sexta-feira, 2 de maio de 2014

Anota aí: Workshop de vinhos 2014 da Adega & Empório ABC, em Santo André


A Adega & Empório ABC, em Santo André, em parceria com grandes importadoras, apresenta mais uma vez um dos grandes eventos sobre vinhos do região do ABC:  o Workshop de Vinhos 2014.

O evento deste ano ganhou corpo (relembre as edições anteriores) e contará com ótimos exemplares de grandes vinícolas do mundo, oportunidade única no ABC de provar e comprar vinhos como o Brioso e o Signature, da argentina Susana Balbo, o Vértice, da chilena Ventisquero, o Notios Red, produção da vinícola Gaia na Grécia, o Selecion Especial, da espanhola Gran Feudo, o Valpolicella Superiore, da italiana Villa Spinosa, dentre muitos outros, que podem ser visualizados aqui.

Se as edições anteriores já foram muito interessantes, a deste ano promete ser ainda melhor, possivelmente a melhor oportunidade para preparar seu estoque de vinhos para o inverno que se aproxima.

Onde? Adega & Empório ABC, na Rua Lino Jardim, 854 – Santo André. Contato: (11) 4432-3813

Quando? 09/05 - das 18h00 às 22h00 e 10/05 - das 15h00 às 19h00

Quanto? R$ 120,00 por pessoa, convertidos compras, mais 2kg de alimentos não perecíveis que serão doados a Associação Beneficente Criança Cidadã.

Imperdível para os "ABCeenses", que vivem reclamando das poucas opções na região! Não percam!

Nos vemos por lá e

que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Lançamento do Dunamis Tannat 2012

 

Por Talita Martinez
(colunista do Vinho SIM)

Na noite da última quarta-feira (16/04) foi realizado no estúdio YB Music, em São Paulo, o lançamento do novo vinho da vinícola Dunamis, o Tannat 2012.

A ocasião foi uma ótima oportunidade de conhecermos os jovens enólogos da Dunamis, Thiago Peterle e Vinicius Cercato, e assim entender um pouco mais do conceito do vinho e, principalmente, do porquê de lançar ao mercado um Tannat, com tantas ótimas opções do Uruguai à disposição.

Segundo os enólogos, as primeiras parreiras de Tannat na propriedade em Campanha - RS foram plantadas em 2002, e desde então houve várias tentativas de produzir esse varietal, mas, ano a ano, muitos problemas foram enfrentados, como geadas, chuvas, safras não tão boas, até que finalmente a safra 2012 conseguiu ser adequada aos objetivos da vinícola: produzir um vinho com personalidade, com características próprias, diferente dos famosos Tannats dos nossos vizinhos.

A ideia de um Tannat descompromissado, que pode ser bebido a qualquer hora e em qualquer ocasião, é interessante, pois trata-se de uma uva peculiar, que geralmente leva a vinhos muito fortes e estruturados. Antes de provar o vinho, a dúvida que surgiu foi se esse vinho conseguiria manter a tipicidade da uva, dada a intenção de ser um vinho “fácil”.

O Dunamis Tannat 2012 passou 12 meses em barricas de carvalho americano e mais um ano em garrafa e chega ao mercado recebendo prêmio, ganhou a medalha de ouro no VII Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado de 8 a 11 de abril, em Bento Gonçalves.

Depois de entender um pouco do conceito do vinho, finalmente chegou a hora de prová-lo.

O momento foi bastante especial, pois o evento, que teve a sempre ótima organização da CH2A Comunicação, não se restringiu a uma prova do vinho e nos presenteou com uma fantástica apresentação musical: a indicada na categoria "Melhor cantora" ao Prêmio da Música Brasileira 2014, Blubell, acompanhada do saxofonista Hugo Hori, nos brindaram com um lindo show.

Thiago Peterle e Vinicius Cercato apresentam seu lançamento enquanto a cantora Blubell e o saxofonista Hugo Hori se preparam para a apresentação musical que viria a seguir

conclusão após a prova: o Tannat 2012 não é um vinho "fácil". Apesar de mais "leve" que a grande maioria dos Tannats encontrados no nosso mercado, ainda continua sendo um Tannat e, portanto, é bastante intenso. No nariz mostrou boa presença de frutas negras maduras e algum aroma que remete à couro, evidenciando ser um vinho brasileiro. Na boca, confirma bom frutado equilibrado por uma acidez presente, viva, e taninos macios. Apareceu também uma pontinha de amargor ao final, mas nada que atrapalhe sua harmonia. É certamente um vinho para acompanhar um bom churrasco, que deve agradar o público em geral.

