segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Bodega Casarena (Mendoza 2014)


A Casarena é muito mais conhecida no Brasil pelo nome de uma das linhas de vinhos, a Ramanegra, mas a história da vinícola mendocina vai muito além.

A antiga Bodega Carlos Bertona foi fundada em 1937 e passou por longos anos de quase ostracismo até ser comprada e completamente remodelada em 2007, onde recebeu o nome que é uma referência à “Casa de arena” (Casa de Areia), cor original do grande galpão da vinícola e que os atuais donos fizeram questão de manter para preservar uma certa originalidade e, porque não, um certo saudosismo.

O empreendimento é bastante interessante e a vinícola, localizada em Luján de Cuyo, está praticamente colada aos seus 4 vinhedos - área cultivada de aproximadamente 160ha - de idade entre 5 e 80 anos, onde se produz Malbec, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Sauvignon Blanc y Chardonnay.

Guiados pelo simpático Rodrigo Piriz, conhecemos um pouco das instalações, onde tivemos a oportunidade de provar alguns vinhos diretamente dos tanques e também conversar um pouco com uma das enólogas da vinícola, Paula Gonzalez, que, além de compartilhar um pouco de sua experiência conosco, também nos contou um pouco sobre um novo projeto da Casarena, um vinho ícone – ainda sem nome –, que pudemos provar em processo final de afinamento em tanque pequeno de aço e nos pareceu muito bom. Acompanhe no vídeo a seguir.



Depois deste pequeno tour pela Bodega, fomos à sala de degustações para provar alguns vinhos que já estão no mercado, cujas impressões estão na sequência.


Ramanegra Reserva Malbec 2012

Com 12 meses de afinamento em barricas francesas de 2º uso, apresenta um nariz de frutado maduro, típico dos Malbecs. Na boca é redondo, com acidez média e final agradável.

Nota VS: 16/20

Preço Brasil: R$  82,00


Ramanegra Reserva Red Blend 2012

Corte de 70% Malbec, 20% Cabernet Sauvignon, 7% Cabernet Franc e 3% Petit Verdot é uma verdadeira bomba de frutas, tanto no nariz, quanto na boca. Mescla muito interessante de frutas vermelhas e negras com madeira muito integrada. Boca muito madura com final agridoce.

Nota VS: 17/20

Preço Brasil: R$  82,00





CF Lauren´s Vineyard 2011

Com 18 meses de afinamento em barricas de 1º uso, este Cabernet Franc é uma das grandes "promessas" de Mendoza, principalmente por sair do lugar comum da Malbec. Concentrado e complexo, seus taninos firmes e maduros aliados à excelente acidez o colocam como ótima opção para guarda. Persistência muito longa.

Nota VS: 17,5/20

Preço Argentina: AR$  260,00 (TOP 10 Mendoza 2014)
Preço Brasil: R$ não disponível


E foi assim.

Bodega Casarena

Por que visitar?

Bodega com grande história na vitivinicultura mendocina.

Produção anual (vinhos finos): 1,2 milhões litros
Importador no Brasil: Magnum (visitar site)

Avaliação VS

 Clique para ler os critérios de avaliação


Que Baco nos ilumine!

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Confraria Vinho SIM - Julho/2014 - Malbec


A Confraria Vinho SIM continua a plenos pulmões e no "friozinho" do inverno paulista não haveria tema melhor do que o escolhido pelos confrades para este encontro: Malbec & Churrasco!

Diferentemente do que fizemos nos demais encontros, para comemorar o nosso 5º encontro, decidimos nos reunir na casa de um dos confrades para que assim pudéssemos desfrutar um pouco mais dos vinhos, das carnes e da companhia sem a preocupação do tempo ou de qualquer outra variável.

Será que deu certo?


Aproveitando a ocasião mais descontraída e divertida, fizemos uma modificação na forma de avaliar os vinhos da noite. No lugar das notas dos encontros anteriores, decidimos que cada um dos 9 confrades presentes apontaria os seus 3 favoritos da noite, sem a necessidade ou preocupação de dar uma nota ou mesmo fazer qualquer tipo de avaliação técnica.

