quarta-feira, 13 de maio de 2015

Os melhores BRANCOS ATÉ R$ 50,00 do Brasil - Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés 2015


Pelo 3º ano consecutivo  tive o prazer de organizar uma grande degustação de vinhos nacionais, que desde o início intitulei Ranking Vinho SIM

Depois das edições 2013-14 e 2014-15 realizadas somente com espumantes, neste ano resolvi voar por outros vinhedos e convidar as vinícolas a colocar a prova seus BrancosTintos Rosés. 

Como não poderia deixar de ser, neste ano a degustação foi também surpreendente. Cumprindo seu principal objetivo de ser uma vitrine amplamente democrática no cenário do vinho nacional, esta 1a Edição do Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés consolidou o trabalho de algumas vinícolas já conhecidas do grande público e apresentou algumas "novidades" que certamente serão muito comentadas nos próximos anos no cenário nacional e internacional.

Desde a 1ª Edição do RVS (Espumantes), eu mencionei que minha maior motivação para criar e organizar esta prova era a busca por respostas à algumas dúvidas, que, três anos depois, confesso ainda não saber, embora já possa ter algumas desconfianças.

1. Por que as notícias em torno do vinho brasileiro tratam quase sempre das mesmas vinícolas?

2. Por que, quase sempre, são premiados os mesmos vinhos?

3. Quem são os vinhos destaque na relação QUALIDADE-PREÇO?

Vale ressaltar que para esta prova convidei mais de 80 vinícolas, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos. Estaria aqui parte das respostas que busco?

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos vinhos que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como nota média mínima os 16 pontos (vinho considerado ÓTIMO - no limite para o REFINADO - para mais detalhes consulte os CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO do blog) que correspondeu a algo em torno de 20% das mais de 100 amostras avaliadas, sendo os resultados completos enviados individualmente por e-mail aos produtores.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma alguma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem.

Para a melhor compreensão do que foi esta Edição do RVS de Brancos, Tintos & Rosés, bem como o completo entendimento das regras do evento recomendo a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Posto isso, vamos aos destaques da categoria Branco até R$ 50,00.


Que, em resumo, foram descritos assim: 

Kranz Sauvignon Blanc 2012


A fantástica nota média de 16,8 quase fala por si só sobre este SB da vinícola de Treze Tílias - SC. Maracujá, grama molhada e arruda aparecem no nariz. Na boca tem ótima acidez e uma gostosa mineralidade que lhe confere elegância. Um belo branco nacional por R$ 40,00.


Luar do Pampa Chardonnay 2014


É da Campanha Gaúcha - RS que vem o melhor Chardonnay até R$ 50,00 do Brasil. O preço médio de R$ 34,00 parece muito baixo para um vinho com tamanho equilíbrio entre notas cítricas e frutas de caroço maduras, permeadas por belo tostado. Excelente persistência para um vinho desta faixa de preço.

Monte Paschoal Virtus Chardonnay 2014

Baita surpresa da prova, este Chardonnay da Monte Paschoal (Basso), da Serra Gaúcha - RS é, sem dúvida, um campeão da relação QUALIDADE-PREÇO. Por R$ 18,00 é possível provar um vinho de ótima tipicidade, que mostrou abacaxi, pêssego e algum toque de mel. Ótima acidez, muito refrescante e equilibrado.

Santa Augusta Moscato Giallo 2014

Do Vale do Contestado, Videira - SC vem este Moscato Giallo, da Santa Augusta, cpm preço médio de R$ 40,00. No nariz aparece banana, abacaxi maduro, notas de ervas frescas, flores e até uma pimenta branca. Na boca é bastante sedutor, com boa acidez e final levemente adocicado. Para mim, um dos grandes vinhos do Brasil, especialmente por sua personalidade. 

Luar do Pampa Gewürztraminer 2014


Outro vinho da mesma linha (Luar do Pampa) d Guatambu (Campanha Gaúcha - RS). A Gewürztraminer vem aparecendo de forma cada vez mais excitante em bons vinhos nacionais. Este, na casa dos R$ 34,00, mostra lichia, groselha verde, pêssegos e rosas. Na boca, o destaque vai para o ótimo equilíbrio fruta-acidez. Muito versátil.