A seguir, uma pitadinha do que foi o show da Blubell e Hugo Hori.


Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário abaixo.


Que Baco nos ilumine!

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - RVS 2014 - Categoria BRUT ROSÉ - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Seguindo os trabalhos no 2o dia de avaliações, passamos às avaliações dos espumantes da categoria Brut Rosé – Método Tradicional.

Este ano, houve a inscrição de 5 amostras nesta categoria, praticamente o mesmo número do ano passado e, como já acontecera em 2013 e também com os rosés produzidos pelo Método Tanque (Charmat) neste ano, esta categoria também agradou, novamente com espumantes cheios de personalidade, produzidos com cortes muito particulares, mais uma demonstração de coragem e ousadia dos nossos enólogos, muitas vezes tão criticados - por mim, inclusive - por vinhos previsíveis e cada vez mais padronizados.

Confesso que estava bastante curioso com esta categoria, já que as 4 amostras avaliadas da  Edição 2013 do RVS de Espumantes Nacionais (relembre) tiveram um ótimo desempenho.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Ressalto novamente que 70 vinícolas brasileiras foram convidadas para o RVS, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos, o que correspondeu a algo em torno de 25% das quase 80 amostras avaliadas, sendo os resultados completos enviados individualmente por e-mail aos produtores.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem que não necessariamente é fiel à qualidade. 

CATEGORIA BRUT ROSÉ – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Valmarino
Pinto Bandeira - RS
Sa e PN
R$ 35,00
15,4
2
Casa Valduga Blush 25 2011
Vale dos Vinhedos - RS
Ch e PN
R$ 45,00
15,3
3
Poesia do Pampa 2012
Don Pedrito – RS
Ge e PN
R$ 52,00
15,1

Em que

Sa: Sangiovese,
PN: Pinot Noir,
Ch: Chardonnay e
Ge: Gewürztraminer.

1.  Valmarino


A vinícola de Pinto Bandeira que já havia emplacado seu Valmarino & Churchill entre os melhores da categoria Extra Brut & Nature (relembre), “estreou com os dois pés direitos” no RVS. A consistência dos espumantes da Valmarino já não é de hoje, com produtos sempre destacados no mercado, mas este rosé realmente chama bastante à atenção. Primeiramente pelo corte de Sangiovese com Pinot Noir (será que existe outro espumante no mundo com esta combinação?) e depois pelo preço de R$ 35,00, o que o coloca, sem nenhuma dúvida, como uma das grandes compras no mercado brasileiro.
A descrição-resumo do painel de degustadores destacou aromas florais com toques de frutas vermelhas. Boca macia, redonda, com acidez na medida certa. Final sem amargor, limpo e de média persistência.

**** $$$


2.  Casa Valduga Blush 25


Um dos poucos “veteranos” de toda a prova que se manteve como destaque nas duas edições do RVS, o que mostra a consistência deste espumantes, avaliado ano passado em sua safra 2008 e este ano em sua safra 2011.

Não é novidade pra ninguém que a Casa Valduga é uma das principais vinícolas nacionais e produz espumantes que a cada dia cativam mais o mercado e este rosé com 25 meses de contato com suas borras já se mostra imediatamente após ser despejado na taça, com aromas suaves frutas vermelhas e uma pitada de pimenta. Intrigante e sedutor. Na boca apresenta-se leve, com boa acidez e equilibrado, além de boa persistência. O custo médio de R$ 45,00 é bastante convidativo.