O resultado foi muito interessante e tivemos um empate triplo na eleição do "campeão" da noite.


Vinho / Produtor
Safra
$ médio (R$)
Votos
1
Cadus Malbec of Vineyards / Nieto Senetiner
2011
120,00
5

Synthesis / Sophenia
2010
130,00
5

Temporis / Achaval Ferrer
2010
* / **
5
4
Malbec Alto / Angelica Zapata
2009
175,00
3
5
Gran Reserva / Humberto Canale
2011
130,00
2
* Não disponível no Brasil
** Eleito nas safras 2008 e 2009 como um dos 50 melhores vinhos argentinos por Robert Parker, com 98/100 pontos.

5. Humberto Canale Gran Reserva 2011

Começamos com um belo exemplar da Patagônia, cujo frescor e vivacidade dão o tom, mostrando um estilo de Malbec diferenciado dos superconcentrados e frutados que recheiam o mercado brasileiro.


4. Angelica Zapata / Malbec Alto 2009

O aclamado Angelica Zapata é um dos vinhos mais Malbecs argentinos mais conhecidos do mundo, principalmente por seu regularidade. Sempre cheio de fruta e complexidade agradou em cheio aos confrades.

1. Achaval Ferrer / Temporis 2010

O produtor argentino (juntamente com Cobos) que vem recebendo as mais expressivas notas da crítica mundial nos últimos anos mantem seu estilo cheio de fruta e especiarias e com notas defumadas e florais que agradam muito. Já está ótimo, mas me parece longe de seu auge.

1. Sophenia / Synthesis 2010

Diretamente do Vale do Uco (Mendoza) a vinícola Sophenia nos brinda com este Malbec cheio de notas de chocolate, tabaco e especiarias doces. Um vinho delicioso, com conjunto fruta-acidez excepcional que o coloca como um ícone no quesito 'vontade de continuar bebendo'.

1. Nieto Senetiner / Cadus Malbec of Vineyards 2011

Possivelmente o mais pronto dos vinho da noite, este corte de três vinhedos de Malbec é "O" vinho para se abrir acompanhando um belo asado argentino e desfrutar de uma harmonização perfeita e sem complicações. A picanha ao ponto elaborada pelo confrade Zé Carlos caiu como uma luva para a suculência e frescor deste Blend of Malbecs 2011.

E assim brindamos mais um encontro da Confraria Vinho SIM desfrutando do clássico duo dos hermanos argentinos: malbec + churrasco harmonizado com descontração e amizade em altas doses.

Que venha o próximo e
que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

12ª Edição do Annual Wines of Chile Awards será no Brasil!


No último dia 25/09, em coletiva de imprensa realizada no Hotel Renaissansse – São Paulo e organizada pela CH2A - Comunicação, foi apresentado o Annual Wines of Chile Awards 2014 (AWoCA), concurso que elege os melhores vinhos chilenos por um júri composto por renomados profissionais de todo o mundo.

A 12ª Edição de um dos concursos mais importantes do mundo mostra a importância do Brasil para o mercado do vinho chileno, pois será pela primeira realizado fora do Chile. Naturalmente a escolha do Brasil está diretamente ligada a dois fatores. O primeiro deles é sermos, hoje, o quinto maior mercado para nossos vizinhos sulamericanos e o segundo - talvez a menina dos olhos dos chilenos - a paixão dos brasileiros pelos vinhos chilenos e, então, o potencial de crescimento deste mercado para os próximos anos.

Nesta edição serão avaliadas 600 amostras entre os dias 25 e 27/11 por um júri composto por 12 especialistas brasileiros, selecionados entre sommeliers, jornalistas e formadores de opinião, além de representantes das duas maiores associações do meio no Brasil.

Vale frisar que o convite para a participação na AWoCA, como em todos os anos, foi feito a todas as vinícolas e a adesão de 99 delas representa algo em torno de 95% do total que é exportado para o Brasil. A avaliação acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de novembro e os resultados divulgados no dia 02 de dezembro, onde serão premiadas amostras das categorias Cabernet Sauvignon, Syrah, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Carménère, Chardonnay, Rosé, Late Harvest, Sparkling Wine, Super Premium Red, Super Premium White, Red Blend, Other Reds, Other White e Best in the Show, a principal categoria que elegerá o melhor de todas as categorias.

