Mostrando postagens com marcador Bodega. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bodega. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Bodega Casarena (Mendoza 2014)


A Casarena é muito mais conhecida no Brasil pelo nome de uma das linhas de vinhos, a Ramanegra, mas a história da vinícola mendocina vai muito além.

A antiga Bodega Carlos Bertona foi fundada em 1937 e passou por longos anos de quase ostracismo até ser comprada e completamente remodelada em 2007, onde recebeu o nome que é uma referência à “Casa de arena” (Casa de Areia), cor original do grande galpão da vinícola e que os atuais donos fizeram questão de manter para preservar uma certa originalidade e, porque não, um certo saudosismo.

O empreendimento é bastante interessante e a vinícola, localizada em Luján de Cuyo, está praticamente colada aos seus 4 vinhedos - área cultivada de aproximadamente 160ha - de idade entre 5 e 80 anos, onde se produz Malbec, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc y Chardonnay.

Guiados pelo simpático Rodrigo Piriz, conhecemos um pouco das instalações, onde tivemos a oportunidade de provar alguns vinhos diretamente dos tanques e também conversar um pouco com uma das enólogas da vinícola, Paula Gonzalez, que, além de compartilhar um pouco de sua experiência conosco, também nos contou um pouco sobre um novo projeto da Casarena, um vinho ícone – ainda sem nome –, que pudemos provar em processo final de afinamento em tanque pequeno de aço e nos pareceu muito bom. Acompanhe no vídeo a seguir.



Depois deste pequeno tour pela Bodega, fomos à sala de degustações para provar alguns vinhos que já estão no mercado, cujas impressões estão na sequência.


Ramanegra Reserva Malbec 2012

Com 12 meses de afinamento em barricas francesas de 2º uso, apresenta um nariz de frutado maduro, típico dos Malbecs. Na boca é redondo, com acidez média e final agradável.

Nota VS: 16/20

Preço Brasil: R$  82,00


Ramanegra Reserva Red Blend 2012

Corte de 70% Malbec, 20% Cabernet Sauvignon, 7% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot é uma verdadeira bomba de frutas, tanto no nariz, quanto na boca. Mescla muito interessante de frutas vermelhas e negras com madeira muito integrada. Boca muito madura com final agridoce.

Nota VS: 17/20

Preço Brasil: R$  82,00





CF Lauren´s Vineyard 2011

Com 18 meses de afinamento em barricas de 1º uso, este Cabernet Franc é uma das grandes "promessas" de Mendoza, principalmente por sair do lugar comum da Malbec. Concentrado e complexo, seus taninos firmes e maduros aliados à excelente acidez o colocam como ótima opção para guarda. Persistência muito longa.

Nota VS: 17,5/20

Preço Argentina: AR$  260,00 (TOP 10 Mendoza 2014)
Preço Brasil: R$ não disponível


E foi assim.

Bodega Casarena

Por que visitar?

Bodega com grande história na vitivinicultura mendocina.

Produção anual (vinhos finos): 1,2 milhões litros
Importador no Brasil: Magnum (visitar site)

Avaliação VS

 Clique para ler os critérios de avaliação


Que Baco nos ilumine!

Artigos Relacionados






terça-feira, 12 de agosto de 2014

Bodega Bouza (Uruguai)


Nos últimos anos, visitar a Bodega Bouza já virou programa obrigatório em Montevidéu.

Proximidade do centro da cidade, ótimos vinhos, uma bela coleção de carros e um restaurante com linda vista e um cardápio bem variado são um conjunto interessante de atrativos para atrair os turistas até a famosa bodega uruguaia.

A vinícola é um empreendimento familiar sediada numa construção de 1942 que foi completamente restaurada em 2002, onde se manteve o máximo da estrutura inicial, que dá um tradicional-moderno bem bacana para as visitas.