**** $$$


3.  Guatambu – Poesia do Pampa Rosé


Outra vinícola que apresenta grande consistência com seus espumantes – o Poesia do Pampa Branco, por exemplo, foi o grande vencedor da categoria Brut Branco - Tanque da 1a Edição do RVS (relembre) -, a Guatambu, da região de Don Pedrito, na Campanha Gaúcha, acabou de lançar ao mercado seu Poesia do Pampa Rosé e o espumante “chegou chegando”, de cara já sendo destacado em meio a diversos produtos já consagrados no mercado. O corte de Gewürztraminer com Pinot Noir é, pelo menos para mim, muitíssimo inusitado e não conheço outro espumante produzido assim no mundo, o que já torna sua prova algo interessante, mesmo ao (não tão barato) custo médio de R$ 52,00.
A avaliação do painel destacou notas de morangos frescos e lichia na paleta aromática, boa fruta vermelha fresca e acidez viva na boca, assim como ótimo equilíbrio e persistência. Macio na boca, gostoso de beber.

*** $$$$

Conclusões

1. Houve uma ligeira queda nas notas médias deste ano em relação às da 1a Edição do RVS, entretanto a diferença entre a maior e a menor nota média entre todas as amostras de 2013 e 2014 foram muito próximas.
2. Neste ano tivemos a inscrição de amostras de 1 nova vinícola nesta categoria, o mesmo aumento no número de amostras. Parece pouco, mas para um “universo” tão pequeno, isto já representa 20% de aumento.
3. Assim como na categoria Brut Rosé Tanque (relembre), nesta categoria também apareceram produtos bem diferentes, onde a ousadia e criatividade se afloraram trazendo boas perspectivas de produtos cheios de personalidade para os próximos anos.

Repetindo as conclusões do artigo Brut Rosé – Método Tanque, fiquei bastante feliz com os resultados desta categoria e gostaria de deixar público meus parabéns por toda coragem dos nossos enólogos em produzir espumantes com tanta personalidade.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

Nos próximos dias o resultado das categoria Brut Branco – Método Tradicional estarão disponíveis aqui, bem como artigos com os destaques gerais, destaques na relação qualidade-preço e considerações gerais acerca dos espumantes nacionais.

Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário aqui em baixo.

Que Baco nos ilumine!


Matérias relacionadas (demais resultados):

 RVS 2014: Brut Branco - Método Tanque

 RVS 2014: Brut Rosé - Método Tanque

  RVS 2014: Extra Brut & Nature - Método Tradicional

sábado, 26 de abril de 2014

Vinho SIM completa 2 anos!

Neste mês de abril o blog Vinho SIM completa 2 anos!não foi fácil chegar aqui!

Fazer um blog que saia da mesmice das notas de degustações padronizadas, das avaliações tendenciosas, das opiniões politicamente corretas e, principalmente, que não fique em cima do muro nos principais assuntos deste "mundo do vinho", às vezes, dá um trabalhão e ocupa um tempo que, definitivamente, não disponho. Mas o prazer que a leitura de alguns comentários acerca de todo o trabalho traz é proporcional a isso tudo e completo esses 2 anos com grande prazer e a certeza de dever cumprido.

Quero deixar público os agradecimentos à galera que participou dos paineis de degustadores das edições 2013 e 2014 do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais, aos confrades da Confraria Vinho SIM e a todos que acompanham as matérias, criticam, comentam, sugerem, enfim a todos que colaboram de algum forma com o blog.

Para comemorar este aniversário de 2 anos, apresento uma novidade! A partir deste mês, a já colaboradora do blog desde o início, Talita Martinez, agora será colunista! A cobertura de alguns eventos, assim como dicas de gastronomia e harmonizações serão os principais temas abordados.

Espero que todos gostem das novas matérias e que continuem curtindo o blog Vinho SIM.

Um grande abraço e

que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Provei os "TOP 10" da Expovinis 2014. O resultado foi justo?


Na terça-feria 23/04, pela manhã, ainda antes da abertura oficial da Expovinis 2014, em evento realizado para alguns convidados, foi divulgado o resultado da eleição dos TOP 10 deste ano. Como sempre, os vinhos são classificados por categorias e avaliados por um conceituado painel de degustadores, que conta com alguns dos mais influentes nomes do mercado do vinho do Brasil.

Um pouco mais tarde, já na feira, fui atrás dos destaques para prová-los e assim poder confirmar (ou não) sua condição de “campeão”.

A tarefa não foi das mais simples, já que a gama de vinhos a provar era muito extensa, mas com alguma disposição e ajuda da nova colaboradora do Vinho SIM, Talita Martinez, conseguimos provar um número significativo de rótulos e assim construímos uma opinião relativamente bem parametrizada e objetiva sobre o TOP 10 2014.

