermelho; Boca: sorridente; Vista: algo nublada; Final: Feliz.
Brincadeiras à parte, o vinho é muito bom! Cheio de fruta, tanto no nariz quanto na boca, com algumas notas de chocolate e algo de especiarias. Excelente acidez e taninos bem comportados. O final muito sedoso e longo é um belo convite para o próximo gole. Não está no Brasil e creio que nem estará num futuro próximo, especialmente este 2012 cuja produção foi de apenas 2000 garrafas. Estando em Mendoza, procure por ele. Valerá a pena!
ÓTIMO (16/20)
Nada melhor que o próprio "pai" para falar de seu filho.
E por momentos como esse que o mundo do vinho é tão espetacular.
Como posso iniciar um artigo sobre uma visita tão linda e amistosa - e por isso espetacular - a esta vinícola, cujo principal patrimônio é sua gente, a família que Pablo González e Maria Laura Toso construíram e "picaram" com o amor pela terra e pelo vinho?
Talvez mencionando um trecho de texto do próprio site da vinícola?
"La familia une su sangre, esfuerzo y pasión. Tiempo, paciencia y tradición serán los maestros por excelencia. Los años contarán la historia ... nada es fácil."
Os anos já estão contando a história, meus amigos. É possível não dar certo com sangue, esforço e paixão? Não, não é possível. Porque ainda que resultados econômicos não aparecessem, ainda que a vinícola não emplacasse seus vinhos na própria Argentina e no Mundo, ainda que não reconhecessem seu trabalho, o prazer de acordar todos os dias e trabalhar por amor junto à família, produzindo algo único é indescritível. Ninguém jamais tirará isso desta família.
Foi essa a experiência que vivi. Ser recebido pela família em sua própria casa e provar os seus vinhos, carregados de paixão e sangue. Carregados de personalidade e qualidade. Vinhos elaborados não para conquistar notas (é claro que a crítica internacional não será desprezada e boas avaliações sempre são e serão bem-vindas!), mas para conquistar corações, para conquistar quem entende o vinho como um grande catalizador de emoções, um grande combustível para compartilhar paixão sem restrições.
Claro que, além da oportunidade de passar algumas horas com a família e conhecer sua história, pudemos também degustar alguns vinhos, descritos na sequência por Juan Pablo González, atualmente um dos responsáveis pela vinícola.
Vamos a eles.
Zagal Cabernet Sauvignon
O vinho de entradada vinícola é jovem, vívido, frutado, com aquela pitada de pimentão contornada por algo de baunilha. Vinho fácil de beber, gostoso e de ótima relação qualidade-preço.
De qualidade similar ao CS, porém, possivelmente por encontrar muitos concorrentes no mercado, não tão encantador. Boa fruta e um toque floral. Na boca parece faltar um pouco de acidez. É certamente um vinho que agradará bastante apreciadores iniciantes, que ainda não sentem falta daquele final levemente adocicado.
O corte de Malbec, CS e Syrah é um vinho "gordo", daqueles que preenchem a boca e aguçam todos os sentidos. Muita fruta, algo floral, muitos toques defumados e alguma especiaria picante compõem a paleta olfativa que é confirmada por um paladar sedoso-rústico dos mais interessantes que provei durante esta viagem. Como já é comum nas vinícolas de Mendoza, foi o vinho mais surpreendente da tarde.
Nota VS: 17/20 (TOP 10 Mendoza) Preço Argentina: U$ 7,00
Preço Brasil: R$ 90,00
Mayoral Malbec
Aqui já falamos do vinho ícone da vinícola, produzido com uvas de vinhedos de 1932 com afinamento de 18 meses em barricas de carvalho francês. Enorme concentração de frutas maduras, chocolate, café e baunilha. Corpulento e com boa acidez, certamente é um dos grandes Malbecs argentinos, mas não é um vinho que me encanta tanto quanto o Arriero.