O Vinho SIM acompanha tudo de perto e divulgará os resultados assim que estiverem à disposição. Acompanhe.

Que Baco nos ilumine!

sábado, 27 de setembro de 2014

Anota aí: Dia 03/10, Festival do vinho sulamericano em São Paulo!


A SBAV-SP (Associação Brasileira dos Amigos do Vinho) realiza no próximo dia 03/10, no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza, em São Paulo, o seu primeiro Festival do Vinho Sulamericano.

As importadoras Decanter, Interfood, Viníssimo e Zahil, assim como vinícolas como Ventisquero (Chile) e as brasileiras Miolo, Perini e Aurora estarão no evento, que será uma ótima oportunidade para provar novas safras de alguns produtos já consagrados, conhecer as novidades que sempre chegam ao mercado e, principalmente, encher sua adega par o final do ano com preços promocionais.

Quando? 03 de outubro/2014, das 16h às 21h.
Onde? Hotel Golden Tulip Paulista Plaza - Alameda Santos, 85 - Jardins - São Paulo 
Quanto? R$ 50,00 para não associado e R$ 30,00 para associados.

Mais informações diretamente na SBAV-SP (11 - 3814-7905 - vinho@sbav-sp.com.br) ou no site da CH2A Comunicação (aqui).

Vejo vocês por lá e
que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

American Wine Show São Paulo 2014: o melhor do vinho estadunidense no Brasil!

A tarde da última terça-feira, dia 24/09, reservou momentos muito especiais para o mundo do vinho em São Paulo, onde a importadora Smart Buy Wines - organizadora da maior degustação de vinhos dos Estados Unidos já realizada no Brasil, a American Wine Show 2014 -, através de seus proprietários, Odmar e Giselda Badelucci, apresentou para a imprensa e convidados alguns dos vinhos estadunidenses mais prestigiosos no nosso mercado.

O evento contou com representantes de algumas vinícolas, assim como alguns outros grandes nomes ligados ao vinho norte americano, como o Master Sommelier Geoff Kruth, Vivien Gay, presidente do Conselho Internacional do Napa Valley, Jeff Gordon, o primeiro presidente da Associação dos produtores de uvas de Washington, dentre outros.

O serviço foi conduzido pelo sommelier da Smart Buy, Marcos Martins, acompanhado pela equipe da BOS BBQ, sede do encontro e considerada a primeira Barbecue House do Brasil.


Foram apresentados 7 rótulos, todos do catálago da importadora, cujas impressões pessoais apresento a seguir.

Chateau Montelena Chardonnay 2010

O 100% Chardonnay de Napa Valley é um clássico dos brancos estadunidenses, com o tradicional toque inicial amadeirado (10 meses de barricas de carvalho francês, 8% novas) - neste caso bem afinado e integrado no conjunto -, bom frutado alternando entre o fresco e o maduro, muito boa acidez e uma ponta de álcool no final. Vinho interessante, mas com o preço um pouco salgado pro nosso mercado.

Nota VS: 16/20 - Preço: R$ 417,00

Duckhorn Merlot 2011


Mais um representante do Napa Valley, que na verdade é um corte de 83% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon, 2,5% Petit Verdot, 2,5% Malbec e 2% Cabernet Fran, com 15 meses de passagem por barricas francesas, 25% novas e 75% de segundo uso.
O ataque aromático inicial tem destaque para gostosos toques defumados, que seduzem e, ao mesmo tempo, encobrem um pouco a esperada presença de um frutado típico dos Merlots, que aparece com certa discrição. Na boca, essa "decepção" inicial desaparece e as notas de cerejas e ameixas dão a tônica, acompanhadas por algo especiado e um ótimo frescor.   