E o resultado disso tudo?

Na categoria Espumante Nacional, o campeão foi o Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Gran Legado, região de Garibaldi - RS. Realmente é um ótimo espumante e consideramos o resultado justo, porém, durante a feira, provamos outros que consideramos mais interessantes, caso do lançamento da Aracuri e dos já consagrados produtos da Perini e da Campos de Cima.

Na categoria Espumante Importado, o Champagne Lanson Brut, do produtor Lanson, levou o prêmio. Consideramos esta avaliação a mais difícil, pois há grandes vinhos nesta categoria e a escolha ficou de bom tamanho.

Na categoria Branco Nacional, o Pericó Vigneto Sauvignon Blanc, da Vinícola Pericó, de Santa Catarina foi o destaque. Gostamos do vinho  e também gostamos de outros, porém nos chamou à atenção o fato de que nenhum deles nos encantou. Acreditamos que algumas das melhores amostras de vinhos brancos nacionais não estavam presentes na feira, o que prejudica a análise e, de forma, esvazia um pouco a conclusão de "melhor branco nacional".

Para a categoria Branco Importado, a escolha do Boschendal Elgin Chardonnay, do produtor Boschendal, da África do Sul, sem dúvida é muito boa, mas nosso preferido foi o Prelúdio Branco, da uruguaia Família Deicas, um dos destaques do excelente estande da Wines of Uruguai.

Na categoria Rosado, os vinhos do Loire passeiam quase sem concorrentes e, sendo asism, há muitas boas escolhas, dentre as quais o escolhido Remy Pannier Rose D’Anjou, do produtor Ackerman, Vale do Loire, França é, certamente, uma delas.

Na categoria Tinto Nacional foi onde houve a maior convergência entre o resultado do júri, o Guatambu Rastros do Pampa Tannat, do produtor Guatambu Estância do Vinho, região da Campanha Gaúcha e a nossa, do Vinho SIM, já que se trata realmente de um vinho muitíssimo qualificado, com atributos que certamente o colocam não somente como destaque entre os vinhos nacionais, mas sim entre os melhores da América do Sul, principalmente na sua faixa de preço.

Na categoria Tinto Novo Mundo a escolha foi para o Casillero del Diablo Devil’s Collection, da Viña Concha y Toro, Vale do Rapel, Chile. Nesta categoria encontramos uma grande dificuldade em definir um campeão. Não por falta de produtos de qualidade, mas sim pela semelhança entre muitos dos produtos dentre os mais destacados de várias vinícolas. A maioria dos chilenos e argentinos topo de gama apresentados na feira, mostram uma boa concentração de fruta, acidez média e muitos toques aromáticos e gustativos aportados pelo envelhecimento em madeira, um estilo que é cada vez mais universal e, infelizmente, torna os vinhos muito parecidos.
Considerando o exposto, cremos que a escolha do juri pode ser considerada adequada, embora nossos preferidos recaiam sobre os uruguaios de maneira geral, com destaques para os vinhos do produtores de Lucca e Narbona com seus vinhos autênticos e de estilo "rústico fino" muito interessantes. 

Na categoria Tinto Velho Mundo/Itália/França, entre outros a escolha do Le Vigne Di Sammarco Solemnis Primitivo Salento IGP, do produtor Le Vigne di Sammarco, região da Puglia, Itália também nos foi um pouco surpreendente, já que o vinho destacado, embora seja um ótimo produto, não nos impressionou. Nosso escolhido é o Brunello di Montalcino Riserva 2007 do produtor Collelceto (Elia Palazzesi), Itália.

Possivelmente na categoria Tinto Velho Mundo/Península Ibérica foi onde encontramos os produtos mais interessantes desta edição da Expovinis, com muitas novidades e vinhos bastante autênticos, muitos ainda sem importadora, mas que devem surgir nos catálogos em breve. Gostamos da escolha do júri, o Scala Coeli, da Adega Alentejana, região do Alentejo, Portugal, mas nossa escolha vai para Reserva 2008, da Comenda Grande, também da região do Alentejo, Portugal, apresentado pelos próprios donos da vinícola no estande da importadora Jobtotal.