Hoje são pouco menos de 30ha de vinhedos de Chardonnay, Albariño, Tempranillo, Merlot e Tannat, dos quais me chama mais à atenção as parcelas (quartéis) de meio hectare, que dão origem a vinhos únicos denominados Parcelas Única - vinhos que vêm recebendo altas notas, tanto da crítica, como dos consumidores -, como é o caso dos já consagrados Tannat B6 e Tannat A6, do saboroso Tannat B2, que pudemos provar nesta visita e da novidade Tempranillo B15. A letra que vem a frente do número (A ou B) é uma referência aos vinhedos, A para uvas de vinhedos localizados junto à sede da vinícola e B para os vinhedos de Las Violetas (Canelones).

A visita guiada, que além de passar pelo vinhedo, bodega e cava, também dá direito a conhecer um pequeno museu - onde há uma coleção de carros e motos antigos da família -, é altamente recomendada, principalmente para entrar no clima e se preparar para a degustação e, se tiver oportunidade, o almoço (ou ainda o almoço-degustação) com uma das vistas mais bonitas de Montevidéu.

 

O Blog Vinho SIM esteve na Bouza e, conduzidos pela Cristina Santoro, provamos alguns vinhos da vinícola, cujos destaques estamos comentados a seguir.


Bouza Albariño 2012

Casta muito pouco explorada na América do Sul e que vem dando alguns bons frutos no Uruguai, como é o caso deste exemplar com um conjunto fruta-acidez muito equilibrado. Seu preço no Brasil não é dos mais atrativos, mas, sem dúvida, é um vinho de muita qualidade e personalidade
Nota: 15,5/20
Preço Brasil: R$ 108,00

Bouza Tannat 2012

Para mim, uma das melhores relações qualidade-preço do mercado brasileiro. Um Tannat aromático e vivo, com muito boa acide e perfeita integração dos 10 meses de carvalho americano e francês com a fruta. Elegante e com certa complexidade. Taninos maduros e final longo.
Nota: 16/20
Preço Brasil: R$ 78,00

Bouza Tannat B2 2011

De uma categoria superior à do vinho anterior e 14 meses de barricas novas de carvalho americano, este vinho é, certamente um dos melhores Tannats do Uruguai, com muitas notas defumadas e doces, provenientes do envelhecimento em carvalho, mas sem perder a fruta e vivacidade típica dos vinhos do nosso vizinho.
Nota: 17/20
Preço Brasil: não disponível.

Bouza Monte Vide Eu Tannat B2 2011

Um ícone, este vinho é um corte de 50% Tannat, 30% Merlot e 20% Tempranillo, todas das melhores parcelas da vinícola, vinificadas de forma separada com passagem por barricas francesas e americanas entre 8 e 14 meses. Este vinho, cujo nome praticamente se confunde com a história do vinho uruguaio, é uma grande explosão de aromas e sabores, trazendo muita fruta negra com toques de especiarias, baunilha, chocolate e café em abundância. Na boca é denso e sedoso, com uma ótima acidez que confere ao vinho uma grande avaliação no quesito “vontade de continuar bebendo”.
Nota: 17,5/20
Preço Brasil: R$ 242,00.

Por que visitar?

Tour muito instrutivo com direito a conhecer o mini museu de carros e motos antigas.
Restaurante com ótimas opções de pratos e vinhos.

Importador no Brasil: Decanter.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Bodega Sin Fin (Mendoza 2014)


Desde o último fevereiro, a Bodega Sin Fin se torna mais uma interessante opção de visitação no departamento de Maipu, em Mendoza.

A família que faz parte do mundo do vinho desde 1975, quando começou com produção de uvas – são 120ha de vinhedos - e há 10 anos produz seu próprio vinho, agora abre as portas da bodega para visitas, degustações e eventos, tendo como gerente de turismo o experiente Luciano Rudman, um velho amigo mendocino que conta com o know-how de diversos anos de experiência na Trapiche e um excelente domínio da língua portuguesa.

Luciano começa a visita nos contando um pouco sobre a história do nome Sin Fin, que possui dois sentidos. O primeiro deles, claro, é “sem fim” para indicar que o projeto familiar é algo já enraizado na família e pretende-se que não acabe. O segundo é que Sinfin é também o nome do famoso parafuso de Arquimedes, presente em diversas máquinas da indústria vitivinícola.