Nota VS: 17/20
Preço Argentina: U$ 10,00
Preço Brasil: R$ 110,00
Mayoral Shiraz 2002
Para encerrar fomos presenteados com a oportunidade incrível de provar um vinho não mais produzido pela vinícola, mas que já foi seu ícone: o Mayoral Syrah 2002. As notas frutadas e de especiarias ainda continuam por lá, mas agora já acompanhadas por adoráveis frutas secas e caixa de charutos. Juan Pablo me diz que "a maioria dos apreciadores "modernos" não gosta destas notas", por isso este vinho não é mais comercializado a não na própria vinícola para quem já o conhece ou amigos. Vinhaço.
Nota VS: 17/20
Provamos ainda alguns outros vinhos mais antigos da vinícola - que por estarem sem rótulo se tornaram inviáveis de se comentar aqui - que comprovaram a consistência destes produtos e sua vocação para longa guarda. E foi assim. Mais uma excelente visita que deixa muitas saudades é ótimas recordações da Cidade do Sol e sua gente. Obrigado pela oportunidade e pela amizade, Hacienda del Plata.
Bodega Hacienda Del Plata
Por que visitar?
Recepção extremamente amável por membros da própria família.
Ótima opção para comprar vinhos de excelente relação qualidade-preço.
Reservas direto com carolina.haciendadelplata@gmail.com
A Casarena
é muito mais conhecida no Brasil pelo nome de uma das linhas de vinhos, a
Ramanegra, mas a história da vinícola mendocina vai muito além.
A
antiga Bodega Carlos Bertona foi fundada em 1937 e passou por longos anos de
quase ostracismo até ser comprada e completamente remodelada em 2007, onde
recebeu o nome que é uma referência à “Casa de arena” (Casa de Areia), cor
original do grande galpão da vinícola e que os atuais donos fizeram questão de
manter para preservar uma certa originalidade e, porque não, um certo
saudosismo.
O
empreendimento é bastante interessante e a vinícola, localizada em Luján de
Cuyo, está praticamente colada aos seus 4 vinhedos - área cultivada de
aproximadamente 160ha - de idade entre 5 e 80 anos, onde se produz Malbec, Cabernet
Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc y Chardonnay.
Guiados
pelo simpático Rodrigo Piriz, conhecemos um pouco das instalações, onde tivemos
a oportunidade de provar alguns vinhos diretamente dos tanques e também conversar
um pouco com uma das enólogas da vinícola, Paula Gonzalez, que, além de
compartilhar um pouco de sua experiência conosco, também nos contou um pouco
sobre um novo projeto da Casarena, um vinho ícone – ainda sem nome –, que
pudemos provar em processo final de afinamento em tanque pequeno de aço e nos
pareceu muito bom. Acompanhe no vídeo a seguir.
Depois deste pequeno tour pela Bodega, fomos à sala de degustações para provar alguns vinhos que já estão no mercado, cujas impressões estão na sequência.
Ramanegra Reserva Malbec 2012
Com 12 meses de afinamento em barricas francesas de 2º uso, apresenta um nariz de frutado maduro, típico dos Malbecs. Na boca é redondo, com acidez média e final agradável.
Nota VS: 16/20
Preço Brasil: R$ 82,00
Ramanegra Reserva Red Blend 2012
Corte de 70% Malbec, 20% Cabernet Sauvignon, 7% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot é uma verdadeira bomba de frutas, tanto no nariz, quanto na boca. Mescla muito interessante de frutas vermelhas e negras com madeira muito integrada. Boca muito madura com final agridoce.
Nota VS: 17/20
Preço Brasil: R$ 82,00
CF Lauren´s Vineyard 2011
Com 18 meses de afinamento em barricas de 1º uso, este Cabernet Franc é uma das grandes "promessas" de Mendoza, principalmente por sair do lugar comum da Malbec. Concentrado e complexo, seus taninos firmes e maduros aliados à excelente acidez o colocam como ótima opção para guarda. Persistência muito longa.
Nota VS: 17,5/20
Preço Argentina: AR$ 260,00 (TOP 10 Mendoza 2014)
Preço Brasil: R$ não disponível
E foi assim.
Bodega Casarena
Por que visitar?