Aracuri Sauvignon Blanc 2013

De Campos de Cima da Serra - RS vem este SB da Aracuri. Nariz pleno de maçã-verde e limão siciliano, com algo mineral emoldurando. Na boca, ótima acidez e mineral, com alguns tons salgados que dão um charme especial a este ótimo exemplar nacional.

Rio Sol Chenin Blanc - Viognier 2014

O inusitado corte vem diretamente do Vale do São Francisco - PE/BA. Outra mostra que é possível fazer um ótimo vinhos por um preço super acessível (R$ 19,00). Aromas florais, de lichia e algo de toranjas são confirmados na boca, acompanhados por bela acidez e um final muito gostoso.


Ótima experiência, ótimos vinhos e a certeza - cada vez maior - que o Brasil caminha a bons passos para um sucesso cada vez maior no mercado mundial de vinhos.

Gostaria de deixar aqui meu agradecimento à todas as vinícolas participantes e aos "Wine Experts" que me ajudaram nesta avaliação.

Vem mais por aí.

Que Baco nos ilumine.

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Saca-Rolhas Vinho SIM: Pousada Bicho do Mato - Gonçalves - MG


Novidade aqui no Vinho SIM, galera! É a seção Saca-rolhas!

Trata-se de um espaço onde vamos compartilhar dicas de restaurantes, pousadas e afins que não cobram a tão abominada (pelo menos por nós) "taxa de rolha". Compreendo todas as questões que envolvem a cobrança (serviço, taças, etc), mas não frequento lugares em que meu vinho não é bem vindo. Se tenho opção, por que não buscar?

Bem, chega de bla-bla-blá ... aos trabalhos.

Quem inaugura a seção é a Pousada Bicho do Mato, localizada em Gonçalves, Sul de MG, em plena Serra da Mantiqueira.

Estando em área de proteção ambiental, a Pousada tem confortáveis e espaçosos chalés com linda vista, sacada e lareira, além de muito silêncio. Uma caminhada pela pequena trilha por mata nativa - nas dependências da própria pousada -, a piscina aquecida e a sauna à vapor com uma fantástica vista pras montanhas vão tornar sua estada muito relaxante e especial.

 

A gastronomia merece um destaque.

O café da manhã é bem caprichado. Além das tradicionais frutas frescas (algumas delas colhidas na própria pousada), pães, geleias e queijos típicos da região, um detalhe torna este momento do dia mais especial: a pousada disponibiliza uma chapa no fogão à lenha com todos utensílios necessários para que os hóspedes possam preparar parte de seu café como queiram: ovos, queijo quente, lanches, pães e etc. Pequenos cuidados que fazem toda a diferença.


E os vinhos, onde entram nisso tudo?

Já. O jantar, incluso nas diárias, possui sempre bom cardápio, com entradas, sopas, saladas e prato principal. A Pousada tem uma pequena carta de vinhos, satisfatória para grande parte dos consumidores, mas que pode deixar a desejar se você for um enófilo com um pouco mais de experiência. Porém, nem isso vai atrapalhar sua experiência, já que, dizendo que viu este artigo aqui no Vinho SIM, você poderá levar seu vinho e curti-lo tranquilamente sem o pagamento da "taxa de rolha".





Como foi nosso caso com esse espetacular Calchetas 2005, da Bodega Viña Magaña, da DO Navarra, Espanha, o qual já comentei aqui, mas resumo a seguir.

Durante muitos dos últimos anos considerada uma região para produção de vinhos a granel, Navarra se reinventou a partir dos anos 2000 e vem mandando para o mundo vinhos suculentos, densos, com aquela "rusticidade refinada" que tanto adoramos aqui no Vinho SIM e de personalidade marcante, como é o caso deste exemplar.
O interessante corte de 50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e 15% Malbec, bastante inusitado na Espanha, amealhou nada mais, nada menos que 95 pontos de Robert Parker e foi companhia perfeita para a gastronomia esmerada do 
Restaurante Sauá, altamente recomendado.
Isto é, natureza, conforto, boa gastronomia e a possibilidade de beber o vinho que quiser sem se preocupar com taxa de rolha ou qualquer cobrança do tipo te esperam na Pousada Bicho do Mato.

Vem mais por aí ...