A Sin Fin trabalha em hoje basicamente com duas frentes de produção. Uma de vinho corrente, com produção de 4,5 milhões de litros/ano vendido a granel e outra de vinhos finos, que está dividida em 4 “categorias”: Especiais, Guarda, Gran Guarda e Guarda de Família, das quais pudemos provar alguns durante a degustação realizada na linda cava da bodega.


SinFin Rosé Nature

Espumante método tradicional, corte de 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay, do qual foram produzidas apenas 1500 garrafas.
Apesar de ser um rosé, possui coloração mais para o dourado, aromas de frutas tropicais com uma pitada de morango e certa elegância com muitas notas de fermento. Na boca é elegante, mas sinto que falta um pouco mais de acidez. Leve amargor residual.

Nota VS: 14,5/20

Preço Argentina: AR$ 160,00

SinFin Guarda Sauvignon Blanc 2013


Passamos para a linha guarda começando por este SB da safra 2013, que mostrou bons aromas de fruta tropical madura, um pouco mais parecido com um Chardonnay e bem diferente do “padrão SB chileno”, muito comum no Brasil. Na boca a textura mantecosa - não tem nenhum contato com madeira – se dá por conta da fermentação malolática e vem acompanhada de um bom conjunto fruta-acidez.

Nota VS: 15/20

Preço Argentina: AR$ 80,00


SinFin Guarda Bonarda 2011


Interessante vinho que foi produzido por um “blend” de Bonardas de duas regiões, sendo 90% local (Maipu) e 10% de Tupungato (Vale do Uco). Outro ponto que chama à atenção na linha Guarda (nos vinhos tintos) é o uso de ripas novas de carvalho nos tanques, que passam 8 meses em contato com o vinho1.
No nariz apresenta notas de tostagem que lembram algo dos vinhos Pinotage sulafricamos acompanhadas por bom frutado. É um vinho sem grandes pretenções, mas de muito boa qualidade, com boa acidez e final bastante agradável.

Nota VS: 15,5/20

Preço Argentina: AR$  90,00

1Este processo está se popularizando mundo afora e pudemos vê-lo em diversas vinícolas de Mendoza. Parece interessante, pois, além de ser muito menos custoso que o uso de barricas, dá ao enólogo uma maior possibilidade de controle do volume de vinho que entra em contato com madeira, podendo assim produzir vinhos com um conjunto madeira-fruta mais voltado ao frescor e vivacidade.


SinFin Guarda CS 2011

Aromas de tosta semelhante ao do Bonarda, agora acompanhadas por toques herbáceos e groselha. Boca muito agradável, com um frutado sutil, muito diferente da agressividade que alguns CS mundo afora mostram. Mostra certa complexidade com taninos maduros, ótima acidez e final médio-longo. Muito redondo e excelente no quesito vontade de continuar bebendo.

Nota VS: 16/20

Preço Argentina: AR$ 90,00 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)


SinFin Gran Guarda Malbec 2009

Passamoa agora para a linha Gran Guarda, que possui afinamento de 12 meses em barricas de carvalho americano e francês.
Este Malbec é aquilo que definimos como “uma bomba de frutas” no nariz, ainda com muitas notas de chocolate, côco e caramelo. Na boca, temos a sensação de comer um bombom de chocolate com frutas frutas vermelhas, permeado por ótima acidez, terminando com um final agridoce muito gostoso que lhe confere grande nota no quesito vontade de continuar bebendo. Um Malbec um pouco diferente da média dos mendocinos.

Nota VS: 16,5/20

Preço Argentina: AR$ 165,00

Convidei Luciano Rudman para falar um pouco sobre os vinhos da Sin Fin, mas especialmente dos vinhos da linha Guarda, cuja relação qualidade-preço é muito interessante e deve agradar em cheio o paladar dos brasileiros assim que chegar por aqui. Veja o vídeo.


E foi assim.