- Bodega com grande história na vitivinicultura mendocina.
Desde
o último fevereiro, a Bodega Sin Fin se torna mais uma interessante opção de
visitação no departamento de Maipu, em Mendoza.
A
família que faz parte do mundo do vinho desde 1975, quando começou com produção
de uvas – são 120ha de vinhedos - e há 10 anos produz seu próprio vinho, agora
abre as portas da bodega para visitas, degustações e eventos, tendo como
gerente de turismo o experiente Luciano Rudman, um velho amigo mendocino que
conta com o know-how de diversos anos de experiência na Trapiche e um excelente
domínio da língua portuguesa.
Luciano
começa a visita nos contando um pouco sobre a história do nome Sin Fin, que
possui dois sentidos. O primeiro deles, claro, é “sem fim” para indicar que o
projeto familiar é algo já enraizado na família e pretende-se que não acabe. O
segundo é que Sinfin é também o nome do famoso parafuso de Arquimedes, presente
em diversas máquinas da indústria vitivinícola.
A
Sin Fin trabalha em hoje basicamente com duas frentes de produção. Uma de vinho
corrente, com produção de 4,5 milhões de litros/ano vendido a granel e outra de
vinhos finos, que está dividida em 4 “categorias”: Especiais, Guarda, Gran
Guarda e Guarda de Família, das quais pudemos provar alguns durante a
degustação realizada na linda cava da bodega.
SinFin Rosé Nature
Espumante método tradicional, corte de 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay, do qual foram produzidas apenas 1500 garrafas.
Apesar de ser um rosé, possui coloração mais para o dourado, aromas de frutas tropicais com uma pitada de morango e certa elegância com muitas notas de fermento. Na boca é elegante, mas sinto que falta um pouco mais de acidez. Leve amargor residual.
Nota VS: 14,5/20
Preço Argentina: AR$ 160,00
SinFin Guarda Sauvignon Blanc 2013
Passamos para a linha guarda começando por este SB da safra 2013, que mostrou bons aromas de fruta tropical madura, um pouco mais parecido com um Chardonnay e bem diferente do “padrão SB chileno”, muito comum no Brasil. Na boca a textura mantecosa - não tem nenhum contato com madeira – se dá por conta da fermentação malolática e vem acompanhada de um bom conjunto fruta-acidez.
Nota VS: 15/20
Preço Argentina: AR$ 80,00
SinFin Guarda Bonarda 2011
Interessante vinho que foi produzido por um “blend” de Bonardas de duas regiões, sendo 90% local (Maipu) e 10% de Tupungato (Vale do Uco). Outro ponto que chama à atenção na linha Guarda (nos vinhos tintos) é o uso de ripas novas de carvalho nos tanques, que passam 8 meses em contato com o vinho1.
No nariz apresenta notas de tostagem que lembram algo dos vinhos Pinotage sulafricamos acompanhadas por bom frutado. É um vinho sem grandes pretenções, mas de muito boa qualidade, com boa acidez e final bastante agradável.
Nota VS: 15,5/20
Preço Argentina: AR$ 90,00
1Este processo está se popularizando mundo afora e pudemos vê-lo em diversas vinícolas de Mendoza. Parece interessante, pois, além de ser muito menos custoso que o uso de barricas, dá ao enólogo uma maior possibilidade de controle do volume de vinho que entra em contato com madeira, podendo assim produzir vinhos com um conjunto madeira-fruta mais voltado ao frescor e vivacidade.
SinFin Guarda CS 2011
Aromas de tosta semelhante ao do Bonarda, agora acompanhadas por toques herbáceos e groselha. Boca muito agradável, com um frutado sutil, muito diferente da agressividade que alguns CS mundo afora mostram. Mostra certa complexidade com taninos maduros, ótima acidez e final médio-longo. Muito redondo e excelente no quesito vontade de continuar bebendo.
Nota VS: 16/20
Preço Argentina: AR$ 90,00 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
SinFin Gran Guarda Malbec 2009
Passamoa agora para a linha Gran Guarda, que possui afinamento de 12 meses em barricas de carvalho americano e francês.