Nota VS: 16/20 - Preço: R$ 399,00
















Clos du Val Cabernet Sauvignon 2010

Outro representante do Napa Valley que é um corte de 86% Cabernet Sauvignon, 5% Merlot, 7% Cabernet Franc e 2% Petit Verdot, com 10 meses de passagem por barricas de carvalho francês.
O famoso Clos du Val agrada sempre e, nesta safra, não foi diferente. Para mim este é um exemplar para se colocar em livros de vinificação da CS, uma verdadeira bomba de groselhas frescas com menta, contornada por deliciosos toques amadeirados. Um vinho intrigante que traz doçura e frescor em camadas e consegue mostrar complexidade aliada a uma facilidade de beber de dar inveja aos melhores produtores do mundo. 

Nota VS: 17,5/20 - Preço: R$ 246,00

Ferrari-Carano Prevail 2005


Este representante do Alexander Valley é um corte de 65% Cabernet Sauvignon e 35% Syrah com amadurecimento em carvalho francês (não encontrei o tempo) 65% de primeiro uso e 35% de segundo uso.
A safra 2005, embora não apresente nenhum defeito já me parece em declínio. Os aromas de fruta supermadura já parecem um pouco enjoativos no nariz, mas a (ainda) boa presença da madeira conseguem suavizar a impressão inicial. Por pouco tempo, já que o paladar ressente de acidez, sensação que é potencializada pela pontada de álcool que parece sobrar no final. Uma pena não poder provar safras mais jovens (a que está atualmente no catálogo é a 2009) para conferir essas impressões.

Nota VS: 15/20 - Preço: R$ 359,00 (safra 2009)








Buena Vista Zinfandel 2010


Partimos agora para um exemplar produzido com 100% Zinfandel de Sonoma, um dos carros-chefes da vitivinicultura estadunidense. Com 14 meses de passagem por barricas de carvalho francês, americano e húngaro, mostrou-se cheio de fruta, com framboesa e mirtilo sem moderação, acompanhados por algum toque especiado. Gostoso tostado, boa acidez e um final médio-longo.

Nota VS: 16/20 - Preço: R$ 149,00


.













Silver OAK 2008


Outro representante do Alexander Valley, o sexto vinho da prova é o sempre constante Silver OAK, 100% Cabernet Sauvignon com 25 meses de passagem por barricas de carvalho americnano, 50% novas.
Opulento, complexo e de ótima estrutura. Nariz cheio de frutas negras, com destaque para groselhas, acompanhadas por toques mentolados e de especiarias doces. Na boca tem taninos super redondos, perfeito conjunto fruta-acidez, que são um convite intermitente para o próximo gole. O preço não é dos mais convidativos, mas, ainda assim, vale a prova.

Nota VS: 18/20 - Preço: R$ 860,00 (2009) e R$ 537,00 (2010)


Gordon Estate Syrah 2010


Este 100% Syrah de Columbia Valley, com passagem de 22 meses de barricas de carvalho é certamente um dos exemplares estadunidenses mais interessantes no nosso mercado. Considerado um Syrah de clima frio traz um nariz cheio de toques de frutas frescas, flores e ervas frescas. Na boca tem ótimo conjunto fruta-acidez em perfeita harmonia com uma textura sedosa e amanteigada e um final longo e encantador. Certamente a melhor relação qualidade-preço da tarde.

Nota VS: 17/20 - Preço: R$ 152,00


Considerações finais.

- Odmar e Giselda Badelucci acertaram em cheio organizando, de forma inédita, um encontro para apresentar vinhos dos Estados Unidos ao mercado brasileiro. Pioneirismo, ousadia e coragem louváveis num mercado cada vez mais previsível, mas sedento por novidades.

- Os vinhos estadunidenses (pelo menos os apresentados!) têm diversos atributos para agradar ao paladar brasileiro e a seleção feita pela importadora me parece bem criteriosa e detalhada visando realmente nosso mercado. O único "asterisco" ate então é o preço, principalmente se levarmos em conta a gama de produtos que existe no Brasil.

O destaque final vai para o ótimo trabalho de assessoria prestado pela Inbox Comunicação, através da Fernanda Lage, exemplar desde os primeiros contatos até a data do encontro.