Que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

ND: Magaña Calchetas 2005

Durante muitos dos últimos anos considerada uma região para produção de vinhos a granel, a DO Navarra (Espanha) se reinventou a partir do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 e agora vem, anoa após ano, mandando para o mundo vinhos suculentos, densos, com aquela "rusticidade refinada" que tanto adoramos aqui no Vinho SIM e de personalidade marcante, como é o caso deste exemplar, o Calchetas 2005, da Bodega Viña Magaña.

A vinícola, localizada na parte sul de Navarra, tem uma história recente muito interessante. Trinta anos atrás, seu proprietário, Juan Maganã, teve uma visão: depois de pesquisar os melhores vinhos do mundo, ele decidiu cultivar "uvas Bordeaux" na região. Para isso, foi atrás de matrizes e comprou estacas Merlot exatamente do mesmo "berçário" que (diz a lenda!) forneceu videiras para o famoso Château Pétrus.

É difícil saber quanto disso é verídico, mas o que é certo é o grande objetivo da vinícola, especialmente com este Calchetas, é ter um vinho que possa evoluir por, pelo menos, 20 anos. Para isso, não há dúvida que a vinícola não mediu esforços, escolhendo com todo cuidado as melhores uvas (50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e Malbec 15%) de seus vinhedos plantados em 1970. Desde a fermentações alcoólica (passando pela malolática, já em barris de carvalho) até o afinamento de 12 a 14 meses em barricas de carvalho francesas, a vinificação de cada casta foi realizada em separado, ocorrendo o assemblage somente após este período. Decidido o corte, o vinho passou mais 10 meses em carvalho até ser engarrafado. Mais alguns meses na adega e, finalmente, o vinho está pronto para o consumo.

O interessante corte de 50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e 15% Malbec, bastante inusitado na Espanha, amealhou nada mais, nada menos que 95 pontos de Robert Parker. Vamos à prova.




Tive a sorte de provar este vinho algumas vezes e em anos diferentes, o que me deu uma boa condição não apenas de analisar suas características no momento da prova, mas também a forma que vem evoluindo no decorrer dos anos.
Sua cor já mostra o sinal dos tempos, um vermelho bem acastanhado, mas límpido. No nariz já não mostra toda a vivacidade de alguns anos atrás, por outro lado os aromas de couro e terrosos fazem bela companhia para um delicioso fundo de mirtilos maduros ainda envoltos por toques defumados do carvalho. Na boca, a acidez já não aparece mais como nos últimos anos, tornando o vinho menos vivaz, porém ainda muito equilibrado, com destaque agora para uma mineralidade que faz belo par com as frutas negras supermaduras. Os taninos ainda existem (bem madurinhos) e um final gostoso e longo fazem esta prova valer (e muito) a pena. 

REFINADO (17/20) / ~ U$ 50,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Os melhores TINTOS ATÉ R$ 50,00 do Brasil - Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés 2015


Pelo 3º ano consecutivo tive o prazer de organizar uma grande degustação de vinhos nacionais, que desde o início intitulei Ranking Vinho SIM

Depois das edições 2013-14 e 2014-15 realizadas somente com espumantes, neste ano resolvi voar por outros vinhedos e convidar as vinícolas a colocar a prova seus BrancosTintos Rosés. 

Como não poderia deixar de ser, neste ano a degustação foi também surpreendente. Cumprindo seu principal objetivo de ser uma vitrine amplamente democrática no cenário do vinho nacional, esta 1a Edição do Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés consolidou o trabalho de algumas vinícolas já conhecidas do grande público e apresentou algumas "novidades" que certamente serão muito comentadas nos próximos anos no cenário nacional e internacional.

Desde a 1ª Edição do RVS (Espumantes), mencionei que minha maior motivação para criar e organizar esta prova era a busca por respostas à algumas dúvidas, que, três anos depois, confesso ainda não ter obtido, embora as desconfianças sejam cada vez maiores.

1. Por que as notícias em torno do vinho brasileiro tratam quase sempre das mesmas vinícolas?

2. Por que, quase sempre, são premiados os mesmos vinhos?

3. Quem são os vinhos destaque na relação QUALIDADE-PREÇO?

Vale ressaltar que para esta prova convidei mais de 80 vinícolas, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos. Estaria aqui parte das respostas que busco?