Este Malbec é aquilo que definimos como “uma bomba de frutas” no nariz, ainda com muitas notas de chocolate, côco e caramelo. Na boca, temos a sensação de comer um bombom de chocolate com frutas frutas vermelhas, permeado por ótima acidez, terminando com um final agridoce muito gostoso que lhe confere grande nota no quesito vontade de continuar bebendo. Um Malbec um pouco diferente da média dos mendocinos.
Nota VS: 16,5/20
Preço Argentina: AR$ 165,00
Convidei Luciano Rudman para falar um pouco sobre os vinhos da Sin Fin, mas especialmente dos vinhos da linha Guarda, cuja relação qualidade-preço é muito interessante e deve agradar em cheio o paladar dos brasileiros assim que chegar por aqui. Veja o vídeo.
E foi assim.
Bodega Sin Fin
Por que visitar?
- Instalações
modernas e uma linda cave onde se faz a degustação.
- Ótima
opção para comprar vinhos de excelente relação qualidade-preço.
Localizada no departamento de Maipu - Mendoza a Cava Ave Maria
Purisima é uma espécie de quartel general de Karim Mussi, enólogo e dono da Bodega Alto Cedro, além de consultor e parceiro em vários outros projetos do mundo do vinho mendocino. A proposta da Cava é bastante interessante. Proporcionar visitas guiadas (exclusivamente com reservas) onde o turista escolhe um dos seis programas oferecidos (com preços entre US$ 19 e US$ 29) e assim pode conhecer não somente vinhos da Altocedro, mas também da Abras, Los Poetas, Alpasión, Alandres e Angulo Innocenti, bodegas de diversas regiões da Argentina. A Cava ainda conta com Winebar onde se pode degustar das 14h às 16h30 (sem reserva) em taça ou garrafas quase todos os vinhos das vinícolas mencionadas acima. Para visitas, basta entrar em contato com a simpática Dibe Montaña (informações abaixo) e agendar.
Para completar a vasta gama de opções, recentemente foi inaugurado numa linda casa antiga junto à Cava, o restauranteCasa Coupage, uma filial do restaurante de Buenos Aires, dos donosInés Mendieta e Michele Aretini, que segue a mesma linha da matriz, umrestaurante a portas fechadas, sem cartazes ou informações na porta que recebe os clientes somente com reserva prévia para uma experiência que está baseada essencialmente na harmonização entre comida e vinho. O cliente pode optar por um menu de 3, 5 ou 7 vinhos acompanhados por um prato principal ou um menu degustação ou ainda escolher um vinho numa carta com mais de 70 opções para acompanhar sua refeição. No inverno abre de segunda a sexta para almoço e sábados para o jantar. A partir da primavera a ideia é abrir todos os dias, mas não se esqueça, sempre com reserva prévia! Embalados pela nossa visita à Cava, aproveitamos para conhecer o Casa Coupage e testar algumas harmonizações com os vinhos da Altocedro.
A Bodega Altocedro
A
Altocedro nasceu com Mario Mussi, pai de Karim, que comprou uma vinícola centenária rodeada
por cedros em La Consulta (Vale do Uco) há mais de 30 anos e investiu principalmente na exportação de mosto
sulfitado.
A partir de 1999, Karim, recém formado em
enologia assume os negócios da família para mudar de vez os rumos da produção que, partir daí, passa para os vinhos de alta qualidade.
Em
2001 a vinícola coloca no mercado sua primeira safra e em pouco tempo, Karim se
torna um dos enólogos mais promissores da Argentina, fato comprovado pelas
inúmeras premiações que seus vinhos recebem ano após ano.
Karim fez questão de receber pessoalmente o blog Vinho SIM para apresentar alguns rótulos da Altocedro, momento em que pudemos compreender um
pouco da sua paixão pelos seus vinhos e, principalmente, pelo “seu” terroir em La
Consulta, de onde vem suas uvas, tanto de um vinhedo próprio,como de uvas da melhor qualidade adquiridas de vinhedos com idade entre 15 e mais de 100 anos.