Deixo aqui meus parabéns à organização geral do evento.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O vinho brasileiro evolui bem (3)? [Marco Luigi Brut 10 anos - 2001]


A internet é uma ferramenta incrível, já completamente integrada ao nosso cotidiano, mas ao passo que seu uso segue crescimento exponencial, cresce também exponencialmente a quantidade de bobagens publicadas, por isso o leitor tem que tomar bastante cuidado com o que lê e, principalmente, de que forma é influenciado pelo que lê. Infelizmente um número cada vez maior de publicações cometem enganos (será mesmo que são meros enganos?) e o principal deles são comentários baseados em "achismos", avaliações feitas sem nenhum critério acadêmico cujo único objetivo é o marketing 
Depois de provar a safra 2004 do Cabernet Sauvignon da Lidio Carraro e a safra 2005 do Desejo da Salton, seguimos provando mais exemplares da nossa adega pessoal para subsidiar a resposta à pergunta "O vinho brasileiro evolui bem?" e agora provamos um espumante, o Marco Luigi Brut 2001, um espumante que permaneceu 10 anos (não, eu não digitei errado, são 10 anos mesmo!) em contato com as borras!

O amarelo dourado não muito intenso, mas muito brilhante, os delicados aromas de damascos secos, amêndoas, nozes e brioche e a boca untuosa, com um gostoso frescor são suficientes para responder a pergunta.  Apesar da quantidade de gás um pouco abaixo do desejado, este é um espumante cuja prova é obrigatória para qualquer enófilo.

REFINADO (18/20) 

Vem mais por aí. Acompanhe.


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Artigos relacionados


O vinho brasileiro evolui bem?
Lidio Carraro CS 2004
Gheller Cabanha Tannat 2008

O vinho brasileiro evolui bem [2]?
Salton Desejo 2005

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Uma noite especial em Mendoza: vinho, jantar e astronomia! Pode ter algo mais especial?

 

Mendoza, a cidade apelidada de Cidade do Sol, agora também pode ser considerada a Cidade das Estrelas! Isso mesmo, a Cidade das Estrelas! Isso por conta de uma atividade recente que vem revolucionando a forma de fazer turismo em Mendoza.

A cidade, super reconhecida por suas fantásticas vinícolas e sua crescente gastronomia agora conta com uma opção de passeio que, pessoalmente, me encantou bastante, chamado Vino, Cena & Astronomia, promovida pela Tres Marias Wine Tours uma operadora/receptivo local que vem trabalhando de uma forma muito séria, proporcionando ao turista diversas opções que há pouco nem se imaginava na capital do vinho argentino.

A atividade, que é conduzida, nada mais nada menos, pela renomada astrônoma Beatriz Garcia, do Observatório Pierre Auger, em Malargüe e com diversos trabalhados publicados na área, é descrita pela própria pesquisadora do CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas) da Argentina assim:

"Enmarcado por montañas y vides, el paisaje celeste puede transformarse en el lienzo en donde redescubrir aquellas historias que los seres humanos escribimos con las estrellas. La brújula, el reloj y el calendario se diseñan con las constelaciones y el paisaje celeste se une con el terrestre mostrándonos cómo, finalmente, existe un vínculo indisoluble entre el ser humano y el Universo".

A convite da Gabriela Castellví, uma das três Marias, conheci a atividade, que foi realizada na Bodega Otaviano na fria noite do dia 04/07 e fiquei muito surpreso com a organização e qualidade apresentados, que mostraram todo o respeito que as três vertentes da atividade - o vinho, a comida e astronomia - merecem.

Prática:

Começamos a atividade com uma pequena aula ainda dentro da bodega sobre como observar o céu noturno a olho nu a partir de uma carta celeste bastante simples e eficiente e logo depois saímos para testar as dicas. Primeiro ponto positivo para a atividade: todos os participantes conseguiram identificar as principais constelações na linda noite mendocina!

A aula continua com mais algumas dicas sobre o céu noturno e, logo depois somos convidados a voltar para a bodega para começar a desfrutar da parte mais conhecida de Mendoza, seus vinhos e sua gastronomia. Segundo ponto positivo para a atividade: apesar da temperatura de pouquíssimos graus Celsius, diversos participantes (dentre eles, este que vos escreve, claro!) quiseram ficar mais um pouquinho observando. Também é claro que a Beatriz nos acompanhou!