Finalmente, na categoria Fortificados e Doces, cuja escolha do júri foi para o Andresen Porto White 10 Years, do produtor Andresen, região do Douro, Portugal, nossa escolha vi para o Porto Golden White Colheita 1971, da vinícola Dalva, Portugal. O pequeno estande da vinícola, aliás, é um dos pontos imperdíveis desta Edição da Expovinis.

Que conclusão pode-se tirar disso tudo?

Como acontece em todos os anos, há polêmicas no resultado oficial da Expovinis e, embora não tenhamos concordado com algumas escolhas, é prudente ponderar a dificuldade de avaliar tantas amostras e cravar um resultado final.

Para dúvidas, comentários, críticas e sugestão, deixe sua mensagem abaixo.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Confraria Vinho SIM - Março/2014: Sauvignon Blanc Novo Mundo!


Na noite da sexta-feria, dia 14/03, consegui (finalmente!) reunir um seleto grupo de enófilos, de alguma forma ligados à nossa região do ABC e em torno de um propósito em comum: provar vinhos com a possibilidade de discutir e estudar a partir do compartilhamento de experiências e impressões de cada um acerca de um tema específico.

Está retomada a Confraria Vinho SIM (CVS), uma ideia que se iniciou ainda em 2012 e que lamentavelmente acabou não decolando em 2013.

O grupo que iniciou em outubro de 2012 (relembre) o sonho de ter uma confraria bem estruturada aqui no ABC e que teve ótimos encontros, infelizmente se desfez, mas um novo grupo foi formado, agora com membros ainda mais apaixonados pelo vinho e pela boa comida, uma dupla que se completa e que será sempre o norte dos nossos encontros.

Como serão os encontros?

Aproximadamente a cada mês nos reuniremos em torno de um tema central para avaliarmos alguns vinhos eleitos previamente, de acordo com opções do mercado: facilidade de compra, preço, indicação de algum confrade, disponibilidade por algum produtor, ... e buscaremos opções de pratos para a harmonização. Os vinhos serão degustados, preferencialmente às cegas e, ao final do encontro, faremos a classificação com a nota final de cada um sendo a nota média dos presentes, sempre descartando a maior e a menor nota. No final do ano faremos um encontro onde os "vencedores" de cada encontro serão novamente provados para elegermos o "campeão" do ano.  

Obviamente o grupo ainda não está fechado e novos apaixonados que se identificarem com essas ideias e queiram participar, podem entrar em contato através do e-mail vinhosim@uol.com.br que sua solicitação será avaliada pelos fundadores da Confraria Vinho SIM com toda atenção. Produtores e importadoras que queiram trazer ideias e sugestões para os encontros também devem entrar em contato pelo mesmo e-mail.

1o Encontro/2014

Tema: Sauvignon Blanc Novo Mundo
Local: Empório Hedoniste - Santo André


Neste primeiro encontro tivemos a participação de 12 confrades, a maior parte amigos de algum tempo, mas também contamos com novos participantes, gente que veio pra somar, aprender e compartilhar momentos de descontração e diversão, também objetivos da CVS.

Degustamos 6 vinhos, todos na faixa de preço aproximada entre R$ 40,00 e R$ 100,00, contemplando África do Sul, Argentina, Brasil, Chile e Nova Zelândia. A Argentina foi a única com 2 exemplares na noite, pois o confrade Arnaldo Grizzo trouxe uma amostra extra para o painel.

A seguir, os vinhos da noite, na sequência que foram degustados.

1. Casa Rivas 2012


Simples e correto. Boa tipicidade e gostoso de beber. É um vinho para acompanhar pratos leves e pouco condimentados, uma ótima opção para o dia a dia. Alcançou nota média 15,4, de certa forma surpreendente para seu preço (R$ 45,00), denotando ótima relação qualidade-preço.

2. Doña Paula Estate - 2012


Bom vinho, fácil de beber, com boa acidez e conjunto aromas-sabores leve, delicado, mas que peca um pouco no quesito tipicidade. Com nota média de 14,1 pontos e custo de R$ 75,00, mostrou-se com relação qualidade-preço um pouco aquém do desejado.