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos vinhos que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como nota média mínima os 16 pontos (vinho considerado ÓTIMO - no limite para o REFINADO - para mais detalhes consulte os CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO do blog) que correspondeu a algo em torno de 20% das mais de 100 amostras avaliadas.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma alguma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem.

Para a melhor compreensão do que foi esta Edição do RVS de Brancos, Tintos & Rosés, bem como o completo entendimento das regras do evento recomendo a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Posto isso, vamos aos destaques da categoria Tintos até R$ 50,00.


Que, em resumo, foram descritos assim: 

Villagio Grando CS 2012


Diretamente de Campos de Herciópolis - SC vem este Cabernet Sauvignon da Villagio Grando que, por R$ 45,00, fez a cabeça dos jurados com sua sedutora paleta aromática frutada com algum perfumado floral e boca com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira.


Perini Fração Única CS 2012


Do Vale Trentino, em Farroupilha - RS vem mais um dos destaques do RVS 2015, outro Cabernet Sauvignon que, com seus toques terrosos e acidez vibrante conquistou os jurados. A Perini vem provando a cada dia que, por R$ 36,00, se pode provar ótimos vinhos.

Valmarino Tannat 2013

Vem de Pinto Bandeira - RS o melhor Tannat abaixo dos R$ 50,00 desta edição do RVS. R$ 36,00 muito bem pagos por um vinho com ótima tipicidade, mostrando toques de chocolate e uma acidez muito agradável. Convite para o tradicional churrasco gaúcho.

Rastros do Pampa Merlot 2012

Vem da Campanha Gaúcha - RS o melhor Merlot desta prova que, R$ 45,00 entrega muita fruta, uma incrível maciez, além da melhor avaliação no quesito vontade de continuar bebendo. Para mim, o melhor vinho da categoria geral, uma das minhas escolhas para o Wine Experts!

Casa Salvador CS 2013


Da Serra Gaúcha - RS vem o exemplar de menor custo entre todos os destaques. O preço aproximado de R$ 20,00 é a prova que é sim possível fazer um vinho de muito boa tipicidade, com frutas envoltas por toques mentolados e terrosos e ótima acidez. Fantástica relação QUALIDADE-PREÇO. Outra das minhas escolhas para o Wine Experts!


Valmarino Sangiovese 2013

Segundo vinho da Valmarino emplacado entre os destaques, confesso que até bem pouco tempo atrás não imaginava que um Sangiovese, ainda mais nesta faixa de preço (R$ 36,00), pudesse aparecer como um dos melhores tintos nacionais. Apesar de não lembrar muito os Sangiovese italianos que conhecemos, é um vinho com ótimo equilíbrio e boa presença de frutas frescas. 

Santa Augusta Sarau 2010

O clássico corte de Cabernet Sauvignon (70%) e Merlot (30%) também faz sucesso no Vale do Contestado, Videira - SC. Aqui a madeira já aparece com mais firmeza, aportando elegância às notas de frutas e à muito boa acidez. O melhor corte do Brasil na sua faixa de preço (R$ 35,00) é um vinho a ser observado com muita atenção.


Ótima experiência, ótimos vinhos e a certeza - cada vez maior - que o Brasil caminha a bons passos para um sucesso cada vez maior no mercado mundial de vinhos.

Gostaria de deixar aqui meu agradecimento à todas as vinícolas participantes e aos "Wine Experts" que me ajudaram nesta avaliação.

Vem mais por aí.

Que Baco nos ilumine.

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés


Posso começar este artigo cravando: 2015 reserva grandes emoções para o vinho brasileiro. Pelo menos até onde possa alcançar o Blog Vinho SIM.

Depois do sucesso das edições 2013 e 2014 do
RVS de Espumantes Nacionais, 2015 é a vez "olhar" para outros vinhos nacionais que também adoramos, os "vinhos tranquilos". Hora dos Brancos, Tintos e Rosés: a 1ª Edição do Ranking Vinho SIM para "vinhos tranquilos" finalmente saiu do papel.

Foram praticamente 3 meses de trabalho de seleção, catalogação e organização das amostras e mais algumas semanas de avaliações cuidadosas e criteriosas até que o RVS 2015 pudesse sair do papel. Trabalho proporcional ao prazer de ver produtos nacionais tão bem feitos e em plena evolução. Caminho certo pros "nossos" vinhos.