Bodega Sin Fin

Por que visitar?

- Instalações modernas e uma linda cave onde se faz a degustação.
- Ótima opção para comprar vinhos de excelente relação qualidade-preço.

Produção anual (vinhos finos): 200 mil litros
Importador no Brasil: Não possui.

Avaliação VS

 Como avaliamos?

Que Baco nos ilumine!

Artigos Relacionados

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Bodega Dante Robino (Mendoza 2014)


O ano é 1920. Dante Robino chega à Argentina trazendo, diretamente do Piemonte – Itália, na bagagem mudas de Malbec e Bonarda que ajudariam a formar a identidade do que hoje é Mendoza. Começa aí a história de uma das bodegas de maior prestígio e sucesso da Argentina.

Já no ano de 1982, a família Squassini, também de descentes do Piemonte, assue o controle da bodega, incorporando novas técnicas e tecnologias na busca por vinhos de qualidade, incluindo aí um espaço reservado para produção de espumantes, pelo qual a bodega é muito reconhecida mundo afora.

Como grande fã de espumantes, o blog Vinho SIM foi visitar a Dante Robino e conhecer um pouco mais sobre a história da bodega e poder ver com nossos próprios olhos o belo trabalho que a vinícola mendocina vem fazendo.


Atualmente a vinícola tem uma produção estimada em 9 milhões dos quais metade é de espumantes ou vinho base para espumantes – que além de ser usado na própria vinícola é também vendido a terceiros -, sendo o Novecento, um espumante produzido por método tanque e de preço bastante acessível – principalmente no mercado interno, ocupa a maior fatia.

Como se pode ver, não só de espumantes vive a vinícola, tendo também uma produção bastante expressiva dos chamados “vinhos tranquilos”, dos quais a Bonarda e a Malbec são as grandes estrelas.

A busca por seus Bonardas, aliás, foi o outro grande motivo que nos levou a vinícola, os quais degustamos e comentaremos na sequência da matéria.

Entre os anos de 2007 e 2008 houve um grande investimento na estrutura da bodega para receber turistas da melhor forma, desde instalações mais adequadas até pessoal preparado para fazer da visita à Dante Robino uma experiência única.

Destaques da visita, as inúmeras obras de arte enfeitam os corredores, salas de barricas, antigos tonéis, enfim, estão por toda parte durante o tour

Outra novidade apresentada pela vinícola nos últimos tempos é a assessoria de Paul Hobbs, que se junta ao grupo de enólogos da Dante Robino aportando toda sua experiência para a otimização da produção da vinícola.

Como toda boa visita à uma bodega, não poderia faltar a degustação. Como mencionado, tínhamos foco nos Bonardas e espumantes da vinícola e, acompanhados pelo chefe de turismo Juan Manuel Masanas - que comenta um pouco sobre os Bonardas da Dante Robino no vídeo a seguir -, pudemos prová-los.


Espumante Novecento Rosé

Interessante corte de 90% Chardonnay com 10% Bonarda, que confere gostosas notas de frutas vermelhas e de flores ao vinho. Produzido pelo método tanque, permanece 30 dias em contatos com suas borras, período que fica evidente no paladar frutado e com alguma cremosidade.

Nota VS: 14,5/20

Preço Argentina: AR$ 80,00.
Preço Brasil: R$ 40,00.

Dante Robino Bonarda 2012

Da linha “Dante”, que apresenta vinhos com passagem aproximada de 6 meses por barricas francesas e americanas já usadas, este Bonarda -  produzido com uvas de vinhedos de idade média de 50 anos -, é um vinho bem frutado, com aromas adocicados e toques de ervas frescas e café. Corpo e acidez medianos e um fundo de amargor. Boa vocação gastronômica e final curto-médio.