Vamos aos seus vinhos.
Altocedro Año Cero Tempranillo 2012
Año Cero é a linha de entrada da vinícola mas, diferentemente de muitas vinícolas que possuem uma linha de vinhos simples e puramente frutados, esta já é uma linha com produção diferenciada, com rendimento de 2kg de uvas por planta e passagem de 30% do vinho por 8 meses em barricas de carvalho francês.
Este tempranillo de micro região de El Cepillo (solo aluvional muito pouco pedregoso) foi uma das grandes surpresas desta nossa passagem por Mendoza (mais de 250 vinhos provados) mostrando, no nariz uma grande quantidade de frutas vermelhas maduras e compotadas e belas notas tostadas. Na boca tem entrada levemente adocicada, macia, passando por algo mineral, meio salgado, algo que lembra conservas de cogumelos champignon. Termina com boa acidez, dando uma sensação agridoce que o coloca como um belo exemplar no quesito “vontade de continuar bebendo”.
Nota VS: 16,5/20
Preço Argentina: AR$ 120 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
Preço Brasil: ~ R$ 75,00
Altocedro Año Cero Malbec 2012
No nariz apresenta-se floral com boa presença de frutas negras. Na boca tem bom equilíbrio com um final levemente adocicado, como é típico dos Malbecs mendocinos.
Nota VS: 15,5/20
Preço Argentina: AR$ 120,00
Preço Brasil: ~ R$ 75,00
Altocedro Año Cero CS 2012
Não é de hoje que bato na tecla que os melhores vinhos de Mendoza são os produzidos com Cabernet Sauvignon e os provados da região de La Consulta me parecem ainda mais distintos, com muita personalidade.
Este Año Cero 2012 é exatemente isso. Tem um conjunto pimentão verde-menta-groselha muito bem integrado com a madeira. Na boca tem ótima acidez, que equilibra a fruta, taninos maduros e um final médio-longo.
Nota VS: 16/20
Preço Argentina: AR$ 120,00 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
Preço Brasil: ~ R$ 75,00
Altocedro La Consulta Select 2012
Considerado um vinho de linha intermediária da vinícola (veja vídeo a seguir), este corte 42% Malbec, 27% Cabernet Sauvignon, 22% Tempranillo e 9% Syrah passou 12 meses por barricas de carvalho francês desde novas até 4º uso.
Nariz refinado, com muitas notas defumadas acompanhadas por frutas vermelhas e negras compotadas e certa complexidade. Na boca mostrou-se muito redondo e opulento, com ótima acidez, apesar de um final levemente adocicado. Final bem longo e gostoso, cheio de fruta, evoluído. Outro campeão no quesito vontade de continuar bebendo.
Nota VS: 17,5/20
Preço Argentina: AR$ 250,00 Preço Brasil: não disponível
Altocedro Reserva Malbec 2012
Blend de Malbec, com uvas das regiões de Altamira, Chacon e Cepillo de plantas cuja produção média é de 1,2kg. Passou 18 meses por barricas de carvalho francês que lhe aportaram muitas notas de chocolate e baunilha, além de um fundo frutado muito sedutor. Na boca, confirma o frutado com chocolate e não possui aquela entrada doce típica dos Malbecs de Mendoza, equilibrado por uma ótima acidez. Os taninos bem maduros e o final longo, completam o conjunto refinado do vinho.
Nota VS: 17/20
Preço Argentina: AR$ 350,00 Preço Brasil: não disponível
Convidei Karim para falar um pouco sobre sua linha de vinhos e principalmente sobre o La Consulta Select 2012, que foi o vinho que mais me chamou à atenção durante a degustação. Ele gentilmente atendeu à solicitação do Vinho SIM, que você pode ver no vídeo a seguir:
E foi assim.
Cava Ave Maria Purissima
Por que visitar?
- Diversos programas interessantes para turistas. - Possibilidade de provar vinhos de diferentes terroirs e de projetos diferenciados. - Comprar vinhos de excelente relação qualidade-preço. - Almoçar no Casa Coupage.