Apesar de todo prazer em realizar este trabalho,
infelizmente nem tudo é elogiável. Dia após dia, leio sobre vinícolas e mais vinícolas se queixando da pouca exposição na mídia (exceto quando o conteúdo é pago!), da valorização excessiva dos vinhos importados, do consumidor brasileiro preconceituoso com nossos vinhosa e uma infinidade de outras reclamações, mas na prática o que temos?

Conto pra vocês.

De mais de 80 contatos feitos com praticamente todas as vinícolas brasileiras quase 30 delas não responderam nenhum dos meus (três) e-mails convidando-os a participar da prova. Isso mesmo, quase 
40% daqueles que vivem reclamando nem ao menos se deram o trabalho de dar um retorno a quem se interessa tanto pelo vinho nacional. Que tipo de apoio estão esperando para seus vinhos?

Não vou negar que este tipo de descaso me entristece e desanima um pouco, mas ainda assim a decisão de seguir adiante e realizar a prova se mostrou acertada. Foram recolhidas 
mais de 100 amostras, separadas em 5 categorias: 1. Branco até R$ 50,00; 2. Branco acima de R$ 50,00; 3. Tinto até R$ 50,00; 4. Tinto acima de R$ 50,00 e 5. Rosé, todas avaliadas às cegas por um seleto grupo de especialistas.

Desta forma construímos uma análise o mais verdadeira possível da qualidade destes produtos e, ainda mais, construímos um comparativo o mais honesto possível entre eles. Um comparativo limpo, real, democrático e sem apelo midiático, sem nenhum tipo de lobby e muito menos campanhas publicitárias.

Os resultados de tudo isso estão sendo tabulados por categorias e se transformando no 1º Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés.

Regras 

A degustação, conduzida completamente às cegas e, como em todas as avaliações feitas no blog Vinho SIM, o o sistema adotado pontuou os vinhos com uma nota que varia de 0 à 20 pontos, sistema este inspirado em artigos do sommelier Enrico Bernardo, do crítico português João Paulo Martins e da crítica inglesa Jancis Robinson, avaliadores com os quais tenho maior identificação. Mais detalhes podem ser encontrados na seção Como Avaliamos no menu principal do blog.


NOTA FINAL de cada amostra é a média aritmética das notas de cada convidado-jurado, descartando-se a menor e a maior delas.

Símbolos

Para o leitor menos interessado em aspectos puramente técnicos, "criei" uma escala de avaliação mais simplificada que leva em conta basicamente dois quesitos:
1) O vinho tem virtudes que me fazem dizer que é de qualidade?
2) Depois de provar a primeira taça, tenho vontade de continuar bebendo?
Esta escala consiste em atribuir * (1 "estrela") aos vinhos que menos gostei e até ***** (5 "estrelas") aos vinhos que mais gostei, levando-se em conta qualidade e principalmente vontade de continuar bebendo.

Resumindo:


É isso.

Sugestões, críticas e comentários são sempre muito bem vindos.

Vem mais por aí. Acompanhe.

Que Baco nos ilumine!

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Desafio Brasil x Argentina de Espumantes -
Resultado Final

terça-feira, 3 de março de 2015

Vinícola Araucária (PR - Brasil): Superando preconceitos

Por João Batista Ribeiro,
São Paulo


Havíamos acabado de sair da “Grande Prova de Vinhos do Tejo” no Consulado Geral de Portugal em São Paulo, onde todos os presentes puderam provar excelentes vinhos portugueses, e seguimos então para a Cantina Nipolitana, situada na mesma região, para degustarmos os produtos de uma nova vinícola brasileira: Araucária.

Ao final da degustação, que como disse um dos participantes, foi uma atitude ousada, pois, poderiam ter sido prejudicados pela comparação com a elevada qualidade dos vinhos provados anteriormente, a reação geral foi de aprovação. Se fossem provados às cegas, poderiam participar como “intrusos” (me perdoem a expressão) da degustação anterior sem fazer feio.