3. Bellavista Estate 2012


Possivelmente a maior decepção da noite, pelo menos para a maioria dos confrades. Apesar de dois participantes o considerarem o melhor do painel, sua nota média de 13,4 pontos o colocou como o pior desempenho da noite. Não seria justo afirmar que se trata de um mau exemplar, porém mostrou-se muito pouco típico, sem as tradicionais notas cítricas, minerais e florais que se espera de um Sauvignon Blanc. O custo de R$ 71,00 o deixa com uma relação qualidade-preço aquém do desejado. 

4. Ken Forrester Vineyards 2011


Para mim, uma grata surpresa. Mineral com algum toque defumado bem interessante. Ótimo frescor e certa complexidade dão a este exemplar condições de escoltar diversos pratos, desde os clássicas frutos do mar, até risotos como o de salmão defumado, de limão siciliano, de camarão e outros. Não é um vinho de baixo custo, mas sua nota média de 15,5 pontos faz com que os R$ 91,00 cobrados por ele valham a pena.

5. Brookfields Vineyards 2008


O mais bem pontuado da noite, superou com relativa facilidade seus "concorrentes", como já podia se esperar, uma vez que é um vinho com custo um pouco acima dos demais (lembrando que todos exemplares foram degustados às cegas!). Certamente o mais típico dos 6 vinhos do painel, com toques de frutas cítricas e brancas, somados à mineralidade e frescor na medida certa. Saboroso e com certa complexidade. Certamente um ótimo exemplar produzido com Sauvignon Blanc encontrado no nosso mercado. Sua degustação pede o acompanhamento de pratos frescos e que, se possível, possuam boa complexidade e exuberância de sabores. Minha sugestão vai dede as tradicionais ostras, mariscos e vieiras, até os pratos da culinária oriental.

6. Finca La Florencia 2012


Mais um exemplar correto, bom para o dia a dia. Simples e eficiente. Gostoso de beber e com acidez ideal, bem equilibrada pela fruta. Sem grandes pretensões, pode ser uma boa opção para um aperitivo, saladas ou mesmo para uma pizza de atum.

RESULTADO FINAL - SAUVIGNON BLANC NOVO MUNDO

Vinhos degustados na sequência da prova, da esquerda para a direita.

Vinho / Produtor
Safra
Região
País
$ médio
Nota
1
Brookfields Vineyards
2008
Hawkes Bay
Nova Zelândia
R$ 108,00
16,4
2
Ken Forrester
2011
Stellenbosch
África do Sul
R$ 91,00
15,5
3
Casa Rivas
2012
Vale do Maipo
Chile
R$ 45,00
15,4
4
Doña Paula Estate
2011
Vale do Uco
Argentina
R$ 75,00
14,1
5
Finca La Florencia
2012
Mendoza
Argentina
R$ 42,00
13,6
6
Buena Vista Estate
2012
Campanha - RS
Brasil
R$ 71,00
13,4

Galera reunida. Descontração total à espera do jantar no Empório Hedoniste, sede do primeiro encontro de 2014 da Confraria Vinho SIM.
E foi assim.

Próximo encontro!

O encontro de abril da CVS já está acertado.
Dia 04, o Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, nos receberá para o tema Chardonnay barricado x Chardonnay não-barricado. Promessa de mais uma noite de muito bate-papo e estudos!

Dúvidas, sugestões e comentários diversos, deixe seu recado aqui em baixo.


Que Baco nos ilumine!

sábado, 22 de março de 2014

Vinícola brasileira lança vinho em taça!


A vinícola catarinense Villaggio Grando, da região de Água Doce, será a primeira vinícola do Brasil, em parceria com a empresa Bendito Vinho de São Paulo, a produzir vinho em taça descartável, lançamento que promete agitar o segundo semestre deste ano.


A qualidade do produto, segundo o diretor comercial da vinícola, Guilherme Grando não será alterada. "Vinho envasado em taça, já é vendido na França e na Itália e é ótimo para eventos. Testamos o produto na taça descartável e comprovamos que a qualidade não é alterada. A taça chegará ao mercado com custo entre R$ 10,00 a 15,00, a taça e o material é plástico descartável, ideal para grandes eventos como por exemplo, partidas de futebol", afirma Guilherme.