Entre um assunto e outro e uma dúvida e outra, fomos conduzidos à mesa e recebidos por deliciosas empanadas acompanhadas pelo ótimo Penedo Borges Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2012, um vinho carnudo, de muita presença na boca e conjunto fruta-acidez muito equilibrado. 


O jantar ainda continuou com duas opções de caldos quentes, um elaborado a partir da humita, uma espécie de creme de milho com alguns temperos, muito comum na região e outro a partir de lentilhas. Ambos fantásticos, cheios de sabor local. Terceiro ponto positivo: a união do vinho mendocino com a comida local sempre traz grandes harmonizações, além de nos dar a possibilidade de compreender um pouco mais da cultura local.


Depois do jantar ainda tivemos mais algum tempo de observações. Agora munidos com um binóculo somos convidados a observar a Lua e entender um pouquinho mais sobre o nosso único satélite natural! O saboroso (e quentinho) jantar e os vinhos ajudaram a aguentar o frio que fazia fora da bodega.

Depois da segunda parte da aula, ainda fomos brindados com uma degustação de chocolates com o vinho colheita tardia da Otaviano e café!


E foi assim.

A atividade é mais comum de ser realizada no verão, com direito à caminhadas pelos vinhedos e taça de espumante nas mãos, porém, ao meu ver, é imperdível em qualquer época do ano, já que temos a possibilidade de observar "diversos céus" ao longo do ano, além de todo charme que só o inverno pode proporcionar.




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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

4º Tasting Wines of Chile São Paulo - Masterclass "Os Extremos do Chile" - Vinhos comentados

No início de agosto aconteceu em São Paulo a 4ª Edição do Tasting Wines of Chile, um já tradicional evento na capital paulista que sempre traz grandes notícias e novidades do vinho chileno.   inoram apresentados, em sequência , dos quais falarei um pouco mais em breve aqui no Vinho SIM.


Novo mapa vitivinícola do Chile. Fonte: Wines of Chile

Lago Ranco Sauvignon Blanc 2013 (Casa Silva)

Sauvignon Blanc mais extremo (Sul) do Chile que expressa toda a influência do Lago Ranco e da Cordilheira dos Andes. Vinho impossível de ser comparado com os demais SB chilenos. Não muito expressivo no nariz e muito fresco na boca, com uma acidez crocante e elegante. Muito gostoso, mas não impressiona. Como todos os outros, vale muito a prova para conhecer algo novo.

Nota VS: 15/20

Talinay Chardonnay 2012 (Tabalí)

Do extremo Sul viajamos quase 2000km Norte para chegar ao Vale do Limarí, de onde provém este exótico Chardonnay, que apresenta deliciosas notas de papaia com delicados toques minerais. Grande concentração de sabores, muito equilibrado e final longo. Excelente vinho, destaque da degustação.

Nota VS: 17/20

Los Patricios Chardonnay 2012 (Pandolfi Price)

Seguimos nossa viagem voltado ao Sul, especificamente para o Vale de Itata, uma das regiões mais antigas da vitivinicultura americana, com tradição de mais de 400 anos. O vinho apresentado passou 22 meses de barricas de carvalho, que aparecem claramente no contato inicial com a taça, fundindo-se com notas de frutas tropicais. Na boca é um vinho um tanto confuso, já que a alta acidez tenta se sobressair em relação à madeira e alguns toques minerais aparecem também. Diferentão do padrão Chardonnay sulamericano. Claro, vale a prova.

Nota VS: 15/20





Gallardía del Itata Consault 2013 (De Martino)

Seguimos no Vale de Itata com este 100% Cinsault, vindo de vinhedos com condução bem natural, sem adição de produtos químicos e sem utilização de nenhum tipo de maquinário, cuja impressão inicial é de aromas adocicados que me parecem um pouco enjoativos. Já na boca, apresenta uma ótima acidez - contrapondo um pouco a pouca acidez costumeira da Cinsault - que, juntamente com uma gostosa mineralidade e notas de framboesa fresca completam o ótimo conjunto rústico-fino do vinho.