Nota VS: 14,5/20

Preço Argentina: AR$ 80,00.
Preço Brasil: R$ 40,00


Gran Dante Bonarda 2011

De forma quase contraditória, as uvas deste vinho, ícone da vinícola, vêm de um vinhedo mais jovem que o anterior, implantados em 1997 no distrito El Marcado.
Apesar do rendimento de aproximadamente 6kg por planta (que é considerado alto para vinhos de topo de gama) este Bonarda é bastante concentrado, com muito destaque para os aromas de frutas vermelhas maduras desde sempre acompanhados pela presença de côco e notas tostadas provenientes dos 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho americano (a partir da safra 2013 será carvalho francês). Na boca é um vinho denso, que preenche com muita geleia de frutas vermelhas e uma excelente acidez. Taninos maduros e final longo. Sem dúvida é um vinho com grande potencial gastronômico, principalmente para a culinária italiana e suas massas acompanhadas de molhos untuosos e suculentos, preferencialmente com base de tomates.

Nota VS: 17,5/20

Preço Argentina: AR$ 260,00 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
Preço Brasil: R$ 215,00


Dante Robino Reserva Malbec 2012

Único vinho da linha “intermediária da vinícola” este Malbec com uvas de Luján tem passagem de 12 meses por barricas de carvalho americano de 2o e 3o uso e aromas típicos da Malbec mendocina, com boa presença de frutas negras e algum toque da madeira, bem integrada. Suas maiores virtudes certamente aparecem na boca, de ótimo volume, excelente acidez e algo mineral. A madeira aparece novamente muito integrada, dando um final muito equilibrado de fruta-acidez-madeira incomum para vinhos desta faixa de preço.

Nota: 16/20

Preço Argentina: AR$ 125,00.
Preço Brasil: não disponível.

E foi assim.


Dante Robino

Por que visitar?

- Bonitas obras de arte espalhadas pelo trajeto do tour.
- Interessantes peças antigas espalhadas pela vinícola.
- Oportunidade de conhecer Bonardas de estilo próprio, de muita qualidade.
- Comprar vinhos com excelente relação qualidade-preço.  

Avaliação VS

 Como avaliamos?
Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Domaine St. Diego (Mendoza - Argentina)

 

Em meados de julho deste ano (2014) retornei à Mendoza com minha parceira Talita Martinez com o objetivo de organizar uma degustação de espumantes brasileiros e argentinos (Desafio Brasil x Argentina de Espumantes) e conhecer mais algumas vinícolas da Cidade do Sol.
Desde então coletei material com amigos do Brasil, na internet e, principalmente, pedi sugestões à amigos mendocinos. Deste último grupo, a sugestão que mais ouvi foi Domaine St. Diego.

Organizado o plano de visitas, lá estávamos nós na vinícola cujo enólogo principal é também um dos principais nomes da enologia mendocina: Ángel Mendoza, que tivemos a feliz oportunidade de conhecer.

Don Ángel vive o vinho mendocino há diversas décadas, tendo trabalhado como enólogo principal da Bodega Trapiche por longo tempo, período em que sempre nutriu a vontade de produzir seu próprio vinho, projeto que começou a colocar em prática em 1992, quando comprou a propriedade de 3,5ha em Lunlunta, no distrito de Maipu, Mendoza.

O tour à Bodega St. Diego, que é organizado pela Laura, filha do sr. Ángel e responsável pelo turismo da vinícola, é muito instrutivo e interessante, já que há muitas curiosidades e técnicas que são praticamente exclusivas de Don Ángel e seu Domaine St. Diego. Dentre as muitas informações recebidas, algumas nos chamaram bastante atenção. Vejamos algumas.

A vinícola trabalha o vinhedo de forma a ter em cada planta dois níveis de fruta, o primeiro mais abaixo, a uns 50cm do chão e o segundo um pouco mais alto.


Justamente por termos feito a visita no inverno, é possível ver perfeitamente os "braços" das videiras em dois níveis

Laura nos contou que isso se dá por dois motivos. O principal é para aumentar um pouco a produção já que a propriedade não tem mais para onde crescer. O segundo motivo é proteger parte da produção caso haja geadas durante o inverno, pois assim o nível mais alto não se queima e a perda é minimizada.