Apesar de ser uma grande novidade por aqui, o vinho em taça fez um barulho no início do ano 2012, quando a empresa londrina Wine Innovations lançou no mercado inglês três versões (um branco de Sauvignon Blanc, um rosé de Sangiovese e um tinto também de Sangiovese) de seu tulipan, o primeiro vinho em taça do mundo!

Parece-me uma ideia bem interessante, mas vou confessar
que não me empolgo muito. De qualquer forma, novidades são sempre bem vindas ao mercado. Provarei assim que possível e conto minhas impressões aqui!

E você, o que acha desta ideia?

segunda-feira, 17 de março de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - Ranking Vinho SIM 2014 - Categoria EXTRA BRUT & NATURE - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Depois de um dia muito intenso, avaliando quase 40 amostras das categorias Brut Branco (relembre) e Brut Rosé (relembre), ambos produzidos pelo Método Tanque – popularmente chamado de Charmat -, partimos para o 2o dia de provas onde avaliamos os espumantes produzidos pelo Método Tradicional – Champenoise – divididos em três categorias, Brut Branco, Brut Rosé e Extra Brut & Nature, tema deste post.

Infelizmente em 2013 não obtive número significativo de amostras para realizar esta categoria e então avaliamos os espumantes que chegaram juntamente com os da categoria Brut - Tradicional, o que acabou gerando uma certa confusão no painel, motivo pelo qual decidi não divulgar os resultados, acreditando que a comparação não foi adequada. No entanto isso é passado e para esta 2a Edição do RVS foram catalogadas 10 amostras entre Extra Bruts e Natures, o que mostra o significativo aumento na produção deste tipo de vinho no Brasil e, certamente, mais um exemplo de autoconfiança e coragem dos nossos produtores.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Marcelo Iabiku, proprietário da importadora Hedoniste e do Empório Hedoniste e Jeriel da Costa, crítico de vinhos e autor do Blog do Jeriel 
Vanessa Sobral, autora do blog Falando sobre Vinhos e colaboradora da Revista Adega e Talita Martinez, colaboradora do blog Vinho SIM

Ressalto novamente o número de vinícolas convidadas para a prova: 70, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já expliquei nos artigos das categorias Brut Branco e Brut Rosé – Tanque, seguindo o que acontece em alguns dos principais concursos do mundo, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos.

CATEGORIA EXTRA BRUT & NATURE – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Perini Nature
Farroupilha - RS
Ch e PN
R$ 75,00
15,9
2
Dunamis Extra Brut 2012
Serra Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 50,00
15,6
3
Guatambu Nature 2012
D. Pedrito – C. Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 52,00
15,6
4
Valmarino & Churchill 2011
Pinto Bandeira – RS
Ch (90%) e PN
R$ 61,00
15,6
5
Estrelas do Brasil Rosé
Bento Gonçalves - RS
PN, Ch, Vi e RI
R$ 80,00
15,1
6
Campos de Cima Extra Brut
Campanha Gaúcha
Ch e PN
R$ 39,00
15,0

Em que

Ch: Chardonnay,
PN: Pinot Noir,
Vi: Viognier e
RI: Riesling Itálico.

1.  Perini Nature


Desde seu lançamento, o Nature da Perini vem amealhando algumas premiações e ótimas notas e não foi diferente em sua estreia nesta 2a Edição do RVS. Com os clássicos e esperados aromas de pão torrado e frutas cítricas acompanhados de ótima cremosidade e com toques de frutas de polpa branca, o espumante conseguiu a excelente média de 15,9 pontos que o coloca não apenas como grande destaque desta categoria, mas como um dos melhores espumantes do Brasil. Harmonioso, bem equilibrado e com final longo. Muito recomendado para pratos à base de frutos do mar com molhos sofisticados e amanteigados.

**** $$$$$

2.  Dunamis Extra Brut 2012


Outro estreante que chegou se destacando, conquistando a média de 15,6 pontos e se colocando entre os melhores espumantes do Brasil.
Nariz sedutor, lembrando maçãs com alguns toques de frutas secas. Na boca confirma notas de maça e mostra-se macio e cremoso, com boa acidez e final médio. É um vinho que apresenta certa complexidade bem aliada a um ótimo frescor. Sem dúvida alguma, um dos ótimos espumantes nacionais. Sua acidez marcante acompanhada de toques frutados o tornam um ótima pedida para acompanhar canapés e entradas diversas.