Sempre se pregou que as melhores regiões para a viticultura ficam entre os paralelos 30 e 50, tanto no Hemisfério Norte como no Sul, devido ao clima favorável a essa atividade. Porém, hoje, com o avanço da tecnologia e a experiência e criatividade dos enólogos conseguem-se bons vinhos inclusive no paralelo 8, que passa pelo Vale do São Francisco, no nordeste brasileiro. Logo, não é de se estranhar que Curitiba, no paralelo 25, também nos brinde com suas delícias vínicas. O vinho brasileiro tem enfrentado muito preconceito para se impor no mercado. Principalmente se não vier do Rio Grande do Sul, como é o caso deste, por exemplo, da Vinícola Araucária, situada na região metropolitana de Curitiba, mais precisamente em São José dos Pinhais.

A história da vinícola começa em 2007, com o preparo da terra para o cultivo de oito variedades de uvas europeias: as francesas Chardonnay, Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Viognier e Merlot e as italianas Nebbiolo (dos famosos Barolo DOC e Barbaresco DOC) e Teroldego (da denominação Teroldego Rotaliano DOC, do Trentino). A primeira safra saiu em 2012, apenas com o espumante Poty e o tinto Angustifólia Cabernet Sauvignon.

É um bebê no mundo do vinho, mas já podemos contar com os espumantes da linha Poty: Brut e Demi-Sec; a linha Angustifólia: Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay; e a linha de entrada Gralha Azul Merlot. Todos bons vinhos, honestos e com ótima relação qualidade-preço. Além de uvas próprias, recebe uvas de parceiros da região. É a primeira vinícola paranaense que tem vinhedos e vinícola próprios. Os produtores paranaenses, antes deles, compravam uvas de fora e vinificavam. A vinícola conta com um programa enoturístico e está prestes a inaugurar um restaurante em suas dependências.

A Araucária, com seus produtos, procura homenagear a terra e a gente do Paraná.

Poty é uma homenagem ao desenhista, ceramista e muralista Poty Lazzarotto (1924-1998) de Curitiba. Os rótulos dos espumantes são ilustrados com suas obras.

Angustifólia é o nome científico da Araucária, que também é conhecida pelo nome indígena de Curi, de onde saiu o nome da cidade de Curitiba. Os rótulos desta linha são ilustrados com uma Araucária estilizada, além de um desenho geométrico dos calçadões de Curitiba no rótulo do Chardonnay.

Gralha Azul é a ave considerada como principal disseminadora da Araucária, além de ser a ave símbolo do Paraná.

Agora, vamos aos vinhos:

Espumante Poty Brut

Método Tradicional, Chardonnay (70%) e Pinot Noir (30%). 24 meses “sur lies”. Amarelo dourado pálido, borbulhas finas e persistentes. Aromas elegantes de tostado, pão, frutas cítricas, abacaxi. Em boca tem uma espuma cremosa, acidez refrescante, confirmando as frutas, pão e levemente amanteigado. Bastante agradável. Pode ser servido como aperitivo, mas acompanha bem saladas, peixes, frutos do mar, carnes brancas. Sirva entre 6º a 8ºC.

Espumante Poty Deimi-Sec

Método Tradicional, Chardonnay (70%) e Pinot Noir (30%). 12 meses “sur lies”. Amarelo dourado pálido, borbulhas finas. Aromas frescos de frutas brancas. Em boca um pouco doce, leve toque tostado, maçã verde e pera. Agrada bem ao paladar brasileiro, que prefere um vinho não tão seco. Sua versatilidade permite combiná-lo com molhos agridoces, molhos a base de mel ou sobremesas. Pode ser servido entre 6º a 8ºC.

Angustifólia Chardonnay

Amarelo limão médio. Aromas de frutas frescas, cítricos, notas de damasco e um toque tostado. Em boca é seco, tem boa acidez, corpo médio, bem equilibrado, frutado, toques de amêndoas e madeira bem integrada. Foge um pouco do Chardonnay habitual, mas é bem refrescante e agradável. Acompanha carnes brancas, aves, peixes, frutos do mar. Sirva entre 8º a 10ºC.