Outro ponto interessante da visita fica por conta do espaço compartilhado entre videiras e oliveiras, que já estavam na propriedade quando foi adquirida e foram preservadas.


Essa situação causa um pequeno “problema”. As oliveiras fazem sombra em algumas videiras prejudicando o amadurecimento das uvas, mas uma solução muito criativa foi encontrada pelo brilhante enólogo: usar estas uvas para produzir espumantes. Isso mesmo, as uvas que amadurecem menos por estarem em sombras das oliveiras são usadas para a produção de dois espumantes. E será que são bons? Ahhh, o Desafio Brasil x Argentina de Espumantes, idealizado pelo blog Vinho SIM este ano em Mendoza pode responder essa pergunta.

O terceiro ponto interessantíssimo a notar durante a visita é um vinhedo especial implantado numa encosta – provavelmente a única em Mendoza -, com plantas de aproximadamente 20 anos de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Malbec usadas para a produção do Paradigma, um vinho sem passagem por barrica e com guarda estimada em 10 anos.


O quarto e último - é claro que existem muitos outros - ponto interessante é o tipo de comercialização que a vinícola faz de seus vinhos. Para conseguir uma das 35000 garrafas produzidas anualmente há uma única forma: tocar a campainha da propriedade e comprar diretamente na Domaine St. Diego! Os vinhos não são exportados e nem são colocados em vinotecas, restaurantes, empórios, etc a não ser que estes estabelecimentos os comprem diretamente lá, como qualquer outra pessoa.

Terminada a aula sobre vinificação mendocina, partimos para a degustação, onde pudemos provar 4 vinhos, além do azeite que a propriedade também produz.


Domaine St. Diego Brut Elea

Rosado 100% Malbec, produzido pelo método tanque com 8 horas de maceração. Muita fruta fresca, boa acidez e boa cremosidade.
Preço Argentina: 90 pesos na bodega. 
Nota: 14/20

Pura Sangre Brut Xero

Espumante produzido pelo método tradicional (18 meses de contato com as borras) com 30% Chardonnay e 70% Blanc de Noir Malbec com uvas de vinhedos com mais de 100 anos e leveduras indígenas, prduzidas na prória vinícola. Nariz muito perfumado, com toques de flores e frutas tropicais, além de alguma presença de cereja. Na boca tem ótima integração acidez-fruta e cremosidade. Um final que lembra um amargor típico de casca de laranjas. Lembra muito um cremant.
Preço Argentina: 90 pesos na bodega.

Paradigma 2010

Corte de 60% Malbec, 20% Cabernet Franc e 20% de uma parcela única da propriedade (encosta) e sem passagem por barricas de carvalho.
O nome Paradigma, segundo Don Ángel, vem da ideia de se quebrar o paradigma de que grandes vinhos devem ter, necessariamente, passagem por barricas.
O destaque deste vinho é conjunto de frutas vermelhas e negras, entre frescas e maduras, com uma bela acidez e um toque de rusticidade bastante interessante, que o tornam um vinho único, cheio de personalidade. Segundo o enólogo, possui um potencial de guarda de 10 anos.
Nota: 16,5/20
Preço Argentina: 90 pesos na bodega (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)

Pura Sangre 2009

Corte de 80% Malbec + 20% CS com 2 anos de passagem por barricas de 2º, 3º e 4º uso.
Nariz um pouco tímido com notas defumadas/salgadas e algo animal. Na boca é muito agradável, ocupando todos os espaços com bastante fruta e elegância. Boa acidez e final longo.
Nota: 16/20
Preço Argentina: 90 pesos na bodega (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)

Por que visitar?

- Oportunidade de conhecer a história do sr. Angel Mendoza na vitivinicultura mendocina.
- Único vinhedo de Mendoza plantado numa encosta (100% das uvas usadas na produção do Paradigma).
- Provar espumantes produzidos com Malbecs plantadas embaixo de oliveiras.
- Comprar vinhos que não estão no Brasil.

 Veja como é feita esta avaliação

Produção anual: 35 mil litros
Importador no Brasil: não possui.

Que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?