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3.  Guatambu Extra Brut 2012


Uma espécie de irmão mais velho de um dos maiores destaques da Edição do 2013 do RVS, o Poesia do Pampa 2011 (relembre), o Extra Brut 2012, com uma nota média de 15,6 pontos, mostra que a vinícola de Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha - RS, não veio para ser mais uma, mas sim para brilhar no cenário do vinho nacional.
Aromas de frutas cítricas com algum toque animal, ao meu ver uma das maiores características do vinho brasileiro, antecipam uma certa mineralidade levemente salgada e um ótimo frescor, que mostram a grande personalidade deste espumante. Complexo e com final médio é certamente uma ótima opção para frutos do mar frescos e preparados com poucos condimentos, como vieiras e mexilhões, além de entradas e saladas.

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4.  Valmarino & Churchill 2011


Outro que vem recebendo diversos elogios desde seu lançamento, a safra 2011 da parceria entre Nathan Churchill e Vinícola Valmarino que também foi destaque aqui no RVS, conseguindo a ótima média 15,6, graças à uma linda e fina perlage, aromas de frutas cítricas acompanhados de notas de brioche e baunilha, uma acidez refrescante, muito bem equilibrada com a fruta, tudo isso encapado por ótima cremosidade. Um espumante complexo e interessante, com toda certeza um dos melhores do Brasil. Ideal para acompanhar entradas à base de queijos e risotos diversos.

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5.  Estrelas do Brasil Rosé


Único rosé do grupo, o Nature da vinícola que vem surpreendendo o mercado desde seu lançamento, mostrou que tem qualidade e personalidade suficientes para encarar qualquer desafio, já que alguns dos melhores espumantes do Brasil estavam justamente nesta categoria. Com 60 meses de contato com as leveduras e um corte bem intrigante, que leva as clássicas Chardonnay e Pinot Noir acompanhadas de um clone de Riesling Itálico e ainda Viognier, este é um espumante complexo, denso, com diversas notas de frutas secas, panificação e até café, acompanhadas de uma ótima acidez. Cremoso, complexo, com final médio-longo, é ótima opção para acompanhar pratos da culinária oriental, desde os mais leves da japonesa, até os mais aromáticos das indiana e tailandesa.

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6.  Campos de Cima


A vinícola da Campanha Gaúcha, ainda menos conhecida no cenário nacional que o merecido, que já havia se destacado na 1a Edição do RVS com a ótima pontuação do seu Brut, agora confirma toda sua capacidade na categoria Extra Brut & Nature, apresentando um espumante de grande qualidade e preço altamente competitivo, um dos melhores, senão o melhor, na relação qualidade-preço no mercado nacional.
No nariz, a primeira impressão foi de algo que lembra um leve amargor, possivelmente cevada, mas este toque não aparece de forma negativa e sim como uma característica, que logo foi apagada pelas notas de frutas secas, mostrando evolução. Na boca, a refrescância dá o tom, mas a combinação de frutas maduras e toques amanteigados tornam este espumante certamente um dos mais destacados da prova. Muito recomendado para entradas e pratos à base de peixes e frutos do mar no geral.

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Nesta categoria foram avaliadas 10 amostras, sendo que 6 delas atingiram os 15 pontos (ou mais) de média, o maior percentual de aproveitamento de todas as categorias e bem acima da média geral, em torno dos 30%.

Conclusões:

1. Nos últimos tempos houve um nítido aumento no interesse dos produtores em elaborar produtos sem adição de licor de expedição, mostrando que a cada ano a vontade de mostrar produtos mais autênticos é mais aflorada.
2. Esta categoria foi a que apresentou o maior rendimento de todas, com 60% das amostras atingindo a nota média de 15 ou mais pontos, um incrível aproveitamento.
3. Aqui não estão os espumantes mais frescos e tampouco os mais “diferentes”, no entanto certamente é nesta categoria onde notamos os verdadeiros riscos que nossos produtores aceitam correr, produzindo espumantes de grande qualidade que mostram exatamente aquilo que podemos esperar do Brasil.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos e novas safras desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

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