Angustifólia Cabernet Sauvignon


Vermelho rubi com reflexos violáceos. Aromas de frutas vermelhas, especiarias, notas balsâmicas e tostado. No paladar é seco, acidez muito boa, álcool equilibrado, corpo médio, frutas vermelhas, tostado, madeira integrada sem incomodar e sem sobrepor a fruta. Não apresenta aquele herbáceo comum em Cabernets e tem um bom final de boca. Harmoniza com carnes assadas, molhos densos e massas. Sirva entre 15º a 18ºC.

Angustifólia Merlot

Vermelho rubi. Aromas frutados, especiarias, couro, chocolate. No paladar é seco, boa acidez, álcool equilibrado, taninos bons e macios, bom corpo, frutas negras, couro, chocolate e um bom final de boca. Harmoniza com carnes brancas, vermelhas, massas, molho de tomate. Sirva entre 15º e 18ºC.

Gralha Azul Merlot

Vermelho rubi com reflexos violáceos. Aromas frutados com toques de especiarias e terrosos. Em boca é seco, boa acidez, álcool equilibrado, corpo leve, taninos bem resolvidos, muita fruta vermelha, especiarias e um leve tostado. Um vinho de entrada, despretensioso, leve e muito refrescante, apesar de tinto, sua estrutura assemelha-se mais a de um “rosé mais encorpado”. Ideal para um bate papo descontraído entre amigos, acompanha bem pratos leves, risotos de funghi ou de queijo, carnes vermelhas, carnes brancas, fondue, queijos leves. Melhor se servido entre 10º a 12ºC.

Participaram da degustação:

Wagner Gabardo (conduziu a degustação), João Batista Ribeiro, Ivana S. C. Feijó, Suellen Adur, Juliano Tija, Marly Rubio, Ata Hostin, Consuelo Ribas, Eunice Rocha, Luiz Belfort Rizzi, Flávia Helena Ricci e Dani Fedrigo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ND: Rio Sol Cabernet Sauvignon - Syrah 2013


É ... meus amigos e minhas amigas, quem disse que

1. tem que gastar muito pra beber um bom vinho (R$ 19,00)?
2. vinho bom e barato tem que ser chileno ou argentino (Esse é brasileiro - do Vale do São Francisco - PE)?
3. você tem que apelar pros Reservados (arghhhh) quando quer algo pra acompanhar suas refeições do dia a dia (uma massa à bolonhesa ou sugo, um picadinho, um bife acebolado e por aí vai ...)?

Parafrasevinhando o maior de todos (W. Shakeaspeare), "há (bem) mais coisas interessantes pelas terras desse 'Brasilzão' do que sonha a nossa vã filosofia".

Blog Vinho SIM sempre apoiou e apoia o vinho brasileiro, de forma que não é novidade para ninguém o aparecimento de NDs deste vinhos por aqui e, em 2015, vem muito mais por aí ...
Diretamente das terras do Pernambuco, mais precisamente no município de Lagoa Grande nasce, em 2002, o projeto Vinibrasil, popularizado Brasil afora como Rio Sol. Como descrito no próprio site da vinícola, "os vinhos são marcados pela tipicidade Nordestina, mas num estilo internacional e de qualidade inquestionável respeitando os padrões mais rigorosos."

O projeto contou com investimentos de portugueses, por isso, como ainda nos conta o site "foi realizado um protocolo com o Instituto Superior de Agronomia, da Universidade Técnica de Lisboa, para acompanhar a investigação in loco e potenciar os conhecimentos existentes a nível mundial. De fato, este projeto tem tudo de novo: a região (sertão nordestino), o clima (semi-árido) e a latitude (paralelo 8). Tal como foi classificado por Jancis Robinson, este vinho não é do Novo Mundo, mas sim de uma nova categoria chamada Nova Latitude.

Este corte de Cabernet Sauvignon + Syrah da safra 2013i da linha Rio Sol (note bem o belo rótulo com um 8 (oito) formado entre as letras "O", referência ao paralelo 8, onde se localiza a vinícola), sem passagem por madeira, é um vinho leve, fresco e com boa fruta. Um exemplar sem grandes pretensões, porém bem elaborado, reunindo toques vegetais típicos da CS com uma certa picância da Syrah bem interessante.

Num momento em que é comum se reclamar do preço dos vinhos nacionais (especialmente quando comparados aos nossos vizinhos sulamericanos) este exemplar é uma alternativa a ser considerada. Recomendo.

R$ 19,00

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?