Nota VS: 16/20






Outer Limits Old Roots Cinsault 2013 (Montes)

Ainda no Vale de Itata, a reconhecida Viña Montes é mais uma a apostar no conjunto Cinsault + Vinificação Natural. Este 2013 foi produzido a partir de cachos inteiros e não sofreu fermentação malolática. Nariz extremamente sedutor, com uma harmonia perfeita entre elegância e rusticidade que lembra muito alguns supervinhos franceses e italianos. Na boca é pleno, preenchendo todos os espaços que encontra cmo um equilíbrio entre fruta e acidez sensacional. Para mim, é apenas uma questão de tempo para ser aclamado como um dos grandes vinhos chilenos.

Nota VS: 18/20

Tara Red Wine 1 (Vinho base Pinot Noir 2012) (Ventisquero)

Do tradicional Vale de Itata, partimos novamente rumo norte chegando ao Vale Huasco, extremo norte chileno, já quase no deserto do Atacama para provar este incrível Pinot Noir, para mim o melhor vinho da Masterclass. Aromas e sabores que mesclam framboesas e terra molhada, envoltos por toques quase salgados que lembram cogumelos em conserva. Um dos grandes Pinot Noirs sulamericanos, muito mais similar ao estilo Borgonha que com os tradicionais (e não gostosos!) "novo mundenses" cheios de fruta e madeira. Final longo e levemente salgado.

Nota VS: 18/20

Los Despedidos Pais 2013 (San Pedro)

Voltamos agora ao vale de Itata para vivenciar uma experiência única, praticamente uma volta no tempo: provar um exemplar produzido com a uva Pais, uma tradicionalíssima casta chilena por muitos anos esquecida pelos enólogos. Boa dose de frutas vermelhas frescas com um contorno adocicado, que eu, particularmente, não sou muito fã. Sem dúvida é um vinho que vale a prova por toda a história e tradição que que o envolve, mas creio que lhe falte um pouco de acidez. Final médio.

Nota VS: 15/20





Syrah Aconcagua Costa 2012 (Errazuriz)

O Aconcágua é a nossa próxima parada, onde provamos um Syrah de vinhedos localizados à apenas 12km do Oceano Pacífico. Aqui aparece aquele azedinho de cerejas frescas acompanhados por notas de pimenta branca, que voltam a encantar na boca. A acidez muito gostosa que limpa o palato é um convite para massas com molhos generosos de tomates frescos ou mesmo para embutidos. Vinho muito elegante, um campeão no quesito 'vontade de continuar bebendo' com final longo e gostoso.

Nota VS: 16,5/20

El Insolente Carignan 2010 (Rogue Vine)

Voltamos ao Vale de Itata para degustar um vinho produzido com mas casta que vem dando grandes resultados no Chile nos últimos anos. O nariz cheio de frutas e couro com toques defumados e a boca com um certo ar de rusticidade, aquele "quê" de "sem maquiagem" são um brande convite para conhecer e provar este vinho. Sem dúvida um ótimo exemplar para desfrutar e estudar.

Nota VS: 17/20





Piedras Pizarras Cabernet Sauvignon 2013 (Santa Carolina)

E o que seria de uma degustação de vinhos chilenos sem um Cabernet Sauvignon? Este do Vale Cachapoal consegue expressar algumas características típicas da casta, como algo mentolado e notas de groselha, com alguns toques de terra e um ar rústico que reflete seu terroir e o estilo de vinificação que a vinícola adota nesta linha. Encerramos a degustação com mais exemplar digno de ser provado.
Nota VS: 17/20
E foi assim, vinhos bem diferentes do "padrão-Chile" que nos acostumamos a provar nos últimos tempos o que, pessoalmente, me deixou bastante animado, já que a mesmice que o mercado tem se tornado e nos apresentado tem tornado algumas provas muito monótonas e previsíveis. Os próximos anos prometem grandes novidades ...

Que Baco nos ilumine! 

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?